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01/06/2009 - 17:57

Meta polêmica

O Conselho Monetário Nacional – que, com esse nome pomposo, reúne apenas o ministro da Fazenda, seu presidente, o presidente do Banco Central, seu secretário, e o ministro do Planejamento – vai definir, agora em junho, a meta de inflação para 2011. Desde 2006, a meta está estacionada em 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo – na prática, pode oscilar entre 2,5% e 6,5%. É mais provável que fique onde está, por mais um ano.

Na opinião pública, o debate sobre o assunto ainda está morno, mas, entre os muros do governo, já vai quente. Há quem defenda, nas bandas mais ortodoxas, uma redução da meta, o que aproximaria o Brasil dos demais países que usam esse sistema. Mas há quem prefira não mexer na meta, principalmente numa etapa tão incerta quanto a atual. E um terceiro grupo, bem minoritário, gostaria de cair fora do sistema de metas de inflação. 

Os que defendem uma redução no centro da meta levantam, principalmente, dois argumentos. O primeiro deles é que uma meta menor leva o mercado a, automaticamente, projetar uma inflação menor. Em última análise, portanto, a mera revisão da meta puxaria para baixo os preços. E isso seria possível porque, ao manter, nos últimos anos, a inflação dentro do intervalo da meta, o Banco Central ganhou credibilidade para operar uma meta mais baixa.

O outro argumento está relacionado ao momento econômico. Com a atividade em marcha lenta no País, acredita-se que a inflação não será um problema ao menos em 2009 e 2010. O próprio mercado, hoje, prevê IPCA (o índice que serve de referência para a meta) de 4,3% no ano que vem, abaixo, portanto, da meta. Com isso, a meta poderia cair sem provocar uma alta da taxa básica de juros.

Mas esse, exatamente, é um dos temores dos que são favoráveis à manutenção dos atuais 4,5%. Eles acreditam que uma meta menor exigiria juros mais altos – abortando, portanto, o atual processo de queda da Selic para os níveis mais baixos da história e dificultando a retomada do crescimento e do emprego.

No ano passado, o ministro Guido Mantega e o presidente do BC, Henrique Meirelles, ficaram em lados opostos na hora de escolher a meta de 2010. Mantega convenceu Lula de que seria melhor ficar nos 4,5% e ganhou a batalha. Ao que tudo indica, mantêm a divergência.

Não se pode esquecer que a economia brasileira padece de alguns males estruturais, que empurram os preços para cima. A indexação é um deles. Estimativas de mercado dão conta de que, ainda hoje, até 50% do IPCA resultam da correção dos preços pela inflação passada. Outra barreira é a tributação elevada, que pesa sobre os custos de pessoas e empresas.

A decisão será, mais uma vez, difícil e trará riscos. Até porque o BC calibra em 2010 – ano de eleição presidencial – os juros para cumprir a meta de 2011. Até lá, muitos esperam que a crise tenha ficado para trás, a recuperação já será mais forte e, eventualmente, pressões inflacionárias poderão reaparecer.

* * *

E você, cravaria que meta de inflação para 2011? Ou mudaria o regime?

* * *

Quem quiser uma visão mais completa, mas nem por isso complicada, do sistema de metas de inflação – e de seus problemas e riscos –, pode abrir aqui um texto do economista Franklin Serrano, professor do Instituto de Economia da UFRJ, apresentado em seminário da Fundap, há pouco mais de um ano, em São Paulo.

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:

20 comentários para “Meta polêmica”

  1. Jairo A. de Almeida disse:

    Esses caras do bc,do governo ,e outros mas adoram fazer show.

  2. Marcelo disse:

    Ou seja:

    Não vão taxar a grana especulativa porque precisam valorizar o câmbio e manter a inflação na meta…
    Melhor aumentar a meta para 2011, as commodities vão subir e muito.

    http://www.ie.ufrj.br/aparte/pdfs/cambiometasfranklin_1_.pdf

  3. Ivan disse:

    Na minha opinião a meta de inflação deveria ser estabelecida em 4,5% para permitir margem para ajustes de preços. Deveriam ser considerados, sempe, os últimos 12 meses e não só o período de 12 meses findo em dezembro.

  4. Alberto disse:

    Acho uma decisao dificil e bastante polemica, visto os pontos apresentados pelo Jose Paulo. Mas quem conviveu com inflaçao como eu por muito tempo, quer se ver livre dela e ainda temos muito desta cultura inflacionaria enraizada, diante disto, acho que o COPOM poderia ir reduzindo gradativamente a meta de inflaçao aos poucos. Se esta com duvida entre manter os 4,5 ou baixar para 4,00, que tal 4,4 ou 4,3 algo apenas para sinalizar para o mercado, que o governo esta atento.

