Economia, um colateral no horror de Gaza
O horror das guerras torna compreensível a busca de explicações “racionais” para os conflitos coletivos entre seres humanos. A economia é uma das justificativas preferidas nessas horas. Mas, se questões econômicas, de alguma forma, permeiam as carnificinas a que, com freqüência absurda, assistimos, não são elas que, infelizmente, estão na raiz de suas causas. Infelizmente porque seria mais fácil – e muito menos doloroso – jogar para algo “externo” a culpa pela irracionalidade e a estupidez das guerras.
Sim, sim, há interesses econômicos envolvidos. A poderosa indústria de armamentos e suas coligadas clandestinas na distribuição de armas; controle da produção de bens essenciais, como petróleo e alimentos, o que inclui disputas territoriais, e uma série vasta de etecéteras estão aí para oferecer uma pseudo-explicação confortável e ideológica às matanças entre humanos.
Acontece que a noção contemporânea de vida nos impõe uma ética. Em nome dessa ética, não podemos, por exemplo, à maneira dos gregos antigos, jogar do alto dos desfiladeiros as crianças nascidas com “defeitos”. As guerras, quaisquer que sejam as suas motivações, por óbvio, quebram, em escala terrível, a ética da vida.
Mas, como no caso dos suicidas, que também recusam essa ética, a explicação corriqueira nunca é a verdadeira. Ninguém se mata por amor ou por acumular dívidas impagáveis, para ficar em “razões” comuns de suicídios. Pela simples e suficiente razão de que a maior parte dos humanos que sofre desilusões amorosas ou se encalacra com dívidas não se mata. Observadas por esse prisma, fica claro que as motivações profundas do gesto trágico têm de ser buscadas no interior da alma do suicida.
Sugere-se o mesmo diante das guerras. Nem todos os conflitos econômicos, comerciais, territoriais ou políticos resultam em guerras. Mas, onde, além desses ingredientes, há intolerância, não existe saída fora da guerra. Intolerância, eis o nome próprio da causa profunda e verdadeira das guerras e das “soluções finais”. A força que a nutre é a incapacidade de convivência com a diferença e o contraditório. Daí resulta o Mal, assim, com maiúscula. O resto – a política, a economia, a defesa de patrimônios e territórios – tem peso, mas, na essência, é apenas colateral.
O atual conflito na Faixa de Gaza não passa de mais dessas demonstrações de intolerância que resultam na barbárie da qual a história da civilização é tão lamentavelmente pródiga. Retrata o terrível triunfo dos genocidas – com a amarga ironia de que envolve populações marcadas por genocídios em sua história.
Não há heróis no horror da guerra. Repelir a reação de Israel pela assimetria de forças e pela desproporcionalidade da reação é aceitar que alguma reação israelense faça sentido. Não faz. Israel não é aquela terra prometida de judeus ilustrados, sobreviventes do nazismo, que sonharam com formas socialmente inovadoras de produzir e viver. É um estado militarista, belicoso, infiltrado de fundamentalismo religioso.
Mas, invocar a desproporcionalidade da reação israelense a “ataquezinhos de foguetes de fundo de quintal” não é aceitar que, se o poder de destruição das bombas lançadas pelo Hamas fosse maior, a reação seria aceitável? Parece claro que o argumento também não faz sentido. Independentemente de seu poderio bélico, o objetivo declarado do Hamas, um espelho igualmente belicoso e infiltrado de fundamentalismo religioso de seu inimigo, é varrer Israel do mapa.
Argumentos de guerra, de que lado venham, sobretudo numa situação em que há razões para todos – e, portanto, não há razão para ninguém –, são imprestáveis. Só os argumentos da paz fazem sentido.
Israelenses e palestinos, como quaisquer outras comunidades sobre a Terra, têm direito a um lugar onde possam viver, pelas gerações, com decência e segurança. Nenhuma guerra naquele árido e estreito pedaço do Oriente Médio, como já se sabe há 60 anos, tem sido capaz de garantir esse direito mútuo. Só a paz, a partir do reconhecimento por Israel (e pelos Estados Unidos) do estado palestino e de Israel pelos palestinos (e pelo Irã), tem tal poder. Utópica ou não, a tolerância é a chave da paz.
