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08/03/2009 - 11:54

Até quando comemoraremos o Dia da Mulher?

Comemora-se hoje, domingo, 8 de março, o Dia Internacional da Mulher. Infelizmente. A verdadeira comemoração só deveria ocorrer no dia em que não fosse preciso destacar um dia especial para as mulheres.

Infelizmente, ainda é necessário comemorar – e muito – o Dia da Mulher. Em todo o planeta, apesar do rápido e relativamente bem sucedido, em termos históricos, avanço das mulheres no caminho da igualdade de oportunidades, elas ainda são amplamente discriminadas. Social e culturalmente discriminadas, são vítimas, junto com as crianças, da violência mais abjeta, aquela que se dá no seio da família.

O Brasil, um país em que as mulheres são maioria na população, não só a desigualdade entre homens e mulheres é gritante. A cultura da violência – física e moral – contra as mulheres é inaceitavelmente disseminada.

Já faz um tempo em que a escolaridade das mulheres supera a dos homens. Mas, mesmo aliada a uma redução da taxa de fecundidade, o que faria supor redução das limitações do gênero à participação no mercado de trabalho, a melhor qualificação feminina não tem resultado em acesso mais igualitário aos postos de trabalho e, menos ainda, a rendimentos compatíveis.

Nas mesmas funções, seja qual for o nível de qualificação exigida, a remuneração das mulheres é cerca de um terço menor. Levantamento da pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Ipea, a partir de dados da PNAD 2007, citado na edição de hoje da “Folha de S. Paulo”, mostra que as mulheres formam metade do contingente de professores universitários, mais de 40% entre médicos e advogados e perto de 30% dos cargos executivos em empresas, mas sempre com remuneração inferior a dos homens. Mesmo nos serviços domésticos, em que as mulheres ocupam 95% do mercado, a renda dos empregados masculinos é 20% maior.

 Na ocupação de posições de maior destaque no governo, onde, pelo menos em teoria, a discriminação deveria ser menor, a diferença de acesso entre homens e mulheres, relativamente à proporção de cada gênero na população é ainda maior. Isso vale tanto para o Executivo quanto para o Legislativo e o Judiciário.

São apenas duas, menos de 6% do total, as mulheres no vasto ministério do presidente Lula – e uma, justamente a que cuida das políticas para mulheres. Não passam muito de 10% do total as que exercem cargo eletivo em qualquer casa legislativa ou governam estados e municípios. Em todos os tribunais superiores, as mulheres somam somente 13% dos juízes.

Tem tomado corpo uma crescente consciência da necessidade da adoção de políticas afirmativas de inserção das mulheres – o que inclui um arcabouço institucional específico para atacar a violência contra elas. Políticas nesse sentido têm sido experimentadas, algumas com sucesso e outras nem tanto.

Prova disso é que, se há 25 anos, a participação da mulher na renda familiar não chegava a 25%, hoje passa de 40%. Em 30% das famílias brasileiras, mulheres respondem pela principal fonte de renda.

Sobra para as mulheres, mesmo assim, a sobrecarga das muitas jornadas de trabalho. Os dados mais recentes, da PNAD 2007, indicam que elas, ainda que contribuam cada vez mais para a renda familiar, continuam responsáveis absolutas pelos afazeres domésticos. Na pesquisa, o grupo de mulheres trabalhadoras que declararam cuidar da casa chegou a 90% das entrevistadas. Elas disseram gastar 22 horas semanais nessas tarefas (contra nem 10 horas semanais para os homens), o que permite concluir que a jornada da de trabalho da mulher ultrapassa em 50% o limite legal de 44 horas semanais  

Mas tanto quanto no caso da redução da pobreza e da desigualdade de renda, a resistência da sociedade brasileira à inserção social de um modo geral faz com que os avanços sejam lentos. Ou, no mínimo, mais lentos do que o necessário e o desejável. 

No fim das contas, a desigualdade de gênero e a violência contra mulheres são, com perdão da imagem, uma costela das muitas desigualdades que mancham a sociedade brasileira. Sua superação faz parte do projeto de cidadania plena da qual ainda estamos muito distantes e no qual os brasileiros – homens e mulheres – de bem deveriam estar engajados.

