Cachorro que morde o próprio rabo
Não precisou nem um minuto depois do anúncio do desempenho da economia, no primeiro trimestre, para os juros futuros subirem. Era o mercado passando ao Banco Central a mensagem de que o corte na taxa básica deveria ser, como sempre, mais modesto. O fato de o PIB não ter recuado tanto quanto as projeções do próprio mercado era o argumento de que precisava. Argumento frágil que, felizmente, não comoveu a maioria dos sábios do Comitê de Política Monetária (Copom).
Menos mal o corte de 1 ponto percentual. A inesperada resistência da economia a um desaquecimento mais profundo fez crescerem, a partir de terça-feira, quando saíram os números do IBGE, as apostas numa redução de apenas 0,75 ponto percentual. A lógica dessa moderação tem origem num raciocínio raso, que finge projetar o futuro, mas se prende ao passado.
Junto com a notícia de que a economia não recuara os 1,5% esperados no primeiro trimestre, mas “apenas” 0,8%, veio a informação de que o investimento (formação bruta de capital fixo), naquele trimestre, havia desabado mais de 12%, no maior mergulho da série histórica atual das contas nacionais. Era, este sim, motivo para derrubar os juros sem dó nem piedade. Mas, na “ciência econômica” do mercado, tratava-se, exatamente, do inverso.
Para essa estranha “ciência”, que vive à procura das “taxas naturais” – aquelas que não provocam aceleração da inflação –, a queda livre dos investimentos indicaria uma redução do “produto potencial”, uma quiromancia econômica que pretende estabelecer o nível máximo de crescimento que não produz aceleração inflacionária. Com um PIB potencial reduzido, cortar juros e, em conseqüência, estimular a atividade econômica seria a receita inevitável para a volta, no futuro, da inflação.
É uma teoria que se alimenta dos factóides que ela mesma fabrica. Funciona mais ou menos assim: juros altos dificultam os investimentos e sem investimentos o produto potencial cai, justificando juros altos. Um cachorro que morde o próprio rabo.
As decisões de investimento não são movidas apenas a juros baixos. Em busca da taxa de retorno ótima, o empreendedor avalia o potencial do mercado consumidor e as condições de concorrência. Mas, ao lado desses fatores críticos, o custo do dinheiro, obviamente, exerce também relevante.
Se isso for verdade, era hora de ser ainda mais agressivo no corte dos juros. Afinal, a recuperação que começou a se esboçar no segundo trimestre, avançará até onde a capacidade instalada oferecer espaços ociosos. Os dados mais recentes informam que, depois de cair quase 25% no acumulado de abril e maio, o setor de máquinas e equipamentos continuou patinando em junho. Mau sinal. E um indicativo forte – não inteiramente levado em conta pelos sábios do Copom.
Sem uma vigorosa recuperação dos investimentos, a economia vai bater no teto e não demora muito.
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
…Tá de bom tamanho….
Mas também é momento de deixar que a poupança fique “livre” e que seja, ou pelo menos permitam – além de otras cositas más – um “ajudante regulador ” do consumo…
…uma poupança mais atraente, com certeza freará, pelos menos um pouco, o medo que o governo e o BC têm da inflação….Que ela não seja tarifada sem um propósito consistente…
E que apenas a “E”conomia dite as regras….
…pelo menos por uns tempos…
Empresario nenhum vai investir com o dolar abaixo de R$ 2,20 a R$ 2,40. Hoje temos capacidade de produção ociosa em quase todos os setores de manufaturados.
Não existe expectativa a curto prazo de que o mercado interno possa assimilar esse excedente, e não temos competitividade para exporta-lo.
Invesir para quê? Em alguma linha de produtos novos? Vem tudo da China.
Hoje assisti ao Mendonça de Barros comentando que tem empresa brasileira que exporta agua de coco para os USA, mas produz essa agua na Asia. Por causa do cambio, exportar a agua de coco produzida no nordeste é inviavel.
Ai vem nego falar que é um movimento mundial, que o dolar esta desvalorizando en todo lugar… Mas E DAI? Dane-se o resto do mundo, aqui temos é de fazer esse dolar subir, E MUITO, para estimularmos a exportação de manufaturados, ou estaremos condenados a ser um pais agricola.
E instrumentos tem, para começar enfia um belo IOF nesses dolares de especuladores que estão entrando aqui nos nossos bancos.