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
Ola a todos
1) los judeos e sionistas europeos nunca foram da judea
2) los judeos que moravam na palestina nunca sairom de palestina sempre estiverom no mesmo lugar
3) los judeos que vierom da europa som intrusos e numca nacerom em palestina por o tanto nou tem nengum direito de se auto proclamar donos das teras palestinas ( fatos falados por propios historiadores judeos pois eles falam que os judeos numca foram expulsos da palestina )
4 ) como fica – si fica que com o dinero e o poder economico mundial dos sionistas e o seu dominio em EEUU-UEE e america eles com a midia e o cinema mudaram a historia a o seu jeito
Alexandre,
Nenhuma morte de inocentes é justa. Ninguém se alegra com isso.
Vamos, porém, destrinchar o seu argumento para demonstrar como ele é falacioso. Para isso eu pergunto: quantas vidas e perdas econômicas teriam sido poupadas, durante a Segunda Guerra, se os aliados, liderados pelos ingleses, tivessem agido como os franceses, abrindo as portas e deixando os nazistas dominá-los sem resistência? Eu acredito que dezenas de milhões. Porém, será que valeria o preço? Você acha que o mundo estaria melhor se os aliados não tivessem oferecido resistência e posteriormente vencido a guerra?
Não, meu caro, o mundo é muito mais complexo e cruel do que nós todos gostaríamos. Isto não é um lamento ou uma apologia, mas a constatação de um fato. E não iremos mudar o mundo com belas palavras, pois infelizmente a intolerância não aceita argumentos.
Invadir o espaço do outro, muito comum entre humanos, gera o conflito de interesses. E, nessa situação, inexistindo tolerância, não há outra alternativa que não a guerra. Nesse contexto, a violência tem que ser pra valer.
Bem.. acredito que na economia não precisa ter uma guerra própriamente dita , com direito a granadas e expploxivos em geral, para ser uma guerra, onde acordamos e não sabemos quanto custará o leite, o pão, a carne…Acredito que na verdade já estamos no meio de uma guerra que nunca termina e se é por falta de mortes temos milhares de pessoas morrendo todos os dias em hospitais sem recursos o suficiente, e até mesmo se autodestruindo para sustentar uma boa parte da economia ilícita no mundo que os fundos vão para onde?
Vou aproveitar o meu comentário e deixar para todos um site que achei interessante, onde trás resultados relevantes a economia e assuntos em geral!
Um abraço a todos!
O link é esse: http://www.ziipi.com/result?pesquisa=economia
[Colabora para a ordem e o “progressio”…]
Perdoe-me, JPk, “agonia” típica de pernambucano; não aguentei esperar até a Tribuna “abrir”, eh, eh
Como abri um tópico novo – no lugar correto, a TL -, peço apagar ambas as mensagens – esta e a incorreta.
Abraços!,
teste 10:46
O horário do blog começou ficar bagunçado, novamente.
10:47
Argo,
Você, mais do que ninguém, sabe que há agora um espaço próprio para os comichões…Colabora para a ordem e o “progressio”…
Abrs.
Caro Warrior,
Não seja ingenuo. Conheço a região. Não é uma guerra de um lado terroristas esquerdistas radicais e de outro um mundo civilizado democratico ocidental…nem a direita americana acredita mais nisso.
As sociedades são plurais, acredite até mesmo a sociedade Palestina. O que eu acho do Hamas? Claro que o mesmo que você!
Mas a guerra é contra o Hamas?? Os argumentos Israelenses vêem mudando de acordo com as condições , porque eles sabem que não estão somente atacando o Hamas……
O assunto é muito complexo e as atitudes mudam a cada segundo para tomar partidos como se fosse uma discussão: privatiza ou não.
Podemos ficar horas argumentando quem começou primeiro (coisa de criança) , infelizmente ou felizmente, não há pretos e brancos, se o problema fosse o Hamas iria com você até Gaza para combatê-los…e “dar a paz ao povo Palestino”.
