Batalha de Itararé previdenciária
Muito discretamente – e bota discrição nisso –, uma nova redução no déficit da Previdência Social (regime geral), desta vez em julho, foi registrada pela mídia (Folha e Globo nem acharam que valia alguma menção), na semana passada. Dos R$ 46 bilhões previstos no início do ano, a previsão do déficit para 2008 caiu agora para, no máximo, R$ 38 bilhões – menos de 1,5% do PIB. Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2009, elaborada em março, o déficit da Previdência estava projetado em R$ 43 bilhões.
No acumulado do ano, até julho, o déficit está em R$ 20,3 bilhões, o que significa 20% menos do que o saldo negativo observado de janeiro a julho de 2007 Em 2008, a velocidade do aumento das receitas está muito acima do passo das despesas. É um aumento de 10,2% contra um avanço de 2,8%.
Em minha opinião, como já ressalvei em outros textos, alguns aspectos da Previdência devem ser bem avaliados e reformados. A idade mínima para a aposentadoria, com o avanço da expectativa de vida, é um deles.
Mas o fato, cada vez mais incontestável, é que, como também já escrevi anteriormente, a “sanha assassina” dos ultra-reformadores neoliberais da Previdência não faz qualquer sentido. Se já não fazia sentido do ponto de vista social, há cada vez menos dúvidas também de que não faz do ponto de vista técnico.
Bastou a economia dar um respiro e o emprego formal seguir na esteira para começar a apontar um horizonte. Em julho, por exemplo, a Previdência registrou um superávit no setor urbano. E olha que nem estou descontando os muitos penduricalhos que pesam na conta previdenciária, sem que ela tenha culpa no cartório – recursos da lei de assistência social, as isenções do Simples etc.
Cadê os arautos do caos previdenciário? Eles estão calados e encolhidos, passando o recibo de que a guerra da Previdência que deflagraram pode não ser mais do que uma Batalha de Itararé como tantas outras.
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags: Previdência social
Foto: Edu Simões