Marola ou tsunami?
Por Leandro Modé
O pessimismo com o desempenho da economia brasileira em 2009 aumentou, principalmente no mercado financeiro. Já há analistas que falam abertamente no risco de o País enfrentar uma recessão. Por ora, esse cenário é aquele que as consultorias e os bancos classificam com a letra ‘C’. Ou seja, antes dele há outros dois com probabilidades bem maiores de virar realidade. Chances percentuais à parte, o fato é que uma retração entrou no radar.
É recomendável, porém, que essa brusca mudança de humor seja vista com cautela. Não é preciso dizer que uma das idéias que esta crise consolidou é a de que os analistas são incapazes de elaborar projeções econômicas confiáveis. Inebriada pela bonança dos últimos anos, a maior parte dos profissionais não conseguiu sequer prever um chacoalhão dos mercados. Agora, então, no meio da tempestade, fica ainda mais difícil acertar.
Mesmo assim, parece consenso que os efeitos da crise externa no Brasil irão além da “marola”, como disse há algumas semanas o presidente Lula. O relatório Focus do Banco Central, que traz um sumário das estimativas do mercado, mostra que a previsão de crescimento do PIB de 2009 caiu de 3,35% na semana passada para 3,10% nesta. Diversas empresas congelaram planos de investimento e, aqui e acolá, começam a surgir informações sobre demissões. Grande parte da indústria automotiva, por exemplo, deu férias coletivas aos empregados. E o crédito continua fluindo a conta-gotas (quando flui).
Esses são alguns sinais de que o ritmo de expansão da economia brasileira deve ser mais fraco do que se imaginava quando a crise se intensificou, após a quebra do Lehman Brothers, no dia 15 de setembro. Mas, assim como Lula minimizou a crise, imaginar que um tsunami se aproxima da costa brasileira ainda soa um pouco exagerado.
Comentário
Um novo paradigma parece em formação na ecologia econômica, em fins desta primeira década do século XXI: a volta do protagonismo dos governos no processo econômico e desta vez em amplitude inédita. Os governos parecem decididos a impedir as quebras, que produzem dores e depuram o ambiente, definindo de outro modo os perdedores e ganhadores.
A visão, já embaçada pelas incertezas que ainda dominam a economia global, fica mais ainda turva com o atual ativismo sem um pingo de constrangimento dos governos.
Melhor mesmo evitar conclusões definitivas, como fez o Leandro.
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
marola ou tsunami ??? o que podemos ter certeza é que nos bastidores daqueles que ganharam , lucraram , se beneficiaram nestes ultimos anos muito com o alto consumo brasileiro , sabiam que não podia durar tanto tempo o “mercado aquecido” lógico que eu acredito que o Brasil tem condições nitidas de crescimento muito maior e desenvolvimento em vários setores e segmentos , mas esquecemos de diversificar os investimentos , deixamos que os bancos ditem as regras para economia e geração de emprego , os governantes deixaram os banqueiros assumir como marionetes nossas casas e empresas com seus financiamentos desenfreados e encantadores …
marola ou tsunami ??? … não sei senhores … minha vizinha disse : ” que coisa né , graças a deus o carnaval já ta ai “
Aí vão alguns “chutes”…
Creio eu, da economia neoclássica podemos esperar novos e mais sofisticados modelos de previsão de risco (a ortodoxia aceita contribuições desde que formalizadas), aperfeiçoamentos daqueles mesmos modelos que falharam tão grosseiramente nesta crise…. novas tentativas, como bem disse, de “driblar as incertezas”, mas ainda interpretando incertezas como riscos probabilísticos.
O que me pareceu novidade foi a ação conjunta dos países envolvidos na crise. Penso que o movimento do pêndulo, pra ser duradouro, não pode prescindir das instituições e da coordenação internacional, caso contrário o mercado continua a dar as cartas.
Sds,
Lúcio.
É impressionante como todo mundo vê essa crise como o final dos tempos! Eu continuo na mesma, até porque nunca tive cacife para ficar comprando ações na Bovespa.
Assim como em 1929, talvez esta seja uma boa oportunidade de o Brasil explorar novas possibilidades de financiamento que não a poupança externa ou o investimento direto das multinacionais. É uma terapia de choque mas, — afora os choques do petróleo e a crise da dívida em 1982, quando estávamos amarrados a “eles” — é quase um padrão que se observa quanto ao crescimento da produção nacional em momentos de crises internacionais.
Numa tribo, o cacique aconselhava os índios a cortarem bastante lenha porque o inverno ia ser chuvoso. Para confirmar sua previsão o cacique escutava a previsão do tempo pelo rádio. O serviço de meteorologia anunciava chuva além do normal. O cacique reuniu os índios e os aconselhou a cortarem mais lenha. O meteorologista foi consultado sobre os métodos de sua previsão: bem – disse ele – uso imagens de satélite e modelos matemáticos, além disso, acresci um pouco porque vi que os índios estão cortando mais lenha do que o normal.
