Passado que condena
Se houve surpresa, ela até pode ser considerada positiva. A queda da economia, no primeiro trimestre do ano, anunciada há pouco pelo IBGE, veio menor do que a esperada. Sobre o quarto trimestre de 2008, o recuo foi de 0,8% (1,8%, na comparação com o primeiro trimestre de 2008).
Mas, se, pelo visto, o desenho da evolução econômica não mostra um bicho tão feio quanto muitos pintaram, não é o caso de se iludir com ele. Na aventura de analisar o resultado do PIB do primeiro trimestre, incluindo na análise a situação em que se encontra a economia já nas bordas do fim do segundo trimestre, é possível tropeçar em várias pegadinhas.
É o caso, por exemplo, da famosa “recessão técnica” em que entramos. “oficialmente”, com a confirmação de que houve recuo no desempenho econômico em dois trimestres seguidos. “Recessão técnica” é uma bobagem técnica. Serve apenas para acalmar a compulsão humana, exacerbada na modernidade pela fé na “ciência”, de classificar os fenômenos à nossa volta.
Uma economia que crescer 0,1% a cada trimestre não estará em “recessão técnica”. E daí? Para mim, recessão verdadeira, grosseiramente falando, é aquela situação em que os fatores de produção existentes, num período de tempo razoável, não encontram utilização.
Nesse sentido, estamos em recessão há pelo menos oito meses, que é o tempo em que o mercado de trabalho não foi capaz de absorver nem o estoque de mão-de-obra existente e muito menos os novos ingressantes. No Brasil, resumindo o argumento, crescer menos de 2% significa não ocupar a capacidade produtiva existente e, portanto, eis aí um crescimento que, na verdade, configura recessão. Na China, isso deve ocorrer com um crescimento abaixo de 5%.
Além disso, é bom não desprezar as peculiaridades dessa recessão. No ambiente atual, em que a economia afundou de modo abrupto e muito rápido, sem a natural e gradual depreciação dos ativos físicos e dos demais fatores produtivos, a retomada do presente faz o passado, medido pelos métodos de aferição das contas nacionais, ficar ainda mais distante.
Outra pegadinha para a análise do desempenho do primeiro trimestre é o fato de que o recuo veio menor do que o esperado. O consumo das famílias, apesar de tudo, cresceu. E o setor de serviços, apesar de tudo, idem. Há uma recuperação em curso e todas as projeções para o segundo semestre já são de crescimento. Será que no fim das contas não teria sido uma marolinha?
Melhor ir mais devagar. A recuperação é real, mas lenta e algo dificultosa. A sensação de que o pior já passou e que, enfim, não foi tão ruim é, em parte, enganosa. Deriva do fato de que, agora já se pode enxergar um pouco melhor, a crise atingiu muito desigualmente os setores econômicos. Quem tem na exportação uma fatia importante do negócio pagou mais o pato – e o pior é que continua pagando. Daí a situação menos rosada da indústria e da agricultura, apontada nas contas do primeiro trimestre, agora divulgadas.
Resta ainda o mais importante: o investimento. A queda foi particularmente violenta. As decisões de ampliar capacidade foram generalizadamente adiadas e investimentos em curso suspensos. Isso significa que a retomada em curso pode prosseguir numa boa até um certo limite. Depois de ocupar a capacidade instalada – que já vinha sob pressão quando a crise eclodiu, no início do quarto trimestre do ano passado – a marcha, que não está sendo rápida, pode ficar mais lenta ainda.
Para encurtar a história, os números agregados do primeiro trimestre vieram melhores do que o projetado. Mas, nas suas entranhas, carregam indicações que preocupam. É, sim, uma visão do passado. Só que esse passado, se não forem tomadas providências adequadas para corrigir e ajustar os rumos, pode nos condenar no futuro.
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
Existe uma cultura no Brasil em não assumir riscos necessários para combater situações adversas que, embora bem sinalizadas não são devidamente enfrentadas, esse comportamento “típico” do brasileiro é o que nos prende ao Terceiro Mundo apesar de, se quisermos, como os recursos que dispomos, poderiámos está a muito tempo entre as nações de verdade que conduzem os destinos da humanidade. Não é falta de talento, é pura preguiça.