Só assim chegará o dia em que comemoraremos não ter de comemorar o Dia Internacional da Mulher.

* * *

Não sei quantas mulheres acessam o blog, mas posso imaginar, pelos comentários, que também aqui ocorra uma desproporção de gênero. Às leitoras e às comentaristas, que se embrenham na selva do debate econômico, a homenagem do blog. É uma honra tê-las entre nós.

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags: , , ,

114 comentários para “Até quando comemoraremos o Dia da Mulher?”

  1. Charles Nisz disse:

    Olá JP
    Fico agredecido com os elogios ao meu blogue. Já linkei o Crônicas da economia brasileira no meu blogroll

    Devo uma explicação. Acabei postando o comentário sobre os ônibus da Mônica Bergamo com o post sobre as mulheres pois ambos são temas considerados sociais.

    Ficarei honrado se quiser comentar por lá

    Charles Nisz

  2. Helena disse:

    Obrigada José Paulo….

  3. Volnei Corbellini disse:

    Kupfer, como já dizia algum filósofo – “eu não entendo as mulheres”; as mulheres tem dupla jornada de trabalho porque querem – elas perpetuam o machismo dos homens e a subserviência das mulheres, afinal são elas que criam os filhos e filhas, numa das suas jornadas de trabalho; são elas que tratam os filhos de forma diferente das filhas – eles como reis, bastando estalar os dedos para receberem tudo de nas mãos e elas aprendendo a lavar as calcinhas e cozinhar – aos homens não ensinam a lavar as cuecas.

    Dou risadas quando ouço mulheres executivas, trabalhadoras comentando sobre outras mulheres que não sabem cozinhar – “tua mãe não ensinou ?”; nunca ouvi essa pergunta para os homens.

    Veja bem, estou falando de mulheres inteligentes, com estudo – deveriam ter a capacidade de discernir que perpetuam nos filhos e filhas as diferenças que não são de gênero e sim de cultura.

    E nós homens sofremos depois com isso – demoramos a reconhecer que as nossas namoradas, noivas e esposas não são nossas empregadas e que temos que dividir tudo – até aprendermos são muitas brigas.

    E de-lhe nossas esposas criando os filhos do mesmo jeito.

  4. josé armando condurú faillace disse:

    Todo ano é a mesma porcaria.Eu sou homem e também sofri preconceito e discriminação,mesmo no serviço público por parte de mulheres .Agora procuro trabalhar para ter um velhice um pouco menos sofrida como a de milhôes de brasileiros.Parabéns mulheres pela revolução que vocês fizeram.Para mim só touxe sofrimento e decepção.

  5. EJAS disse:

    ………………………Fábio !!!……………………………………
    ………Que bom que não foi só o JPK a incomodar ………………….
    ……….não sei se fico lisonjeada ou enojada…………………
    ………..help!!………………
    ………………………………..Que bom que vc pesquisou no google…..
    …………puxa! como vc conhece tantas pensadoras ……………..
    ……….. se vc apreciasse filosofia quem sabe poderiamos conversar um pouco?!! ……………………………….
    ….. na simplicidade das palavras está a essência das coisas.!
    …. uau!!
    ……….. nada pessoal meu bem………………………
    …. “eu sou apenas uma mulher latino-americana …………”
    …………..e vc quem É? ……………

  6. fábio disse:

