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03/06/2009 - 14:46

Desafios da GM do Brasil

A vida da GM no Brasil, depois da concordata da matriz americana, não vai ser um passeio na brisa do outono, como seus dirigentes estão querendo fazer passar. O pedaço da empresa instalado no Brasil mantém-se saudável e não há sinal de que entrará nos pesados cortes e ajustes que reduzirão o tamanho da antiga controladora, agora nas mãos do governo americano. Mas daí a dizer que rodará numa estrada sem buracos ou asfalto irregular vai uma boa distância.
 
O primeiro problema é com a demanda. Dúvidas sobre o futuro da empresa e, portanto, dos carros e peças que ela colocará na praça têm tudo para dificultar as vendas. A GM já vinha perdendo terreno, está com uma fatia abaixo de 20% do mercado e dificilmente não cairá ainda mais. Qualquer candidato a um carro novo GM se perguntará quando ele valerá amanhã, se a fabricante cambalear e o sistema de manutenção pós-venda claudicar, inclusive na reposição de peças. Ninguém quer, pelo menos voluntariamente, ficar um mico.
 
Outro desafio é do lado da oferta. A GM, no Brasil, tem uma linha diversificada de produtos, mas eles são relativamente antiquados, na comparação com as demais marcas e modelos. Embora a montadora esteja construindo uma nova fábrica de motores, em Joinville (SC), precisaria de maciças injeções de inovação para enfrentar a concorrência. Também aqui há dúvidas.
 
Nas suas oito décadas de operação no Brasil, com raras exceções, a GM só colocou em circulação, no Brasil, modelos adaptados da europeia Opel. A Opel acaba de ser vendida para uma ex-fornecedora, a fabricante de autopeças austro-canadense, em consórcio com empresas e bancos russos. Ainda que mantenha uma parte do capital da nova Opel, a GM não é mais a controladora. E isso significa que, no mínimo, os custos de transferência de tecnologia tendem a aumentar.
 
Dizer que a engenharia da empresa no Brasil é capacitada a desenvolver produtos refresca, mas não resolve. Desenvolver, no jargão da inovação aplicada, está mais para adaptar do que para criar. A promessa de que, daqui para frente, serão feitos novos lançamentos no Brasil de três em três meses, se confirmada, dificilmente refletirá mais do que um “esquentamento” para o fato de que apenas serão produzidas mais versões para os mesmos modelos.
 
Há ainda incertezas no lado financeiro. Os dirigentes da GM do Brasil asseguram que a situação da empresa é robusta e que não haverá ataques da nova GM americana aos cofres da subsidiária brasileira. Argumentam com o passado – há anos, dizem, não são feitas remessas de recursos para a matriz – mas não apresentam nenhuma comprovação, além de uma declaração de intenções, de que será assim no futuro. Afinal, o futuro da GM mundial será muito diferente de seu passado e, parece natural, que subsidiárias integrais possam ser chamadas a contribuir com o esforço de recuperação.

É bom não esquecer que a GM do Brasil é uma empresa fechada, que não publica balanços contábeis. Não se sabe, portanto, nada da vida financeira da empresa, exceto o que seus dirigentes informam. Por mais simpáticos, acessíveis e bem intencionados que eles sejam, suas palavras carecem do suporte de números oficiais.

A menção ao atual plano de investimentos, já em execução, de US$ 2,5 bilhões, até 2012, também ajuda, mas, como nos demais aspectos, não elimina as desconfianças e os desafios. Para começar, inversões médias de US$ 400 milhões por ano não chegam a ser assim tão excepcionais, no mercado atual. Além disso, US$ 1 bilhão desse total ainda não está equacionado.

Sabedores de que da fonte de recursos da matriz não sairá um único cent de dólar, os dirigentes da GM do Brasil confiam nas instituições financeiras públicas brasileiras para compor o embornal dos investimentos previstos. Mas aqui também não é líquido e certo de que a torneira se abrirá com facilidade. Mesmo que o governo tenha interesse em limpar o terreno, existem no mínimo limitações institucionais. O BNDES, por exemplo, não pode emprestar a empresas em concordata. Nesse sentido, a situação jurídica formal da subsidiária brasileira da GM é tudo menos simples.

Resumo da história: os planos de independência e eficiência da GM do Brasil podem até dar certo. Mas, ela vai ter de suar muito a camisa – e rezar para as coisas se acomodarem na matriz - para entregar o que está prometendo.