Saia fora deste atoleiro, e como bom liberal não abrace as atitudes de Israel (tem que ser respeitado como Estado sim!) Tenho medo que você seja pego numa emboscada…armada pelo exército Israelense…
Caro Warrior for Freedom,
Paris não abriu as portas para as forças nazistas por ser tolerante. Na verdade a França já havia sido invadida e o que eles queriam era poupar a cidade de um eventual bombardeio (o que convenhamos seria uma grande pena). Eles apenas fizeram uma escolha. Um capitalista (verdadeiro) sabe que “valores” se modificam com o tempo e as oportunidades.
Um exemplo:
Provavelmente você venceria a disputa com seu vizinho chato, isso levaria alguns anos até acontecer e ele, obviamente, não ficaria nada satisfeito. E você, meu nobre, ficaria aguardando os “foguetinhos” dele partirem de “Gaza”.
Obs: Para ficar claro, eu também não sou da teoria “Os incomodados que se mudem!” muito bem colocada por você.
Caro Alexandre/SP
Permita-me concordar com você.
Ser contra as atitudes de um pais não significa ser contra o povo.
Não gosto do Chavez, mas querer qualificar os Venezuelanos de iditotas é ser arrogante e preconceituoso, e por aí vai…..
NÃO SOU DE ESQUERDA, pratico o Capitalismo como poucos e sou Cristão, MAS crítico as Atitudes de ISrael. O rótulo que alguns jornalistas tanto de “direita” quanto de “esquerda” querem colocar neste conflito só cola nos trópicos…acho que PSDB e PT têm um problema quase sexual…..
Por isso para ser informar melhor sobre o assunto, as usual, tenho recorrido a midia internacional…
A esas pesoas que achan israel gente boa
dem uma olhda neste site
http://www.ccun.org/Documents/The%20Gaza%20Holocaust%20Israeli%20Attacks%20on%20Jabalia%20February%2027-March%203,%202008.htm
eu detesto o capitalismo como o comunismo pois neum dos dois prestan los dois sistemas entran em crisis ciclicamente entao nou serve tem que aber uma posisao mais intermeia e moderada tanto no social como no economico pois o que esta nou serve pra ninguen ( 20 anos pra uma familia se extruturar pra em unos meses perderem tudu )
com respecto a la invaçao ma frança foi uma aposta errada da frança por ir tras da inglaterra se deu mal ( alemania queria o corredor para o baltico que a polonia avia anexado depois da primeira guerra mundial e ampliar o seu comercio , mais como inglaterra e um pais que nou queria concorrencia economica da alemania fes um tratado com a polonia que si o seu teritorio fose invadido era como declara a guerra a inglaterra e a frança tamvem foi inducida por inglaterra para fortificar a alianza , e polonia se sentiu forte e comenso a brincar nas negociasiones com alemania e nou deu outra)
Warrior for Freedom:
Você afirma que os Europeus foram herois porquê resistiram à invasão Nazista, mas diz que os Palestinos são terroristas porquê resistem a invasão Israelense. Eu entendí certo?
Alguem ainda se lembra que a Faixa de Gaza é formada pelos milhares de Palestinos espulsos de suas casas pelos Israelenses da cidade Árabe de Askalaan (Hoje Ashkelon, Israel)e criaram este campo de refugiados entre o mar e a fronteira Egipcia. Alguns Palestinos mais velhos, ainda guardam as chaves de suas casas na esperança que a ONU lhes devolva o que os Judeus lhes tomaram.
Marcelo,
As razões da França são o que menos importa no meu argumento. A hipótese que pedi que considerassem é a de que os aliados tivessem “aberto as pernas” para Hitler, ao invés de resistir. Isso teria poupado milhões de vidas, mas a que preço?
Observador,
A sua leitura da história é muito estranha. Israel jamais invadiu um território. O que Israel conquistou foi sempre em guerras nas quais, como agora, ele sempre foi agredido primeiro. As outras terras ou foram-lhe concedidas pela própria ONU (acordos multilaterais) ou foram adquiridas (compradas), em negócios muitas vezes intermediados por negociantes árabes.
