Publicidade

Posts com a Tag Sadia

sexta-feira, 5 de agosto de 2011 Judiciário | 05:00

Tribunais punem sócios e não empresas, revela pesquisa

Compartilhe: Twitter

Em fevereiro deste ano, dois ex-executivos da Sadia foram os primeiros condenados no país pelo crime de insider trading, ou seja, uso de informações privilegiadas e sigilosas. Na época, a acusação era de que os dois se aproveitaram de informações privilegiadas sobre operações envolvendo os frigoríficos Sadia e Perdigão para negociar ações na Bolsa de Valores de Nova York.

Esse é apenas um dos inúmeros casos de decisões judiciais que responsabilizam sócios e administradores de empresas. Segundo levantamento feito pela equipe de direito societário do Martinelli Advocacia Empresarial, entre os anos de 2008 a 27 de julho deste ano— tanto os tribunais superiores quanto os de primeira instância costumam decidir sempre em prol da condenação de sócios ou executivos de alto cargo dentro das empresas.

Foram analisadas as decisões que versam sobre esse assunto no Supremo Tribunal Federal (STF), com seis casos; Superior Tribunal de Justiça (STJ), com seis julgamentos; Tribunal Superior do Trabalho (TST), com quatro decisões, além dos tribunais de São Paulo (8), Rio de Janeiro (5), Santa Catarina (5) e Rio Grande do Sul (5).

Só para se ter uma ideia, no STF foram julgados seis casos de responsabilização dos sócios. Em todas as decisões, as jurisprudências apresentadas confirmam a responsabilização de administradores e sócios por atos da sociedade. O mesmo perfil foi confirmado no STJ e TST.

Já no Rio de Janeiro, o relatório da Martinelli entendeu se tratar de um “tribunal mais tendencioso a separar a responsabilidade dos sócios e administradores da responsabilidade da sociedade. Contudo, existem posicionamentos jurisprudenciais que adotam entendimento pela responsabilização dos sócios”, diz o estudo.

Já na justiça gaúcha, a pesquisa revela que o tribunal se posiciona no sentido de responsabilizar excepcionalmente sócios e administradores por atos da sociedade, exceto quando se tratar de execução fiscal, onde os sócios e administradores são responsabilizados.

Tipos de ações
O estudo do escritório revelou ainda que causas envolvendo matérias do direito trabalhista, consumerista e ambiental têm alcançado o patrimônio dos sócios e administradores com crescente facilidade e frequência.

Nem mesmo os administradores de entidades do terceiro setor estão a salvo, já que a pesquisa verificou casos de comprometimento dos bens destes gestores.

Para tanto, a advogada responsável pela área societária do escritório, Juliana Martinelli aconselha que sócios e gestores cuidem da organização de seus patrimonios pessoais, atentem para o acordo de sócios, revisem os documentos da empresa e não se descuidem dos atos regulares de gestão.

Para a especialista, é imprescindível a separação do patrimônio pessoal e familiar dos sócios e administradores das atividades operacionais das empresas interessando, muitas vezes, a retirada de bens não-operacionais do ativo das sociedades e, se necessário, adiantamento de herança legítima aos filhos, com a manutenção de todos os direitos aos atuais proprietários.

Prevenção
Entre as medidas preventivas com a finalidade de evitar a responsabilização do administrador, ela lista a adotação de um processo compartilhado de decisões, a obtenção de opiniões técnicas e especializadas para o embasamento das decisões e, mais importante, a decisão de manifestar-se expressamente quando houver discordância com relação a qualquer medida tomada.

Para casos específicos em atos envolvendo maior responsabilidade, Juliana aconselha a contratação de apólice de seguro D&O (“Directors & Officers”). Trata-se de seguro de responsabilidade civil com o objetivo de cobrir riscos específicos por danos decorrentes de reclamações contra as pessoas seguradas.

Outra figura jurídica que surge para a segurança do administrador é o contrato de indenidade, que obriga a sociedade a ressarcir o administrador quanto a responsabilizações que ele venha a sofrer por atos praticados no melhor interesse da empresa, ainda que já não trabalhe mais nela.

