A nova “classe média”
Muito interessante a entrevista do jornalista Rafael Pereira, na edição atual da revista Época, com o economista indiano Abhijit Banerjee (ler aqui). Banerjee, de 47 anos, é professor de economia internacional no MIT, e dirige o Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab, centro de pesquisas e estudos da pobreza no mundo, da prestigiosa escola americana.
Banerjee conduziu, nos últimos anos, estudos abrangentes sobre a chamada “nova classe média” dos países emergentes – na verdade, a parcela da Humanidade que, com uma relativa ampliação do acesso à educação, conseguiu melhorar seu padrão de renda e, com a ampliação do sistema de crédito, chegar ao mercado consumidor, saindo da linha de pobreza.
Valer notar, em especial, a semelhança entre o tipo-padrão dessa nova “classe média” com as pessoas e famílias que ascenderam ao mercado, aqui no Brasil, nas últimas duas décadas e, com maior nitidez e aceleração, a partir do governo Lula.
Em tempo: a “classe média” de Banerjee é aquele conjunto que, no Brasil, a idéia antiga e convencional ainda classifica como “pobre”, numa confusão com a vasta parcela de “miseráveis”, cujas possibilidades e aspirações são muito mais modestas. Essa nova ”classe média” reúne viventes com renda pessoal média diária entre US$ 2 e US$ 10. Favor não esquecer que, no Brasil, quem consegue ganhar US$ 10 por dia está entre os 20% mais ricos.
Segundo Banerjee, o sonho dessa “classe média”, de trabalhadores urbanos – ou de ”empreendedores” que, apesar do marketing e do discurso são mesmo trabalhadores por conta própria – é “manter o status e pagar as prestações em dia, ter uma TV e um veículo, que seria um carro compacto no Brasil e uma boa bicicleta na Índia, além de dinheiro para gastar nos problemas mais comuns de saúde”.
Mais uma vez – e pelas idéias e constatações de um economista indiano, na boa tradição intelectual que tem como ícone o Prêmio Nobel Amartya Sen -, somos lembrados de que o problema da pobreza faz tempo deixou de ser o de produção e se concentra na questão do acesso – renda, crédito, educação, saúde, segurança - aos bens e serviços já suficientemente produzidos para todos. Algo que o mercado, pelo menos sozinho, é incapaz de garantir.
Atualizado às 02:04, de 23/12/2008 (na última linha do quarto parágrafo é US$ 10 e não R$ 10, como antes estava grafado).
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags: acesso, classe média, economistas indianos, pobreza
Foto: Edu Simões
Pessoal,
Nosa, errei mesmo, desculpem. É US$ 10…Mas eui acho que mesmo assim poucos vão acreditar. Pois é…. Podem checar…Não é muito fácil, tem de fazer algumas operações, mas com os dados disponíveis – IBGE, IPea, FGV (Centro de Estudos Sociais) – chegarão lá…
Abrs.
Pessoal,
Sei que é difícil aceitar a realidade. Ainda quando eu erro no texto e algun erram ao ler o texto. Não disse que com US$ 10 por dia o cidadão é rico. Disse que está entre os 20% MAIS ricos – um conceito relativo, certinho?.
Escrevi (corrigido os R$ 10 para US$ 10): “Favor não esquecer que, no Brasil, quem consegue ganhar US$ 10 por dia está entre os 20% mais ricos.
Peço, mais uma vez, desculpas pela confusão num assunto tão confuso e chocante.
Abrs
<Meu amigo, vc tem toda a razão.
O brasil é um pais maravilhoso e grandioso, mas a cabeça da maioria dos brasileiros, é muito pobre e cheia de fantasias.
Mais do que cultura, o povo precisa mesmo, é botar os pés no, e deixar as frustraçoes e as manias de aparecer na latrina.
Tem que existir gente como vc ,para despertar esses brasileiros que dormem em falsas realidades.
Parabens.
É estranho que muito se fala de quanto os brasileiros pagam de impostos, mas e quanto nós estamos pagando de juros, imbutidos ou não, ninguém se preocupa porque quem realmente detém o dinheiro só se interessa que os pobres mortais ganhem um pouco mais, para pagar um pouco mais de juros. Vamos discutir juros, lucros de instituições bancárias, financiamentes a classe média com juros diluídos em 30 anos para pagar, este governo é mais um refém do dono do mercadinho que vende fiado, mas cobra um jurinho, no final, pagando direitinho ganha uma branquinha com carqueja.
Enquanto a imprensa mundial isenta coloca o nosso presidente como a 18a. pessoa mais influente(Newsweek) do mundo, a imprensa pequena comandada pelo Estadinho, vive torcendo contra ele e o pior torcendo contra o Brasil. A crise está no auge, em tempos passados deveriamos estar amargando uma terrível recessão, o desemprego e a quebradeira certamente já estariam fazenda milhões de vítimas, no entanto, ainda temos queda dea inflação, o desemprego nunca esteve tão baixo, as reservas continuam altas e os investimentos públicos podem garantir dias melhores. O presidente está otimista e luta até as últimas forças para manter o país com auto estima elevada e confiante, como deve fazer um chefe de estado. Do outro lado, um jornaleco, outrora grande, vítima da censura militar, hoje tenta subverter a verdade, espalhando o pânico ao invés de combatê-lo, tentanto trazer o pessímismo na hora que precisamos ser os mais otimistas, ou seja, um jornaleco que acha que o Brasil não acordou e que vai na onda de jornalistas ranzinzas e ultrapassados que não enxergam pelo radicalismo e incompetência que o país mudou e já é uma grande nação.
