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03/11/2009 - 18:54

O Brasil não escolheu poupar como os asiáticos

O jornal “O Estado de S. Paulo” e o jornalista Fernando Dantas trazem, mais uma vez, material de valor para o debate sobre o futuro do País. Desta vez, é uma entrevista com o economista Samuel Pessôa, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro, publicada na edição desta segunda-feira, 2 de novembro.

Na entrevista, Pessôa abandona o discurso crítico dos gastos com a seguridade social pública, até aqui marca característica do pensamento econômico oposicionista. O economista, que assessora o senador Tasso Jereisatti (PSDB-CE), está mais identificado com linhas de pensamento neoliberais e, como tal, tem sido um crítico ativo das políticas fiscais relativamente mais frouxas, empreendidas no governo Lula. Daí a importância da entrevista que concedeu a Fernando Dantas.

Sob o título “Brasil já optou por baixa poupança”, Pessôa observa que o País, a partir da Constituição de 1988 e das políticas públicas de transferência de renda – seja de caráter previdenciário, assistencial ou condicionada –, voltadas para a correção de injustiças sociais e aplicadas desde a redemocratização, criou um sistema que desestimula a poupança pessoal. O modelo vigente no Brasil reduz a preocupação das pessoas em poupar para o futuro – tanto para garantir o padrão de vida quando pararem de trabalhar quanto para fazer frente aos gastos com saúde, crescentes com o avançar da idade.

Esse diagnóstico não é novo. A novidade, no caso de Samuel Pessôa – e dos que comungam da linha de pensamento que ele representa – está no parágrafo que introduz a entrevista. Não faz muito tempo, Pessôa defendia cortes nos gastos sociais como forma de libertar o crescimento da econômico de restrições fiscais. Agora, reconhece a escolha brasileira – e mais, não a demoniza, como muitos ainda o fazem.

Escreve Fernando Dantas, na introdução da entrevista:

“Pessôa, porém, acha que esse arranjo não é pior que o seu oposto, o modelo asiático, de alta poupança e câmbio desvalorizado, que pune algumas gerações para que as próximas deem um salto em termos de desenvolvimento. Ele prevê que haverá desindustrialização no Brasil, já que o modelo de baixa poupança e alto consumo é pró-serviços, enquanto o asiático é pró-indústria. Mas acha que o Brasil pode continuar a crescer com investimentos em commodities, em setores industriais que se diferenciarem, em serviços. O modelo, ele diz, é a Austrália, e não a China”.

 Algumas da conclusões de Pessôa sobre as consequências desse modelo de desenvolvimento – como a da inevitabilidade do câmbio valorizado e, a partir dessa constatação, uma suposta inclinação antindustrialização e pró-setor de serviços – talvez devessem ser mais aprofundadas. De todo modo, é alentador verificar que começam a surgir sinais de convergência nos modos de pensar o futuro do País. E que, ao menos uma parte da oposição econômica não mais oferece os baixos dos viadutos como alternativa de segurança social para os dilemas fiscais que enfrentamos.

* * *

Para quem se interessar, segue a entrevista no Estadão:

 

 

”Brasil já optou por baixa poupança”

  

Com o sr. vê a questão da poupança no Brasil?

 A sociedade brasileira poupa pouco. Desde a redemocratização, há uma demanda enorme da sociedade por uma série de benefícios do governo, por mecanismos de indexação de benefícios previdenciários, por expectativas de ganhos futuros no valor desses benefícios. Não é, portanto, só a existência da rede em si. É preciso ver as regras de concessão, elegibilidade, reajuste e aumento dos benefícios. Todos esses mecanismos, que dão segurança quanto ao futuro das pessoas, fazem com que os brasileiros poupem muito pouco. O valor da nossa poupança, na casa de 16% a 17% do PIB, é pequeno, mas torna-se ainda menor quando se pensa na etapa da transição demográfica pela qual passamos.

 Como assim?

