A volta dos que não foram
Por Leandro Modé
A disparada do dólar, no mercado cambial brasileiro – e de outros emergentes – reflete, antes de mais nada, o fato de que são economias emergentes e de moedas não conversíveis. Num mundo em que o dólar ainda não tem competidores como moeda de reserva global, crises, mesmo com epicentro na economia americana, provocarão a troca, tão rápida quanto possível, de moedas locais pela moeda de reserva – ou por suas quase congêneres, como o iene japonês.
Mas a pressão também expressa uma piora das expectativas em relação às economias emergentes. Num primeiro momento, imaginava-se que esses países sobreviveriam incólumes à crise global. Depois, percebeu-se que a saúde de alguns deles não estava tão boa assim para suportar o tranco. Encaixavam-se nessa avaliação as nações do Leste Asiático, principalmente a Hungria. A derrocada das commodities, em especial do petróleo, provocou um ataque especulativo à Rússia. Agora, vive-se uma quarta fase, cujo foco está na América Latina.
Há grandes dúvidas sobre o futuro próximo de México (por causa do impacto na veia da crise americana), Venezuela (petróleo, tal qual a Rússia), Equador (ameaça de calote do presidente Rafael Correa) e Argentina (dúvida sobre a capacidade de honrar suas dívidas, também em decorrência da derrubada das commodities). Embora a visão sobre o Brasil não seja tão pessimista – ao menos por ora -, o real acaba sofrendo por tabela.
É nessas horas que fica claro um fato da vida. As moedas emergentes adoecem de um mal de origem: não são conversíveis. “A crise financeira nascida nas mansões dos pródigos abastados barrou a entrada dos intrusos e mostrou que os saraus das moedas conversíveis não admitem penetras”, escreveu o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, em artigo na “Folha de S. Paulo”.
Seu colega americano Dani Rodrik, em texto reproduzido pelo Valor sexta-feira, vai na mesma linha. Ele abre o texto dizendo: “Se o mundo fosse justo, a maioria dos mercados emergentes estaria assistindo à crise financeira que engolfa as economias mais avançadas do mundo à distância.” Como sabemos, não estão. E suas moedas sofrem. Além de não ser justo, o mercado engana os incautos. Sorri para as economias que seguem suas diretrizes, mas as abandona à própria sorte na primeira turbulência.
Rodrik tem uma proposta para evitar que os emergentes sejam dragados pela crise americana. O FMI e os bancos centrais dos países do G-7 deveriam “fornecer liquidez ampla” para dar apoio às moedas dos emergentes. Além disso, defende que a China desembolse parte de seus US$ 2 trilhões de reservas com o mesmo objetivo. Rodrik nota que o gigante asiático é o país que mais tem a perder no caso de um aprofundamento da crise global.
Essa análise ‘estrutural’ do cenário, porém, não explica tudo. Há ao menos dois outros fatores que têm empurrado para baixo a moeda brasileira – ambos relacionados a questões internas. O primeiro deles está ligado aos derivativos tóxicos. Quanto mais alto é o valor da moeda americana, maior é a dívida das empresas que se meteram nessa encrenca.
Analistas observam que, com o dólar a R$ 2,10, R$ 2,20, a situação estava relativamente controlada. Agora, volta-se a temer pela solvência de alguns dessas companhias, sobretudo as de menor porte. Muita delas, desesperadas com a nova pernada da cotação, estariam indo ao mercado para comprar moeda para honrar seus compromissos, o que realimenta o ciclo de alta.
O segundo fator é a atuação do Banco Central no mercado de câmbio, que tem sido duramente criticada por alguns profissionais do mercado financeiro. Segundo eles, a política do BC de fazer leilões diários do famoso swap cambial (para poupar as reservas internacionais) tem servido como um seguro para quem quer apostar contra o real.
O mecanismo é relativamente simples de entender: investidores, principalmente estrangeiros, vão à Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) e compram dólar a futuro, o que pressiona a cotação no mercado à vista. Esses mesmos investidores compram contratos de swap cambial e ganham quando a variação do dólar é superior à do juro, o que vem acontecendo largamente desde que a crise se aprofundou, de setembro para cá. Ou seja, o mesmo investidor ganha duas vezes: com as posições no mercado futuro e com os swaps. Segundo os profissionais que criticam a atuação do BC, a estratégia atual é um convite à especulação contra o real.
Para eles, a solução é o BC ser mais agressivo na venda de dólar em espécie. Sem, evidentemente, torrar as reservas, como Gustavo Franco fez em 1998 para tentar segurar a paridade real-dólar. O argumento desses especialistas é o de que, ao vender dólar no mercado, o BC diminuiria o montante de swaps cambiais. Ou seja, tiraria parte do seguro desses investidores e, por tabela, tornaria mais arriscada a especulação, pois os leilões de moeda física poderiam fazer a moeda brasileira recuperar terreno ante o dólar.