    …………………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………..Cara,.
    ………………………………………………………………………………………………………..
    …………………………………………..EJAS,………………………………………………..
    ……………………..mulhér,………………………… “latino americana.”.!
    …………………………………………………………………………………………………………
    …………………………………….Não cheguei a,.
    …………………………………………..tããnto,..
    ……………………………………de “..pesquisar..”,.
    ………………………………………..no Google,….
    ……………………………….para achar o nóme das,..
    ……………………………………….pensadoras…!
    …………………………………………………………………………………………………………
    …………………………Tentei fazer uma listinha mental,…
    ……………………………..num esforço sobre humano,..
    …………………………………e acho que conseguí,..
    ………………………………….lembrar de algumas.
    …………………………………………………………………………………………………………
    …………………………………………………………………………………………………………
    …………………………Só que gostaria de te,..perguntar,…
    …………………………………………………………………………………………………………
    …………………………………….o que significa…??????
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ……………………………………………………………………………………………………….
    …………….”..não foi só o JPK,…que “incomodou..”….”.
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ……”..se você apreciasse filosofia,..poderíamos conversar…”
    ………………………………………………………………………………………………………
    …..” ..na simplicidade das palavras está a essência…das coisas”
    ………………………………………………………………………………………………………
    ………………………………”…nada pessoal,..meu bem..”
    ………………………………………………………………………………………………………
    ……………………………………………………..e ,..
    ……………………………………………………………………………………………………….
    …………………” sou apenas uma mulhér latino americana..”?
    ………………………………………………………………………………………………………
    ………………………………………………………………………………………………………
    ……………………………Gostaria de entender,…o que uma
    …………………………………….coisa tem haver com
    ………………………………………………………a
    …………………………………………………..outra…?
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ………………………………………Néssas suas,..frases…?
    ………………………………………………………………………………………………………
    ……………………………………………………………………………………………………….
    …..AH,….e eu,….também sou um homem,……latino americano..!
    ……………………………………………………………………………………………………….
    ………………………….Pelo menos temos algo em comum.
    ……………………………………………………………………………………………………….

  7. Senhor José Paulo, o artigo “Até quando comemoraremos o Dia da Mulher” para todo seu trabalho.~Não sei quem está de parabéns: se o senhor, por escrevê-lo, ou se nós, os leitores. Não sei o agradeço aos Céus pelo senhor, ou se simplesmente agradeço o senhor. Filadelfo Borges de Lima – apagado escritor de Rio Verde, interior de Goiás.

  8. Senhor José Paulo, saiu “para todo seu trabalho”. Ocorre que fui operado, ontem, de catarata, e esou com deficiência visual. Queria dizer, e o digo: paga todo seu trabalho. Filadelfo

  9. Auta Fernandes da Trindade disse:

    Parabéns pela materia do Dia Internacioanl da Mulher. Gostei porque entendo que a luta e compromisso de criar uma nova cultura nesse nosso imenso Brasil, e de homens e mulheres. Igualdade de oportunidade é um desafio permanente do nosso cotidiano.
    Parabéns ao Lula ao criar a secretaria especial de política para mulheres, as Conferências nos ajudam a chagar la.
    Bom trabalho, Abraços, Auta

  10. EJAS disse:

    :::::::::::::::::::: FÁBIO :::::::::::::::::::::::::::::::::::
    que bom, já começamos a nos entender!
    que bom, que temos algo em comum!
    já estava ficando angustiada!
    :::::::::::: o que eu quero dizer?
    ::::::::::: ora direis ouvir estrelas!
    :::::::::: sou da paz, cara!
    :::: by by ::::::::::::: Brasil!!

  11. alexandra disse:

    noa munheres,somos as joias dos homens,somos a continualidades dos seres vivos,somos maus tratadas,porque nossos corpos não se egualam ,com a força masculina. mulheres,quando somos maltratadas ,devemos ir para nossa delegacia,para mostrar ao nosso rival ,covarde, que somos superiuor a eles,que jeova nos abençoe, anos e todos eles

  12. Roberta Battistella disse:

    José, admiro as suas colocações ainda mais diante de um tema tão intrínseco na sociedade como este.
    Este dia, na realidade, como todos os outros feriados e coisas do tipo, tornou-se vendável e vem gerando grandes lucros. Espero que o seu significado vire reflexão e atitudes diárias.
    Respeito e amor, este é o caminho.
    Abs e obrigada pela homenagem!
    Roberta

  13. eliana disse:

    Tenho filhos dois filhos homens e uma mulher, ensinei a todos a cozinhar e arrumar suas coisas, a mulher deixa suas coisas arrumadas, os homens deixam tudo num caos só. fui eu que ensinei isso?
    O mais novo acha que não sirvo pra nada, pois fiquei em casa cuidando deles, Hoje toda vez que precisam de algo recorrem a mãe os três, tentei ensinar que devemos respeitar as pessoas como pessoas e não homens inteligentes e mulheres burras, mas a rua disse pra eles que as mulheres não servem pra nada. A mulher só serve pra ser comida e limpar suas cuecas nojentas.

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