* * *

Vai ser curioso se a GM do Brasil conseguir empréstimos de bancos públicos brasileiros. Neste mundo econômico virado de pernas para o ar, o governo brasileiro emprestar ao governo americano (não é ele o controlador da GM?), no fim das contas, a uma tal situação, absolutamente inimaginável não faz muito tempo, nem soará tão esquisita assim. 

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:

41 comentários para “Desafios da GM do Brasil”

  1. Ex-GM do Brasil disse:

    Zé Kupfer,

    Realmente os nºs. que a GM Brasil passam para o mercado são pura fantasia de uma noite de verão.

    Eu trabalhei na parte financeira/contábil da GM Brasil,tínhamos balanços mensais quadrimensais e anuais e posso dizer que nada bate com nada, era tanta a bagunça que até mesmo os valores que uma filial da GM devia para outra era muuuuuuuito diferente do valor que a outra tinha a receber, só sei que se fazia uns malabarismos contábeis prá fechar o balanço

    Ao ler alguns artigos em site estrangeiros anos atrás e já visualizava que a GM EUA não escaparia da concordata ou mesmo falência.

    Apesar de tudo… era uma arrogância enorme dos executivos e funcionários da GM, por trabalharem na “EX MAIOR” empresa do mundo se achavam a nata da nata, prá constatar isto basta andar pelas ruas de São Caetano do Sul na hora do almoço…eles andam com o crachá no pescoço como querendo dizer: simples mortais…saiam do caminho, não veêm que sou crachá azul (da GM)?

  2. Murilo Assis disse:

    A verdade é: a GM EUA é uma empresa falida e inviável e o seu maior controlador (EUA) está ainda mais quebrado.

    Quem empresta ou emprestou dinheiro para o Tio Sam, vai receber tudinho até o último centavo, porém tudo em papel pintado de verde e com a frase: In God we trust.

    O dólar é uma moeda destinada a não valer nada, o governo americano está imprimindo e vai imprimir trilhões de dólares para evitar a depressão porém o povo americano não tem mais dinheiro e o pouco que tem vai poupar agravando a depressão e levando ao perigo da DEFLAÇÃO, então, o governo americano imprime trilhões de papel verde SEM LASTRO, inflaciona os preço
    e obriga o cidadão americano a gastar logo o dinheiro na corrida contra a inflação e ao imprimir as verdinhas ele desvaloriza o dólar e assim consegue pagar a dívida externa americana ( trilhões de US$) sem sacrifício algum, só imprimindo dinheiro.

    Por outro lado a dívida interno do governo dos EUA (+/- trilhões de US$) relativos à pensões, saúde pública, financiamento dos déficits gêmeos ( orçamentários e externo) será paga com dólares deflacionados.

    Simples não??? trouxa quem comprar os títulos americanos, certamente irão receber o valor de face, com taxa de juro zero e ademais completamente desvalorizados.

    Ufa!!!Falei.

  3. Murilo Assis disse:

    Eu sinceramente torço para que os EUA quebrem e experimentem o gosto amargo dos remédios que sempre impuseram aos outros.

    Por terem a primazia e o privilégio de emitirem a única moeda reserva mundial, usaram e abusaram, viveram além dos próprios meios, gastando o que não tinham, vivendo do trabalho produtivo dos outros países produtores de matérias primas, energia, alimentos, Brasil no meio, e do trabalho dos países produtores de material industrial, china, Japão e tigres asiáticos.

    Agora os americanos terão que trabalhar e produzir algo tangível, e pagar com moeda de verdade e com lastro produtivo, afinal o que os EUA produzem além de filmes, armamentos e engenharia financeira? não conheço nada com a etiqueta: MADE IN USA, tudo é feito no 3º mundo com trabalho e salário de 3º mundo para usufruto do 1º mundo (EUA e Europa).

    Por anos eu não entendi como um país que não produzia excendente comercial, torrava bilhões com bases militares e guerras por todo o mundo, exibia déficits orçamentários e comerciais, poderia ser considerado um país rico e atrair investimentos financeiros.

    Por 40 anos os EUA viverão de aparência e dinheiro emprestado, exatamente como aquelas pessoas que vivem de cartão de crédito, cheque especial, chega uma hora que a fatura aparece e deve ser paga, sem choro e nem vela, examente como qualquer outra pessoa normal. E se é assim com pessoas, assim deve ser com países, devem viver dentro das possibilidades, sem qualquer privilégio e pagar sua dívidas no vencimento, exatamente como sempre disseram aos países do 3º mundo .