É estranho que todos peçam a mediação da ONU no presente conflito, mas ao mesmo tempo desconsiderem o fato de que foi a própria ONU – presidida à época por um brasileiro, diga-se de passagem – quem estabeleceu as fronteiras originais do Estado de Israel, Estado este que os seus inimigos árabes insistem até hoje em “varrer do mapa”.
Primeiramente tenhode dizer que sou a favor da convivência pacíica entre os dois povos. Não tenho nada contra nenhum.
Agora, sua afirmação de “Israel conquistou foi sempre em guerras…” não condiz coma realidade. O Estado Judeu só foi aceito pela comunidade internacional dos meados do Século XX por causa dos vários atraques terroristas praticados por judeus sionistas – é bom deixar claro que nem todo judeu é sionista – , ademais, essa guerra tem início com a chegada de vários judeus que criaram milícias para atacar árabes na região. Essa histório de que é uma guerra milenar é pura bobagem, Afinal a pouco´tempo, historicamente falando, judeus e árabes da região lutavam juntos contra o domínio do Turcos-Otomanos e, posteriormente, contra os ingleses.
Com isso não estou justificando os ataques do Hamas, apenas afirmando que o que é ser terrorista ou não é muito mais uma questão secundária na luta atual.
kupfer,me responda,se for possível,se um cidadão diáriamente fosse jogar bombas,essas bombinhas que se compram na mercearia,na varanda sua casa tipo 2 horas da madrugada,assustando a tua mulher e os teus filhos,o que você faria?me responda,gostaria de saber.sou a favor da existência de esraewl e palestinos,concordo com você todos têm direito a vida e a terem uma nacionalidade,procure se informar melhor porque os os estados unidos e o próprio esrael aceitam um paiz palestino,eles é que não aceitam a existencia de esrael,por isso temos que estar do lado certo,de resto é pura balela e enche páginas.
-PARABÉNS PELO COMENTÁRIO, ENFIM UM MÍNIMO DE DECÊNCIA DE UM REPRESENTANTE DESTA IMPRENSA TENDENCIOSA E SEM ÉTICA, QUE SE VENDE INESCRUPULOSAMENTE AO PODERIO ECONÔMICO JUDAICO-AMERICANO.
Texto claro; idéias encadeadas; argumentos lógicos.
O sr. Kupfer apresentou um leque de complexos econômicos nos quais eu não havia pensado, destacando-se como ímpar a distribuição de alimentos. O comércio de alimentos nos conflitos bélicos constitue uma fonte generosa de enriqueciemtno dessa indústria que se beneficia com a tragédia da guerra. Bem pensado.
Gostaria de salientar, ainda, que o problema da água, naquela região, também é um complicador que leva ao impasse de soluções.
Parabéns.
Prezado Warrior for Freedom.
Observo que vc é instruído, articulado e com grande poder de síntese. No entanto, por se colocar incondicionalmente sempre contra os palestinos, torna sua posição sectária e intransigente (isso não quer dizer que vc seja intransigente, por favor), prejudicando a conclusão do seu raciocínio.
Não é verdade que o conflito judeu-palestino seja tão antigo assim. Bernard Lewis publicou um livro intitulado “Judeus do islã”, onde apresenta dados muito significativos em que demonstra convivência pacífica entre os dois povos ao logo dos séculos, prejudicada após a imigração sionista.
Penso que um dos elementos de instabilidade naquela região seja a concepção de um Estado sionista, pensado sob a égide do fundamentalismo religioso. O Estado de Israel não é laico e muito menos democrático (aliás, não existe Estado democrático). É muito mais fácil um israelense obter cidadania brasileira que um bralileiro não-judeu se tornar um cidadão israelense.
Sim a existência do Estado de Israel, desde que não seja expansionista e abra mão do seu fundamento sionista, devolvendo os territórios ocupados.
Um abraço.