Um novo capítulo –no mínimo, inusitado—engrossa a briga envolvendo a compra da empresa Schincariol pela japonesa Kirin Holdings Company, uma das empresas líderes do setor de bebidas no Japão e na região da Ásia e Oceania, em negócio fechado nesta semana por R$ 4 bilhões.
Os advogados da parte da família que tem a fatia minoritária da empresa brasileira – reunida sob a Jadangil Participações e Representações—alegam que os defensores da Kirin “infiltraram ilegalmente” um estagiário no Fórum de Itu, onde corre a ação, para ter “informações privilegiadas”.
Os advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins, do Teixeira, Martins & Advogados –que defende a Jadangil—alegam que o escritório TozziniFreire, que defende a empresa japonesa, teria colocado um estudante do 3º ano de direito da Universidade de São Paulo (USP) –e que trabalharia para o escritório– dentro do cartório de distribuição para ter acesso ao processo. Ele, por sua vez, ficava no interior do balcão, espaço reservado apenas a servidores do judiciário.
Com essas alegações, Teixeira e Martins entraram com uma representação contra o TozziniFreire e levaram o caso ao conhecimento do juiz corregedor do Fórum de Itu, que deve abrir um inquérito policial para apurar o caso.
O advogado Fernando Serec, sócio responsável pela área de contencioso de TozziniFreire Advogados, contesta as alegações dos advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins, e diz que esse procedimento envolvendo o suposto estagiário não procede.
“O processo é público. Todos podem ter acesso aos autos. Nossos dois advogados acompanham o caso de perto, como deve ser. Não procede essa informação alegada nessa representação”, disse Serec.
Ainda sem acesso à representação, Serec diz que o único procedimento que o escritório vem tomando se refere à discussão sobre a legalidade da venda, movida pelos minoritários. “Esse é o procedimento que estamos aguardando a liminar. Não sabemos de qualquer outra discussão sobre o assunto”.
Do imbróglio
Segundo o documento que iG teve acesso, o estudante A.S. “se infiltrou no cartório para ter informações relativa a ação”. Para tanto, o estudante –que ainda não é escrito como estagiário na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)—teria alegado aos funcionários do cartório que precisava fazer um estágio para acompanhar o número de ações novas naquela comarca e que, portanto, era um “pesquisador”.
O pedido de acompanhamento, que tinha validade de um dia, foi aceito pelos representantes do Fórum. A postura do estudante só despertou suspeitas porque, “ao tomar conhecimento da aludida ação, ele saía do local para fazer ligações telefônicas. Outrossim, a mesma pessoa, após tomar conhecimento de outra informação interna de distribuidor sobra a autuação da mesma ação, saiu novamente do recinto e fez nova ligação telefônica”, alegam os advogados da Jadangil.
“Não há dúvida que a conduta, além de revelar a má-fé por parte dos profissionais acima referidos [a ação cita nomes de advogados do TozziniFreire], que se utilizaram de ardil para obtenção de informação processual privilegiada, também apta a caracterizar outros ilícitos e, ainda, infração ética”, diz a representação.
iG tentou ligar no celular do estudante, número que consta na ação, mas cai na caixa postal. Ninguém foi localizado no Fórum de Itu para comentar o caso em virtude do avançado da hora.
Atualizado às 22h12 do dia 3 de agosto de 2011
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