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13/10/2009 - 20:11

Eles querem que os emergentes paguem o pato

Inebriados pela conquista de espaço nos fóruns globais de decisão, os países emergentes parecem não ter percebido, ainda, que estão tentando empurrar para eles uma parte da salgada conta da crise.

O melhor exemplo é a pressão para que a China valorize sua moeda e, com isso, reduzam seus superávits em conta corrente, competindo menos no mercado internacional e abrindo mais o mercado interno. É verdade que o assunto não veio à tona agora. O governo do ex-presidente George W. Bush criou até um esquema periódico de reuniões bilaterais cujo objetivo, no fundo, era convencer os chineses a mudar sua política cambial. Nas últimas semanas, porém, essa pressão se intensificou a ponto de se tornar um dos temas principais da recente reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Istambul, na Turquia.

Mas não é só a China que anda sendo assediada pelo canto da sereia dos países ricos. Superavitários em seus balanços de pagamentos, os emergentes empilharam nos últimos anos trilhões de dólares em reservas internacionais. A China, primeira colocada desse ranking, já tem mais de US$ 2 trilhões. O Brasil também já acumulou mais de US$ 230 bilhões e ninguém sabe onde isso vai parar. Considerando os principais países desse grupo (África do Sul, Rússia, Índia e México, além de Brasil e China), são mais de US$ 5 trilhões. Esse dinheiro é fruto, principalmente, de superávits comerciais polpudos que os emergentes obtiveram com os países desenvolvidos, notadamente os Estados Unidos.

Para sair da crise, os americanos dizem que não podem mais exercer o papel de aspirador global. Precisam, assim como as economias européias ricas, estimular mais do que nunca suas exportações e com esse caminho óbvio, revigorar a economia. O problema é que, para a estratégia dar certo, é indispensável combinar com o outro lado. Por isso, pressionam a China, que, com seu regime de câmbio fixo, mantém o yuan propositalmente desvalorizado.

No Brasil, onde o câmbio é flutuante, o real vem se fortalecendo, o que se encaixa perfeitamente no objetivo dos americanos. Aqui, enfrentamos a pressão acumulando reservas. É tal a liquidez despejada na salvação dos dedos no capitalismo mais evoluído, que até em credor líquido internacional, inclusive do FMI, o Brasil se tornou. Claro que isso é uma anomalia. Assim, enquanto o presidente Lula usa o fato como peça publicitária, o país vai gastando recursos fiscais escassos para “ajudar” os ricos a sair do buraco.

Em Istambul, os países desenvolvidos apresentaram uma proposta segundo a qual os emergentes não precisariam mais acumular tantas reservas. Claro, acumular reservas significa resistir a uma valorização da moeda local frente o dólar.  Mas o que oferecem em troca é uma duvidosa ajuda do FMI, em caso de problemas no balanço de pagamentos.

O Fundo, segundo a proposta, funcionaria como um banco central global, na função de emprestador de última instância. Não ficou claro como esse mecanismo funcionaria na prática. Se depender da história pregressa (que o Brasil conhece muito bem), não é algo para levar a sério. 

Não dá para negar que o yuan desvalorizado distorce o comércio global. Também não dá para negar que o arranjo sobre o qual a economia mundial estava alicerçada precisa de mudanças. Mas isso não significa que os emergentes tenham de pagar o pato de uma crise que não provocaram, tendo de arcar com um pedaço grande do ajuste. Propostas como a que transforma o FMI em um BC global embutem um recado dos desenvolvidos que diz mais ou menos o seguinte: “Enquanto aquele jogo nos beneficiou, estávamos felizes. Agora nos machucamos e não queremos mais.”

Claro que, para evitar crises como esta, é necessário muito mais do que valorizar ou desvalorizar moedas. Aumentar a fiscalização e a regulamentação do sistema financeiro (que, afinal, recicla a dinheirama das reservas) talvez seja o passo número um. Há vários outros.

Um dos mais importantes e eficazes desses passos, no entender de mais e mais economistas, seria incorporar o acompanhamento da formação das bolhas financeiras – como se acompanha a trajetória dos preços dos ativos físicos – como premissa para a definição das políticas monetárias (e da fixação das taxas de juros). Sem isso, qualquer avanço se mostrará frágil e previsões como a do sempre pessimista Nouriel Roubini (para quem a próxima crise pode já estar sendo gestada) não demorarão a se confirmar.

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:

102 comentários para “Eles querem que os emergentes paguem o pato”

  1. Gilmar bueno disse:

    Gente o que vocês querem dizer com o Brasil é pouco competitivo global???
    Vocês sabem de quanto é à taxinha/yankee no suco de laranja??De quanto é o Etanol de cana de açúlcar,já que o Pato Donald consome 1/3 da sua produção de milho em Etanol???De quanto é o subsídio do algodão deles???
    De quanto é o subsídio/agricultura dos tais europeus???
    kupfer dá uma aulinha do que venha à ser o protecionismo do tal 1º Mundo pra eles!!!Tem gente que nasceu com o carimbo made in USA na testa.