Essa foi boa Kupfer . Recessão técnica !!!!! Não sei quem é que trabalha para dar estas respostas . Acho que o governo tem muitos ciencistas que ficam horas a fio tentando achar uma desculpa . O Brasil é o país da desculpa. Não tem eficiencia , então paga-se para estes “cientistas” encontrarem desculpas e encaminha-las ao devido departamento de informação de desculpas dos Ministros da Fazenda , e outros .
Se a imprensa Brasileira não tivesse feito o terrorismo que fez , com a clara intenção de prejudicar o governo, os números certamente seriam melhores, mas o que esperar de uma imprensa ultrapassada e rasteira com a Brasileiro !
Excelente análise, a do Kupfer, principalmente porque desprovida das paixões político-partidárias. Parabéns.
Pior do que isso é o IG Empresas, que há 11 dias deixa o site A Nível De fora do ar. Bando de inúteis!
Os números mostram uma recuperação bastante razoável para três meses. O precipício do fim de 2008 parece ter sido um exagero por parte dos nossos procutores internos. Seria interessante saber se em algum outro país a queda, no primeiro momento, foi tão “psicológica”. É como se o vício da dependência externa comandasse a atuação das nossas indústrias. Não tenho dúvidas de que foi o mercado interno (ainda longe do seu “consumo potencial”) fosse um elemento surpresa para os nossos empresários. Faço fé que o aumento do consumo das famílias não seja um simples suspiro antes da queda.
Há uma grande chance apreendida com a crise será que saberemos aproveitá-la?
Voltamos a era do cruzado, maquininha na mão não controla mais os preços de nada, do palito de fósforo ao medicamento nada mais é controlado.
O produtor de leite está desanimado, porque o preço pra ele não sobre, está em R$0,79 por litro dos bons e o preço daí pra baixo dentro da classificação dos componentes. Lá no produtor ainda não chegou o aumento, mas na ponta do consumo, estamos com majoração de 70%, nada que o governo faça para abaixar os preços funciona. Os empresários de alguma maneira criatívas dos nossos financeiros, transforma as vantagens para o consumidor final em vantagem de lucro excessivo. Isso é GANÂNCIA, a ganância gera bolha de consumo, e por ser bolha ela estoura e não é duradoura. Os carros transformaram os descontos de IPI em taxas enrustidas dentro dos planos de financiamento com parcelas intermediárias imbutidas e proibidas, o consumidor acha que está ganhando poder aquisitivo, quando na realidade está pagando um juro exorbitante de 6,5% ao mês.
José Paulo, desculpe o desabafo, mas nada nesse país se faz pelo o que está escrito e sim pelas entrelinhas do que está escrito. Nas conturbações financeiras e sociais que um país cresce com soluções novas e criativas, mais aqui é diferente, quanto mais crise existe maior a ganância de todos, a começar pela voracidade dos parlamentares de todos os níveis, depois vem os cartéis e agora vem aqueles que querem as terras devolutas que ainda sobram pro Estado, fora as terras devolutas que até aqui já foram apossadas pelos “fazendeiros” e “ruralistas”.
Fala-se muito da nossa dívida interna da nação, mas nada se fala da bola de neve que é os empréstimos para o setor rural investir nas cidades comprando imóveis de luxo e carros estrangeiros, fazem de tudo para mostrar prosperidade, mas não desenvolvem nada em investimentos em nosvas tecnolocias ou novos equipamentos, Pagamento dos emprestimos do governo, nunca. A bancada “ruralista” se encarrega disso, em adiar ad infinitum as dívidas rurais, cobram só dos pequenos agricultores mas dos grandes, nada.
Essa crise José Paulo, foi na realidade um grande golpe nas instituições brasileira, ou seja, calote do estado, argumentando crise, incompetência estatal na administração penitenciária, justificada pela penúria dos cofres públicos, safadeza de políticos por toda ordem constitucional. Cade o SAGRADO DIREITO A PROPRIEDADE SE O GOVERNO TOMA E NÃO PAGA? CADÊ O PATRIMÔNIO DO TRABALHADOR FGTS TAMPANDO FUROS E INCAPACIDADE DE INVESTIMENTOS DOS GOVERNOS DE DIFERENTES NÍVEIS NA INFRAESTRUTURA?
