Melhor não deixar para amanhã
Confesso que fiquei um pouquinho decepcionado, no post da semana passada sobre o PIB do primeiro trimestre, com a ausência de comentários a respeito dos péssimos números do investimento. Também já tinha ficado meio assim, num outro post, este sobre a meta de inflação para 2011, a ser fixada ainda agora em junho.
No primeiro caso, a discussão foi acesa, mas não em relação aos efeitos a prazo mais longo de um tal derretimento dos investimentos. No segundo, a reação dos leitores-comentaristas foi morna. A falta de entusiasmo no debate, em ambos os casos, me passou a mensagem de que esses não foram considerados temas relevantes – pelo menos no momento.
Estes são, no entanto, temas da maior relevância. Sua importância é ainda maior justamente pelos impactos que produzem no futuro. Se a decisão de hoje, em relação aos investimentos e à meta de inflação, não for bem fundamentada, o resultado de amanhã estará, fatalmente, comprometido.
Enquanto a capacidade ociosa permite à economia galopar, afrouxam os estímulos para definir hoje – via estímulos aos investimentos - as bases do crescimento futuro. Do mesmo modo, deixar de lado o debate das metas de inflação, só porque só vai valer daqui a um ano e meio, pode levar a erros na definição dos tetos balizadores da política monetária. E, assim, mesmo que se acerte com os investimentos, o crescimento poderá ficar comprometido.
São, como se vê, dois pontos cruciais para o crescimento econômico num futuro bem próximo. Mas parece que não produzem muita emoção. Mexe mais com a pele ficar olhando o passado e o quanto Lula ou FHC fizeram mais ou menos no que já foi feito.
Imagino também que isso acontece porque, decidir hoje o que será melhor amanhã exige suar muito mais a camisa para reunir conhecimento aprofundado e produzir planejamento apropriado.
Acho que todo mundo entende isso, mas, na vida prática, a tendência é sempre deixar tais assuntos para depois. Só que o depois, nesses casos, é sinônimo de “já era”…
* * *
Aproveito o mote para reproduzir o artigo do economista Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP, publicado sábado, na Folha, sobre a definição da meta de inflação de 2011. Lacerda defende a manutenção da meta de 4,5%, em vigor na última meia dúzia de anos. É um texto conciso e claro.
SAMBA DE UMA META SÓ
Antonio Corrêa de Lacerda
DEFENDO QUE o Conselho Monetário Nacional deve manter a meta de inflação de 4,5% para 2011. Isso porque, dada a combinação de políticas macroeconômicas em prática no Brasil, uma diminuição da meta só servirá de álibi para a manutenção de uma política monetária excessivamente conservadora.
Há de fato evidências no enfoque baseado na teoria econômica ortodoxa de que, internacionalmente, uma meta mais apertada tende a levar a uma inflação mais baixa, na medida em que faria convergir as expectativas para uma menor variação de preços e que tenderia a se consolidar na prática.
O sistema de metas de inflação, que está completando dez anos de implantação no Brasil, tem suas virtudes, mas também tem debilidades. A virtude foi ganhar relativa credibilidade, o que proporcionou maior previsibilidade na política monetária e um horizonte mais transparente para o planejamento e as decisões dos agentes econômicos.
No entanto, o sistema de metas de inflação também apresenta grandes distorções. A primeira é que a meta é definida e acompanhada com base na inflação “cheia” (o IPCA). O ideal seria focar em uma inflação núcleo, mais liberta das influências conjunturais e também do grande impacto da indexação remanescente de preços ao IGP e IGP-M, como tarifas, aluguéis e outros.
Destaque-se que esses índices sofrem muita influência do comportamento dos preços no atacado e da taxa de câmbio. Ou seja, toda vez que há um choque de preços de commodities ou no câmbio, há um aperto na política monetária para derrubar os preços livres de forma a compensar os demais aumentos e fazer convergir a inflação média para a meta.
A segunda anomalia está no horizonte muito curto de foco do sistema de metas de inflação, o que engessa demasiadamente a política monetária. O ideal seria flexibilizá-la, considerando um horizonte mais amplo, de 24 ou 36 meses, por exemplo. Toda política econômica envolve escolhas, e o que deveria definir o conjunto das escolhas é relação custo/beneficio de cada medida.