 O momento demográfico em que estamos indica que era de se esperar que estivéssemos poupando muito mais. Países asiáticos que já passaram por essa etapa, como Japão e Coreia do Sul, poupavam muito mais quando tinham as características demográficas que temos hoje – poupavam próximo de 35% do PIB. Estamos no auge daquilo que os demógrafos chamam de bônus demográfico – um período de cerca de 30 anos, no qual o boom populacional já se arrefeceu, o grande contingente de crianças já virou adulto que está entrando no mercado de trabalho. Mas ainda não há muitas pessoas idosas. A sociedade tem folga para respirar, por que não há proporcionalmente muitos velhos e crianças dos quais se cuidar. É uma fase em que muitas pessoas poupam para a aposentadoria, mas, como ainda não há muitos velhos g astando suas poupanças depois de se aposentar, a resultante é uma taxa de poupança alta. No Brasil, porém, as regras previdenciárias são tão generosas que, mesmo no auge do bônus demográfico, poupamos como países de demografia madura.

 E os gastos do setor público? Também influenciam a poupança?

 A poupança pública é a soma do superávit fiscal do governo e do investimento público. De 2005 até o terceiro trimestre de 2008, foi um período em que o governo ajudou, e a poupança pública aumentou. Os juros caíram, o superávit primário e o investimento público aumentaram. Do terceiro trimestre de 2008 para cá, a poupança pública despencou.

 O sr. mencionou a redemocratização quando começou a falar da poupança. Poderia explicar melhor?

 Há uma demanda da sociedade para que a gente saia do atraso social rapidamente. Essa baixa poupança é resultado das instituições que começamos a construir na Constituição de 1988, e está muito associada a como se deu a redemocratização. É um processo que foi mantido e se aprimorou desde então. Fizemos uma Constituição que tem mais direitos que deveres. Nossa rede social é uma escolha social que vem sendo reafirmada ao longo das eleições – não vejo como se pode mudar isso.

 Quais as consequências econômicas dessa escolha?

 Teremos de conviver com um câmbio valorizado, quando se compara com o câmbio do chamado modelo asiático. A base do modelo asiático são poupanças cavalares. Quem poupa muito consome pouco. É possível demonstrar que, à medida que uma sociedade consome mais, os serviços aumentam seu peso na cesta de consumo em relação aos produtos industrializados. Essa demanda maior por serviços faz com que seu preço cresça em relação aos produtos industrializados. Como, de forma geral, os serviços são tipicamente não comercializáveis internacionalmente, e os industrializados são comercializáveis, um país de poupança alta e consumo baixo é um país com produtos comercializáveis internacionalmente relativamente baratos em relação aos serviços, que estão ligados ao custo de se produzir e ao níve l salarial. Em outras palavras, podem vender produtos no mercado externo por baixos preços. Em termos de moeda, isso se traduz em câmbio desvalorizado.

 Isso quer dizer que o modelo asiático é impossível para nós?

 A sociedade brasileira já escolheu, e não quer o modelo asiático. Acho que é totalmente incompatível conosco, não faz sentido, e a tentativa de implementá-lo ia acabar gerando inflação. O governante que quiser modelo asiático vai perder eleição. Não dá para ir contra a maré. Além disso, não dá para dizer que o modelo asiático é melhor que o nosso. Como ele é baseado em poupanças muito elevadas, significa jogar sobre uma ou duas gerações o custo do desenvolvimento econômico. Essas gerações têm que ter uma vida muito restrita, de muita privação, para que os seus netos tenham um padrão de vida de primeiro mundo. Enquanto a opção brasileira é fazer esse processo mais lentamente, diluir de forma mais equitativa entre as diversas gerações o esforço do crescimento.

 Mas e quanto ao risco de desindustrialização?

 De fato, ela deve acontecer em algum grau. Como expliquei, o nosso modelo tem um viés pró-serviços, enquanto o asiático tem um viés pró-indústria. Na verdade, não houve desindustrialização até agora com a apreciação do câmbio, mas acho que isso se deve ao fato de que a demanda da China por commodities elevou a renda da América do Sul, que foi às compras, e são clientes tradicionais das nossas manufaturas. Mas prevejo que esse processo vai acabar dentro de alguns anos, porque a China aumentará a oferta de manufaturas para a América do Sul.