So não é politicamente interessante fazer. Ou alguem acha que o Lula quer peitar os bancos?
Porque será que vcs da imprensa nunca concordam com uma decisão sequer da equipe economica do governo?!?! será que lá só tem tapados? será que a equipe economica nunca tem razão? como então o pais tem melhorado tanto, em especial pra as classes economicas mais carentes? Será que não é hora da imprensa em geral amadurecer um pouco mais e fazer comentarios que ao menos retratem a realidade de agora? Não sou economista ou algo parecido, porme tenho a certeza que se o governo não soubesse o que está fazendo com a economia do pais, estariamos num mar de lama diante desta crise mundial, e não é isso que vejo e nem o que a imprensa internacional vem dizendo do nosso pais !
Economista é assim, fala que o copom deveria ser mais corajoso e reduzir os juros, mas gostaria que eles estivessem lá e reduzissem a taxa de juros no patamar que eles alegam, haveria um caos na economia. Quanta burrice! Se a equipe acha que deve ser assim estão agindo dorretamente uma redução de juros pode causar mais transtornos do que ajuda. Eu gostaria de saber em quantos pontos o Serra reduziria a taxa de juros? Quanto? Economistas e Psdbistas acham que é fácil reduzir e reduzir por que não reduz o preço das passagens do metrô? Eles aumentaram por quê sendo que ainflaçãos está estável. O problema é a dor de cotovelo. Dói demais no Psdb. Parabéns copom nada de escutar descontentes e incompetentes.
Discordam pelo simples fato: dor de cotovelo!! Não dá pra concordar. Economistas são assim mesmo, não conseguem concordar senão pra que eles são economistas? Pra que estudar anos e ficar concordando, é dizer que estudou por nada! Então discordando é um jeito de dizer que eu sei mais que eles. Isso se chama corriqueiramente dor de cotovelo! Então eu pergunto denovo quantos pontos o Serra reduziria? Se ele responder 3 pontos ele está completamente louco! Na nossa economia seria como dar um tiro no pé.
Quero dizer que as empresas brasileiras não vendem pelo uso e abuso do custo Brasil, sonegam e dizem que pagam impostos, mas quem paga mesmo somos nós povão, vejam o exemplo do Carrefour, que deve milhões aos cofres publicos, sonegando, mandando dinheiro pra fora do Brasil, isso sim que os economistas deveriam criticar!
Meu deeeuuuusssss… alem de petista o cara é chato. E alem de chato o cara é louco. Ele mesmo responde a uma pergunta que ele mesmo fez, e isso porque ele abre o comentario dizendo que não entende do assunto, mas tem opinião e resposta sobre.
A redução da taxa básica feita pelo Banco Central não chega ao consumidor. Temos, de longe, as maiores taxas de juros do mundo. Como exemplo, basta citar a taxa de juros para crédito rotativo das administradoras de cartão de crédito, sempre acima dos 10% ao mês, sem contar as taxas do cheque especial, acima de 1OO% ao ano. José Paulo Kupfer, será que podemos ter esperança de que algum dia no Brasil teremos juros ao consumidor compatíveis com as taxas do Primeiro Mundo?
Gente, dolar abaixo de R$2,50 é só para chines ver, o que vai acontecer no futuro, é termos todos os nossos manufaturados sendo processados em outra China qualquer, sendo montados em ¨Portos Secos¨, em alguns pontos do Brasil, como o nosso Petróleo e Soja, voltando rotulados em alguns idiomas, e nós aqui continuando com nossas ¨Escolas e Faculdades¨ (há, e nossos Laboratios de Pesquisas), com essa baita desenvoltura esistente até hoje, (exceto, um ou outro que algum(s)maluco(s) se dispoem em aplicar recursos e tempo, para ficar para a posteridade. Olha, o que precisa, é se pensar onde a Nação toda quer chegar ser um Dia. O resto é papo de cem anos atrás. ok
Grato.
caro paulo, não posso deixar de dar uma certa razão ao sergio;
so da ibope se vcs discordarem do banco central? não seria o caso de fazer analise um pouco mais imparcial? um abraço
Memorizem o que eu digo agora: MUITA GENTE VAI COMPRAR A PRAZO E NÃO CONSEGUIR PAGAR A CONTA ! A CRISE AINDA NÃO SE MANIFESTOU COM FORÇA NO BRASIL !