O terceiro ponto é que o critério de captura das expectativas do mercado por meio do boletim Focus tem se mostrado enviesado. Isso porque o boletim publicado semanalmente pelo Banco Central, que expressa as expectativas do comportamento dos principais indicadores futuros, é excessivamente centrado no mercado financeiro. Seria oportuno captar também as expectativas do setor produtivo, da academia e de outros segmentos importantes da sociedade.
A prática leva a uma situação em que as expectativas tendem a se autorreferendarem. O “mercado”, com forte repercussão na mídia, expressa o que acha que o Copom vai fazer em cada reunião. Este, por sua vez, invariavelmente, tende a atender às expectativas do mercado, gerando um pseudo consenso.
Talvez esse viés de foco ajude a explicar alguns evidentes erros de diagnóstico do Copom, expressos na ata das suas reuniões. Isso fica especialmente evidente quando a economia dá grandes viradas, o que só aparece nos indicadores com defasagem, como ocorreu no quarto trimestre do ano passado, com o agravamento da crise internacional. Ao olhar fundamentalmente para o retrovisor, o Banco Central procrastinou a redução da taxa de juros no Brasil e nos fez importar uma parcela maior da recessão dos países ricos.
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:Por último, mas não menos importante, é a debilidade de o sistema de metas de inflação ser o único objetivo explícito do conjunto das políticas macroeconômicas. Ou seja, ao centrar o foco da calibragem dos juros exclusivamente no curto prazo e na inflação, desconsidera outros efeitos importantes sobre o nível de atividades, câmbio, investimentos, emprego e renda, além do custo de financiamento da dívida pública.
Assim, por todos esses motivos, o melhor mesmo é manter a meta, a despeito da possível vantagem que poderia trazer reduzi-la. Enquanto persistirem as distorções apontadas, na prática, o “samba de uma meta só” acaba prevalecendo, fazendo com que todos os demais objetivos dancem.
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ANTONIO CORRÊA DE LACERDA, doutor pelo IE/Unicamp, é professor doutor do departamento de Economia da PUC-SP e co-autor de “Economia Brasileira”, entre outros livros. Foi presidente da Sobeet e do Cofecon.
Foto: Edu Simões
É exatamente isso, caro Kupfer, essa falta de um debate mais aprofundado sobre o tema – uma mesa redonda, por assim dizer, -, principalmente por parte das cabeças mais bem treinadas no tema. Necessariamente não precisam ter as melhores idéias, mas são treinadas exatamente para saber equacionar melhor as propostas, os pontos iniciais, os primeiro ponta-pés, vamos dizer.
Eu e o senhor Alberto (um outro comentarista mais ou menos assíduo – inclusive tem uma forma diferente de escrever [é mais bem-educado que eu, eh, eh]) temos insistido num debate mais profundo, mas até agora, nada.
Por exemplo: cansei de aprender que mercado interno só se desenvolve com aumentos de salários, mas falar nisso, aqui no Brasil, é anátema. Preferem os poderosos milionários a ficarem eternamente “caolhos” em terra de cegos, ao invés de fazer com que os pobres consigam um olho – ao menos – para que eles consigam lutar de igual para igual com os milionários estrangeiros.
Pensar que Henry Ford (entre outros) fez isso no mercado americano e não se encontra um único (grosso modo) empresário brasileiro que pense do mesmo jeito.
Esse é um dos pontos, existem vários (claro), é só cada um expor suas idéias.
Excelente, a convergência para o desenvolvimentismo, ao menos entre os economistas sérios, já me parece um grande avanço. Contudo, interessa dizer que os industriais, o empresariado, pressiona por um lado pela redução da taxa de juros visando facilitar o investimento, mas por outro está sempre entoando a cantilena do superavit e redução do gasto público, com o óbvio objetivo de garantir a segurança de suas aplicações em títulos públicos, ou seja, também são rentistas e manifestam essa esquizofrênia econômica através da ação de seus representantes políticos, acadêmicos e midiáticos.
Tomara que este debate chegue a sociedade e consiga furar o cerco do “mercado”.