 Não é ruim a desindustrialização?

 Há economistas que eu respeito que acham que pouca produção de manufatura é ruim, por dois motivos. Dizem que a manufatura gera uma dinâmica tecnológica maior e crescimento econômico maior por possibilidades maiores de absorção de tecnologia. Além disso, dizem que a manufatura gera uma demanda por trabalho de mais qualidade. Eu entendo que pode ser um problema, e acredito que poderíamos ajudar a indústria com política tributária, retirando a contribuição para a Previdência da folha de salário. Mas o fato é que a desindustrialização no Brasil não tira o meu sono, como, por exemplo, a péssima qualidade da nossa educação.

 E por que não?

 O Brasil está melhorando, e acho que vai continuar melhorando. Podemos ser um país com grande sucesso em diversos setores ligados a commodities, em indústrias relacionadas a esses setores, em outros setores industriais que consigam se diferenciar, e em serviços. Se continuarmos na direção da evolução institucional que seguimos já desde os anos 90, com manutenção dos contratos, situação fiscal sólida, e melhorando, mesmo que a passos de cágado, a nossa escolaridade, a qualidade da nossa força de trabalho, etc, o Brasil é um país com grandes opções de investimento. E, se tem investimento rentável, o setor privado vai investir. E, se não temos poupança, a diferença entre a a poupança doméstica e o investimento vai ser financiado com poupança externa.

 O uso de poupança externa não cria vulnerabilidade?

 Depende, aí eu acho que entra o papel da política econômica. Nós vamos ter de conviver com poupança externa, e a política econômica tem de ser feita de forma a impedir um aumento da vulnerabilidade. Precisamos manter o câmbio flutuante, que permite ajustes automáticos de desequilíbrios externos. Precisamos manter as contas públicas em ordem e o setor público solvente, já que muitos problemas externos derivam de desequilíbrios do setor público. Quanto ao setor privado, precisamos estimular o investimento estrangeiro em renda variável, como bolsa e investimento direto, que não cria problemas, porque se paga menos dividendos quando a economia vai mal. Em relação ao endividamento externo de empresas, devemos estimular o hedge (proteção contra a variação cambial), e a melhor forma de faze r isso é o governo deixar claro que não dará hedge para decisões erradas do setor privado. Outra condição é não dar calote, manter contratos, ter uma relação amistosa com o resto do mundo. A Austrália faz tudo isso, e tem déficit em conta corrente há 25 anos na casa de 4,5% do PIB. E cresce. Eu acho que o nosso modelo é a Austrália. Não temos vocação para chineses. Poupar 50% da renda é horrível. Você consegue imaginar viver a vida toda gastando só metade do que você ganha?

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:

30 comentários para “O Brasil não escolheu poupar como os asiáticos”

  1. Jorge disse:

    “as regras previdenciárias são tão generosas”. Ele vive mesmo no Brasil? Francamente, esse senhor não sabe nada sobre a aposentadoria do setor privado do Brasil. Acho que suas referências são os congressistas e altos funcionários da justiça.

    Esquece também que na Coréia, juros baixos e políticas habitacionais deixavam bem mais fácil comprar moradia por lá do que aqui até recentemente.

    • Romanelli disse:

      as regras são sim ..e não que estejam erradas ..o mundo até começa a nos copiar em diversas delas ..o problema mesmo são as práticas, estas é que nos ficam devendo

    • Rodrigo Saraceno disse:

      As regras previdenciárias no brasil são boas sim. Não do ponto de vista da classe alta que se acha classe média, mas para a média da população.

  2. Eduardo disse:

    Concordo com o Jorge. Confrontados os fatores previdenciários e a idade mínima para aposentadoria, a maioria dos futuros aposentados do INSS receberá menos do que o contribuido. Além disso, a terceirização dos serviços de saúde, hospitais particulares cobrando da Previdência é um ralo enorme, converse cinco minutos com qualquer médico que trabalha em um conveniado para ver “quanto dinheiro poderia ser poupado”.

