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24/12/2008 - 09:45

O Brasil em movimento

Véspera de Natal é tempo de refletir, agradecer e insistir na esperança. Nada melhor, portanto, do que destacar depoimentos enviados por leitores sobre o que ocorre nas profundezas do Brasil invisível, mas real, muito real, motivo de discussão e contorção ideológica, mas raramente revelado pela mídia.

Os depoimentos a seguir, enviados a propósito de um post sobre a nova “classe média” que emerge no País, publicado ontem, 23 de dezembro, revelam que o Brasil e os brasileiros continuam em movimento. Apesar das dificuldades enormes, progridem.

Estes, dessa nova “classe média”, de resto um fenômeno global, saíram da linha de pobreza das estatísticas econômicas, mas continuam pobres. A diferença, fundamental, é que, nessa nova “pobreza”, há perspectivas. E dignidade.

Neste momento, em que somos chamados à reflexão sobre o milagre do nascimento e da esperança numa vida de dignidade, agradeço a todos os que, com a leitura e com os comentários, fazem deste espaço de debate um lugar de diálogo honesto (sem adesismo ou oposicionismo sectários) e vivo. 

Feliz Natal e, sim, sim, paz na Terra ao homens de boa vontade.

* * *

Enviado por: Julio Barbosa
 
Eu me incluo nessa nova classe média, sou de família pobre, carioca, filho de nordestinos migrantes. Minha família sempre foi pobre, porém com um razoável padrão de vida. Morávamos em uma bela casa, mas no alto do morro, nunca nos faltou nada do bom e do melhor, nem comida, nem roupas, nem brinquedos. Meu pai era eletricista, seu salário nos garantia uma boa renda, e minha mãe dona-de-casa. Meus irmãos mais velhos começaram a trabalhar ainda adolescentes, não por necessidade, mas porque queriam ter uma relativa independência. Eu comecei a trabalhar aos 14 anos como menor aprendiz em uma estatal, posteriormente acumulei diversas experiência profissionais. Hoje, aos 31 anos, sou formado em Letras por uma universidade pública, servidor público federal e professor de uma escola particular. Tenho uma renda de mais de R$ 5.000,00. Entretanto, mesmo antes de me formar há 2 anos, quando entrei para a universidade em 2002, já tive acesso a oportunidades que não teria se não tivesse investido nos estudos. Em suma, a melhor maneira de um indivíduo ter uma ascensão social digna é através da Educação, do acesso ao conhecimento. Todavia, não podemos deixar de lembrar dos esforços que o Governo Lula tem feito para diminuir os abismos e assimetrias sociais existentes no Brasil.

* * *

Enviado por: emerson
 
Eu tenho esposa e 1 filha.
Acompanhe:
Renda Familiar bruta: R$ 4.200,00
Renda Familiar LÍQUIDA: R$ 2.900,00 (R$ 1.300,00 de encargos, hein?)
Despesas:
Prestação Apto 2 dorms (50m2)= R$ 450,00
Condomínio= R$ 300,00
Escola da minha filha de 2 anos = R$400,00
Compras de supermercado mensal (incluindo fraldas, lenços umed.,leite)= R$ 320,00
Luz= R$ 60,00
Combustível para o nosso “pois é” ano 95= R$ 250,00 (mensal)
Telefone: R$ 150,00
Acordos de dívidas de empréstimo que fui obrigado a fazer qdo minha esposa ficou 2 anos desempregada = R$1.000,00 (mensal)
Total: R$2.930,00

Obs: não computei o $ do pãozinho de todo dia, roupas pra minha filha (pq não compro pra mim faz tempo) e os raros passeios no Shopping Center, que ultimamente é a única diversão que consigo dar a minha filha.

Faz 3 anos que não sei o que é uma viagem, tbém.

Talvez eu e minha família figure na lista dos ricos em Pernambuco, Alagoas, Ceará, Tocantins, Amazonas (isso no interior). Porque nas capitais, principalmente em SP, R$ 10,00/dia, vc não faz praticamente NADA. Vc não VIVE. Como alguém que não ganha o suficiente pra VIVER pode ser considerado rico?

Talvez mtos aqui nessa coluna, achem que estou chorando de barriga cheia. Mas a idéia que estou tentando passar é a de que não basta simplesmente receber o salário, encher a barriga da família, pagar luz, gás, telefone e acabou. Sou parte dos 20% dos ricos no Brasil. Não é assim. É hipocrisia acreditar nisso.