Kupfer
Foi, dentro das limitações conjunturais, um corte ousado, se redimindo de não ter baixado em dezembro.
Nos, economistas (principalmente os que não estão sentados naquela cadeira) devemos ser mais humildes e saber elogiar qdo algo é feito corretamente.
Olhem os ultimos artigos do Delfim, abandonando a ideia de voluntarismo do BC pra atacar a parte “instituicional”. Eu toh com ele, temos muita coisa pra mudar, institucionalmente. Não são as pessoas, são as instituições.
PS.: Prova disso é que, 1) Nao resolvemos definitivamente o problema da poupança, 2) Nem começamos a discutir os problemas do Fundos de Pensão, que tem no seu estatuto o limitador de 6% de rendimento minimo, 3) Os Fundos de investimento não estão preparados, e muita gente vai fechar as portas com essa taxa de juros, pq vai ter que cortar na taxa de administraçao pra sobreviver, 4) Muitas outras situações que NINGUEM ate agora previu.
É um novo ambiente, Brasil, com taxas reais abaixo de 5% (de verdade) com inflação controlada.
Entao vamos parar de reclamar e discutir e estudar.
Abraços,
[...] Cachorro que morde o próprio rabo | José Paulo Kupfer 10/06/2009 – 21:01Cachorro que morde o próprio rabo [...]
[...] “esfriar” Entidades criticam o corte na taxa de juros brasileira José Paulo Kupfer: era hora de ser mais agressivo na queda dos juros Em comunicado, o Itaú Unibanco diz que “diminuirá pela quarta vez em 2009 [...]
FINALMENTE o juros chegou aonde deveria ter estado desde, no MÍNIMO, setembro/08 …mês em que o NHONHÔ do nosso BC, em plena CRISE mundial, ainda o elevava para estratosféricos e INACREDITÁVEIS 13,75% ..UM CRIME sem igual
http://www.estadao.com.br/especiais/confira-a-evolucao-da-selic-desde-o-inicio-do-governo-lula,3326.htm
..mas os desafios não param
Pra mim a descida NÃO pode ser contida …por outro lado NÃO podemos permitir que haja deformações do tipo que seriam a prática e a ARMADILHA do JUROS REAL NEGATIVO
Doutro lado, vai ficar difícil, num mundo INTEGRADO, querermos trabalhar só com a ferramenta JUROS para regularmos o fluxo e aprumarmos o cambio …IMPOSSÍVEL
Mais ainda …depois de termos passado pelas TREVAS, com um mundo ora em euforia e no momento seguinte em profunda, penso que chegou o momento de DEFINITIVAMENTE desmistificarmos a idéia de que políticas cíclicas e contra-cíclicas, anti-inflacionárias etc só se fariam com uma UNICA, falível, imprecisa, e lenta ferramenta, o JUROS básico da economia ..que em muitas casos, convenhamos, fez as vezes dum PLACEBO.
É necessário que os agentes e o tal “mercado” se conscientizem de que a sociedade, o ESTADO, TEM e deve dispor de ouros instrumentos para regular sua economia , provendo a harmonia e a inter-relação de seus agentes …mesmo que pra isso, APARENTEMENTE, tenhamos que conviver com uma certa dose de “imprevisibilidade e risco” pelas ações “criativas” de seus governos.
No MAIS, fora de diminuírem a carga tributária para a RENDA FIXA e de afinarem melhor as regras BAGUNÇADAS que vigorarão pra nova poupança, penso que a palavra de ordem pros próximos meses será CALIBRAR a SELIC, afinar melhor os juros básicos, pois o trabalho “mais sujo”, embora demasiadamente CARO e lento, com estes 9,25%, já foi feito.
FINALMENTE o juros chegou aonde deveria ter estado desde, no MÍNIMO, set/08, mês em que o BC, em plena CRISE mundial, ainda o elevava para estratosféricos e INACREDITÁVEIS 13,75%.
http://www.estadao.com.br/especiais/confira-a-evolucao-da-selic-desde-o-inicio-do-governo-lula,3326.htm
Pra mim a descida NÃO pode ser contida. Por outro lado NÃO podemos permitir que haja deformações do tipo que seria a prática e a ARMADILHA do JUROS REAL NEGATIVO visto em outras economias.
Doutro lado ainda, vai ficar difícil, num mundo INTEGRADO, querermos trabalhar só com a ferramenta JUROS para regularmos o fluxo e aprumarmos o cambio.