Enfim José Paulo, falta tudo, precisamos reinventar o povo brasileiro e dizer que O Estado de Direito está VIGENTE. Respeitem para serem respeitados, senão vamos fácil apelar para o desgoverno que já começou na província do RJ. Ausência total do estado em saúde e segurança, sem contar na presença física do estado de direito nos seus mais básicos direitos elementares da nossa lei petra.
Com certeza suas observações são interessantes, mas me parece algo que quer dizer: tudo bem, não aconteceu o que queríamos( pessoal meio que de oposição). Mas cabe lembrar que temos tais e tais situações. Então podemos afirmar categoricamente; o Governo FHC e parte deste governo esteve mergulhado numa recessão. Sendo muito honesto é isto que você que dizer, e acabou dando o voo da galinha em 2008. De qualquer forma achei o gasto do governo muito baixo. Acho que o gaverno precisa fazer outro pac, e a divulgação vai ser um norteador. houve perdodores, mas o mais importante é há espaço para quem quiser ganhar, há nichos de mercado apesar da crise.
Só pra lembrar, abaixo a evolução do PLACEBO SELIC em plena crise.
Se houve algo de GENIAL foi que o BC Nacional aumentou o juros nominal no meio dum desaquecimento interno e em pleno derretimento da economia MUNDIAL.
http://www.estadao.com.br/especiais/confira-a-evolucao-da-selic-desde-o-inicio-do-governo-lula,3326.htm.
Hoje o medicamento inerte, de efeito retardado, esta em 10,25%, ainda fazendo estragos, e descendo leeeentamente.
Uma das conseqüências, conseqüências de sua política tímida, medrosa, perdulária, imprevidente e impertinente, INCOMPETENTE, pode ser vista abaixo …enquanto outras, mais disfarçadas, podem ser percebidas nas GÔNDOLAS dos supermercados, junto da sessão de carne de frango e/ou de congelados.
http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1186617-9356,00-COM+SETIMA+QUEDA+SEGUIDA+EMPREGO+INDUSTRIAL+TEM+PIOR+RESULTADO+DESDE.html
Agora, se a recessão foi como a oposição queria ou se só uma marolinha ..se tínhamos condições ou não de nos sairmos melhor ou se poderia ter sido bem pior ..isto tudo, pra mim, é conjectura
..pra mim um fato indiscutível é que houve, E AINDA HÁ, desvios, distorções (câmbio) e desperdícios, tanto de tempo como de recursos, recursos que poderiam estar sendo empregados de forma mais certeira e seletiva, quer para a geração de novos empreendimentos, bem como para o aquecimento da economia.
Só pra lembrar, abaixo a evolução do PLACEBO SELIC em plena crise.
Se houve algo de GENIAL foi que o BC Nacional aumentou o juros nominal no meio dum desaquecimento interno e em pleno derretimento da economia MUNDIAL.
http://www.estadao.com.br/especiais/confira-a-evolucao-da-selic-desde-o-inicio-do-governo-lula,3326.htm.
Hoje o medicamento inerte, de efeito retardado, esta em 10,25%, ainda fazendo estragos, e descendo leeeentamente.
Uma das conseqüências, conseqüências de sua política tímida, medrosa, perdulária, imprevidente e impertinente, INCOMPETENTE, pode ser vista abaixo (em outro comentário) …enquanto outras, mais disfarçadas, podem ser percebidas nas GÔNDOLAS dos supermercados, junto da sessão de carne de frango e/ou de congelados.