Kupfer, eu só queria que o IBGE explicasse como é feito o ajuste sazonal do PIB. Esta queda de 0,8% no primeiro trimestre está entalada. Tenho impressão que a queda do último trimestre do ano passado foi superestimada e a do primeiro trimestre amortecida. Acho que querem passar uma idéia de recuperação rápida. Com ajuste sazonal isto é muito fácil. Não acredito nos números oficiais.
Corte nos investimentos é algo esperado nestas horas Kupfer. No momento muita coisa só estava no papel e pode ser retomada. Quanto a conversa sobre inflação futura, levantar o tema já é de grande valia mas nosso histórico de debates sobre temas tão mais elevados, digamos assim, sofreu sério revés durante algumas décadas. Tenho certeza que os atuais acontecimentos apontam para um futuro de um debate mais aberto e com informações mais confiáveis. Os blogs são um exemplo de avanço. Na ditadura quem se reunia para discutir política ou economia era preso como subversivo.
Quanto aos que seguraram o investimento podem perder uma fatia de mecado para seu concorrente quando as coisas melhorarem e quem sabe daí saí alguém mais antenado que faça escola?
Na minha parca visão político-econômica vejo um ponto de inflexão logo ali na frente.
Além do mais quando a burrice é demais a gente desconfia que seja só burrice, tô certo?
Sobre investimentos, entendo que o traço de nossa cultura que não valoriza o trabalho feito anteriormente – quem colhe os louros é que fica com o mérito – explica a falta de preocupação com o assunto.
Quem mais fez pelo país – acabou com a inflação, criou LRF, criou a infraestrutura energética, lançou o bolsa-escola – viu os adversários de tais políticas colherem os louros e não lhes reconhecerem os méritos.
A população não reconhece, intelectuais desonestos se omitem. Haja grandeza para suportar isso! O investimento que se dane!
Caro Kupfer, esta falta de interesse nos assuntos apontados, mostra claramente a falta de visão que TODOS nos braseileiros temos sobre a construção de uma NAÇÃO. Experimente polemizar por exemplo assuntos como: PSDB X PT, ou redução de taxa de juros pelo COPOM ou taxa de cambio, que vc vai ver como o blog explode de tantos comentarios.
Com relação aos pontos apresentados pelo prof. Lacerda, concordo plenamente em mudarmos o sistema de inflação “cheia” para inflação “nucleo”, acho um sistema mais justo. O sistema de metas em si, tem como grande mérito sua credibilidade e na minha opinião deve ser mantido. Mas ao mesmo tempo, o Bacen tem que reduzir, nem que seja “simbolico” (0,10%), para mostrar aos agentes economicos, que o indice não está esquecido e reduzindo gradativamente a expectativa inflacionária.
Gostaria também de agradecer as palavras do meu amigo Argo, acho que o que falta debatermos é o Brasil dos proximos 10 ou 20 anos, com visão estratégica em todos os sentidos, começando já, visto que as próximas eleições estão se aproximando. Precisamos discutir tais temas ja, para cobrarmos dos próximos candidatos, independente de quem seja, se do PSDB ou PT.
Independente disto, acho que o pior da crise ja passou, que foi principalmente o grande “panico” que todos estávamos dela. Acho que o Brasil está menos atonito e na atual conjuntura, se ninguém fizer besteira, temos potencial (enquanto a China continuar crescendo) para crescermos 3% aa, o que não é nada fabuloso, levando em consideração que nossa população cresce a quase 2% ao ano, o que deveria ser uma prioridade do governo, controlar este crescimento (é a forma mais barata e fácil de crescimento).
Abs a todos.
Antonio Eugenio, concordo plenamente com vc. Muito do que foi feito não está sendo reconhecido.
-Estabilidade fiscal,
-Privatização (lembra de como era a briga por cargos nas empresas estatais)
-Lei de responsabilidade fiscal
-Lei dos genericos (interessante, pois estou morando nos EUA neste ultimo ano e quase vou a falencia, cada vez que tenho que comprar um remédio aqui)
-Reequacionamento da dívidas dos estados e municipios. Como esquecer que os estados eram quase todos quebrados.
-Fim da conta movimento.