Mais ainda, depois de termos passado pelas TREVAS, com um mundo ora em euforia e no momento seguinte em profunda crise, penso que chegou o momento de DEFINITIVAMENTE desmistificarmos a idéia de que políticas cíclicas e contra-cíclicas, anti-inflacionárias etc só se fariam com uma UNICA, falível, imprecisa e lenta ferramenta, o JUROS básico da economia, juro que em muitos casos, convenhamos, fez as vezes dum verdadeiro PLACEBO.
É necessário que os agentes e o tal “mercado” se conscientizem de que a sociedade, o ESTADO, TEM e DEVE dispor de outros instrumentos para regular sua economia , provendo a harmonia e a inter-relação de seus agentes, mesmo que pra isso, APARENTEMENTE, tenhamos que conviver com uma certa dose de “imprevisibilidade e risco” pelas ações “criativas” de seus governos.
No MAIS, fora de diminuírem a carga tributária para a RENDA FIXA e de afinarem melhor as regras BAGUNÇADAS que vigorarão pra nova poupança, penso que a palavra de ordem pros próximos meses será CALIBRAR a SELIC, afinar melhor os juros básicos, pois o trabalho “mais sujo”, embora demasiadamente lento e CARO, com estes 9,25%, já foi feito.
JPK,
Notei uma mudança no teor dos comentarios a respeito da pauta. Acredito que sua critica continua correta, e que se os juros realmente continuarem a cair vai ter muita gente reclamando.
É natural que qualquer mudança gere insatisfação em um determinado momento. O importante é que o debate ajude o pais a deixar de ser tão concentrador de renda, já ta na hora!
Aqueles mal acustumados com ganhos fáceis vão reclamare se debater muito, espere!
Abracos.
Caro Kupfer, “filho da burguesia eletistra deste pais, que já mais iram voltar ao poder” ! vc fala em corte de juros mais agressivo, mas tenho certeza q vc se lembra de quanto eram os juros no gov, do vampirão FHC, passava da casa dos 25% – lembra ?, portanto deixe de ser hipócrita e de achar q com esses comentários TERRORISTA E GOLPISTAS, contra o gov. LULA, conseguira mudar a opinião do povo.
Um abraço.
Caros comentaristas…
todos nós somos levados a comparar as coisas na vida,olhando como eram no passado e como são hoje. Isso é normal, é dos seres humanos. Contudo, em economia a coisa é mais complicada, pois depende muito mais domomento e do futuro – pouco depende do passado. Assim, temos uma situação muito diferente daquela vivida no governo FHC. Quer queiram ou não, salvo algumas derrrapadas, foi o governo mais ousado e produtivo dos últimos 50 anos – não fosse sua coragem e ousadia, como o Lula poderia estar convivendo com o tsunami financeiro mundial ? Lula tem feito bastante, errado muito também, o que o sustenta é o bolsa- família e o bolsa-pelego, que de um lado alimenta dependência do Estado e do outro “tapa a boca” dos sindicalistas,que estão com o cofre cheio.
Em economia, vale o momento e a visão futurista,é como olhar para as nuvens,cada hora tá de um jeito e, através doolhar sabemos se vem chuva ou não,se será tempestade ou um ventinho…
Essa crise é diferente de todas as anteriores, o remédio para ela também é diferente e,o momento e a dose do remédio também. O mundo nunca será o mesmo no pós-crise. O Brasil poderá sair forte ou continuar sendo vendedor de matéria-prima sem valor agregado – depende de nós, das medidas, das taxas de juros, da política industrial, etc. Devemos aprender com a China e Japão e, tornar nossa economia gereadora de empregos, vendedora de produtos dealto valor agregado, se não vamos ser um brasilzinho sempre reclamando e sem atitude.
O Brasil tem a oportunidade, talvez a única do século, de ter taxas de juros de países civilizados e, incrementar e alavancar sua política industrial, para isso precisa ter vontade política,investir pesado em educação, fator fundamental para que daqui a 10 anos possamos começar a colher os frutos.
Corte mais agressivo do que esse e impossivel e não podemos deixar agora a politica monetária de lado, o mais importante e manter a sequencia de cortes de 1 digito está de bom tamanho para manter as metas de inflação.Acho que o Paulo tem saudades dos 25% de Selic do FHC.