O rico trabalha muito (qdo não é deputado, vereador,rsss), ganha um ótimo dinheiro, paga suas contas, passeia, se diverte, dá ótima educação e saúde pros seus familiares, compra roupas, enfim, VIVE. Há anos atrás, antes dessa parafernália que aconteceu na vida de todo mundo que foi o Plano Real, classe média era isso. O que consideramos o Rico hoje. E não existia essa facilidade de crédito que existe hj. Os juros eram altíssimos. A classe média tinha $$ pra VIVER, e hj ela se tem, é bem controlado. Eu mesmo, que nunca fui classe média, pagava meus estudos, viajava bastante, toda semana batia ponto no clube que eu era sócio, nadava, jogava, me divertia, tinha carro todo equipado. VIVIA.

É pra isso que eu chamo a atenção. O Rico ele VIVE. Endividado continua dentro dos 80% restantes da população, os POBRES.

* * *

Enviado por: Hélio Franco
 
Meu caro Kupfer, eu posso acompanhar esse fenômeno mencionado em seu texto aqui mesmo onde moro: Valparaíso de Goiás, situada na fronteira com o Distrito Federal. Esse é um dos 15 municípios que mais crescem no país atualmente, e tem passado por um processo de intenso desenvolvimento de uns três anos para cá.

Nesse período foram inaugurados mais ou menos cinco lojas de grandes redes de eletrodomésticos, três supermercados de grande porte, duas concessionárias de veículos (mais umas cinco lojas de carros usados) e até faculdade.

É palpável esse movimento de “prosperização” da economia em Valparaíso, que até há uns anos era apenas uma “cidade-dormitório” de uma massa de cidadãos que todo dia se deslocava para o trabalho no Distrito Federal. Isso, os empregados e “bicos”, porque uma parte considerável estava desempregada.

Agora em dezembro, o shopping center, até então bem modesto, inaugurou uma filial das Lojas Americanas, outra da Marisa, e ainda vêm mais duas filiais de grandes redes para o centro de compras, que agora vive lotado de gente.

Tudo isso representa emprego para a população antes desempregada e sem perspectivas, e que agora vê seus filhos se tornarem os primeiros em gerações a freqüentarem faculdade, graças ao Prouni. Esses meninos também têm a chance de fazer vestibular para dois campi da Universidade de Brasília que foram inaugurados em duas cidades periféricas do Distrito Federal (Gama e Taguatinga), por conta da elevação do número de vagas nas federais públicas prevista no Reuni.

Sem contar as escolas técnicas que vêm sendo construídas em todo o Brasil – e o Distrito Federal também terá uma. O projeto de criação de Institutos Federais de Ensino Técnico e Tecnológico foi aprovado recentemente no Congresso, e vai à sanção presidencial, e cada unidade da Federação terá uma dessas instituições.

Nós costumamos a ter a visão limitada pelos preconceitos e por isso às vezes perdemos a noção do macro. O processo que nós observamos no Brasil é semelhante ao vivido em outros países emergentes. O Estado não só redistribui a renda, mas também fortalece o mercado interno com programas sociais como os que formam o Fome Zero, fazendo esse investimento voltar para a economia real, num ciclo que propiciou a ascensão social de 20 milhões de pessoas nos últimos anos e de quebra ainda nos tornou menos vulneráveis às oscilações externas.

É evidente que ainda há muito a ser feito. E muitos resultados desse conjunto de políticas que este governo vem adotando virão apenas a médio e longo prazo. Um jovem leva quatro anos para se formar numa faculdade, ou dois num curso técnico.

Hoje, já há carência de engenheiros e de outros profissionais de alta qualificação, por conta do aquecimento da economia, e essa massa de profissionais começa a ser formada agora, para só no próximo governo ingressar no mercado de trabalho.

O ponto chave de sua análise é a idéia de acesso, que obviamente não será proporcionado pelo “deus-mercado”, como foi muito bem lembrado. A modernização do Estado brasileiro passa necessariamente por essa reflexão, e a crise do suprime, com seus desdobramentos, nos mostra que a antiga idéia do Estado mínimo fracassou.

Nos resta agora buscar o equilíbrio entre o Estado provedor e as condições necessárias para a expansão dos investimentos e a manutenção do desenvolvimento econômico de forma sustentável. Mas tudo isso se dará de maneira menos traumática se soubermos prover acesso aos serviços básicos a toda a população. Crescendo a base, toda a pirâmide ficará mais bem fortalecida.

Saudações e um bom Natal a todos.

* * *

Enviado por: Profitel

Olha Kupfer, um ano e meio atrás me colocaram pra fazer o cadastramento da presença do “Bolsa Escola Federal”.

Nos três primeiros bimestres xinguei pra caramba, sou Técnico em Hardware e não digitador, como não havia mais ninguém pra fazer o serviço sobrou pra mim.

Bom, passei a chamar “Bolsa Esmola”, reclamar a cada período (eu passava 4 dias em casa trabalhando das oito às dez da noite, usando minha conexão, meu computador e a energia elétrica (fora o desgaste do equipamento) pra cadastrar 50 e poucas escolas,

Volta e meia escapava um que na dúvida eu excluía do sistema, no bimestre seguinte a diretora ou secretária da escola vinha explicar que a situação da família era essa ou aquela e que estavam passando necessidade por conta da falta do dinheiro.