Agora também não quero polemizar isto e acho importante também reconhecer várias coisas excelentes desta atual gestão:
-Divisão da renda (ainda que ainda precise melhorar muito) via incremente do “bolsa família”
-Aumento do salario mínimo
-Politica externa agressiva e mais pulverizada, diminuindo a dependencia dos grandes centros, onde estamos colhendo os frutos agora.
E por ai vai. Mas gente, tudo isto também é passado. Venho insistindo ha muito tempo em olhar pra frente e ver o que precisamos fazer. Precisamos de mais MODERNIDADE na nossa economia, uma visão mais estratégica na economia e uma visão mais abrangente de NAÇÃO.
“Quem mais fez pelo país – acabou com a inflação, criou LRF, criou a infraestrutura energética, lançou o bolsa-escola”
Em compensação, torrou todas as nossas empresas – algumas rentáveis – a troco de banana. Estão a fazer falta, agora.
Particularmente eu entendo o seguinte: O atual governo NÃO ESTIMULA O INVESTIMENTO do cidadão comum, ele quer que você COMPRE para manter a produção da indústria e consequentemente diminuir o desemprego, etc… É um paleativo diante da crise, que também no meu entender, AINDA NÃO SE MANIFESTOU com força aquí. Tudo tem um limite. Eu acredito muito que assim que se iniciar uma forte recessão, quem preferiu comprar com IPI reduzido, vai saborear dívidas, diminuindo drásticamente o consumo, alimentando a queda da produção industrial, desemprego, etc…
Pode ser que entendam que meu raciocínio é medíocre. Mas é assim que eu compreendo o funcionamento dessa idéia.
Desculpe Sr. Argo descordar mais uma vez, mais quais empresas estão fazendo falta……
-Vamos falar dos bancos publicos que so serviam de cabide de emprego, com péssimo atendimento, baixissima tecnologia, alem de servirem para gastança dos governos estaduais. Veja o próprio BB com seus mais de 200 anos de historia, a surra que tem levado do Bradesco e Itau. È bem verdade que estão sendo mais competentes agora.
-Ou vamos falar da RFFSA (esta sem comentarios)
-Ou das teles, onde o serviço era caro, extremamente precário e muitas pessoas viviam de renda de aparelhos telefonicos, com filas de espera para aquisição de novas linhas.
-Ou a EMBRAER e VALE que depois de privatizadas, alçaram voos muitos maiores, empregando muito mais gente e hoje são reconhecidas mundialmente pela excelencia dos seus serviços. Não que não fossem antes, mas a dimensão das empresas hoje é totalmente diferente e dificilmente teriam condições de competir neste mercado globalizado. Veja os numero da EMBRAER antes da privatização, verá que não duraria mais muito tempo nas mãos do governo. Ainda mais que depois da constituição de 88, foi proibido o governo aportar recursos na empresa.
-Ou vamos falar das estradas esburacadas que tinhamos antes. É verdade que este não foi o melhor modelo de privatização, os pedágios estao caros e acertos precisam ser feitos, mas volto a frisar, melhor pedágios caros, com boas estradas, que estradas esburacadas e perigosas.
Nao estou defendendo o processo como um todo não. Muitos erros foram cometidos, mas entre o antes e o agora, MIL vezes o agora, mesmo com todos os defeitos.
O capitalismo é péssimo, mas ainda é melhor que os outros, pois obriga a competencia da sociedade como um todo.
Em tempo, desculpem o meu “descordar” e leiam discordar.
Ainda em tempo, JPF, escrevi outros 2 comentarios e não apareceram, um inclusive elogiando bastante o Sr. Argo.
Concordo com você, Alberto, só citei algumas coisas que me vieram à cabeça, e também não desconheço méritos a esse Governo, até para fazer coisas que na oposição não deixaria (já pensou superávit primário de 6% no Governo FHC?).
A privatização, caso o conceito em si não fosse tão atacado (por fins eleitorais), talvez pudesse ser melhor acompanhada. Mas sem dúvida ajudou muito a mudar nossa situação fiscal, as empresas privatizadas passaram a pagar várias vezes mais impostos e trouxeram … INVESTIMENTOS!!!