  3. outro leitor disse:

    Austrália? Ih, brizolou tarde o rapaz.

    Alguns dados comparativos:

    Brasil
    Área: 8.514.876
    População: 191 480 630
    hab/km²: 22,48

    Austrália
    Área: 7.741.220
    População: 21 007 310
    hab/km²: 2,71

    Se considerarmos que o estoque de riquezas naturais, grosso modo, é proporcional à área do território, veremos que a riqueza a distribuir para os australianos é muito maior que a destinada aos brasileiros. Assim, a Austrália está para o Brasil assim como o Brasil está para a China.

    Para evitar a sobreapreciação da moeda, há vários instrumentos disponíveis. Uma política tributária que desonere o trabalho e onere produtos básicos destinados à exportação, diferentemente do que hoje ocorre, é um deles.

    Outra medida seria implantar controles cambiais. Mas isto vai de encontro ao sonho de transformar São Paulo numa grande praça financeira…

    • José Paulo Kupfer disse:

      Outro,

      Concordo com você quanto à Austrália. São países, culturas, colonização e economias incomparáveis.

      Abrs

  4. zeca disse:

    Não se preocupem no médio prazo estaremos todos comendo a ração do estado

  5. Romanelli disse:

    JPK
    .
    enquanto “pensam” vai bem ..o problema é quando chegam pra aula pratica
    .
    Não acho que o BASIL deva buscar ser uma China ou Australia .. nós somos NÓS mesmos
    .
    Até 100 anos atrás meu filho já sabe, vivemos de surtos e ciclos (pau-brasil, cana, ouro, café, café-borracha ..e isso pra 400 anos)
    .
    infelizmente nos desmerecemos por demais .
    .
    …desperdiçamos, jogamos fora as conquistas (vide os monopólios de produtos e serviços doados de TODOS pra poucos) ..desviamos recursos (na previdência)
    .
    ..e mesmo assim o que fizemos em 100 anos (desde a crise de 29) NÃO foi pouco ..poucos chegaram aonde chegamos
    .
    e já já seremos sim a 6a economia do mundo (EUA, CH, JP, AL, India e BASIL)
    .
    imagine então se tivéssemos acertado mais ainda …vich maria

    • Romanelli disse:

      nossa ..melhor corrigir, de Basil, pra Brazil ..melhorou

    • zeca disse:

      romanelli como vc é original não,e tem mais a mão de obra na china não e barata é escrava é diferente não?

  6. Renato disse:

    Tudo depende do ponto de vista. No Brasil existem dois povos basicamente: um com essência resolvida, de uma cultura quase européia, viajados, cosmopolitas e talvez até mesmo apatridas. E o outro povo, cuja essência é problemática, onde carteira assinada já é um grande mérito de inserção na cidadania. Praticamente metade da população tem empregos informais, quiçá um dia sonhar com poupança de recursos excedentes. Quem dera fosse fácil se poupar o que não sobra.

  7. O relatório de 30 de outubro do Bureau of Economic Analysis confirma mais uma vez a idéia da da renda permante. As transferências feitas pela administração Obama, principalmente em maio, não causaram impacto algum no consumo dos indivíduos.

    Não são os gastos do gorverno que definem as preferências entre consumo e poupança. Esta decisão é individual, e o agregado dos indivíduos que montam a demanda do país. Num lance intuitivo, é fácil imaginar porque o Brasil não quer poupar: a sua população é extremamente orientada para o presente, e não para o futuro ou o longo prazo. Como esperar muita poupança de uma civilização de tão pouco capital humano? Uma característica deve se refletir na outra, provavelmente. Não é momento ainda do Brasil ser um país poupandor.

    É claro que “isto” não quer dizer nada além do que “isto”. Sociedades têm características próprias, logicamente. O Japão é um país naturalmente poupador, porque essa é a cabeça do seu povo: orientada para o futuro. Irônico é que os EUA sempre foram conhecidos pela sua propensão altíssima para o consumo. Ver o governo se esforçando para que o povo volte para a sua propensão é satírico.

