Meio ambiente e discurso cínico
Recebi convite para participar da campanha TicTacTicTac, de esquentamento (desculpem o trocadilho) para a reunião da ONU sobre mudanças climáticas, em Copenhague, Dinamarca, no começo de dezembro, também conhecida pelos mais íntimos como COP-15. Meu dia era este 4 de novembro. Eu deveria contribuir com alguma coisa – um texto no meu blog, por exemplo – para a campanha.
OK, mas minha contribuição não vai ser um oba-oba para os que movem campanhas contra o aquecimento global. Acho mesmo que, se não há dúvida que a sustentabilidade da vida na Terra depende de um uso mais eficiente e racional dos recursos que a Mãe Natureza colocou à nossa disposição, também não há dúvida de que, na onda da sustentabilidade, um tipo de discurso cínico encontrou terreno fértil para vicejar.
Empresas e pessoas que usam o tema da sustentabilidade apenas como ponto de marketing fazem circular esse discurso cínico. Contribuem para a sua circulação, por exemplo, aquelas empresas que apóiam campanhas de preservação do meio ambiente, mas em suas dependências, “esquecem-se” de investir em equipamentos e sistemas mais eficientes e econômicos – sem falar naquelas em que, “preocupadas” com o futuro do planeta, deixam disseminar no ambiente interno de trabalho, quando não estimulam, feroz competição entre os funcionários.
Contribuem para o discurso cínico da sustentabilidade aquelas pessoas que defendem o meio ambiente da boca para fora. Não cuidam da preservação do planeta em seu próprio quintal, consumindo água e energia elétrica sem restrições, sujando as calçadas e ruas e, sim, brigando no trânsito. Sem falar na compra, pela vantagem imediata de preço, de produtos pirateados ou claramente oriundos de áreas de extração predatória de recursos naturais. Ou, pior, de exploração de mão-de-obra. Ou ainda praticando “pequenas corrupções” no dia-a-dia
Não me anima, particularmente, as ações em defesa do meio ambiente resumidas a cliques em abaixo-assinados na internet. A própria campanha TicTacTicTac (www.ig.com.br/tck) incorre nessa prática. A democracia do clique, tão louvada, é, na minha humilde e restrita opinião, um jeito enganoso e não compromissado de aderir a causas nobres. Reunir milhões de assinaturas ou cliques, no mundo virtual, é mais fácil do que levar algumas centenas de pessoas a participarem, no mundo real, de ações efetivas em defesa da saúde do planeta.
Para não cansar a beleza de ninguém, resumo minha visão de que devemos nos engajar nas causas ambientais com a mesma e não adjetivável ética com que devemos nos apresentar como cidadãos. O resto é conversa fiada.
Atualizado em 06/11/2009 às 19hs
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
Marcelo,
Que tal trocar por um salmão grelhado ou outro peixe? já seria bem legal…
Caro Lucio,
Nesse caso a idéia dos insetos é construtiva e lógica…infelizmente.
Eu adoro um parmegiana mas nunca dispensei um belle munière.
Kupfer, e a tal transversalidade defendida pela Senadora Marina Silva? Você considera ser viável converter tal idéia em política de Estado?
Votei SIM por causa de justiça.
Vivas as diferenças com direitos iguais! Qualquer forma de discriminação deve ser CRIME!
http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0
JPK, excelente, mas excelente mesmo este seu comentário.
Hoje virou bandeira todo mundo falar em sustentabilidade, mas muito mais como marketing do que através de atitudes.
Mas de qualquer forma, acho que é um início.
Recentemente assisti uma palestra sobre o tema e vi justamente isto, um monte de marketeiro falando das realizações de suas empresas.
A grande solução da humanidade, não está em comer “insetos” como alguns mencionaram, mas sim mudança de hábitos e atitudes, além obviamente da tecnologia para produzirmos mais e melhor em menor tempo e espaço, sem passar por um controle pesado da população mundial, pois a Terra é um lugar finito.
Mas imprescindivel mesmo, é adotarmos a sustentabilidade no dia-a-dia, economizando tudo que pudermos, de agua, luz, gasolina, gerando menos lixo e por aí afora.
Bravo!
Mas , não esqueça de que o Capitalismo sobrevive graças ao MERCADO , ou seja , aumento de consumo , mais matéria prima , mais recursos minerais , mais consumo de coisas desnecessárias , mais competição , etc. voce sabe!?
NÃO EXISTE SOLUÇÃO PARA ESTA CONTRADIÇÃO , SÓ NÃO ENXERGAMOS PORQUE NÃO QUEREMOS.
é isso ai para tras só com a barbarie
Gilma
É tão óbvio, não? Todas as “soluções” encontradas até agora pelos sabichões apenas transferem o problema no tempo.
O pior cego é aquele que não quer ver.
argo voce deveria tentar a fotosintese,seria a salvação do planeta não?
Kupfer, você deveria levar mais a sério seu sobrenome e tomar no Kupfer
Antes que me esqueça. 50 mil entradas/mês é quantia risível, ainda mais quando se sabe da força de um portal. Sua irrelevância e seu corpanzil serão agora decoração de outra praça. Já vai tarde.
Outros seguirão seu exemplo — se Deus quiser. Com sua saída, a internet fica mais limpa. E o Estadão em bvreve perceberá a furada em que se meteu.
QUE LOUCO
Quem é esse imbecil?!
Pauloney. Nem sequer se deu ao trabalho de explicar os motivos desse post mal educado, discriminatório e ignorante.
Esse tipo de pessoa representa o que há de pior nas discussões na internet.
Delmar,
Obrigado pela solidariedade. Também não entendi nada. Mas nem se dê ao trabalho com isso. O email do cidadão é falso. Não passa de um covarde.
Abrs.