Mas é justamente o que falei: o que foi feito de bom não é reconhecido, e ainda são satanizados seus autores. O conceito de nação não é alimentado, há segregação ideológica. Ela enfim acaba excluindo muitas pessoas e empresas de boa fé, que preferem esquecer possíveis sentimentos altruístas e tratarem só de suas próprias vidas.
Deixa o investimento por conta dos outros, se vierem a fazer e ganhar mercado, bom para eles!
“O conceito de nação não é alimentado…”
Entregando-se as companhias estatais para o investidor estrangeiro significa melhorar o conceito de nação?
Fala-se muito sobre ineficiencias de estatais e outros “pecados”. A solução é combater os erros e corporativismos? Melhorar o nível educacional do povo para que só votem em quem tenha o mínimo de respeito pelo patrimônio público? Não, a solução é privatizar e privatizar e privatizar, sem respeito algum, dilapidando um patrimônio nosso. Basta ver o que fizeram com relação à Vale, vendendo-a por um terço do seu valor real.
A Suécia, meus caros, tem mais de 50% de sua atividade exercida por empresas estatais, e é um exemplo de eficiencia. A Telia, sua estatal de telecomunicações, consegue oferecer uma conexão de 100M pelo preço de uma nossa de 1M (principalmente no norte e nordeste, onde a Telemar não tem concorrencia), e com muito mais qualidade – tendo, inclusive, uma cláusula em seu contrato de obrigatoriedade de 80% da velocidade, ao passo que nas nossas é de (pasmem!) 10%.
Não, a solução não era de privatizar, era de educar a nação, coisa que não interessa à elite – de há muito, de há quinhentos anos.
A Renault é estatal, não é? Ela é ineficiente? Os bancos americanos também estão (na prática) estatizados. Diminuiu sua eficiencia?
Caro Argo,
Tudo isto que o senhor disse é verdade. O exemplo da Suécia apesar de ser uma país bem pequeno em territorio e principalmente população, não tenho conhecimento mas julgo prudente seus comentários. Mas é um país capitalista na sua essencia.
Agora sempre gosto de analisar os dois lados da mesma moeda, vamos falar então da força do capitalismo americano, que durante mais de 60 anos, tem ditado as regras da economia, ou o capitalismo da Coreia do Sul, que no espaço pequeno de duas gerações, transformaram o país num exemplo, com serviços de telefonia, inclusive muito melhores do que os suecos.
Quando se refere ao exemplo da Telia sueca, também não conheço, mas não tenho dúvida que o serviço deve ser muito melhor que o da Telemar, que por sua vez é muito melhor que das antigas “TELES”. São acertos como este que precisamos fazer, brigas, boicotar, enfim, usar as armas que temos como cidadaos para resolver o problema.
Ja o exemplo da Renault, acho que não foi um bom exemplo, pois a empresa vem perdendo espaço aos poucos.
Os bancos americanos, acho que ao contrário, estão estatizados nos papeis (ações) e não na prática. Fizeram uma grande besteira, principalmente pela falta de “regulamentação” que o capitalismo americano (republicano) é contra, que vão ter que rever seus conceitos.
É justamente esta discussão ideológica que não leva a gente a lugar nenhum. O que foi feito ta feita e não conseguiremos voltar atras. Agora “cuspir no prato” da estabilidade, da LRF entre outros tantos avanços, me parece um pouco injusto. Da mesma forma, que acho injusto criticar simplesmente por criticar a atual gestão.
Ambas cometeram praticamente os mesmos acertos e os mesmos erros. Ambas se esqueceram de pensar o país no longo prazo e se concentraram no arroz com feijão.
Mas sou sempre otimista, estamos melhores e vamos melhorar, so não podemos esquecer que temos muito trabalho pela frente e muita discussão tambem.
O Argo é pouquissimo modesto !!!! Mais um pouco e vai querer se autopoclamar modestamente de Argokupfer !
Caro JPK,
Os números de investimentos não foram surpresas. Falando com as empresas, dá para perceber claramente que as decisões de investimentos esperam por uma definição melhor da conjuntura economica.
Com relação a ultima queda de juros, o BC mostrou que não é refém do tão proclamado mercado para tomar as suas decisões.