    Também não quis dizer aqui que gastos em áreas sociais são inúteis. De jeito nenhum. Para que eles tenham impacto, basta que sejam bem planejados, direcionados e transparentes (recebendo só assim o apoio da população não vulnerável). Agora dizer que os gastos sociais impactam na decisão da demanda é equivocado. Para dizer que eles o fazem, é preciso de constatação empírica com grupo controle.

    Possuir dezenas de ministérios e centenas de diretorias, sim, é bastante inútil.

    link do relatório: http://www.bea.gov/newsreleases/national/pi/2009/pdf/pi0909.pdf

    • José Paulo Kupfer disse:

      Igor,

      Você não acha que deveria incluir na sua análise a questão da renda disponível? Países pobres (ou, como o nosso, com renda muitíssimo mal distribuída) são mais propensos ao consumo. Mesmo no Japão (ou nos demais asiáticos) as pessoas não deixaram de comer, se vestir e morar para poupar… Mas quem gasta tudo com comer, se vestir e morar poupa o quê?

      Abrs

    • Edu argentino disse:

      “…é fácil imaginar porque o Brasil não quer poupar: a sua população é extremamente orientada para o presente”

      So quería comentar uma coisa engraçada e, se vc quizer anecdótica, a NBA anunciou no 2007 lançamento da Noite Latina (acho que ja percibiam uma baixa no consumo geral)http://www.nba.com/brasil/news/noite_latina_090224.html Finalmente, no 2008 e 2009 os americanos automaticamente deixaram de consumir e os grupos latinos continuaram consumindo… A Noite Latina foi um suceso.. venderam camiseras, bonecos, tickets, bolas, filmes, etc, etc…
      Duas culturas diferentes. Agora, eu pergunto, e possivel um capitalismo so com poupadores?

  8. Rodrigo Saraceno disse:

    Pode-se criticar o Samuel Pessoa, mas, Deus, que diferença na argumentação do cara em relação ao nível de fossa séptica do discurso político econômico dominante.

    Que diferença faz quando se entrevista alguém de conteúdo, e quando se busca conteúdo na entrevista.

  9. Edu argentino disse:

    Tenho duas perguntas para quem pudesse responder:
    1) Quando ele fala o siguente:
    “…um país de poupança alta e consumo baixo é um país com produtos comercializáveis internacionalmente relativamente baratos em relação aos serviços, que estão ligados ao custo de se produzir e ao nível salarial”.

    ¿Pode ser que a lógica que ele esta utilizando seja a siguente: +consumo interno = salários altos= mão de obra cara = desindustrialização?¿o esta falando de outra coisa?

    2) ¿Alguem conhece alguma pagina na internet de estatísticas relacionadas ao nivel de poupanças pessoales dos paises?¿Existe algum índice por exemplo que meça a poupança em relação ao PIB ou a porcentagem que as pessoas poupam do seu salário?

    Bom, desde agora muito obrigado. Sds

    • José Paulo Kupfer disse:

      Edu,

      A história é outra. Na análise do Samuel Pessôa, os países asiáticos, esses de alta poupança e menor consumo, são pró-indústria – câmbio desvalorizado, juros baixos etc… Ou seja, lá os fatores de produção são favoráveis para a produção industrial a preços competitivos, que encontram mercado de exportação (bens comerciáveis).

      Aqui, Pessôa acha que o ambiente econômico é pró-serviços. Serviços, na base, não são exportáveis (não comerciáveis).

      Não foi feita correlação entre consumo alto e salários altos…O consumo pode ser alto (em termos macroeconômicos) com salários baixos… Aliás, normalmente o é…

      A desindustrialização não vem da mão-de-cara mais cara, mas das importações, que, com base no câmbio valorizado, entram baratas no País, e tomando lugar da produção industrial local.

