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	<title>José Paulo Kupfer &#187; inflação</title>
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	<description>Crônicas da economia brasileira</description>
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		<title>Cabala econômica rege definição dos juros</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Sep 2008 01:19:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Paulo Kupfer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em suas famosas atas, o Banco Central e o Copom contam muitas histórias, mas não algumas das mais relevantes. Como os biquínis e as estatísticas, mostram tudo menos o essencial. Não há menção, naqueles textos lavrados em idioma torturado, ao “produto potencial” e, obviamente, muito menos como os doutos do BC chegaram a ele. Mas é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em suas famosas atas, o Banco Central e o Copom contam muitas histórias, mas não algumas das mais relevantes. Como os biquínis e as estatísticas, mostram tudo menos o essencial. Não há menção, naqueles textos lavrados em idioma torturado, ao “produto potencial” e, obviamente, muito menos como os doutos do BC chegaram a ele. Mas é o “produto potencial” que baliza a decisão sobre os juros básicos (em tempo, antes que alguém se agarre ao detalhe: o &#8220;produto potencial&#8221; aparece no trimestral e alentado &#8220;relatório de inflação&#8221;, mas não nas atas do Copom).</p>
<p>“Produto potencial” é uma das denominações pelas quais atende a taxa “natural” de utilização da capacidade de produção instalada que não provoca inflação. Trata-se de uma construção macroeconômica tão sujeita a contorções metodológicas que, no fundo, só pode ser aceita como crença na fé de que o comportamento econômico obedece a princípios naturais – e não aos incertos desígnios das ações humanas.</p>
<p>Não faz muito tempo, a mitologia econômica jurava que o “produto potencial” brasileiro era de 3,5%. Ou seja, crescimento da economia acima desse nível seria sinônimo de inflação. Com base nessa crença, a diretoria do Banco Central – e o Copom, seu braço na definição da taxa básica –, passou a subir os juros, para conter a economia, já partir de fins de 2004. No ano anterior, o PIB registrara evolução de 5,7%, muito acima do previsto e da “taxa natural”.</p>
<p>Com os juros escalando, em meados de 2005, um pico de 19,75% ao ano, o resultado foi um crescimento de apenas 2%, em 2005, e de 3,7%, A inflação, em 2006, de 3,14%, ficou abaixo do centro da meta, de 4,5%, e pareceu um exagero.</p>
<p>Houve, então, entre seus cultores, uma revisão generalizada do “produto potencial”. A partir de 2006, a taxa de crescimento que não provocaria inflação, de acordo com os cálculos (sabe-se lá quais) dos sábios, avançou para 4,5%.</p>
<p>Dava para imaginar que o “produto potencial” havia mudado de patamar com as explicações dos economistas neoliberais para o erro que cometeram na estimativa do crescimento da economia em 2007. Dos 3,5% previstos, a economia galgou 5,2% de crescimento. Uma falha grotesca de projeção.</p>
<p>Ao tentar justificar o erro, o economista Edmar Bacha, da PUC- RJ e do Banco Itaú, levantou a lebre. Segundo ele, houve uma subestimação do produto potencial. Samuel Pessôa, da FGV-RJ, foi na mesma onda. Até se defrontar com a combinação de crescimento econômico acima de 5% e inflação no centro da meta, que o produto potencial brasileira era de 3%. Depois, passou a achar que era de 4,5%. Uma mudança de 50%, assim, da noite para o dia.</p>
<p>Seja como for, esses 4,5% parecem ser, hoje, a taxa genérica vigente nas arcas neoliberal para o “produto potencial”, Crescer mais do que isso, reza o catecismo desse pensamento compartilhado pela direção do BC, só numa trajetória de descontrole da inflação. Tome, então, mais juros, para colocar a economia, “tempestivamente”, como gosta de registrar num idioma pseudo-culto o redator das atas do Copom, nos limites do “produto potencial”.</p>
<p>Não é por coincidência que, no boletim Focus, que divulga a mediana das projeções de uma centena de economias de bancos e consultorias, a estimativa de crescimento do PIB para 2008 ainda gira na casa de 4,8%, quando já é muito mais provável que fique acima de 5%.</p>
<p>A busca de taxas “naturais” na economia é um sonho antigo na história do pensamento econômico, que seduz um tipo de economista que prefere encarar a economia como uma construção de relações naturais, como a Física, e não um encadeamento de conceitos que dependem da História e do comportamento humano para se concretizarem.</p>
<p>O “produto potencial” não passa da última criação de uma moda neoliberal que tem início com a “Curva de Philips”, ainda nos anos 50 e passa, nos anos 80 e 90, pela “Nairu” (a taxa de desemprego que não provoca inflação, numa tradução livre da sigla em inglês para non-accelerating inflation rate of unemployment).</p>
<p>Da “Curva de Philips”, que relacionava, inversamente, desemprego e inflação, mas que, o tempo se encarregou de provar, só funcionava no curto prazo, chegou-se à Nairu, já nos anos 70. Esta, porém, foi fragorosamente levada ao museu das invenções econômicas ao longo do governo Clinton, quando o desemprego ficou abaixo de 4% sem produzir descontrole inflacionário, que a Nairu então estimava ser de, no máximo, 5%. Da Nairu, “evoluiu-se” para o “produto potencial”, que é a Nairu com a substituição do desemprego pelo nível de utilização da capacidade instalada que não acelera a inflação.</p>
<p>Há enormes controvérsias sobre a maneira de calcular e aplicar, quando se trata de encarar a dinâmica econômica, “taxas naturais” e “produtos potenciais”. Pelos resultados do momento, pode ser que o “produto potencial” brasileiro já tenha subido para 5%. Já há quem o estime nesse ponto, mas vai saber.</p>
<p>Apesar do pântano técnico em que são obrigados a se embrenhar os aventureiros que tentam calcular as “taxas naturais” da economia, eles insistem. Agarrados a uma cabala econômica, não estão nem aí para os fatos da vida real e, pior, para as dificuldades e os sofrimentos que ajudam a perpetuar.</p>
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		<title>A volta dos que não foram</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Sep 2008 18:07:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Paulo Kupfer</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de 23 de julho, registrou:
“Diante da deterioração das perspectivas para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Comitê avalia que o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno segue se elevando.”