  4. j carlos disse:

    argo deixemos os pobres em paz vamos ajuda-los limbertando-os do nosso querido governo pai dos pobres

  5. Douglas O. Tôrres disse:

    Por enquanto não existe alternativa para onde se destinar as reservas brasileiras, qualquer outra opção e o “dito mercado” caira de pau em cima do governo. Mesmo Quebrado!!!!!??? os EEUU ainda ditam a economia mundial ,e eles são ainda a maior potencia militar,haja visto a ultima reunião do G 20 , em que ficou decidido que nada muda , ninguem ainda teem “bala na agulha” para “peitar” o império. E la Nave Vai.

  6. lala disse:

    hehe aqueles q acham que sofreram nas maos do imperio. so tenho a dizer que nosso povo sofre muuuito mais nas maos dos nossoS governos doque nas maos do tio sam

    e espere os chinezinhos vierem mandar por aqui, vcs vao ter saudades do tio sam.

  7. Saulo Perin disse:

    Caro Kupfer, acredito que competencia tecnológica e engenharia não faltam a GM do Brasil. Com ajuda de algum studio de desenhos da Europa ou EUA eles conseguem colocar bons projetos. Mas trazê-los para o chão de fábrica e fazer com que sejam rentáveis e gerem demanda ou tenham grande aceitação no mercado internacional, isso eu não acredito. Tendo em vista que Coreanos e agora Chineses vão querer avançar neste mercado com poder devastador. Se não bastassem os Japoneses.

  8. argo disse:

    “…e espere os chinezinhos vierem mandar por aqui.”

    Lala

    E qual o motivo de, sempre, se ter gente estrangeira mandando aqui? Somos homens ou ratos?

  9. argo disse:

    São entreguistas e derrotistas iguais a voce que fizeram desta nação – até agora, isso está mudando – um país humilhado.

    Não foi o povo; sua elite é quem fez isto que está aí. Foi necessário vir um governante do meio mais pobre para que começássemos a levantar a cabeça!

    E a minha guerrilheira querida estará continuando o serviço a partir de 2011!!!

  10. argo disse:

    E por falar em empréstimos, já começou:

    http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2009/06/04/argentina+empresta+us+70+mi+para+novo+modelo+da+gm+6547914.html

    Sério, a elite latino-americana é “A ENTREGUISTA”!

  11. Chirac disse:

    Essa prática de emprestar dinheiro ao EUA é uma coisa muito perigosa . Os EUA já congelaram ativos financeios (dinheiro, tutu) de vários países pelo mundo afora unilateralmente. Por questões até mesmo de simpatia . Exemplos , Cuba, Venezuela, Bolivia, Panamá, Coreia do Norte, Irã, Libia, Russia, …. etc, etc. Do Brasil em épocas remotas já confiscaram navios ( abarrotados de containers) , aviões , e outros para pagamento da dívida externa ( vide, governos Sarney, Collor, Itamar ) . Então , o dinheirinho suado que está lá nos cofres do Tio San , não está bem guardadinho assim como pensamos. Outrora os EUA foram um aporte de magnatas do mundo inteiro com seus dinheiros sujos de sangue ; lembremos de Somoza; Xá da Pérsia – Irã , o fantoche de Cuba antes da Revolução que permitia as guangues americanas de atuarem no país a bel prazer e limpar dinheiro sujo na Ilha Caribenha , e muitos e muitos outros. Então , é bom colocar o nosso dinheirinho suado em lugar mais seguro .

  12. Carlos disse:

    Argo,
    você diz:

    “Foi necessário vir um governante do meio mais pobre para que começássemos a levantar a cabeça!
    E a minha guerrilheira querida estará continuando o serviço a partir de 2011!!!”

    Quer dizer que o Brasil da era lulalá(drão) começa a levantar a cabeça, é?
    Mas, como, se até um indiozinho cocaleiro, cacique de um país chinfrin, tomou refinarias de petróleo do Brasil e o pinguço boçal não fez nada? O presidente tarado do paraguai também quer dar calote no contrato de itaipu (deve ser para pagar as pensões alimentícias), e mais uma vez o valentão do lula baixa a crista. Sem falar no tirano da venezuela que manda e desmanda nesse presidentezinho de m. que nós temos.
    Quanto à terroristinha horrorosa, pode até ser que ganhe mesmo. Afinal, como diz o lema do governo: “Brasil – um país de toLos”.
    Carlos.