Meu, caí na real, com um clique do mouse estava privando de uma (pra mim merreca) grana que faz falta a quem não tem porra nenhuma.

Só deixo esse depoimento, nem quero saber quem é o presidente, sei d’uma coisa, há gente pobre, mas, muito mais pobre do que vocês imaginam nesse País.

De boa, só isso.

* * *

Enviado por: argo
 
“Só deixo esse depoimento, nem quero saber quem é o presidente, sei de uma coisa, há gente pobre mas, muito mais pobre do que vocês imaginam nesse País.”

Profitel,  é a pura verdade o que você escreveu. Moro no interior de Pernambuco, pobre eu também, mas não miserável como muitos CIDADÃOS BRASILEIROS, gente esquecida da maior parte dos bem-aquinhoados, daqueles que só sabem reclamar do governo, que só olham para o próprio umbigo.

Bem, de qualquer forma, após o governo Lula, a situação melhorou, e muito. Só o fato de constantemente se ter que enfrentar fila nos supermercados já demonstra isso. Todo o resto é frescurite política, debates inócuos – nocivos, até.

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:

49 comentários para “O Brasil em movimento”

  1. Proftel disse:

    Kupfer, meu comentário foi mais um desabafo diante do pessimismo que li, há pobreza (e fome, muita fome) por aí, pobre nas grandes cidades não passa fome como no interior, a fome não está à beira das estradas, está a cinco, dez, quinze quilômetros nos rincões perdidos onde estradas esburacadas e a própria fome não dá condições físicas para deslocamento.
    Professores levam horas pra chegar nessas plagas e por lá ficam dias ensinando, é pra esse povo que um “ Bolsa Escola” faz uma baita diferença.
    Um Feliz Natal pra você, família & conhecidos, agradeço o que considero um presente, um simples depoimento mais em tom de desabafo escolhido para exemplificar que este país tem solução.
    Muito obrigado, considero uma honra.

    Alexandre.

  2. argo disse:

    “uma pessoa de classe baixa por mais dinheiro que tenha NUNCA SERÁ CLASSE MÉDIA só por que tem mais dindim no bolso…A coisa é sócio-cultural”

    Acorda, Brasil, defende-te dos preconceituosos.

    E pensar que eu imaginava o século XXI despido de preconceitos… ledo engano meu, a cada dia que passa eles brotam como erva daninha!

    Abaixo os Franz Boas e Lombrosos contemporâneos!!! Ostracismo para os novos Gobineaus!!! Que os Garofalo da atualidade sejam ridicularizados!!!

  3. Adolfo Sena disse:

    Caro Kupfer,

    Algumas colocações feitas em alguns comentários acima me deixam estarrecido mas não surpreso (uma vez que a internet ainda é um reduto de nossa elite egocêntrica e corrupta). Permita-me contar resumidamente a história de minha ascenção social.

    Sou Engenheiro Eletricista, fiz mestrado e estou concluindo o doutorado. Atualmente trabalho em uma importante estatal de geração e transmissão de energia elétrica. Minha renda bruta é de R$ 5.200,00 e da minha esposa é em torno de R$ 3.000,00 o que resulta em uma renda familiar bruta de R$ 8.200,00. Grande parte da nossa renda familiar é comprometida com ajuda aos nossos pais e irmãos.

    Meu pai estudou até a quarta série do primário e minha mãe nunca frequentou uma escola. Meu pai tinha um bar e o plano dele para o meu futuro era tocar este bar e, portanto, estudo era algo desnecessário. A minha mãe pensava de forma totalmente oposta, ela dizia: “Não pude estudar mas meus filhos vão todos se formar” e foi o que ocorreu. Para mim estudar eu e minha mãe vendíamos pasteis, vendíamos jaca na janela de casa, minha mãe lavava roupa para fora, etc. Além de todas estas tarefas, minha mãe era obrigada a trabalhar feito uma louca no bar do meu pai. Sempre estudei em escola pública, quando fui para o ensino médio (em uma escola pública) em uma época em que a secretária de educação do estado era a senhora Terezinha Gueiros e ela havia introduzido o convênio nas escolas do estado o que melhorou considerávelmente a qualidade do ensino, como consequencia disso a taxa de aprovação das turmas do convênio nas escolas públicas foram muito altas, em especial na minha, portanto, graças a uma decisão de governo, algumas gerações de jovens foram salvas, inclusive a minha. Ao entrar na universidade, tive muita dificuldade, pois os livros eram caros e a biblioteca estava sucateada (vivíamos na era Itamar e FHC), não tinha dinheiro para comprar os materiais didáticos necessários, etc., eu corria o risco de ser um estudante medíocre, no entanto eu tinha a ajuda da minha mãe. Eu e ela vendíamos jaca para ter dinheiro para comprar ao menos os cadernos e alguns livros. Aí eu descobri uma tal de “Iniciação Científica” em que o aluno participante pode realizar pesquisas em laboratórios e, desta forma, ganhar experiência e, principalmente, ter um computador a disposição, outra coisa legal era uma ajuda de custo (uma bolsa) de um salário mínimo, ao conseguir esta bolsa, já não precisava mais vender jaca ou qualquer outra coisa, passei a comprar meus livros e até dar dinheiro para minha mãe! Agora era irreverssível, eu ia conseguir me formar e ser um Engenheiro Eletricista.
    Portanto, meu sucesso se deve aos seguintes fatores:
    1) Uma mãe (família) que lhe incentive;
    2) Vontade de progredir através do estudo;
    3) Políticas públicas que melhorem a qualidade do ensino médio público (convênio pré-vestibular em escolas públicas);
    4) Uma ajuda de custo (ou transferência de renda, bolsa de iniciação científica, etc.).