  2. DM disse:

    Olha, Gilmar Bueno, você tocou num assunto essencial no contexto dessa discussão. Há algum tempo, li uma matéria em que um estudioso (americano!!) calculou que apenas o subsídio do Tio Sam aos produtores de algodão condenavam 500.000 famílias africanas à miséria. Só isso dá uma idéia do drama.

  3. Edu argentino disse:

    Olhen, vou procurar traduçir um comentario que ache legal num journal económico aquí na Argentina: “quando os Estados Unidos realizam politicas monetarias expansivas de alguma manera estao exportando inflaçao ao resto dos paises, isso faz que o ingreso de capitais aos paises emergentes como o nosso valorizem nossa moeda que e mais demandada pelos inversores. Esto muda quando a FED decide subir a taxa de juros e comenza a atraer capitais. Esta politica dos Estados Unidos e habitual desde a caida de Bretton Woods”

    • guilherme l disse:

      caro hermano….
      era comigo que vc falava no assunto anterior??????
      aquela do lulinha pro nobel?????
      se for……..
      acabei de contar a minha piada……
      agora é a sua vez……

    • Edu argentino disse:

      Guilherme I, sim a piada era pra vc. Sds! :-)

  4. guilherme l disse:

    só pra descontrair…..

    sardenberg que contou…….

    sabem quem foi o primeiro economista ???????

    cristovão colombo…..
    quando saiu não sabia pra onde ia……
    quando chegou , não sabia onde estava……..
    e tudo isso……por conta do governo…..
    kakakakakaka

    não é assim que funciona …..caro kupfer……..?????

  5. gilmar bueno disse:

    A gracinha do Sardenberg não sabe que os Reis Católicos Fernando e Izabel sabiam direitinho o que estavam fazendo ao financiar o tal Colombo com o estudo da navegação da Naza daquela época…Uma tal de Escola de “Sagres” que ficava no 1º Estado da era moderna (Portugal)!!!E ao DM,agradeço pela lembrança quanto ao Capitão América faz em subsídio/algodãoaos Africanos…Tinha esquecido!!!

  6. Gilmar Caetano disse:

    Gosto muito dos comentários econômicos do Kupfer , mais o que mais acho interessante é que apesar da acidez de seus comentários ele é otimista de carteirinha.Não conheço as análises de Nouriel Roubini e nem quais os fundamentos de sua análise, mas … sabemos Krupfer que embora todos os economistas saibam (provavelmente), e não querem dizer, é que o Capital é como dizia O Delfim Neto é como uma bicicleta se parar cai! Esta dinheirama toda no mundo tem continuar a se valorizar , e o mercado em expansão hoje ,ou seja , a bola da vez somos nós-com o nosso Neokeynesianismo Tupiniquim-junto com Chineses , russos e indianos não tem como estrangular este cano , ou ele estoura antes da hora.

  7. Sales disse:

    Aliás, é só para que servem os economistas; ou falam o óbvio ou vaticinam pessimismo. Para que servem mesmo?
    Alu
    alguem pode me explicar?

    • zeca disse:

      vou lhe dizer todo economista serve a um santo certo dependendo da ocasião,ou seja se ele esta com a boca na botija ou não ele será Cassandra(oposição)ao chegar lá e colocar a boca na botija(governo)ele será feiticeiro ,Page,ou sumo sacerdote aquele que tudo sabe passado presente e futuro,exemplo o atual feiticeiro da fazenda,leia seus artigos quando ele era Cassandra,e veja o que ele faz agora.COMO EU OS ENTENDO FORAM MEUS PROFESSORES SOU ECONOMISTA.

  8. A respeito da matéria citada,quero dizer ao prezado jornalista que a sua análise vem de encontro a uma desconfiança bastante crescente por minha parte.
    Os países Ricos é como aquele credor que quando percebe que está sobrando no bolso de alguém corre para cima e faz mirabulantes ofertas,até conseguir o que queria.
    Mas quando o devedor por algum motivo deixa de cumprir com o seu dever,cai de pau,mas sutilmente onde se ele não tivet desconfiometro entra na do credor ,inclusive o complementado (só fazem o que lhes traz benefício).
    Aliás os países Ricos nunca são culpados de nada,não é mesmo.

  9. A respeito da matéria citada,quero dizer ao prezado jornalista que a sua análise vem de encontro a uma desconfiança bastante crescente por minha parte.
    Os países Ricos é como aquele credor que quando percebe que está sobrando no bolso de alguém corre para cima e faz mirabulantes ofertas,até conseguir o que queria.
    Mas quando o devedor por algum motivo deixa de cumprir com o seu dever,cai de pau,(só fazem o que lhes traz benefício).
    Aliás os países Ricos nunca são culpados de nada,não é mesmo.