Leia também:
Crime de insider trading dobrou em 2010
Ex-diretores são condenados à prisão por informação privilegiada

Notas relacionadas:

  1. Sem Badin e Mattos, julgamentos no Cade se complicam
  2. Discórdia entre ministros breca novo nome ao Cade
Autor: Marina Diana Tags: , ,

quarta-feira, 6 de julho de 2011 Concorrência | 18:52

Pressão pode fazer Cade mudar data de julgamento do caso Sadia e Perdigão

Compartilhe: Twitter

Previsto para voltar à pauta no Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência na próxima semana, dia 13, a união da Sadia e Perdigão tem movimentado as salas do órgão antitruste em Brasília. Tanto as empresas envolvidas no caso BRF Brasil Foods quanto as demais interessadas, como a concorrente Dr Oetker, tentam opinar na decisão dos conselheiros. Com isso, o caso pode ser adiado para 27 de julho.

Nesta quinta-feira (7/7), representantes da Oetker se reúnem com o conselheiro Alessandro Octaviani Luis. Os advogados já se reuniram também com os conselheiros Ricardo Ruiz e Marcos Veríssimo. Na última segunda (4/7), representantes da BR Foods se reuniram com os conselheiros Ricardo Ruiz, Alessandro Octaviani, Marcos Paulo, Olavo Chinaglia, além do procurador do Cade, Gilvandro Vasconcelos. A reunião durou 3 horas.

Agora, a Oetker tenta fazer frente às investidas da BR Foods. A empresa deve marcar ainda neste mês audiência com Olavo Chinaglia, o que deve adiar o julgamento. Isso porque a agenda do Cade esta programada ate 14 de julho, o que se traduz em tempo suficiente para a Dr Oetker falar com todos os conselheiros até o fim do mês.

“Eles são ‘impugnantes’ da operação. Significa que estão levando dados e informações para convencerem os conselheiros a decidirem desta ou daquela forma. Também podem estar reforçando a necessidade de vender uma das marcas, demonstrando que é factível, por exemplo. Podem estar tentando salvar a própria pele ou quem sabe não estão de olho em comprar algo da fusão”, opina uma fonte ligada ao Cade.

Apenas o relator Carlos Ragazzo se pronunciou sobre o caso, votando contra a operação entre as gigantes de alimentos.

“O mesmo advogado dessa empresa [Dr. Oetker], aliás, fez outras impugnações representando a Basf no caso Sanofy-Aventis/Medley e a CSN no caso Camargo Correa/Votorantim/CIMPOR. Está virando especialista em impugnações”, comentou a fonte.

Notas relacionadas:

  1. Fusão Sadia-Perdigão pode embaralhar escolha do novo presidente do Cade
  2. Cade adia julgamento da união Sadia-Perdigão
  3. MPF atuou errado no caso da Sadia-Perdigão
Autor: Marina Diana Tags: , , ,

terça-feira, 28 de junho de 2011 Concorrência | 05:00

Processo contra Abrinq por cartel volta ao Cade junto com BrFoods

Compartilhe: Twitter

Apesar de constar na pauta do próximo dia 29 do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o julgamento envolvendo a Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedo) e seu presidente Synésio Batista da Costa deve ter um veredito em 13 de julho.

A pauta do órgão antitruste nessa data, aliás, estará movimentada. Isso porque no mesmo dia o caso envolvendo a fusão entre Perdigão e Sadia para a formação da Brasil Foods (BRF) deve ser novamente julgado pelo Cade.

Assim como o caso da Abrinq, a discussão envolvendo os gigantes do setor de alimentos aparece na pauta da próxima quarta-feira (29/6), mas apenas por questões burocráticas. Ambas serão adiadas.

“O caso está sub júdice [sob o exame da justiça], mas já me confirmaram que entra na pauta do dia 13”, disse o advogado que defende a Abrinq, André Cutait de Arruda Sampaio, do O. C. Arruda Sampaio Sociedade de Advogados.

Coincidência ou não, uma reunião está agendada para o dia 30 de julho no Cade entre o conselheiro Alessandro Octaviani envolvendo os advogados da Mattel.

Só para elucidar melhor, o caso chegou ao Cade depois de uma denúncia movida pela norte-america Mattel. A empresa gravou uma reunião na qual o presidente da Abrinq buscava induzir fabricantes a fixar preços mínimos para evitar a importação de brinquedos da China.

Tanto a associação quanto Costa são investigados por suposta formação de cartel. O conselheiro Octaviani pediu vistas do processo na última sessão do Cade.

