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16/10/2009 - 17:48

Impactos econômicos do Bolsa Família

O jornalista Fernando Dantas publicou no Estado de S. Paulo desta sexta-feira uma reportagem com os resultados de um estudo recente sobre os impactos do programa Bolsa Família na economia. A conclusão do trabalho é que, o acréscimo no valor dos benefícios pagos, entre 2005 e 2006, de RS 1,8 bilhão, resultou num crescimento adicional do PIB, no período, de R$ 43,1 bilhões. Resultou também em receitas tributárias adicionais de R$ 12,6 bilhões. “O ganho tributário”, escreveu Dantas, “é 70% maior do que o total de benefícios pagos pelo Bolsa Família em 2006, que foi de R$ 7,5 bilhões.

Esses cálculos foram feitos pelo economista Naercio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), o antigo Ibmec-São Paulo, que também é professor na Faculdade de Economia da USP, e por seu aluno na graduação do Insper, Paulo Henrique Landim Júnior. É de se notar que o Insper e Naercio filiam-se a correntes do pensamento econômico situadas a anos-luz de distância das teorias heterodoxas ou mais à esquerda e não têm nada de lulistas.

Não é novidade que programas bem focados de transferência de renda, como é o caso do Bolsa Família, produzem relevantes efeitos multiplicadores no conjunto da economia. Isso só não é verdade para os que não conseguem levantar o véu ideológico que tolda a visão sobre os programas de inclusão social, para os que resistem a repartir melhor a renda produzida ou para os cegos pelas paixões partidárias. Faltava, porém, uma medição quantitativa da dimensão do impacto econômico específico do programa Bolsa Família.

Pois bem, segundo as estimativas de Menezes e Landim, um aumento de 10% no repasse médio per capita do Bolsa Família leva a uma expansão de 0,6% do PIB, no ano em que ocorre o aumento e no seguinte. Em outras palavras, ou melhor, em outros números, cada R$ 0,04 do Bolsa Família aumenta o PIB em R$ 1.

Fica assim provado, com números, que o “assistencialismo” do Bolsa Família move profundamente a economia. Com a vantagem de que, como indicaram os cálculos de Menezes e Landim, o setor mais positivamente impactado é o da indústria – aquele em que os empregos são de mais qualidade. Enquanto no PIB agrícola cada 10% a mais nos repasses do Bolsa Família não apresenta impactos significativos, o efeito nos serviços é de 0,19% no PIB setorial. No PIB industrial, onde o impacto é maior, efeito multiplicador de cada 10% adicionais nos repasses do programa atinge expressivos 0,81%.

Uma tentativa leviana, mais ou menos recente, de confundir o Bolsa Família com programas de distribuição de cestas básicas, a partir de uma declaração crítica de um Lula ainda na Oposição, em relação à distribuição pontual de comida, tem sido largamente disseminada pela internet, via YouTube. Intelectuais de viés conservador utilizam o vídeo como gancho para sustentar suas retorcidas teorias anti-inclusão social e de preservação da renda em mãos de poucos. Com os dados agora disponíveis, o falatório reacionário fica apenas lamentavelmente ridículo.

* * *

Aqui o link para a reportagem do “Estado de S. Paulo”

http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2009/10/16/A9.pdf

Atualizado às 23h45

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:

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488 comentários para “Impactos econômicos do Bolsa Família”

  1. Victor Guerreiro disse:

    Não acredito que o programa gere umra reprodução de PIB dessa magnitude, mas para mim fica claro, que é a melhor forma de desenvolver o consumo E a produção.
    Acredito que a forma ordotoxa de se observar a Economia, do ponto de vista do produtor, no minimo tem uma falha de escopo. Fica claro que hoje em dia, o problema do consumo é maior que o problema da produção, e o da distribuição é ainda maior que o problema do consumo.
    Se você repassar verba, na forma que for, as empresas pode ter certeza que grande parte da verba repassada sera guardada, em diversas formas. Porém quando se repassa verba para os mais pobres, essa verba é reincerida no mercado em quase 100%.
    O problema da Educação, fica claramente explicado pelo Eduardo. O problema da estrutura familiar precede a situação escolar, e tem que ser muito alheio a situação do ensino público brasileiro, para acreditar que 3 refeições e periodo integral resolveriam o problema.
    Isso sem contar as teorias da reprodução, que mostram que o material abordado nas escolas, só faz reproduzir a desigualdade da sociedade, uma vez que o Capital Cultural(em todos estados) adquirido na familia, determina a forma como será desenvolvido o aprendizado na escola, vide Distinção, crítica social do julgamento – Bourdieu

  2. [...] mais quando diz que um governo que aposta no impacto econômico do gasto social é de direita. A batalha de passar a dívida em dólar para dívida em real é direita? A ascensão [...]

  3. calo disse:

    gostei deste por que mostra que se a base da piramide social tiver mais renda ela sustenta a economia deste pais so consumindo os produtos basicos fundamentais para industrias e comercio sobreviverem
    entao aquela lei que o senado federal aprovol de todos terem uma renda minima quando for realmente um dia posta em pratica a economia deste pais nao vai ter medo de crise economica

    -web site-
    http://www.noboloblog.eev.com.br
    ————-

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