Muito triste saber que US$ 10 por dia significa alguma coisa de bom. Tenho 2 filhos, ganho mais que isso e até hoje não consegui dar nenhum presente que eles me pediram, não porque sou mal administrador, mas ganhando cerca R$ 850, DUVIDO.
Antonio Cesar,
US$ 10 por dia não significa nada de bom. Significa de ruim. É uma renda pequena e, se essa renda entra nos 20% MAIS ricos, significa que a pobreza e a miséria são IMENSAS. Não só não é bom como é uma vergonha!
Abrs
São 10 Dólares estadunidenses/dia pessoais, sem contar dependentes….
Por isso que está chamando o Bolsa Família de “Bolsa Eleitor do seu amigo Lula”… Não entende nada…
Meu caro Kupfer, eu posso acompanhar esse fenômeno mencionado em seu texto aqui mesmo onde moro: Valparaíso de Goiás, situada na fronteira com o Distrito Federal. Esse é um dos 15 municípios que mais crescem no país atualmente, e tem passado por um processo de intenso desenvolvimento de uns três anos para cá.
Nesse período foram inaugurados mais ou menos cinco lojas de grandes redes de eletrodomésticos, três supermercados de grande porte, duas concessionárias de veículos (mais umas cinco lojas de carros usados) e até faculdade.
É palpável esse movimento de “prosperização” da economia em Valparaíso, que até há uns anos era apenas uma “cidade-dormitório” de uma massa de cidadãos que todo dia se deslocava para o trabalho no Distrito Federal. Isso, os empregados e “bicos”, porque uma parte considerável estava desempregada.
Agora em dezembro, o shopping center, até então bem modesto, inaugurou uma filial das Lojas Americanas, outra da Marisa, e ainda vêm mais duas filiais de grandes redes para o centro de compras, que agora vive lotado de gente.
Tudo isso representa emprego para a população antes desempregada e sem perspectivas, e que agora vê seus filhos se tornarem os primeiros em gerações a freqüentarem faculdade, graças ao Prouni. Esses meninos também têm a chance de fazer vestibular para dois campi da Universidade de Brasília que foram inaugurados em duas cidades periféricas do Distrito Federal (Gama e Taguatinga), por conta da elevação do número de vagas nas federais públicas prevista no Reuni.
Sem contar as escolas técnicas que vêm sendo construídas em todo o Brasil – e o Distrito Federal também terá uma. O projeto de criação de Institutos Federais de Ensino Técnico e Tecnológico foi aprovado recentemente no Congresso, e vai à sanção presidencial, e cada unidade da Federação terá uma dessas instituições.
Nós costumamos ter a visão limitada pelos preconceitos e por isso às vezes perdemos a noção do macro. O processo que nós observamos no Brasil é semelhante ao vivido em outros países emergentes. O Estado não só redistribui a renda, mas também fortalece o mercado interno com programas sociais como os que formam o Fome Zero, fazendo esse investimento voltar para a economia real, num ciclo que propiciou a ascensão social de 20 milhões de pessoas nos últimos anos e de quebra ainda nos tornou menos vulneráveis às oscilações externas.
É evidente que ainda há muito a ser feito. E muitos resultados desse conjunto de políticas que este governo vem adotando virão apenas a médio e longo prazo. Um jovem leva quatro anos para se formar numa faculdade, ou dois num curso técnico.
Hoje, já há carência de engenheiros e de outros profissionais de alta qualificação, por conta do aquecimento da economia, e essa massa de profissionais começa a ser formada agora, para só no próximo governo ingressar no mercado de trabalho.
O ponto chave de sua análise é a idéia de acesso, que obviamente não será proporcionado pelo “deus-mercado”, como foi muito bem lembrado. A modernização do Estado brasileiro passa necessariamente por essa reflexão, e a crise do sub-prime, com seus desdobramentos, nos mostra que a antiga idéia do Estado mínimo fracassou.
Nos resta agora buscar o equilíbrio entre o Estado provedor e as condições necessárias para a expansão dos investimentos e a manutenção do desenvolvimento econômico de forma sustentável. Mas tudo isso se dará de maneira menos traumática se soubermos prover acesso aos serviços básicos à toda a população. Crescendo a base, toda a pirâmida ficará mais bem fortalecida.
Saudações e um bom Natal a todos.