Comentário
As críticas que o Leandro levanta podem fazer sentido. Mas é bom não esquecer que, ainda que tudo isso fosse feito nos conformes, a fuga das moedas emergentes para o dólar seria apenas amenizada.
O senso comum imagina que moeda forte significa economia forte. A verdade passa longe disso.
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
“Afinal, estao colhendo dolares em árvores? De onde sai tantos
dolares? Titulos podres para alancar a economia americana
pos 11 de setembro? O grande deficit comercial americano indi
ca neste sentido.”
Vai sobrar dólares para o ano. Quem viver, verá.
DINHEIRO PÚBLICO RENDE, QUANDO SE APLICA NA HORA E NO LUGAR CERTO E COM SEVERA FISCALIZAÇAO.
China se empenha para concretizar medidas de estímulo à demanda interna
2008-11-27 18:31:26 cri
A China tem liberado os fundos de seu plano de investimento de 1 trilhão de yuans em moeda chinesa ( US$ 600 BILHOES), trabalho que deve ser concluído até o fim deste ano, para os projetos de obras. As autoridades em todas as localidades vêm acelerando seus trabalhos para pôr em práticas as medidas de estímulo à demanda interna da economia.
O investimento destina-se, principalmente, à realização de projetos relacionados com habitações populares, a vida da população rural, infra-estrutura de transporte, ferrovias, rodovias e aeroportos, educação, saúde pública, proteção do meio ambiental e a reconstrução pós-calamidades.
Zhang Ping acrescentou que a influência da crise financeira global ainda não chegou ao seu ponto mais crítico, está se expandindo e deve alcançar a China mais profundamente. Em novembro, alguns índices econômicos chineses já tiveram um declínio acentuado, por isso, o país precisa acelerar seus passos em busca da concretização das medidas de incentivo à ampliação da demanda interna e do desenvolvimento estável de sua economia.
Atualmente, os planos de investimento lançados por diversas localidades da China envolvem mais de 18 trilhões de yuans em moeda chines ( US$ 2,5 trilhao ) . Como garantir que estes investimentos desempenhem seus devidos papéis? O vice-diretor do Instituto de Pesquisa da Ciência das Finanças do Ministério das Finanças da China, Liu Shangxi, sugeriu: “No setor macro, é preciso ter bons planos e uma boa concretização dos projetos, e no setor micro, é necessária a administração rigorosa dentro dos termos dos regulamentos de fiscalização. Assim, serão garantidos os efeitos do uso desses fundos e será garantida a qualidade dos projetos”.
Todos os projetos de investimentos devem contemplar os planos relacionados já existentes e o sistema de exame e verificação para evitar as construções repetidas. “Por meio de uma série de medidas integradas, incluindo orientação na elaboração de planos, políticas sobre as indústrias, terrenos, proteção ambiental e eficiência energética, assim como o processo de autorização e fiscalização, pretendemos orientar os investimentos regionais para os setores determinados pelo governo central como, por exemplo, o reajuste das estruturas, a transformação dos modelos de produção e a solução dos problemas de vida da população e dos problemas ambientais”, afirmou Zhang.
Segundo as mesmas fontes, a Comissão Estatal para o Desenvolvimento e Reforma, o Ministério das Finanças e o Ministério da Fiscalização vêm criando grupos interministeriais de fiscalização, que são enviados às províncias para supervisionar os trabalhos do uso dos fundos e evitar a corrupção.
COMENTÁRIO: UM BOM ESPELHO PARA O BRASIL MIRAR E COPIAR. N
Boa a informação do Sr.João da Rocha aih em cima. No Brasil, foi programado o investimento de mais de 500 bilhões nos próximos anos. Porém , já sabemos, mais da metade será roubado, desviado ou apropriado por algumas empreiteiras como sempre. Obras interrompidas, inacabadas, mal feitas (agora até no exterior(EQU), super faturadas, multifaturadas, etc.etc. Tudo isso com a complacência da justiça (que lhes dará ganho de causa em todos os processos) e dos orgãos que deveriam fiscalizar(que como todos sabemos são fácilmente corrompidos). Imaginem 500 bi bem aplicados! Daria p/duplicar tôdas as rodovias federais e estaduais, reformar e duplicar todas as ferrovias atuais, Reformar e atualizar todos os portos e aeroportos do país, além de construir diversas linhas de trem bala.
È um sonho possível(È só calcular a preços Europeus)……se a honestidade dos poderosos empreiteiros, banqueiros e outros donos do Brasil (poucos) durasse cinco anos.
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