      Abrs

    • Romanelli disse:

      por deus ..como eu queria saber a MARGEM cobrada pelos insumos na CHINA (pelas empresas chinesas que exploram em parceria, aqueles recursos todos)
      .
      Pra mim esse papo de M.O. barata, como fator decisivio, NÃO COLA ?!
      .
      Fora que aqui, pra não sermos “competitivos” fazemos escola ..e isso não quer dizer que não sejamos “lucrativos” ..que o digam nossas tarifas de energia, combustível, telefonia, tv a a cabo, Internet, VEÍCULOS, os preços cobrados de nossos monopólios e cartéis (tanto no Varejo como no Atacado) por exemplo, que não me deixam mentir , né?
      .
      ah, já sei, alguém aqui falará que são os impostos ..pois NÃO são ..pra exportação a maioria dos produtos são desonerados

    • Edu argentino disse:

      Kupfer, obrigadíssimo, muito clara sua resposta. Agora vou a me aproveitar da sua nobreza:
      Nao entendo nao, como o Samuel Pessoa associa “Nível de poupança pessoal” com “Tipo de economía” (industrial o basseada no sector serviços). Ele esá trabalhando com issas duas variávels, né?.
      Como ele conecta issas duas variávels?
      Por exemplo, vou mudar a hipótese do Samuel
      “o modelo de baixa poupança e alto consumo é pró-industria”. Nao sería tao crível como o que ele fala?
      Disculpe sim estou pedindo aula para o senhor.

  10. Swamoro Songhay disse:

    Kupfer, parece que foi citada a Austrália como idéia do que pode ser feito, logicamente tomando por base as diferenças. Não faz muito tempo, as comparações eram feitas com a Argentina, quer em termos de produção agrícola e pecuária, quer na política econômica, como na cultura e costumes. Hoje, quase nem no futebol. E espera-se que também não o seja na lei de imprensa.

  11. Alexandre Leite disse:

    Deu no blog do Vicente Nunes
    http://www.dzai.com.br/blog/blogdovicente

    AGORA, BANCOS APOSTAM NA ALTA DO DÓLAR

    Os bancos inverteram suas apostas na cotação do dólar. Em vez de baixa, agora acreditam que a moeda americana vai se valorizar por causa da cobrança de IOF de 2% sobre o capital estrangeiro financeiro (bolsa de valores e títulos públicos). Pelas contas do Banco Central, os bancos não só cobriram as posições vendidas (a descoberto) que registravam em setembro, de US$ 3,276 bilhões, como encheram os seus cofres com sobras de US$ 3,189 bilhões.

    Na avaliação do BC, não se trata de movimento especulativo, pois, como a instituição arrematou US$ 6,738 bilhões do saldo total do fluxo cambial, de US$ 14,598 bilhões, os bancos tiveram que absorver o restante. É a lei de mercado, segundo o BC.

    IOF INIBE CAPITAL FINANCEIRO, MAS FLUXO CAMBIAL BATE RECORDE EM OUTUBRO

    A decisão do governo de cobrar IOF de 2% sobre o capital estrangeiro financeiro continuou inibindo a entrada dessas recursos no país. Na última semana de outubro, a segunda de vigência do imposto, a média diária de ingresso financeiro foi de US$ 229 milhões contra US$ 248 milhões dos primeiros quatro dias do tributo. Na comparação com a média de entrada de recursos registrada antes do IOF, houve queda de 74%.

    Apesar do imposto, o saldo geral do fluxo cambial (ingressos menos saídas) de outubro atingiu US$ 14,598 bilhões, o maior para todos os meses da série histórica do Banco Central, iniciada em 1982. Desse montante, US$ 13,106 bilhões foram computados na conta financeira, confirmando o fluxo excessivo de recursos para o país, contido depois da imposição do IOF.

    Na última semana de outubro, o que mais pesou para o resultado positivo do fluxo cambial foi o saldo da balança comercial, que ficou positivo em US$ 933bilhões.

