Nobel de Economia: uma no cravo, outra na ferradura
O Prêmio Nobel de Economia, que havia dado uma no cravo na edição de 2008, com a premiação de Paul Krugman, deu outra na ferradura, em 2009, conferindo a láurea (e os US$ 1,2 milhão em dinheiro) aos americanos Oliver E. Williamson e Elinor Ostrom – esta a primeira mulher a ganhar o prêmio da área, instituído em 1968.
É típico do “Nobel” de Economia – que, na verdade, não é um Nobel como os outros, já que o prêmio é concedido pelo banco central sueco e não pela Real Academia de Ciências da Suécia e a Fundação Alfred Nobel – alternar premiados “conservadores”, de linha, digamos “mercadista”, e “progressistas”, de linha “intervencionista” (caso de Krugman e Joseph Stiglitz, entre os mais recentes). Na verdade, desta vez, o cravo e a ferradura vieram no mesmo pacote.
O comunicado oficial com a justificativa do prêmio informa que os dois professores americanos foram escolhidos por seus trabalhos sobre “governança econômica”. Quando se vasculha a internet, percebe-se que, de fato, eles estudaram, cada um de seu lado, como pessoas e instituições interagem nas sociedades. Mas, enquanto o economista Williamson, aluno direto de Ronald Coase e discípulo das idéias de Douglass North, outros dois laureados com o Nobel, desenvolveu pesquisas no campo da Economia Institucional e dos “custos de transação”, Ostrom, uma cientista política, buscou compreender, principalmente, o impacto das organizações no meio ambiente. Característica comum entre os dois laureados deste ano é o fato de que ambos trabalham em campos de pesquisa atuais em Economia, são reconhecidos no meio acadêmico, mas não figuram nas listas das celebridades da profissão.
O prêmio, no caso de Elinor Ostrom, acompanha a onda global de preocupações com um planeta sustentável. Suas pesquisas, relatadas em livro traduzido no Brasil este ano, do qual ela é uma das organizadoras (“Ecossistemas florestais”, 544 páginas, editora Senac São Paulo), concluem não haver regime de posse – privado, comum ou governamental – superior a outro quando se trata do bem-estar das florestas. A evidência é que as regras de uso, associadas ao manejo dos recursos, independentemente do regime de propriedade, determinam as condições das florestas.
No caso de Williamson, o júri do Nobel de Economia reafirma uma preferência por pesquisas sobre o funcionamento dos mercados, a partir de visões neoclássicas e/ou comportamentais. Ainda sem obras traduzidas em português (não encontrei nada na pesquisa que fiz), o premiado de 2009 é pelo menos o terceiro, em cerca de década e meia, a dedicar-se, principalmente, a estudos no campo da chamada Economia Institucional. As ações das pessoas, enquanto agentes econômicos, limitadas pelo conjunto de regras e normas que definem a vida em sociedade são o foco das pesquisas de Williamson.
Integrado à linha de pensamento econômico mais conservador, o novo Nobel de Economia alinha-se entre os que, descartando o papel da História na economia, centram esforços no estudo do desenvolvimento de normas e regras sociais – ou seja, das instituições – como chave para compreender as consequências dos comportamentos econômicos. O resumo do raciocínio, em largas pinceladas, é o seguinte: são as instituições que restringem o oportunismo (no mau sentido) inerente ao homem e, portanto, o desenvolvimento social depende de como as sociedades as moldam e fazem operar
* * *
Um resumo interessante da evolução do pensamento de Oliver Williamson pode ser obtido nesta resenha de seu livro “Human Actions and Economic Organizations”, de 1998, de autoria do economista Carlos de Brito Pereira, escrita em inícios dos anos 2000, quando o autor era doutorando no Departamento de Administração da Faculdade de Economia da USP.
Aqui, o link para o texto:
http://www.ead.fea.usp.br/WPapers/2001/01-013.pdf
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
José Paulo Kupfer,
O que aconteceu com o link para o texto de Carlos de Brito Pereira (Algo de novo no front: Uma resenha crítica de ‘Human Actors and Economic Orgnization’ de Oliver E.Williamson. WP FEA/USP; 2001)? O endereço é realmente o indicado, mas ao acessá-lo diretamente da página do seu post, vem a informação: “Desculpe. O assunto que você está procurando foi removido”.
