Debate sobre lei de crimes na internet volta após as eleições
O Projeto de Lei 84/99, que tipifica os crimes cometidos pela internet, deve voltar a ser debatido na Câmara após as eleições. Segundo informações da Agência Câmara, os deputados Julio Semeghini (PSDB-SP) e Paulo Teixeira (PT-SP), especialistas no assunto na Casa, articulam acordo com o governo para viabilizar a votação quando encerrar o pleito eleitoral.
De autoria do ex-deputado Luiz Piauhylino, a proposta ficou conhecida como Lei Azeredo, em referência ao senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que elaborou substitutivo à matéria no Senado. O substitutivo teve forte rejeição política de ativistas da internet livre, que elaboraram petição on-line contrária à matéria intitulada “Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na internet brasileira”. A petição conta hoje com mais de 156 mil assinaturas.
“Na versão original, a obrigação para a preservação de dados seria do provedor de conteúdo e do provedor de acesso. No texto atual do projeto de lei brasileiro, isenta a responsabilidade de preservação de dados pelo provedor de acesso e atribui tal obrigação ao administrador da rede”, explica Alexandre Atheniense, sócio de Aristoteles Atheniense Advogados, especialista em crimes cibernéticos.
Semeghini e Paulo Teixeira estão elaborando conjuntamente destaques (emendas) à proposta. “Há um consenso na sociedade de que, da forma como está, o texto prejudica o desenvolvimento da internet”, afirma Teixeira, que articula o diálogo com o governo para viabilizar a votação do projeto.
“Se o texto do projeto manter a previsão retirando a obrigatoriedade de preservação dos dados pelo provedor de acesso, as chances de identificação de autoria quanto aos ilícitos praticados pela internet serão bem mais reduzidas”, acredita Atheniense.
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