  13. gepeto disse:

    Lada com gravatinha ?

    ahahahah

  14. ZANELLA disse:

    CADA UM, CADA UM . . . Por muitos anos vendi motores diesel da Yanmar, motores diesel e tratores. Eles na época fizeram pesquisa e instalaram a fábrica de motores em INDAIATUBA – SP. Não porque lá tinha muitos descendentes de japoneses, MAS porque lá o clima é melhor, e mais por uma série mais de vantagens, mais para a época de 1970, ESTAR MAIS PERTO DO FORNECER, ESTAR EM SP e de SP.SP. Saber que para fundição, medidas e outras o clima ajuda ou prejudica, se não mais, basta que no custo dá variação. Marcas japonesas, que eu saiba é só em SP. Eles estudam 20, 30 anos, e não fincam prego sem estopa. Quantos anos ficou aquí a TOYOTA ?fabricando utilitários, sem mudar quase nada, para agora jogar no mercado Brasileiro o supra-sumo de sua linha, liderada por um utilitário HILUX… o Carrão chefe. Por estas e outras, agora só uso TOYOTA – COROLLA. ( Tenho um 1999, 180.mi./KM. sem um ruido, parece novo… é uma máquina estupida. Não tem uma pintinha de ferrugem, tudo nele parece mentira. É outra concepção, é muito estudo, muita persistência,muito trabalho… somando tudo isso e mais, o japonez chega e avança.
    Do que lí a respeito da GM. me parece que o autor tem bom conhecimento de causa. Parabens.

  15. ZANELLA disse:

    Tem gente idem o Carlos aí que le o trexo, e rebate com PETETISMO, por acaso já ouviu essa fraza? (BRASIL, UM PAÍS DE TODOS) Como disse aí o kupfer, todos fizeram, mais, ou menos….. Faz muito tempo que o JC passou por aquí e não acredito que estamos vivendo outro JC Nesse terrinha todos passam e tudo passa. Precisa ser coerentes, filósofos o quanto der para se conseguir avaliar cada um em sua época… JÁ NÃO QUISERAM ATÉ TIRAR A COROA DO PELÉ ? Pelé que hoje ainda, valeria a pena colocar ELE(com letraq maiuscula) em campo para animar a garotada, idem fez a França com Zidaene na última copa pp. Cada macaso no seu galho, e a pauta proposta não foi a tua.

  16. Carlos disse:

    Caro(a) Zanella,
    Traduza para um português compreensível o seu pensamento porque é impossível entender o que você quis dizer na mensagem acima. Pelé, Zidaene, JC, Petetismo!
    Que salada indigesta e confusa!

  17. Gil disse:

    A começar pela matéria e a seguir os comentários,(se posso qualificar de comentário) não se salvam ninguém.

    Um monte de absurdos , bobagens e conversa fiada

  18. Carla disse:

    O texto mostra a total desinformacao do escritor, que sem ter conhecimentos das transacoes internas da companhia tenta criar um ambiente de tensao e medo.

  19. Paulo Soares disse:

    Caro Jose Paulo

    Dizer que os carros GM são relativamente antiquados é uma opinião equivocada, em termos de tecnologia a mesma não deve a nenhuma no mercado nacional, na maioria uzam apenas novos designs , não novas tecnologias , que são duas coisas bem diferentes. Como exemplo a GM do Brasil lançou o motor VHC que é copiado não só pelas nacionais como pelas estrangeiras nos Bicombustíveis (Veiculos Flex). Agora nenhuma montadora nacional é sincronizada com salões de Detroit, Frankfurt e outros , até mesmo porque nosso mercado é cada vez mais popular que tecnológico.

    Atenciosamente
    Paulo

  20. Gesle disse:

    Conselho ao autor:
    Pesquise melhor sobre a GM Brasil e tambem sobre o Mercado Brasileiro de automóveis, a GM não só é a melhor fabricante do país, como possui os melhores modelos, e para conhecimento é um exportador de tecnologia de processos produtivos, e ao contrário da opnião do autor, acredito que podemos desenvolver excelentes veiculos e com tecnologia propria, uma vez que possuimos polos de conhecimento sobre o assunto (FEI e Engenharia Mauá) entre outras, e exportamos esses talentos ano a ano, pois não possuimos mercado para absorve-los.
    Quanto a perda de Mercado por parte da GM, se deu não pela falta de qualidade ou de atraso tecnológico, mas sim pela maturidade adquirida pela FIAT que vem aperfeiçoando seus produtos e pela VW e FORD, que finalmente perceberam que o povo Brasileiro é como dito na propaganda dos postos Ipiranga “Apaixonados por carro como todo Brasileiro”, essa frase conota que o Brasileiro, gosta sim de carros, e vem exigindo dos fabricantes produtos de qualidade, o que tornou o mercado mais competitivo e diversificado.

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