Não foi bem para saber sobre o que ocorreu com o link que eu faço o comentário. É para falar sobre o texto de Carlos de Brito Pereira. Falo como leigo, mas penso que vale bem eu dizer que foi um dos melhores textos de economia que eu já li. Bem escrito, com um conhecimento eclético, mas engajado, tive sorte em continuar a pesquisa com as informações que você deu e ter acesso ao texto.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 13/10/2009
Clever,
Agradeço o toque. De fato, também tentei acessar o texto do Carlos de Brito Pereira pelo link que coloquei o post e deu a mensagem que você menciona.
Fui atrás e encontrei o site do autor. O link do rexto é o mesmo, mas, quando substituí o antigo pelo novo, funcionou (ou pelo menos funcionou no teste que eu fiz). Vai entender…
Abrs
O caminho do meio de tudo e mudar
No meio do caminho de tudo ninguém devia parar, só com a morte, se ela chegar para parar o destino das coisas de quem quer fazer fica quem não quer deixa o lugar para os que estão na fila mais instruídos
No blog do Cesar Maia diz
“SAÍDA PARA HONDURAS É FAZER A ELEIÇÃO E RESPEITAR O RESULTADO”!
Respeitar os eleitores que são as pessoas que votam que compõem a população tem que ter o direito por serem os verdadeiros sócios da nação que vive
Resultado e consequência do cumprimento das regras determinadas pelas constituições da cada País, onde uma boa parte não cumpre
Mas na medida em que todos vão sabendo como tudo funciona em qualquer lugar do mundo, o poder do estado vai diminuir porque, custo beneficio será maior pagando menos imposto
Num futuro próximo pela equação matemática da ficção aponta a diminuição automática nos custos de tudo, e os encargos vão se dissolvendo aos poucos ficando a política dos políticos especialista das áreas especificas
E a internet esta vindo como mocinho no lugar dos vilões, para curar o mundo, em todos os sentidos
Ai maioria da minoria que tem cargos eleitos e os concursados que recebem os salários da contribuição coletiva, das pessoas físicas e jurídicas precisa corresponder à expectativa da escolha desejada
Começar a interpretar o que quer dizer o conceito da economista e do economista que foram contemplados com o premio Nobel da economia, um freio para todos que administram recursos públicos, vai começar a diminuir aos poucos sendo mais bem aplicado direto pela população se unindo a favor de tudo que produzira melhor qualidade de vida para todos, e não para poucos
http://colunistas.ig.com.br/jpkupfer/2009/10/12/nobel-de-economia-uma-no-cravo-outra-na-ferradura/#comments
Ta na horas das pessoas que são mais preparadas meter a cara na vida política de vez pelo que aprenderam e sabem, deviam fazer o mesmo que o Barack Obama esta fazendo nomeando gente das boas universidades
Desde que o artigo basilar de Hardin (no volume 162 da Science, de 1968) estabeleceu o termo “The Tragedy of the
Commons”, Elinor Ostrom foi a primeira a sistematizar estudos (cabe lembrar, na contra-corrente do mainstream economico) que mostravam que em muitos casos de compartilhamento de recursos públicos, como a água, a tragédia não se efetivava, mesmo sem a regulação externa. A gestão das águas no Brasil, que se baseia em princípio legal de recurso público, de alguma forma privilegia o compartilhamento e o acordo de uso conquanto o cerne
do processo está nos comitês de bacia. E os avanços consolidados no nosso modelo, refletem, ao menos em parte, este anseio de que, uma vez rompidas as grandes assimetrias – de poder e, portanto, de participação – os resultados se encaminharão mais para a conservação/manutenção/uso
eficiente do que para a escassez/completa degradação.
O Nobel de Ostrom surpreende, mas faz justiça!
Livre pensar: o proposto por Hardin, associado ao chamado “teorema de Coase” (de Ronald Coase, outro ganhador do Nobel, aliás, mentor de Oliver Willianson, que divide o prêmio atual com Ostrom), serviu de muletas a uma vertente da economia prática que advoga que direitos de propriedade para bens de caráter público (ou comuns) seriam uma forma de resolver as externalidades da “tragédia”.
Escuté que o Guillerme do Brasil proponía ao Lula para o prêmio Nobel de Economia…
Kupfer,já te falaram que você é uma gracinha?