E reafirmou:
“O Copom avalia que, diante dos sinais de aquecimento da economia, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de 23 de julho, registrou:</p>
<p>“Diante da deterioração das perspectivas para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Comitê avalia que o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno segue se elevando.”</p>
<p>E reafirmou:</p>
<p>“O Copom avalia que, diante dos sinais de aquecimento da economia, como ilustram a aceleração dos preços no atacado e a trajetória dos núcleos de inflação, e da rápida elevação das expectativas de inflação, são relevantes os riscos para a concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas.”</p>
<p>Em palestra, na sexta-feira, 29 de agosto, em São Paulo, para estudantes de engenharia da Universidade Mackenzie, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou:</p>
<p>&#8220;A boa notícia é que o processo está funcionando e já estamos vendo os sinais de que a inflação está convergindo para o centro da meta&#8221;.</p>
<p>Os últimos dados mostram, de fato, que a inflação está perdendo força. O IGP-M registrou este mês sua menor taxa desde abril de 2006, com deflação de 0,32%. Deflação também aparece em todos os índices de preço ao consumidor, empurrados para baixo pelo recuo acentuado dos preços dos alimentos.</p>
<p>Perguntar não ofende:</p>
<p>1) Com os sofisticados modelos de previsão do BC não dava para prever, com um mísero mês de antecedência, a tendência declinante dos preços?</p>
<p>2) Se, porém, esse recuo é meramente pontual, como é possível já enxergar sinais de que a inflação está convergindo para o centro da meta?</p>
<p>3) O BC não está passando recibo de que, mais uma vez, exagerou na dose?</p>
<p>4) E na reunião da semana que vem, o sinais de convergência da infla~ção para o centro da meta vão se impor ou a &#8220;deterioração das perspectivas para a inflação&#8221; voltará a prevalecer?</p>
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		<title>Um tiro nas metas de inflação</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Aug 2008 18:16:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Paulo Kupfer</dc:creator>
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		<category><![CDATA[economia]]></category>
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		<description><![CDATA[Ao reduzir bruscamente a taxa de juros (de 5,25% para 2% em um intervalo de seis meses), para enfrentar a crise deflagrada pelo setor imobiliário, o Fed provavelmente matou o sistema de metas de inflação. A avaliação é de Ben Steil, diretor de economia internacional do poderoso think tank americano Council on Foreign Relations.
Em artigo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ao reduzir bruscamente a taxa de juros (de 5,25% para 2% em um intervalo de seis meses), para enfrentar a crise deflagrada pelo setor imobiliário, o Fed provavelmente matou o sistema de metas de inflação. A avaliação é de Ben Steil, diretor de economia internacional do poderoso think tank americano Council on Foreign Relations.</p>
<p>Em artigo publicado ontem, 20 de agosto, no Wall Street Journal, Steil critica duramente a opção do Fed de afrouxar a política monetária a qualquer custo para evitar uma recessão. O analista acredita que o país demorará mais tempo para se recuperar da crise por causa da escolha do Fed.</p>
<p>Steil é daqueles falcões da política monetária, para os quais não se deveria tentar evitar os impactos negativos da crise das hipotecas na atividade econômica. Segundo ele, é do jogo que erros do tipo produzam atribulações no ritmo dos negócios. Ele lamenta, portanto, a sedução, a que o Fed de Ben Bernanke teria sucumbido, ao usar um instrumento de estabilização monetária na tentativa de evitar uma recessão.</p>
<p>Mesmo discordando de Steil quanto à prioridade do Fed (combater a recessão) e quanto ao bom funcionamento do sistema de metas, é inevitável aceitar seu argumento: ao não atrelar a política monetária exclusivamente a um obsessivo controle da inflação, o Fed, involuntariamente, tem atirado contra o sistema de metas.</p>
<p>Os que não vêem o sistema de metas de inflação como o mais adequado para lidar com o conjunto dos atuais desafios econômicos costumam ser acusados pelos falcões monetaristas de aceitar um pouco mais de inflação em troca de um pouco mais de crescimento. É uma óbvia mentira que, de tão repetida, faz sucesso entre os mais rústicos e serve para tentar esconder as limitações estruturais do sistema. </p>
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