Leia mais:
Cade adia julgamento de processo contra Abrinq por cartel
MPF atuou errado no caso da Sadia-Perdigão

Notas relacionadas:

  1. Cade vai julgar possível cartel em revenda de gás
  2. BRFoods tem duas semanas para reverter reprovação no Cade
  3. Cade adia julgamento de processo contra Abrinq por cartel
Autor: Marina Diana Tags: , , , ,

sábado, 18 de junho de 2011 Concorrência | 06:13

MPF atuou errado no caso da Sadia-Perdigão

Compartilhe: Twitter

Primeiro a se manifestar no processo da BRF Brasil Foods, fruto da união entre Sadia e Perdigão, o Ministério Público Federal (MPF) viu negada a sua tentativa de adiar o julgamento do caso. “O MPF atuou errado no caso da Sadia-Perdigão e perdeu a mão. Os argumentos deles [MPF] foram totalmente imaturos”, disse uma fonte ligada ao Cade.

O órgão antitruste divulgou que o processo entraria na pauta do dia 8 de junho no primeiro dia deste mês. O MPF chegou a pedir vista dos autos, mas o pedido foi negado em plenário.

O procurador-geral do Cade, Gilvandro Vasconcelos Coelho de Araújo, defendeu que o julgamento não deveria ser adiado porque a solicitação do MPF aconteceu após a publicação da pauta.

É preciso que se tenha maturidade institucional, não se trata atingir alguém, peço desculpas, mas é apenas exercer um direito. Não há perigo que haja aumento de prazo”, disse o representante do MPF, Luiz Augusto Santos Lima, no Cade.
Para a fonte ligada ao Cade ouvida por iG, o MPF “tomou um caminho que beirou a inexperiência”. “Os argumentos apresentados não convenceriam em nada o pedido”, disse.

A mesma fonte aposta que o caso não volte à pauta em 29 de junho. “Certamente não será trazida à pauta. Isso deve acontecer em meados de junho até para que as empresas desenhem melhor o acordo que pretendem propor. Até a posição de Carlos Ragazzo [relator do caso, e que já votou pela reprovação] pode ser alterado com o que trouxerem”, completou.

Haverá uma nossa sessão de julgamento no dia 29, mas o próprio o conselheiro Olavo Chinaglia estará ausente devido a uma viagem oficial, o que deverá deixar a reunião sem o quórum mínimo necessário.

Isso porque são necessários cinco conselheiros para julgarem, mas dois já estão impedidos: Fernando Furlan, presidente do Cade, é primo do presidente da Sadia, Luiz Fernando Furlan; e o conselheiro Elvino Mendonça foi um dos responsáveis pelo parecer da Secretaria de Acompanhamento Econômico n(Seae) sobre o caso. Eles se declararam impedidos.

Agora, sem Chinaglia, o Cade teria apenas quatro julgadores, número inferior ao mínimo.

Acompanhe:

Brasil Foods pode ser julgada em 13 de julho, diz conselheiro do Cade
Hora do Cade rejeitar a BRF já passou, diz Abipecs
BR Foods tem patrocínio do governo federal, diz advogado
Relator do caso BRF Foods no Cade vota pela reprovação do negócio

Notas relacionadas:

  1. “Caso Sadia e Perdigão é o mais complexo do Cade”, diz advogado da BR Foods
  2. Fusão Sadia e Perdigão deve parar na Justiça
  3. Cade adia julgamento da união Sadia-Perdigão
Autor: Marina Diana Tags: , , , ,

quarta-feira, 15 de junho de 2011 Concorrência | 14:21

BRFoods tem duas semanas para reverter reprovação no Cade

Compartilhe: Twitter

Duas semanas. Esse é o prazo que a BR Foods tem para convencer os conselheiros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de que a união da Sadia com a Perdigão não prejudica a concorrência no País.

Além de contar com a sorte do pedido de vista do conselheiro Ricardo Ruiz na sessão de julgamento na semana passada, a gigante do setor de alimentos levou mais uma vantagem: já que o caso não voltou à pauta nesta quarta-feira (15/6), a discussão só será retomada em 29 de junho, isso porque na próxima semana há um feriado e o órgão antitruste não fará julgamentos.

Na semana passada, o relator do caso, Carlos Emmanuel Ragazzo, votou pela reprovação do negócio. Ruiz pediu vista do processo, mas parabenizou o voto de Ragazzo.