Acho que há um exagero na responsabilidade do BC sobre o crescimento econômico. Juros são sim importantes, mas sozinhos não dizem nada, vide Japão.
O papel primordial do Bc é preservar a moeda, e não dá para debitar na conta dele outros gargalos ao crescimento.
As decisões de investimentos passam muito vezes ao largo da selic: mercado interno, confiança na economia, demanda externa, impostos, credito disponivel…
Acho que 4,5% de inflação para um país com a economia fechada como o Brasil está de bom tamanho. Portanto, os juros nominas têm piso, mas não porque o famoso mercado ou a confraria dos ortodoxos desejam, mas pela própria estrutura do país (alias já discutido anteriormente neste blog).
Mas olhando para frente, como você gosta de dizer, será que com juros nominais de 8% ainda culparemos o BC pelo nossa incapacidade de crescer?
Ou suaremos a camisa para mudar o sistema tributário mais ridículo do mundo, diminuir o custo do encargo da mão de obra, e melhorar a gestão dos serviços públicos e das empresas privadas?
abs fraternos, DI
Caro JPK,
Os números de investimentos não foram surpresas. Falando com as empresas, dá para perceber claramente que as decisões de investimentos esperam por uma definição melhor da conjuntura econômica.
Com relação a ultima queda de juros, o BC mostrou que não é refém do tão proclamado mercado para tomar as suas decisões.
Acho que há um exagero na responsabilidade do BC sobre o crescimento econômico. Juros são sim importantes, mas sozinhos não dizem nada, vide Japão.
O papel primordial do Bc é preservar a moeda, e não dá para debitar na conta dele outro gargalos ao crescimento.
As decisões de investimentos passam muito vezes ao largo da selic: mercado interno, confiança na economia, demanda externa, impostos, credito disponivel…
Acho que 4,5% de inflação para um país com a economia fechada como o Brasil está de bom tamanho. Portanto, os juros nominas têm piso, mas não porque o mercado ou a confraria dos ortodoxos desejam, mas pela própria estrutura do país (alias já discutido anteriormente neste blog).
Mas olhando para frente, como você gosta de dizer, será que com juros nominais de 8% ainda culparemos o BC pelo nossa incapacidade de crescer?
Ou suaremos a camisa para mudar o sistema tributário mais ridículo do mundo, diminuir o custo do encargo da mão de obra, e melhorar a gestão dos serviços públicos e das empresas privadas?
abs fraternos, DI
Caro JPK,
Qual o impacto na Dívida Pública, dentro deste ano fiscal, com a queda de 1 p.p. na Taxa Selic? E, qual a projeçao para 2010? Emita sua opinião, por favor! No meu entender, ainda é um ponto frágil de nossa economia>
Grato
Muito bom os comentários do tal do Alberto….
Hoje toda a atenção esta voltada para a campanha presidencial as forças já organizadas começam plantar , forjar ,
incinuar com a complacência da maioria dos jornalistas .
Como pode haver debate sobre investimentos não só financeiros , mas nas pessoas que na verdade realizam as coisas ?
No fundo ainda somos como os indios , que só pessam no momento , como se o peixe e a caça estvesse a nossa espera.
“Da mesma forma, que acho injusto criticar simplesmente por criticar a atual gestão.”
Alberto, talvez seja isso que nos faz ficar revoltados e, também, criticar por criticar o FHC. Ah, e talvez decepção extrema para com ele. Eu mesmo, confesso, tenho uma raiva tão violenta dele, que fico sem raciocinar quanto se trata de falar no mequetrefe.
Certo, concordo, dois erros não fazem um acerto, deveríamos é pensar no futuro como voce propõe.
O primeiro passo, na minha opinião, é dinamizar o mercado interno, encontrando maneiras de aumentar o ganho real dos trabalhadores. Enquanto não se fizer isto, a economia fica patinando.
————
“O Argo é pouquissimo modesto !!!! Mais um pouco e vai querer se autopoclamar modestamente de Argokupfer !”