Agora, se a recessão foi como a oposição queria ou se só uma marolinha ..se tínhamos condições ou não de nos sairmos melhor ou se poderia ter sido bem pior ..isto tudo, pra mim, é conjectura
..pra mim um fato indiscutível é que houve, E AINDA HÁ, desvios, distorções (câmbio) e desperdícios, tanto de tempo como de recursos, recursos que poderiam estar sendo empregados de forma mais certeira e seletiva, quer para a geração de novos empreendimentos, bem como para o aquecimento da economia.
a outra conseqüência
http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1186617-9356,00-COM+SETIMA+QUEDA+SEGUIDA+EMPREGO+INDUSTRIAL+TEM+PIOR+RESULTADO+DESDE.html
Me expressei mal, quis dizer que o país deu o voo da galinha em 2008. Agora existe uma grande contradição em tudo isto, algo que a oposição vai explorar muito, e sua redação está a cara do senador josé agripino. Mas desde já pergunto. como podemos estar em recessão se as pesquisas mostram que quem segurou esta barra foi o consumo das familias? Caro Zé Paulo! teria tido o senhor uma crise de pedantismo?. em recessão a renda das familias é irrelevante.
Socorro!!!
Meu Deus!, ……a “grobo” tinha razão, óia a recessão aih gente…….
Brasileiros e Brasileiras (tô falando dos 130 milhões SEM).. preparem suas covas.
Que saco !….
Evolução % do PIB no BRASIL
…apesar do BC
94 5,90%
95 4,22% (herança de Itamar)
96 2,66%
97 3,27%
98 0,13%
99 0,79%
00 4,30%
01 1,30%
02 2,70%
03 1,10% (Herança de FFHHCC)
04 5,70%
05 3,20%
06 4,00%
07 5,40%
08 5,10%
Zé Xiri(16h20)
Pergunta pras famílias cujo consumo caiu o que elas acham do teu comentário e depois me conta. Ah,. aproveita e pergunta pras famílias dos trabalhadores industriais que perderam seus empregos da eclosão da crise pra cá…
Fica tranquilo. Vai dar certo – aliás, já tem dado e faz algum tempo. Mas vai devagar e vai demorar.
Abrs
Caro Zé Paulo, obrigado pelas considerações. Aprendi que recessão acontece para mim, quando eu perco meu emprego; recessão para o país, é quando isto ocorre em massa. Podemos dizer que tivemos um quadro de demissões, mas não chegamos a esta situação. De qualquer forma, infeliz daquele de depende apenas de um emprego para sobreviver.
e o brasil alem de estar em recessão, tem o pior idh do mundo, e esta atras da maioria dos paises subdesenvolvidos.
e ainda falam que o brasil esta melhor que os outros paises do primeiro mundo, só para troxas analfabetos.
Zé xiri,
A anedota diz que a diferença entre recessão e depressão é que recessão é quando seu vizinho está desempregado e depressão é quando VOCÊ fica desempregado…rs
Abrs.
Kupfer
não acompanho muito os seus comentários, por isso não posso ser venal, mas… percebí uma certa frustração de sua parte pelos resultados da economia não terem sido piores do que na realidade foram.
A isenção política ao analisar os fatos economicos deveria ser o norte de todos articulistas de boa fé.
Que pena que podemos contar nos dedos os isentos….
Mas sabe como é…. um ex-metalurgico dando certo no comando da Nação é dificil de engolir principalmente pelos preconceituosos.
Concordo com um comentário acima: apesar da guerra da Mídia em querer provar que tudo era muito pior do que acontecia, o resultado o primeiro trimestre foi razoável, principalmente comparado com o primeiro trimestre de 2008.
Mas vamos em frente… a gente vai conhecendo as pessoas e tirando conclusões ….
Será que ainda dá tempo de voce mudar? ou já começou outra campanha….
José Humberto,
Ainda bem que você ressalvou não acompanhar meu trabalho. Se acompanhasse, saberia que não tenho nada contra o governo atual, muito ao contrário. Reconheço – e levo cacete ijusto como esse seu por achar isso – dos que discordam de você. Outros me acusam de ficar em cima do muro, exatamente porque não entro no Fla-Flu.
Já que você conclui sem conhecer, vou te ajudar a não ser leviano, como diz não quer ser, mas é, sem tomar muito do seu tempo ou esforço.
Pega esse link aqui e depois me diz que tem de mudar, ok?
Volte mais. Este é um espaço aberto. Até para leviandades e conclusões apressadas.
Abrs.