Acompanhe:
Ação da Brasil Foods lidera altas do Ibovespa após Cade
Hora do Cade rejeitar a BRF já passou, diz Abipecs
BR Foods tem patrocínio do governo federal, diz advogado
Relator do caso BRF Foods no Cade vota pela reprovação do negócio

Notas relacionadas:

  1. Relator do caso BRF Foods no Cade vota pela reprovação do negócio
  2. BR Foods aposta que pedido de vistas possa favorecer aprovação
  3. Cade adia julgamento da união Sadia-Perdigão
Autor: Marina Diana Tags: , , , ,

Concorrência | 11:10

Cade adia julgamento da união Sadia-Perdigão

Compartilhe: Twitter

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) adiou nesta quarta-feira (15/6) o julgamento da fusão entre Sadia e Perdigão, que deu origem à empresa BR Foods em maio de 2009. Com isso, a gigante do setor alimentício ganha fôlego para desenhar melhor uma estratégica para conseguir a aprovação do negócio, mesmo com possíveis restrições.

Na semana passada, o relator do caso, Carlos Ragazzo foi contrário à fusão entre Sadia e Perdigão. Na sequência, o conselheiro Ricardo Ruiz pediu vista do processo, adiando o julgamento. A expectativa era de que o processo voltasse à pauta nesta quarta, mas Ruiz atendeu o pedido das partes que lutaram pelo adiamento na expectativa de trazer mais informações ao processo.

Segundo uma fonte ligada ao caso, após a suspensão do julgamento, a BR Foods teria iniciado uma rodada de negociações com conselheiros do órgão, incluindo inclusive propostas de venda de marcas menores como Claybom e Rezende. “A empresa quer chegar a um acordo, um TCD, desde o começo. É a única saída”, disse.

A BR Foods deve ofertar para o Cade um reforço no Termo de Compromisso de Desempenho (TCD), apresentado antes do julgamento entrar em pauta na semana passada.

Além de Ruiz, mais três relatores devem votar. “Se Ruiz trouxer um voto diferente e aceitar a oferta das partes, isso pode influenciar o voto dos demais”, afirma o especialista em direito concorrencial Bruno Drago, do Demarest e Almeida Advogados.

O conselheiro Ragazzo fez duras críticas às posturas das empresas durante os mais de dois anos que a união foi anunciada. No entendimento dele, o processo teve 63 manifestações e 19 pareceres enviados pelas partes, somando um processo com 13 mil páginas, sendo que 2.851 delas apresentadas pelas empresas, teve o objetivo de postergar a decisão do Cade.

“O voto de Ragazzo foi enfático, direto e fundamentado. A BR Foods teria que fazer uma oferta muito boa para reverter esse entendimento”, comentou Drago.

Acompanhe:
Ação da Brasil Foods lidera altas do Ibovespa após Cade
Hora do Cade rejeitar a BRF já passou, diz Abipecs
BR Foods tem patrocínio do governo federal, diz advogado
Relator do caso BRF Foods no Cade vota pela reprovação do negócio

Notas relacionadas:

  1. Fusão Sadia-Perdigão entra na pauta do Cade na próxima semana
  2. Relator do caso BRF Foods no Cade vota pela reprovação do negócio
  3. Fusão Sadia e Perdigão deve parar na Justiça
Autor: Marina Diana Tags: , , , , ,

sábado, 11 de junho de 2011 Concorrência, Fusões e Aquisições | 05:21

BR Foods tem patrocínio do governo federal, diz advogado

Compartilhe: Twitter

A possível reprovação do negócio entre Sadia e Perdigão revela bastidores de uma negociação que envolvia não apenas empresas, mas, também, o governo federal.

“A BR Foods foi constituída com o patrocínio do governo federal e dos fundos de pensão de sua esfera de influência (Previ e Petros), além do forte apoio do BNDES e a estratégia declarada de criar um ‘campeão nacional’: uma multinacional verde-amarela no setor de alimentos”, disse Sérgio Varella Bruna, de Lobo & de Rizzo Advogados, especialistas em Direito da Concorrência e Regulação no Brasil.

Na última quarta-feira (8/6), o relator do caso no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Carlos Ragazzo, votou pela reprovação da união das empresas, que criou a BRF – Brasil Foods. Para o advogado, o voto, que tinha mais de 500 páginas e contou com uma leitura de mais de quatro horas, trouxe à tona a independência do órgão antitruste no Brasil.