  12. paulo vasconcelos disse:

    Há controvésias quanto às relações de causalidade. A china poupa mais porque produz maior superávit graças a seu câmbio depreciado? Ou produz superávit por que poupa mais?

  13. raposo disse:

    nós podemos dividir nossa população em duas partes: a que pode e a que não pode poupar.
    na parcela dos que podem nós temos nossos juristas (inclusive juizes e promotores) nossos latifundiários, professores, militares, e outros “servidores públicos”, que podem mas não precisam.
    sobram muito pouco para formar aquela parcela dos que podem e precisam os quais, esquizofrenicamente, são hoje viuvas do fhc e foram antes udenistas!

  14. joao flavio disse:

    Alguem poderia me fornecer pelo menos um exemplo de pais que deixou de ser ” em desenvolvimento ” e passou á condição de ” desenvolvido ” , e tenha permanecido nessa condição , sem que tenha optado pelo sistema pró – industria e , em algum momento de sua historia , não tenha sacrificado uma ou duas gerações .
    Normalmente , os paises desenvolvidos evoluiram de pró industriais para pró serviços , como forma de equacionar demandas internas .
    O Brazil mesmo já fez isso num passado não muito distante , e em dois periodos , ou seja , restringir os niveis de consumo , aumentar o nivel de poupança , aumentar o investimento e a industrialização .
    O que parece é que , nos ultimos anos , nós “amolecemos” , e resolvemos tomar um atalho mais facil .
    Deixando , na verdade , coisa mais facil para os nossos competidores

  15. Daniel disse:

    O problema desse sistema é quando não tiver mais daonde tirar ferro ou aonde plantar soja.
    É o mesmo sistema retrógado que na base vai ser sustentado pela venda de produtos do primeiro setor, antes conhecidos como matérias-primas, e agora apelidados carinhosamente de commodities.

    • zeca disse:

      DANIEL ALAGUEM TEM QUE VENDER MATÉRIAS PRIMAS NÃO?

    • joao flavio disse:

      e enquanto elas existirem , vamos explora-las .
      e tentar se desenvolver atraves disso .
      o que não podemos é ficar sentados em cima delas , impedindo o desenolvimento material , social , emocional etc de milhões de pessoas

    • daniel disse:

      O problema é que esse sistema de baixa poupança não prega o desenvolvimento, prega a desindustrialização.
      Quando chegar o momento em que a produção não conseguir sustentar mais o sistema previdenciário deficitário não será possível continuar com esse mesmo modelo sem uma indústria que sirva como alternativa a produção de commodities.

  16. Murilo Assis disse:

    Este “Samuel Pessôa, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas” realmente é uma comédia, ele nos cita 2 exemplos: asiáticos e australiano.

    O bom de tudo é que papel e internet aceita qualquer coisa.

    Ele diz que o modelo asiático é inviável para nós porque condena a geração presenta à uma vida de sacrifício. Parece me que este senhor Pessoa deveria ensinar aos brasileiros que ganham menos de R$ 1.000,00 a poupar mais e evitar esbanjar esta fortuna que 70% da população ganha.

    Ele cita a Austrália como um país que tem tido défict de 4,5% do PIB por 25 anos e mesmo asim tem crescido.

    Ele esquece de verificar que a dívida externa da Australia é de quase 900 bilhões de US$, ou seja US$ 30.000,00 para cada australiano, mais cedo ou mais tarde terão que pagar a dívida…então meu amigo…a vaca vai torcer o rabo e quem vai sofrer são as gerações futuras, exatamente como está acontecendo com os EUA, Inglaterra, Irlanda, IslÂndia e por aí vai.

    Resumindo, nunca vi ninguém ficar rico gastando mais do que tem, Austrália não é o modelo e nem os asiáticos, o correto é gastar o suficiente para se viver e poupar um pouco para os tempos de vacas magras.

  17. [...] como José Paulo Kupfer, parecem querer aceitar o fatalismo de um país condenado a um taxa de câmbio que mata sua indústria. Resta-nos seguir o modelo econômico da Austrália? Como se fosse uma país que precisamos [...]

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