  5. Romanelli disse:

    se for pra combater aS inflaçõeS só com o juros lento, o juros, v~ez em sempre, PLACEBO ..tanto faz como tanto fez

  6. Saulo Perin disse:

    Meu caro Kupfer, só não concordo que o IPCA tenha 50% de correção baseado na inflação passada. Acridito mais que a carga tributária impulssione este índice. Porém o governo não que reduzir o gasto público, não desonera as empresas e pessoas da carga tributária altísima e ineficiente. Dessa forma fica difícil pensar em redução de metas inflacionária. Para “eles” o melhor seria deixar como está e ao chagar em 2010/2011 ver como ficou, do que tentar uma redução e não cumprí-la.

  7. Lucinei disse:

    Senhoras e Senhoires,

    O que acham da ideia (sic) de se fazer valer o princípio constitucional da Publicidade aos atos do COPOM? Quero dizer: nas atas deve ficar claro como cada um dos membros votou.

    Seria interessante? O mercado ficaria nervoso?

    Saudações.

  8. Fabrício disse:

    Acho que por enquanto seria prudente a manutenção da meta de 4,5% para 2011. Passado o vendaval, aí sim se poderia pensar numa redução, de pelo menos meio ponto, para 4%, e aí sim ir baixando lentamente, sem comprometer o crescimento econômico e jogar as taxas de juros muito pro alto. Quanto a sugestão de Lucinei, acho que não seria interessante a publicidade das decisões de cada membro do COPOM, pois o COPOM é composto do presidente do Banco Central e do ministro da fazenda, entre outros, e conhecer o voto deles pode deixar o mercado estressado.

  9. argo disse:

    Esse negócio de mercado estressado é uma palhaçada, isso sim. Bando de vadios que não tem nada melhor a fazer e ficam com suas idiotices. Por mim, mandava todos para o inferno!

  10. José Bonfim disse:

    A desregulamentação da economia chegou ao ponto no qual não é mais o governo que sinaliza para o mercado, e sim, o mercado para o governo.
    Só que quando dá errado, os donos do dinheiro vão ao governo pedir financiamentos para cobrir os rombos.
    Portanto o governo deve estabelecer uma política desenvolvimentista, privilegiando a produção em relação à especulação realizada pelos agentes financeiros.
    Se a escolha desse caminho nos levar a abandonar a política de metas, que assim seja feito.
    Agora, também não dá para crescer, sem distribuir a riqueza produzida por toda sociedade.

  11. jose carlos disse:

    quero dar um novo pitaco?posso?Senhores enquanto não se definir o perfil fiscal do nosso estado democratico,ou seja com quanto os nossos governantes terão que se virar fica dificil,salvo caasos de guerra deveria ser proibido aos governos tributarem ou seja eles teriam que contar coom as receitas definidas em lei nada de tentar salvar o mundoe acabar com a pobreza aumentando o numero de pobres.DEfinir o perfil fiscal é da garantia a todos que trabalham de quanto será a sua parte no final,será mais justo,obrigaremos os governos a fazer poupança estimularemos desta maneira tambem as poupanças privadas,e os remtistas terãode procurar uma maneira mais nobre de ganhar dinheiro do que ficar na soombra dos generosos governos endividados,aumentando impostos para financiaremseus soonhos de verão.Os sociais democratas tambem precisaramum dia poupar e se tornar eficazes,não foi simplesmente faazendo reformas tributarias,Por isso reforma fical profunda já;Não importa a taxa o que importa e todos cumprirem o definidoleia-se ai governos,Porque governos mudam os estados não.

  12. jose carlos disse:

    PS ESCREVI OUVINDO UMA GREGA QUE CANTA MUITO NANA MOOUSCORI,ESSA LUTOU CONTRA UMA DITADURA

  13. jose carlos disse:

    PS COM A VOZ É CLARO

  14. Chirac disse:

    Caro Kupfer . Daqui a pouco mudam o nome pomposo para um mais pomposo ainda . O INSS , já se chamou IPASE , e teve outros nomes antes até se chegar ao atual INSS . Do mesmo modo o real . Outrora já se chamou muamba, money , tutu , tostão, etc, no mercado negro, chegou a ter vários nomes como cruzeiro, cruzeiro novo, cruzado , cruzado novo , reis, e atualmente real . Também a capital do Brasil este em Salvador, Rio de janeiro e depois Brasilia . Há quem queira mudar a Capital de Brasilia para o Rio de janeiro novamente. E eu aprovo.
    Então o Brasil é o mais ridículo dos ridículos países. Além de enxertar palavras inglesas no vocabulário potugues , (tudo para se parecer diferente e destacado e ser importante, o Brasil já teve títulos de conde, titulos nobres , etc , etc. ) Então o Brasil e um país das piadas e da desgovernança. A China tem o nome da capital Beijin há milenios. A Rússia idem . Inglaterra idem . Alemanha idem . Mas o Brasil ……. eta paisinho bôbo. Também deixa os poderes nas mãos de palhaços dá nisso .
    Só pra entrar no assunto em questão , o COPOM ( que nomaço , né ) dizem os entendidos vai baixar os juros SELIC para 9,5 % ou 8,5% baixando 1 ponto percentual . É Ver para crer. Com isto espera-se uma pequenina retração ou recuo do dólar, ou seja a sua valorização frente ao real . A cotação do dólar está muito baixa refletindo nas exportações brasileiras .
    No mais é esperar que para o Lula ser mais importante e dar destaque nós o chamemos agora de ” SIR MR. LULANZOVISK SILVASNEGUER HUNGER” . Vai ficar mais pomposo este nome ou não vai ??????? Isto é Brasil ! !!!!! Enquanto isso o povo oh … e oh…. e os aposentados oh… oh…. e oh,….. tudo porque a cebola não está mais cebolandos e com isso os insumo ligados ao spreedy e as bolsas de valores juntos com os juros de 3,5 % do Banco Bid e do Banco Mundial , ligados á frente crise mundial não poderemos aumetar o salários dos pobrezinhos aposentados. Vao ter que trabalhar até os cem anos, pois já há uma proposta em andamento pelo ibge de aumentar a expectativa de vida do povo e trabalhador brasileiro para 120 anos ainda nessa legislação . Com isso nós oh…. e oh….. e eles oh$$$$$$$$ e oh $$$$$$$$ !

  15. Chirac disse:

    Ouvindo ontem a CNN , ” juizes e promotores de um importane Estado da Federação – BRASIL – , estão sendo investigados pelo Ministério Publico Federal por ações de improbidade administrativas (desvio de verbas, venda de sentenças) , estes no valor de R$70.000.000,00 ( Setenta milhões de reais , ou seja vários premios acumulados da Mega-Sena ) . Porisso a justiça brasileira anda mal vista e consegue obter o mais baixo indice de credibilidade do povo. Dos governo nem tanto , pois ao que parece o INSS não é multado e governos estaduais não pagam precatórios , porisso os Estados e a Federação gostam muito da justiça . Mas o povo e o trabalhador não. Agora nós perguntamos. Vale a pena sujar o nome da justiça brasileira por causa de meia dúzia de mal juizes e desembargadores ?????
    E outra pergunta : Como podem ao mesmo tempo trabalhar e articular planos de desvio de verbas como este ?????? Devem estes acima citados terem tempo de sobra para imaginar, produzir e por em pratica planos audaciosos contra o erário público de todos nós. É porisso que está valendo a máxima . “Se não der pra mim também eu conto pra todo mundo”.!!!!!!!!!!

  16. argo disse:

    Vejamos, seria bom para o Brasil e suas metas de inflação e crescimento futuro?

    http://www.elpais.com/articulo/internacional/Obama/quiere/Lula/sea/proximo/presidente/Banco/Mundial/elpepuint/20090602elpepuint_7/Tes

    Para o Lula seria uma boa, a partir de 2011, não?

  17. Marcelo disse:

    Caro Kupfer,

    Aumentar a meta equivale a baixar a SELIC? No caso da inflação há aquele efeito nefasto sobre os salários.
    Políticas de fomentação de pequenos produtores (creio que a redução do spread também terá esse efeito) podem resolver uma boa parte do problema (ou elevar ainda mais o preço das commodities).
    Sds.

  18. joão sardinha disse:

    Essa frase que vou escrever agora é minha: Na economia não há espaco para a ideologias. É por essa e outras meus amigos que se você for atrás dos comentários da Mirian Leitão, Sardenberg e Suely Caldas ponha as barbas de molho porque você pode tomar o bonde errado e perder muito dinheiro. Acho que não preciso dar maiores detalhes

  19. jose carlos disse:

    joão sardinha vc. tem razão economista é fogo eu sei sou economista.Pense no que eu vou le falar se vc, realmente soubesse como ganhar dinheiro na moleza vc. contaria aos outros/ ENTÃO É ISSO PALPITE PROS OUTROS É FACIL SE DER CERTO MARAVILHA, AO CONTRARIO MIL DESCULPAS,mas prejuizo no bolso dele analista nemhum TEM

  20. Juros!
    A taxa SELIC , a 9,25%, dizem os economistas que o Brasil tem os juros maiores do mundo. Acho que eles não sabem fazer contas, matemática simples, ou então vejamos:
    9,25% x 98% x 77,5% = 7,02 (-) 5,20 inflação IPCA = 1,82 de juro real ao ano. ou
    9,25% x 98% x 80% = 7,25% (-) 5,20 = 2,05% ao ano.
    O governo cobra imposto de renda sobre essas aplicações.
    É por isso que a taxa SELIC, não baixa mais.
    A inflação deve ser controlada, seja por metas, ou não dentro da maior realidade possível. O que não podemos é desestimular a poupança e piorar o crédito, aí sim o País não cresce e tudo mais se cumplicará.
    Antonio Pereira

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