    O que depende dos governos são os itens 3) e 4). Infelizmente, o item 3) depende dos governos estaduais que estão na mão de quadrilhas que só pensam em roubar o dinheiro público. O item 4) o governo Lula equacionou com o bolsa família para alunos que estão no ensino fundamental, já existem mecanismos para os alunos do ensino superior em universidades públicas, falta para os alunos do ensino médio. Devido ao problema do item 3) o governo Lula foi obrigado a criar as cotas para alunos de escolas públicas.

    Após a conclusão dos meus estudos, as portas da classe média se abriram para mim, dizem até que pertenço a classe dos ricos!

    O estudo é a única forma que lhe garante ascenção social, desde que ele seja levado a sério.

  4. surfando na jaca disse:

    Caro Kupfer,

    Que vc. prossiga nesse blog tão útil e, para mim, um dos melhores que tenho o prazer de ler. Ainda que tenha me ausentado dos comentários.

    Um Bom Natal e tudo de bom em 2009.

  5. duvida disse:

    A informaçao ta e nou ta nou ema mais o governo federal ta peocupado com a inadiplencia no pagamento de impostos federais e em janeiro comensa no governo estadual e munisipal acabou a mamata dos governos tomare que tomen juicio o esto vai ficar feio

  6. Angelo Frizzo disse:

    1 – Não sei quem inventou que rico é quem ganha mais de 5000 reais p/,mês. Deve ser coisa do IBGE, afinal êles inventaram um novo cálculo para o PIB (vejam só) que depois tiveram que rever.Isso só porque um diretor deles(IBGE)teve um desentendimento c/o Lula. RICO ganha mais de um milhão por mês, pelo men os aqui no Brasil. Dizem que a contas de RICOS do Brasil em bancos do exterior somam trilhões de dolares. Não dá p/duvidar.
    2 – O Sr.Kupfer tem razão ao responder ao tal func.público que se acha superior aos demais Brasileiros. Por ter c onseguido ser um privilegiado, não tem o direito de ofender a inteligencia ou a capacidade dos outros. Boa resposta Sr.Kupfer.
    Um Feliz fim de ano e um MARAVILHOSO ano de 2009 PARA TODOS.

  7. josé paulo kupfer disse:

    Surf,

    Há quanto tempo. Obrigado pelos votos, que são recíprocos. Apareça de vez em quando.

    Feliz 2009 (eu acho que até temos alguma chance desse desejo terminar se confirmando).

  8. Mara disse:

    Kupfer,

    Que para o desafiante ano de 2009:
    a crise transforme-se realmente numa marolinha, que a produção se fortaleça, que acabe a especulação e a ganancia dos maus empresários, que o povo consuma muito, que tenha emprego para todos,, que os juros desabem, que a educação tenha qualidade, que a violencia seja substituida pela paz, que o meio ambiente e o ser humano sejam respeitados e que o amor e a solidariedade seja a ideologia abraçada pelos homens e mulheres de todo o planeta.
    Parabéns pelo seu trabalho. Feliz ano novo.

  9. argo disse:

    Caro Sr. Kupfer

    Tomei a liberdade de copiar seu artigo em meu site. Eis o link para o tópico: http://www.portaldocriador.org/forum/viewtopic.php?f=51&t=3131

    Quis crer que você não se importaria. Ainda mais que pus a fonte (sem falar em seu retrato, eh, eh), tudo direitinho como manda o figurino, e a boa educação.

    Caso eu esteja enganado, que não devia proceder desse modo, fique a cavaleiro para criticar-me.

    Que 2009 seja melhor que 2008. É o suficiente.

    Abraços!

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