“A disposição revelada ontem pelo Cade de reprovar a fusão sinaliza uma emblemática afirmação de independência do órgão de concorrência frente aos interesses do Governo Federal”, opina.

Sergio Varella Bruna, que já presidiu o Instituto Brasileiro de Estudos de Concorrência, Consumo e Comércio Internacional (Ibrac), acredita que ainda possa haver negociação entre a BR Foods e o Cade.

“O Cade certamente estará disposto a retomar o diálogo caso a BRF dê sinais de que está preparada para fazer concessões desfazendo-se de uma parte importante de seus negócios. Até o final do julgamento é possível alcançar uma solução negocial”, completou.

No voto, Ragazzo determinou que as empresas desfaçam a operação ou a Perdigão (hoje BRF Foods) deverá alienar o percentual adquirido da Sadia. Se todos seguirem o voto de Ragazzo, até o final de junho não deverá existir mais a gigante no setor de alimentos.

Isso porque o conselheiro determinou que em 10 dias –a partir do término do julgamento, que deve voltar à pauta no próximo dia 15– não mais poderão coordenar as atividades relacionadas à comercialização de carnes in natura de Peru que eram permitidas no mercado nacional conforme autorizado pelo Apro.

Acompanhe:
“Não sou inflexível, quero negociar”, diz presidente da BR Foods sobre ameaça de veto
Relator do caso BRF Foods no Cade vota pela reprovação do negócio
Fusão Sadia e Perdigão deve parar na Justiça
Sob ameaça do Cade, Brasil Foods perde R$ 2,7 bilhões em junho
Cade nega pedido do MPF para adiar julgamento da BR Foods
“Caso Sadia e Perdigão é o mais complexo do Cade”, diz advogado da BR Foods
BR Foods aposta que pedido de vistas possa favorecer aprovação

Veja cronologia da fusão:
25 de setembro de 2008 – A Sadia, a maior processadora e exportadora de carne do país, anuncia perdas de R$ 760 milhões com operações de derivativos cambiais. A empresa encerra o ano com prejuízo de R$ 2,5 bilhões, o maior em seus 64 anos de história.

Maio de 2009 – Os presidentes da Sadia, Luiz Fernando Furlan, e da Perdigão, Nildemar Secches, antes concorrentes ferrenhos, anunciam a fusão entre as duas empresas e a criação da BRF Brasil Foods.

Setembro de 2009 – é concluída a troca de ações entre as empresas. A Sadia transformou-se em uma subsidiária da Perdigão, que passou se chamar BRF Brasil Foods. As empresas ainda se mantêm como entidades separadas, à espera do julgamento do Cade.

30 de junho de 2010 – Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), ligada aos Ministério da Fazenda, emite parecer em que afirma a fusão “resulta em concentrações significativas em diversos mercados relevantes de oferta de carne in natura e produtos industrializados”. A secretaria recomenda o licenciamento das marcas Perdigão ou Sadia por, no mínimo, cinco anos, além da venda de um conjunto de fábricas e unidades de abate.

Julho de 2010 – A Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, acompanha a avaliação da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae).

Maio de 2011 – Parecer dos procuradores do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomenda fortes restrições ao acordo ou a reprovação do negócio.

08 de junho de 2011 – Com um voto que durou mais de quatro horas, o conselheiro relator do Cade no caso Sadia-Perdigão, Carlos Ragazzo, votou pela reprovação da união das empresas. Um dos conselheiros pede vistas do processo e o julgamento é suspenso.

Notas relacionadas:

  1. Fusão Sadia-Perdigão entra na pauta do Cade na próxima semana
  2. Relator do caso BRF Foods no Cade vota pela reprovação do negócio
  3. BR Foods aposta que pedido de vistas possa favorecer aprovação
Autor: Marina Diana Tags: , , , ,

quinta-feira, 9 de junho de 2011 Concorrência, Fusões e Aquisições | 04:00

Fusão Sadia e Perdigão deve parar na Justiça

Compartilhe: Twitter

O mesmo caminho trilhado pelas empresas Nestlé e Garoto, quando a primeira comprou a segunda, deve ser seguido pela BR Foods, gigante de alimentos que pretende a fusão entre a Sadia e Perdigão. Isso porque a fusão deve ser reprovada no âmbito do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do Ministério da Justiça.

