“Juíza descumpriu acordo”, acusa presidente da Conagro

O empresário Francisco Vivoni, ao centro, acusa a juíza Eloísa Secco (à esquerda) de descumprir acordo. À direita, o leiloeiro Antonio Carlos Seoanes (Foto: TRT-SP)
Ele disse que a magistrada sabia que a empresa não daria nenhum sinal no dia do leilão, em 24 de novembro, –e que, portanto, o cheque emitido na ocasião não deveria ser depositado imediatamente– porque a Conagro deverá receber “uma remessa de dinheiro” apenas em 18 de dezembro. Com isso, o pagamento da fazenda, no valor de R$ 430 mil, seria à vista.
“O nosso pagamento integral seria feito em 18 de dezembro. Não tínhamos como fazer uma antecipação e a juíza nos autorizou a participar do leilão nessas condições. Só que depois disso ela disse que o Ministério Público ficou em cima dela e que não poderia fugir porque o leilão correria o risco de ser embargado, pela lei e pelos advogados do Wagner Canhedo”, afirmou Vivoni.
De acordo com informações fornecidas pelo Banco Central –em virtude da quebra de sigilo bancário do Grupo Conagro e de seus representantes, solicitada pela juíza Elisa Secco–, até último dia 30, a empresa contabilizava R$ 535,25. Vivoni não tinha movimentação na conta pessoal e a mulher dele, Andrea Cristina Nalim Garcia, somava R$ 880,19.
Segundo ele, a participação da Conagro no leilão aconteceu em virtude das condições de pagamento trazidas pela empresa antes do pregão.
“Eles sabiam disso. Aí, quando arrematamos, a juíza disse: ‘Se vira, dá um cheque que eu não deposito hoje’. Eles nunca vão assumir isso que eu digo, mas é a verdade. A juíza tinha incentivado isso, não num primeiro momento, mas no gabinete dela. Só que em público ela não assume isso de jeito nenhum”, acusou o executivo.
Procurada, a assessoria de imprensa do TRT-SP nega veementemente as acusações de Francisco Vivoni e ressalta que a juíza Elisa Secco “não faz acordos de bastidores e que toda a negociação foi e sempre será transparente”.
Afirma ainda que o empresário teve atendidos todos os pedidos dele para a compra da fazenda, que era dar um cheque de 15% do valor da fazenda no dia do leilão e os outros 15% em uma nova data, depois de um mês (e não os cinco dias como estava no edital). Além disso, “tudo foi feito diante dos leiloeiros e de todos que estavam presentes no pregão”. “Tudo constou no termo de acordo e foi público”, disse a assessoria.
Tumulto
Sobre as afirmações de que a Conagro tumultuou o negócio envolvendo a fazenda de Canhedo, Vivoni disse que esse nunca foi o interesse dele.
“A gente não atrapalhou o leilão, não tumultuamos nada. Nenhum lance foi dado no leilão. O nosso foi às 5h15. Ficamos ali esperando que alguém desse um lance. Se fizessem isso, não daríamos o nosso porque o pagamento não teria entrada. Nosso pagamento é único”, afirmou Vivoni, que ressaltou os futuros investimentos da empresa que ele dirige.
“Estamos investindo no Brasil. Está chegando uma remessa de dinheiro de fora para nós e chega aqui somente em dezembro. Não temos dinheiro aqui”, completou o empresário, sem citar a quantia nem de onde vem o dinheiro.
Como o dinheiro citado pelo empresário só “chega em 18 de dezembro”, a Conagro não vai oferecer proposta pela fazenda, já que o prazo da oferta pública é até 9 de dezembro. Na verdade, ele também está proibido de participar da disputa pela fazenda.
“Agora temos que correr atrás e pagar as custas dessa nossa omissão, dessa nossa crença nos outros. Ficamos como os bandidos e temos que arcar e correr atrás. O valor que temos que pagar é grande. Mas estamos aí. Ficamos expostos na mídia, ridicularizados. A verdade é essa”, desabafou Vivoni.
Sobre a Conagro, ele disse pouco. Afirmou mais uma vez, ser uma empresa nova, com investimento de fora do País e explicou o interesse pela fazenda de Canhedo. “O grupo está surgindo. Não estamos interessados no gado da fazenda, mas na quantidade de terras de área continuas, juntas, anexadas, desmatadas”, revelou o empresário.
No cartão da empresa, a Conagro consta como endereço a Avenida Faria Lima, em São Paulo. No telefone fixo, ninguém atende. No site da Conagro, a empresa se vende como experiente em todas as áreas do agronegócio. Mas as fotos, no entanto, não mostram instalações, apenas animais.
Notícia atualizada às 18h do dia 3 de dezembro de 2010
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