  10. Zé Brasil disse:

    A solução é imitar a China: exportar, exportar , exportar produtos do agronegócio e manufaturado de grande valor agregado.

  11. jaime krochik disse:

    Uma coisa é poder absoluto do estado e outra é o controle do poder economico que na ansia de mais lucros acaba se auto destruindo e destruindo a todos.È necessária a criação de uma esquerda liberal que com certeza se não é totalmente contra o mercado também não professa a tese do sr zeca que é a liberdade para os que tem tirar a liberdade dos que não tem e sugar os recursos economicos em benefício de meia dúzia, que nas vas gordas privatiza o lucro que acreditam ser fruto absoluto e único do seu mérito e na hora das crises por eles provocadas chantageiam o mundo e passam a conta da farra como na atual crise financeira em que banqueiros se envolveram em rapinagem e picaretagem , receberam trilhões do estado que ninguém sabe de onde vieram e nem para onde foram e ainda sairam rindo da nossa cara se auto distribuindo bonus milionários. Pena que não possamos passar essa conta diretamente para os partidários do sr zeca,que para arcar com a conta teria que comprometer os seus possíveis atuais bens e os de sua descendencia po mil gerações! que bonito!
    Sou liberal, mas de outra forma

  12. Andrade disse:

    sobre art. 14/09. seria cabível um artigo s/a função social do parlamentar (no BR. é prá-lamentar). A impressão q eles nos passam é só p locupletarem-se.Ainda, um art. s a função social do imposto
    abç.

  13. simas disse:

    Alô!… Zeca: Vc é um biltre. Corrói, pelas beiradas, o q se coloca como pensamento construtivo e multiplicador…. Doente!

  14. Francisco Cantão disse:

    Se o tal Zeca conseguisse escrever tão bem quanto ele se vangloria vomitando as suas meias verdades, talvez conseguisse terminar de ler os seus comentários. Não consegui chegar ao fim de nenhum. Isso é triste.

    • zeca disse:

      isso não e triste é opção e voce já optou companheiro,a cadaq um o que é seu de direito

  15. Renato disse:

    Sinceramente? Quem voltar a produção para o lado da exportação estará ferrado. O melhor é aproveitar a demanda interna enquanto esperramos melhorar a demanda externa. Um olho aqui dentro e outro olho lá fora.

  16. antonio carlos disse:

    Ninguém sabe onde isto vai nos levar. Parece uma caminhada para um precipicio. Para nós brasileiros a situação é bastante grave. A acumulação de reservas é uma bomba. Nosso presidente não sabe de nada. E o Banco do Brasil ainda tem a participação extrangeira ampliada. Pra que?

    • zeca disse:

      não se preocupe ,nós iremos onde quizermos ir isso é o que importa

  17. Carlos Eduardo disse:

    Olá Kupfer,acompanho o blog com alguma frequencia,e devo dar os parabens por manter ele interessante como sempre,e o melhor de tudo,sem censura de comentarios. Sobre esse artigo,o que eu mais gostei foi o terceiro comentario ali,do Edu argentino. Mas se o Brasil nao vai gastar a reserva por enquanto,q mal tem pagar de “bonzinho” emprestando pro FMI? Pelo menos nao vai ter custo de carregar esses 2 bilhões(q foram pro FMI se nao me engano)

  18. Carlos Eduardo disse:

    Poxa,só fico triste do cara ali atrás dizer que a China e os Chineses são um câncer. Os caras já são uns f***dos e ainda tem q ouvir essa

  19. KLEBER disse:

    Meus caros amigos!
    Não sou Economista para entender de teorias ortodóxas e heterodoxas, mais sim um Administrado.
    Mais qual seria o ponto de equilibrio de nossa Economia?
    Se ha uma entrada de dólares no país é por que estará prejudicando a nossa Economia e fortalecendo o Real.
    Se há uma desvalorização do Real é por que vai prejudicar a dívida do país e e as Empresas que devem no exterior.
    É bem complicado meus caros…
    Só entendo de uma coisa, precisamos é produzir. E infelizmente os nossos Economistas ficam fazendo previsões subjetivas e querendo advinhar o que vai ocorrer.
    Precisamos sim, é de uma reforma fiscal radical e uma reforma trabalhista séria para que possamos atrair capital de longo prazo.
    Precisamos sim é investir em nossa Economia doméstica reforçando as nossas médiasm pequenas e micro-empresas.
    É por isto que a DINAMARCA é um pais com uma Economia forte. Lá há investimentos nas pequenas Empresas…
    Bem espero que meu pequeno recado tenha dado uma contribuição…

    • zeca disse:

      quem sabe não fala pois segredos valem dinhaeiro e ninguem os conta,vende-os.certo?

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