Chirac, vá à …! (brincadeirinha, tá? eh, eh)
dê uma força nesta coluna Paulo , é uma vergonha o valor pago
pelo DPVAT por uma morte no tránsito 2.500,00 . Deveria ser no
mínimo 20 salários mínimos . Muito grato leio sempre suas opniões.
dê uma força nesta coluna Paulo , é uma vergonha o valor pago
pelo DPVAT por uma morte no tránsito 2.500,00 . Deveria ser no
mínimo 20 salários mínimos . Muito grato ,leio sempre suas opiniões.
A falada ineficiência das estatais…
Banco do Brasil- sem êle estariamos importando grãos. Desde sempre representou a quase totalidade de crédito ao setor agropecuário. É de alto risco dizem os bancos privados…
Caixa Econômica- Fiquemos somente no financiamento habitacional de baixa renda…
Petrobras – Pré sal, autosuficiência no petróleo, 4ºempresa do setor, estrela da NYSE…
Quanto às teles lembremos que: durante anos as tarifas foram reduzidas; durante anos foram impedidas de investir pelo FMI e seus sipaios; a mudança de tecnologia para o sem fio, coincidentemente com a venda dos ativos então sub valorizados, permitiu a expanção das redes com baixos investimentos em termos comparativos.
Mas crime maior do que a privatização com a consequente desmontagem das ferrovias pelo setor privado, só mesmo tirar a comunicação via satélite e sua rede do controle soberano do Estado Brasileiro.
Bancos Estaduais- Dá para pensar o Estado de São Paulo sem que houvesse existido o Banespa?
A apropriação das estatais pelos politicos de plantão redundou na imagem distorcida que hoje se observa. Falei de plantão…
mas como plantão se foram sempre os mesmos que mandaram e desmandaram? Nunca deixaram as guaritas, mesmo q uando da ditadura militar.
A rápida recuperação da economia brasileira esta ligada diretamente aos investimentos das estatais e do setor público. Crédito ofertado pelos bancos estatais.
Onde o liberalismo conseguiu afogar o estado numa banheira, a crise foi maior e está sendo catastrófica, com dimensões que nossa vã filosofia ainda não conseguiu reificar. E eis que ressurge a reestatisação da economia até nos EEUU… É hora de socializar os prejuizos…
Clovis
Mas não. Repito: o que se tem a fazer é conscientizar o povo, a população a fiscalizar melhor onde o dinheiro do estado é investido, não fechar estatais a torto e a direito.
Eu, no lugar do presidente, já teria procurado uma maneira de comprar a GM, isso sim. Ao invés de enviar 10 bilhões ao FMI só usaria 5 e com os outros 5 compraria a GM do Brasil e faria dela uma senhora montadora.
Já imaginaram o efeito cascata que daí adviria?
“Eu, no lugar do presidente, já teria procurado uma maneira de comprar a GM, isso sim. Ao invés de enviar 10 bilhões ao FMI só usaria 5 e com os outros 5 compraria a GM do Brasil e faria dela uma senhora montadora.” Clovis
Também acho que teria sido uma “tacada legal” ter feito uma oferta de compra da GM do Brasil, mas deveria ter sido feita no primeiro momento porque teria sido uma excelente oportunidade.
Inclusive, com essa queda generalizada dos mercados de ações, creio que seria interessante implementar o Fundo de Pensão dos funcionários públicos, ainda que seja de adesão voluntária e gradativa, o momento é oportuno para se investir em ações baratas e investimentos com perspectivas rentáveis no futuro, o que garantiria recursos para suprir aposentadorias do setor público, além disso, ser um forte fomento para investimentos. Talvez seja interessante se discutir, “sem paixão”, um tema tão importante quanto esse para a sustentabilidade futura da economia brasileira.
Quanto ao 10 Bilhões ao FMI isso acredito que é muito interessante porque é investido em títulos que irão compor a reserva brasileira, e, ao mesmo tempo, contribui para fortalecer o sistema financeiro internacional, o que não deixa de ser bom para o Brasil. Ou você acha melhor investir nos “Treasures” – titulos dos Estados Unidos, isso sim é utilizar reservas conquistadas com sacrifícios para sustentar a economia de um país que, por causa de sua moeda, o dolar como parâmetro mundial, sempre se aproveitou do resto do mundo para suprir suas mordomias.