Não podemos negar que há hoje no Brasil uma “Classe Média” emergente. As evidências demonstram que isso é um fato. Tivemos grandes avanços e o governo Lula foi o que mais realizou inclusão social. Aos que falam mal desse governo, não se esqueçam que estivemos por décadas margulhados no caos, enquanto vigorava uma política dominada historicamente, pela elite. O país está crescendo, o governo FHC foi a base , Lula o continuador do trabalho árduo, que ninguém, nem os que criticam conseguiram realizar.
É um absurdo!! sua praia é a economia estrangeira, vai falar besteira em outro canto. O brasileiro continua pobre e ferrado, a diferença é que o MULA concedeu uma maior abertura das linhas de crédito para o pobre comprar TV de LCDC parcelada em 200 x, mesmo que ele não tenha sinal digital em casa. Então eu faço parte do 20% mais ricos???? que instituto soberbo fez esta pesquisa??? quanto pagaram para manipular o resultado??
Caro Kupfer, eu comecei a acompanhar seus comentários há um certo tempo e a primeira vez que o vi foi no jornal da Gazeta. A apresentadora Maria Lydia apresentou uma matéria sobre uma política de incentivo do governo Lula à construção civil e você entrou em cena para comentar. Ela( Maria Lydia) parecia esperar
que você caísse de pau no tal projeto, mas ao invés disso, fez elogios (parecia estar constrangido). Isso foi só impressão ou aconteceu mesmo?
J. P. Kupfer,
Você corrigiu para US$ 10. Também lembrou que que ganha isto está entre os 20% mais ricos. Até falou de relatividade.
Que palavrinha chata esta, não é mesmo? Relatividade. Ainda mais, relatividade da riqueza. Ou, dito de outro modo, acho que deveríamos dizer que quem ganha 10 dólares por dia está entre os 20% MENOS POBRES. Porque, quem ganha isto não é rico, não. Os comentários acima demonstram isto, até quem ganha este valor é apenas isto, menos pobre. Não faz parte de classe rica alguma. Agora, Kupfer, na legitimidade do termo riqueza, qual a porcentagem no Brasil real, verdadeiro pode ser considerada rica? Ou seja, ganhando pelo menos R$ 20 mil por mês?
Mas brasileiro é um povinho de merda mesmo… O texto não tem nada a ver com direita e esquerda, é apenas uma comparação entre o estudo do Banerjee, paralelo ao de Sen, e a realidade brasileira. Como uma melhora no acesso aos “bens primários” impacta positivamente na distribuição de renda. Vocês deviam ler o texto com mais atenção e parar de polarizar tudo o que lêem entre bem e mal, deus e diabo, pt e psdb.
Viktor,
Pode dizer MENOS pobre ou mais rico, para mim, tanto faz porque o fato só indica uma ENORME pobreza e ainda muita miséria. O fato de uma renda tão baixa ainda assim ser, relativamente, tão alta, não faz ninguém viver melhor – mas mostra que precisamos fazer muito e com menos preconceito e ideologia barata para mudar a situação.
Não tive tempo, infelizmente, de pesquisar, mas, na minha memória, aparece a informação de que com essa renda aí de R$ 20 mil, o cidadão deve estar entre o 1% mais rico ou até menos. Esse 1% mais rico, se não me engano, responde por mais da metade da renda.
Alguém aí que tenha a informação não quer nos ajudar?
Abrs.
Thiago Mello,
Muitíssimo obrigado. É um conforto e uma vitóriar perceber que o que a gente quer dizer tem gente que consegue entender.
Bom Natal.
Abrs.
prezado sr.
em gral, tem muita gente maliciosa, tudo mundo, e digo politicos, empresarios, e anexos,querem a reforma do sistema tributario brasileiro.
mais da boca para fora, pois nenguem faz nada para mudar.
e so , si vc. me permite, PAPO FURADO.
quanto mais complexa a tributacao , melhor para tudo mundo.
ate para o recaudador.
e o povo que soporte tudo isso, ja que os povos tem os governantes que eles merecem.
J. Kupfer,
Boa tarde.
Muitos comentários aqui postados apresentam três erros capitais na análise do texto: extrapolação, redução e contradição.Não sei qual é o pior.
ps: Não fique aborrecido com os “interpretes”.
Abrs.
J. Kupfer,
O problema não é conseguir entender;e sim, querer entender.
Como diz o meu amigo,Yves Thréard ,WWW.lefigaro.com.« La France est une République indivisible (…). Elle assure l’égalité devant la loi de tous les citoyens sans distinction d’origine, de race ou de religion. »
Sendo Josias um crítico contundente dos hábitos dos políticos brasileiros, por certo, não pactua das práticas por estes adotadas durante os seus mandatos, sendo assim jamais irá usar do mesmo “modus operandi”,assim como não deixará seu espaço em branco,sabendo que existem milhares de jovens jornalistas precisando de um espaço para dar a conhecer suas idéias e ideais.
Portanto aos milhares de jovens jornalistas recém-formados, mandem seus textos para o eminente jornalista, pois tenham á certeza que o mesmo não se negará a proporcionar uma oportunidade aos seus colegas de mostrarem-se para o mercado.
Um forte abraço ao jornalista, e que este tenha o descanso, que ás merecidas férias podem proporcionar.