“Essa foi uma reação mais brusca do que o mercado esperava, já que a expectativa era a aprovação com restrições. Provavelmente, se for reprovado mesmo, o caso será levado ao judiciário e demorar muito, a exemplo do caso Nestlé e Garoto”, disse Roberto de Marino, do Peixoto e Cury Advogados.

Apesar do julgamento ter apenas um voto, o do relator do caso, Carlos Ragazzo, os demais conselheiros elogiaram a análise de mais de 500 páginas do colega de plenário. O caso foi adiado em função do pedido de vista do relator Ricardo Ruiz, e deve voltar à pauta no próximo dia 15.

“O voto dele foi bastante duro. As empresas provavelmente esperavam uma brecha para firmar o TCD [Termo de Compromisso de Desempenho], uma possível negociação, mas nem isso ocorreu”, comentou Tatiana Lins Cruz, da Advocacia José Del Chiaro.

Tática errada
O especialista em concorrência André Almeida, sócio do Almeida Advogados, acredita que a BR Foods tentou a mesma tática usada pela união entre Brahma e Antárctica, que criou a Ambev. Mas deu um tiro no pé.

“O Cade sinalizou que gostaria que eles abrissem mão de uma das marcas, mas eles estão peitando, pagando para ver e apostando em um final parecido com Brahma e Antártica e não em algo semelhante com Nestlé e Garoto”, disse o advogado, lembrando de grande casos que chegaram ao órgão antitruste.

Ele salienta que, no caso da Ambev, as empresas defendiam que o mercado relevante não era o Brasil, mas o mundo e que, por isso, uma multinacional teria mais força para competir com as gigantes no setor de bebidas. “Eles alegaram que uma multinacional teria mais musculatura para concorrer lá fora, mas isso deu certo com a Ambev, apenas”, comenta Almeida.

A diferença básica entre o caso Sadia-Perdigão e Nestlé-Garoto é que a primeira assinou um Acordo de Preservação e Reversibilidade da Operação (Apro) , que garantiu que as empresas ficassem separadas.

“Em tese, se realmente todos os demais conselheiro seguirem o voto do relator, o prejuízo vai ser menor em função do Apro, já que as empresas não foram integradas e mantiveram as estruturas totalmente independentes”, acredita Bruno Drago, do Demarest e Almeida Advogados.

Acompanhe o caso:
Sob ameaça do Cade, Brasil Foods perde R$ 2,7 bilhões em junho
Relator do caso BRF Foods no Cade vota pela reprovação do negócio
Cade nega pedido do MPF para adiar julgamento da BR Foods
“Caso Sadia e Perdigão é o mais complexo do Cade”, diz advogado da BR Foods
Ação da Brasil Foods lidera perdas na Bolsa em dia de Cade
BR Foods aposta que pedido de vistas possa favorecer aprovação

Notas relacionadas:

  1. Fusão Sadia-Perdigão pode embaralhar escolha do novo presidente do Cade
  2. Fusão Sadia-Perdigão entra na pauta do Cade na próxima semana
  3. “Caso Sadia e Perdigão é o mais complexo do Cade”, diz advogado da BR Foods
Autor: Marina Diana Tags: , , , , , , , , ,

quarta-feira, 8 de junho de 2011 Concorrência, Fusões e Aquisições | 20:07

BR Foods aposta que pedido de vistas possa favorecer aprovação

Compartilhe: Twitter

Em nota, a BRF Brasil Foods, resultado da fusão entre Perdigão e Sadia, acredita que o pedido de vistas do conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) Ricardo Ruiz pode favorecer o aval dos demais na aprovação do negócio entre as gigantes.

O conselheiro relator do caso, Carlos Ragazzo, num voto de mais de 500 páginas, recomendou que a operação seja reprovada.

“A BRF discorda do posicionamento do relator. A companhia considera o pedido de vistas positivo, por entender que o caso é complexo e, agora, com o pedido de vistas, os demais quatro conselheiros terão mais tempo para avaliar a questão. A companhia apresentou a todos os cinco conselheiros que participam da análise da operação uma proposta inicial de acordo. A BRF está, como sempre esteve, à disposição do Cade para uma solução negociada e acredita numa análise justa e imparcial do caso. (…)A aprovação da fusão é pró-competitiva e não trará prejuízo aos milhões de consumidores atendidos por suas marcas, que se beneficiarão das eficiências geradas pelo negócio, em especial com relação à efetiva queda de preços. A título de informação, no ano de 2010 os preços da BRF tiveram aumento médio de 3,6%, índice bem abaixo da inflação”, disse a BR Foods em nota.

