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05/11/2008 - 13:36

Obama, um sumário executivo da nova economia

Nos últimos 40 anos, democratas presidiram os Estados Unidos apenas por 12 anos - os quatro anos de Jimmy Carter, entre 1977 e 1981, e oito de Bill Clinton, entre 1993 e 2001. Em economia, democratas são mais intervencionistas e protecionistas. Agora, com Barak Obama, os democratas estão de volta, assim como, depois do crash de 2008, as idéias intervencionistas.

As circunstâncias da eleição de Obama – amplamente determinadas pelo ambiente econômico, pelas características pessoais do novo presidente e pela folgada maioria obtida no Congresso – permitem esperar a aplicação de uma versão radicalizada do ideário tipicamente democrata.

Um resumo do que isso significa pode ser colhido no artigo publicado no The New York Times de segunda-feira, 3 de novembro, por Robert Rubin e Jared Bernstein (ver aqui a tradução resumida, publicada hoje no Estado de S. Paulo). O texto pode ser entendido como uma espécie de sumário executivo preliminar da economia com Obama.

Bernstein é um economista da academia, mas Rubin é um protagonista da economia americana das últimas décadas e, portanto, o que ele diz tem peso – e, agora, mais peso ainda. Animal do mercado financeiro (trabalhou 26 anos no Goldman Sachs), Rubin dirigiu o conselho de assessores econômicos de Clinton e, mais do que isso, foi seu secretário do Tesouro.

Quando saiu, foi para o Citigroup, onde está, aos 70 anos, até hoje. Rubin, que se doutorou em Harvard com um estudo sobre a inflação brasileira, é um dos primeiros nomes da lista dos economistas ouvidos por Obama.

Alguns pontos (rearrumados, para facilitar a leitura) do texto publicado no NYT:

1- A economia americana, no curto prazo, precisa de um enorme estímulo fiscal, que possa criar demanda econômica substancial;

2 – O futuro econômico dos EUA exige investimentos públicos em áreas críticas, como educação, saúde e energia. Políticas públicas sólidas, financiadas por taxação progressiva, podem propiciar crescimento vigoroso e confiança empresarial para investir e contratar;

3 – As alíquotas do imposto de renda das pessoas físicas e outros impostos, para os que estão no topo, poderiam retornar aos níveis da era Clinton (mais altas);

4 – A idéia de que não podemos ser responsáveis em matéria fiscal e, ao mesmo tempo, realizar investimentos públicos é um mito;

5 – Além de restaurar um regime fiscal sólido, é preciso trabalhar com outros países para chegar a taxas de câmbio equilibradas e resolver nossos atuais desequilíbrios de conta corrente;

6 - Apesar do alegado conflito, nossos mercados de trabalho e de capitais, dinâmicos e flexíveis, se combinaram e produziram impressionantes ganhos de produtividade nos últimos anos. O problema é que tais ganhos não chegaram aos trabalhadores. Uma causa disso foi a redução drástica do poder de barganha dos trabalhadores e a queda no número de filiados a sindicatos. Numa verdadeira economia de mercado, empresa e trabalhador negociam como pares.

7 – A escolha não está entre liberalização do comércio externo e protecionismo. Mas, à medida que o comércio se expande, precisamos reconhecer que proteger os trabalhadores não significa protecionismo;

8 - Precisamos preparar melhor as pessoas para que consigam competir, bem como ajudar aquelas que foram prejudicadas. Ou seja, precisamos investir melhor os benefícios obtidos, implementando redes de segurança mais eficientes.

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:

26 comentários para “Obama, um sumário executivo da nova economia”

  1. Biquei disse:

    Primeiro o meu,um dia talvez o seu!
    STF pode julgar hoje pagamento de honorários antes de precatórios
    A execução de honorários advocatícios separada do pagamento de precatórios deve ser discutida nesta quarta-feira (05) pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Os ministros, que já declararam a repercussão geral do tema, devem decidir se a parcela do crédito referente aos honorários de sucumbência – remuneração a ser recebida pelo advogado quando a ação é ganha – pode ser cobrada por Requisição de Pequeno Valor (RPV) e não aguardar que o valor total do precatório seja pago.
    Comentários:
    O cliente;
    Sifu,sifu?

  2. Argo disse:

    Agostinho

    Essa pergunta sobre a herança não quer calar mesmo, não é? Com que rapidez foi engendrada uma coisa assim, hein?

  3. alex disse:

    CADÊ A NOTÍCIA?

    Lula, a bordo do avião que o levou a Tucuruí, foi informado de que, este ano, até setembro, foram criados 1,9 milhão de empregos com carteiras assinadas.

    O número é maior que o de empregos gerados (1,8 milhão) nos oito anos de FH.

    (fonte: Blog Ancelmo Goes)

  4. Argo disse:

    “CADÊ A NOTÍCIA?”

    Alex

    O PIG não publica nem com reza forte!

  5. JOAOROCHA disse:

    SÓ MESMO O BRAZIL NAO REDUZ JUROS
    O Banco Central Europeu (BCE) reduziu nesta quinta-feira (06/11), pela segunda vez em quatro semanas, a taxa básica de juros da zona do euro, novamente em meio ponto percentual. Com o corte, a taxa passou de 3,75% para 3,25%.

    A alteração anterior havia sido no dia 8 de outubro, quando a taxa passou de 4,25% para 3,75%. “Não descartamos diminuir ainda mais os juros”, afirmou o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet. A medida tem por objetivo combater a recessão que ameaça a Europa, uma conseqüência da crise financeira.

    Também o Banco Central da Inglaterra (BoE) reduziu sua taxa de juros, mas o corte foi maior: 1,5 ponto percentual, para 3% ao ano. É o maior corte desde 1981. (as)

  6. alex disse:

    José Paulo: sei que vc deve estar cansado de explicar…

    Mas explique de novo este comentário do JoãoRocha

    “SÓ MESMO O BRAZIL NAO REDUZ JUROS”

    Pq o BC da Europa pode baixar os juros e o nosso Bacen aqui não pode.?

    O que se passa? Desculpe, mas sou um “zero a esquerda” em termos de economia. Tenha paciência Kupfer!

    abs

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