Taxa de desemprego: ruim, mas nem tanto
A taxa de desemprego de março, calculada pelo IBGE, pode ser encarada um pouco como aquela consagrada definição do maestro Tom Jobim para o Brasil: é ruim, mas é bom. Ocorreu um aumento de 0,5 ponto, em relação a fevereiro, levando a taxa do desemprego urbano, apurada nas seis maiores regiões metropolitanas, a 9%.
O número já era esperado pelos analistas. Eles sabem que o efeito de uma crise no emprego é retardado, tanto na hora da demissão quanto na da contratação ou recontratação. E que os efeitos do despencar da atividade econômica, na virada de 2008 para 2009, só vai se transformar em índices de desemprego mais aberto nos períodos seguintes.
É possível, por isso mesmo, que a taxa de desemprego do IBGE ainda aumente nos próximos meses, alcançando o nível de dois dígitos, de onde saiu há algum tempo. Uma das razões para que isso ocorra é a própria melhora no ritmo da atividade econômica. Parece um paradoxo, mas não é muito difícil de explicar.
A metodologia de cálculo do desemprego aberto, utilizada pelo IBGE (e de resto, em todo o mundo) inclui no grupo dos desocupados apenas aqueles que, sem emprego, procuravam trabalham no mês da pesquisa. Os que, mesmo desempregados, desistiram, ainda que temporariamente, de procurar ocupação – os desalentados – ficam fora do cálculo do desemprego.
Assim, sempre que a atividade econômica começa a melhorar, vindo de um período de retração, primeiro cai a taxa de desalento, para depois cair a de desemprego. O fenômeno, aliás, costuma ser mais comum em meses de março, quando os negócios, depois do banho-maria das férias e do carnaval, aquecem os motores.
No fim das contas, a taxa de desemprego de março, a maior desde agosto de 2007, não é muito diferente da registrada em março do ano passado (8,6%). E se mantém menor do que a verificada no mesmo mês, entre 2000 e 2007, sempre acima de dois dígitos. Há também a considerar, como fator positivo, que o rendimento médio real dos ocupados ficou estável em março.
Preocupa, no entanto, o fato de que houve desaceleração no ritmo de contratações formais e a confirmação de que são os jovens com menor escolaridade os que mais sofrem com o desemprego. E que, afinal, sejam dois milhões de brasileiros querendo trabalhar sem sucesso.
Resumo da história: ainda não há sinais inequívocos de retomada econômica, mas já é possível apostar que o fundo do poço está ficando para trás.
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
Caro José Paulo,
Você tem feito análises importantes neste momento de crise mundial.
Eu gostaria de colocar que a indústria só pensa no lucro, o que ela precisar fazer para aumentar os lucros ela irá fazer. Para a indústria de automóveis, geladeiras, freezers, etc… é muito mais fácil demitir do que baixar os preços de seus produtos, ou seja, no momento que o aço está 50% mais barato e, um carro tem aproximadamente 55 % de componentes de aço, isto faria com que o preço do carro caisse aproximadamente 25%, a indústria venderia mais e não haveria necessidade de demissões.
Gostaria de colocar este tema para que você explorasse mais nas próximas crônica. Os custos estão caindo significamente e porque a indústria não baixa os preços ???
att,
waldemir
Sr. Krupper
Alguns leitores dizem que a nossa mão de obra e mal remunerada por basear-se no salario minimo. Gostaria que de ver divulgado um Quadro comparativo entre os 10 paises mais POPULOSOS DO MUNDO, constando:
. População – PIB real – Tx de Crescimento – Tx de Analfabetismo
- Salario Minimo ( ou algo referente ) – valor de 1L Gasolina em cada pais – Valor do carro popular mais barato ( escolher um fabricante como padrão )
Abraço
J. Eguiberto
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Dizer que a taxa de desemprego e ruim mas nem tanto, é bom para quem esta empregado, mas para quem esta desempregado e as contas vencendo e filhos para sustentar não é ruim é péssimo.
PAU NO CLÓVIS:
Como Melhorar Nossa Imprensa –
Blog O Brasil que dá Certo
Clóvis Rossi, do Conselho Editorial da Folha de São Paulo, critica pela quarta vez as previsões dos economistas entrevistados pela imprensa (desta vez, as previsões dos economistas do FMI), num o artigo intitulado: “Seis Chutes. Todos Errados”.
O título diz tudo. Lembre-se de que a Folha foi um dos jornais que estampou manchete “PIB VAI CAIR -1,3%, DIZ FMI”.
Caro Clóvis, basta incorporar ao Manual de Redação da Folha, que está aí ao seu lado, as seguinte linhas:
1. Antes de publicar uma previsão, passaremos a noticiar quantas vezes o economista entrevistado acertou ou não no passado. Exemplo: “o FMI, que errou 6 das 6 previsões, agora tem de certeza de que o PIB vai cair”.
2. Nenhum jornalista da Folha poderá noticiar um CHUTE, qualquer que seja. Jornalistas socialmente responsáveis deverão analisar as planilhas Excel que foram usadas para chegar à previsão.
As premissas, que sempre existem, precisam ser questionadas — e os leitores, alertados. Uma premissa básica, e falsa, que todos economistas entrevistados fazem, é que o governo, as empresas e seus administradores NADA FARÃO para consertar a situação.
Economistas que fazem essas previsões acham que só eles resolvem. E, como eles não foram guiados ao poder, assumem que NADA SERÁ FEITO — o que é uma mentira.
3. Todo economista ou organismo, como o FMI, entrevistado pela Folha terá direito a uma única previsão para o ano em questão.
A partir de hoje, somente as previsões feitas no ano anterior serão publicadas, e será aquela usada para avaliar a competência do entrevistado.
4. Quem fizer CHUTES e errar 4 vezes seguidas não poderá ser entrevistado pela Folha pelos 4 anos seguintes.
Clóvis, você faz parte do Conselho Editorial. Por isso, estamos aguardando o seu próximo artigo comunicando estas mudanças, as quais, acreditamos firmemente, resolverão parte do problema apontado no seu último artigo.
fonte: http://brasil.melhores.com.br/
Pessoal,
apesar de respeitar os critérios utilizados no Brasil para calcular os índices de desemprego, penso que esses indicadores não captam um aspecto muito importante da nossa economia: o elevado grau de informalidade. A rigor, não fosse o grande contingente de pessoas atuando na informalidade, principalmente autônomos, garantindo com isso a sobrevivência, o país já teria tido uma convulsão social. Basta imaginar que temos uma população economicamente ativa próxima de 100 milhões de pessoas. Assim, se tivéssemos mesmo 9% de desempregados, teríamos uma massa de 9 milhões de desesperados, um verdadeiro caos.