A escolha do novo presidente do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade) pode ser condicionada à apreciação do pedido de fusão das empresas Sadia e Perdigão. A indicação do substituto de Arthur Badin, que deixa o cargo em 11 de novembro, deve ser feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No entanto, a demora em indicar o sucessor pode motivar a mudança no órgão antitruste pelo critério de antiguidade. Assim, a vaga pode cair nas mãos do conselheiro Fernando Furlan. No entanto, como o conselheiro é primo do ex-ministro Luiz Fernando Furlan — ex-presidente da Sadia e atual co-presidente da Brasil Foods —, o conselheiro ficaria impedido de apreciar a matéria.
Assim, a cadeira de presidente do órgão antitruste passaria para um novo membro da Casa, o conselheiro Vinicius Carvalho, terceiro na linha sucessória de Arthur Badin. A discussão acontece porque o caso envolvendo as duas empresas pode, sim, ser agendado para o fim de 2010 ou início do próximo ano.
“O caso seria julgado com cinco conselheiros, já que Badin estará fora e Furlan, impedido. Agora, se mais um conselheiro se declarar impedido ou algo do gênero e não participar da votação, o prazo é suspenso e o caso voltará numa nova sessão, já que o quorum mínimo de votação é de cinco conselheiros”, explica o especialista em fusões e aquisições Sergio Varella Bruna, do Lobo & De Rizzo Advogados.
Lula, que também precisa indicar um nome para a vaga deixada por Eros Grau no Supremo Tribunal Federal (STF), vem adiado suas decisões. Isso porque a indefinição sobre o próximo presidente da República deixa em aberto o destino desses cargos. Em ambos os casos, os indicados passarão por uma sabatina no Senado Federal.
Para o atual presidente do Cade, Arthur Badin, é possível que Lula espere que se confirme o novo ministro do STF para, depois, indicar o sucessor da cadeira mais importante do órgão antitruste do País. “Provavelmente Lula não vai querer deixar de indicar alguém”, acredita.
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