Acompanhe o caso:
Relator do caso BRF Foods no Cade vota pela reprovação do negócio
Cade nega pedido do MPF para adiar julgamento da BR Foods
“Caso Sadia e Perdigão é o mais complexo do Cade”, diz advogado da BR Foods
Ação da Brasil Foods lidera perdas na Bolsa em dia de Cade

Notas relacionadas:

  1. Cade nega pedido do MPF para adiar julgamento da BR Foods
  2. “Caso Sadia e Perdigão é o mais complexo do Cade”, diz advogado da BR Foods
  3. Relator do caso BRF Foods no Cade vota pela reprovação do negócio
Autor: Marina Diana Tags: , , ,

Concorrência, Fusões e Aquisições | 17:39

Relator do caso BRF Foods no Cade vota pela reprovação do negócio

Compartilhe: Twitter

Com um voto que durou mais de quatro horas, o conselheiro relator do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no caso Sadia-Perdigão, Carlos Ragazzo, votou pela reprovação da união das empresas, que criou a BRF – Brasil Foods.

“Deve ser entendido que essa união não atinge artigos de luxo ou de segunda necessidade, mas de comida, e que prejudicam ainda mais a classe C e D”, disse. “Todas as marcas preferidas dos consumidores são as duas principais marcas que podem vir a ser unidas e não terão concorrência caso fiquem sob a mesma gestão”, completou.

Depois do voto de Ragazzo, o julgamento foi suspenso em função do pedido de vista do conselheiro Ricardo Ruiz que, apesar de demonstrar estar de acordo com o entendimento apresentado pelo relator do caso, preferiu ler o voto de mais de 500 páginas “com mais cuidado”.

“Eu gostaria ainda de parar e pensar um pouco. Vou me debruçar no voto e trazer o caso na sessão do próximo dia 15 [de junho]”, disse Ruiz.

Voto do relator
O conselheiro Ragazzo fez duras críticas às posturas das empresas durante os mais de dois anos que a união foi anunciada. No entendimento dele, o processo teve 63 manifestações e 19 pareceres enviados pelas partes, somando um processo com 13 mil páginas, sendo que 2.851 delas apresentadas pelas empresas, teve o objetivo de postergar a decisão do Cade.

“A aprovação desse ato tem condão de proporcionar aumento de preços e danos extremos aos consumidores. A única concorrente da Sadia sempre foi a Perdigão e vice-versa. Com a fusão, haverá o fim da rivalidade”, disse o relator.

Ragazzo também negou a possibilidade da assinatura de um Termo de Compromisso de Desempenho (TCD). Ao final do voto, o relator afirmou que as empresas devem desfazer o negócio ou a Perdigão alienar a participação societária adquirida pela Sadia, com o objetivo de evitar dano ao consumidor.

“Assinar um TCD é a contratualização de cartel”, concordou Ruiz.

Termos
Ao final do voto, Ragazzo citou o Acordo de Preservação e Reversibilidade da Operação (Apro), que garantiu que as empresas permanecessem separadas antes do julgamento.

A reprovação da operação não significa uma ruptura do status quo atual tendo em vista a existência do Apro. As empresas deverão desfazer a operação ou a Perdigão (hoje BRF Foods) deverá alienar o percentual adquirido da Sadia.

Até o desfazimento da operação o Apro ficará em vigor. Em 10 dias não mais poderão coordenar as atividades relacionadas à comercialização de carnes in natura de Peru que eram permitidas no mercado nacional conforme autorizado pelo Apro”, disse.

Acompanhe:
Cade nega pedido do MPF para adiar julgamento da BR Foods
“Caso Sadia e Perdigão é o mais complexo do Cade”, diz advogado da BR Foods
Ação da Brasil Foods lidera perdas na Bolsa em dia de Cade

Notas relacionadas:

  1. Fusão Sadia-Perdigão entra na pauta do Cade na próxima semana
  2. Cade nega pedido do MPF para adiar julgamento da BR Foods
  3. “Caso Sadia e Perdigão é o mais complexo do Cade”, diz advogado da BR Foods
Autor: Marina Diana Tags: , , , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. Última