E assim se potencializa uma crise. É preciso que as pessoas influentes tomem muito cuidado ao emitirem suas opiniões, principalmente os que detêm o poder de decisão e de comunicação.
MEDO DA MÍDIA
Blog Cidadania.Com
Finalmente a mídia conseguiu me intimidar. Não tive medo quando ela pôs em risco as vidas de milhões de paspalhos ao fazê-los marcharem aos postos de saúde para se vacinarem contra a febre amarela sem necessidade, só para desgastar o governo Lula. Pode-se esperar tudo de quem joga um país inteiro numa ditadura de vinte anos.
Mas a última crise fabricada pela mídia, sob encomenda da oposição, arrepiou-me os cabelos da nuca. Desta vez, a direita midiática está pondo em risco a única coisa que realmente respeita, ou seja, o vil metal.
Primeiro, há que entendermos qual é o poder da mídia, e esse poder é o de gerar comoção social. O alarde pode funcionar contra inimigos ou a favor de amigos; induzir ou inibir comportamentos e decisões; defender ou detratar políticas públicas.
Sinto medo. A mídia conseguiu abalar a economia ao inibir os agentes econômicos. Fez consumidores deixarem de consumir, bancos terem medo de emprestar… Em suma: trouxe a crise para dentro do país aproveitando-se de efeitos da escassez internacional de crédito, que poderia ter sido contornada pelas medidas do governo que liberaram dinheiro do compulsório dos bancos para irrigar a economia.
Vejam o caso das montadoras. Há algumas semanas, antes da quebra do banco americano Lehman Brothers, havia espera de meses para se comprar alguns modelos de veículos. Agora, as montadoras estão concedendo féria coletivas…
E por que? Porque os consumidores, assustados pelo noticiário, adiaram ou recuaram em suas decisões de compra de automóveis.
Os bancos, por sua vez, não usam o dinheiro do compulsório que o governo liberou. Não porque estão com problemas, mas porque estão com medo. Não estou especulando. Isso foi amplamente noticiado. É um fato.
O governo colaborou com a mídia porque também ficou com medo. É incrível como Lula hesita em usar a prerrogativa que tem de falar à nação por meio de rede nacional de rádio e tevê.
Continua…
http://edu.guim.blog.uol.com.br
José Paulo, como vai?
Vc acha que o barulho infernal que mídia vem fazendo em cima da crise internacional. Os fatos positivos que são deixados de lado para se falar mais dos negativos.. Isso não prejudicará ainda mais a Economia?
Não lhe parece algo intencional?
A escola dominante do pensamento econômico trata a economia como se fosse uma ciência exata.Tá ai o resultado!
Kupfer,
A sugestão do Sr. Um Brasileiro…é muito boa.Vamos atendê-lo?
Fernando e Um brasileiro,
A idéia da biblioteca básica é ótima. Só não sei se sou o sujeito mais indicado para isso.
Além disso, não sei onde colocar a lista em formação porque penso que ela poderia ser muito enriquecida com as sugestão dos leitores.
Se alguém tiver um idéia de como fazer para deixar a lista no ar, lembrando que este é um blog de um só – não de uma equipe -, pode falar.
Temos de levar em conta que há leituras básicas com diferentes pontos de vista. Não devemos restringi-los, mas, na minha opinião, precisamos qualificar e informar a que tipo de pensamento econômico o autor se filia. Não acho que nem mesmo livros textos básicos sejam neutros. Não sei o que vocês acham disso.
Tem também uma coisa de temas e subtemas – economia brasileira, internacional, teoria econômica, finanças, comércio exterior, finanças públicas etc. etc.
Será que eu estou complicando ou é complicado mesmo, embora não pareça?
Em todo caso e a todo risco, começo com duas indicações de economia brasileira: 1) Formação econômica do Brasil, Celso Furtado, Cia. das Letras; 2) Economia brasileira ao alcance de todos, Eliana Cardoso, Brasiliense.
Abrs.
Caro Alex,
Não sei quem disse que a imprensa (ou a mídia jornalística, como se diz hoje) é o fermento do bolo, não farinha.
Não é possível fazer bolo só com fermento, mas havendo farinha, o fermento pode aumentar o bolo.
Na minha opinião, culpar a imprensa (ops, a mídia) pelos eventos é como achar que é possível evitar que seu filho (a) se atraque com aquele (aquela) desqualificada (o) tirando da sala o sofá em que eles se atracam.
Eu concordo que há uma dominância de um tipo de pensamento econômico na imprensa. Não é o que eu acho mais adequado para analisar os problemas, especialmente do Brasil, e atacá-los.
Mas, definitvamente, não acho que a crise e suas repercussões no Brasil são uma invenção de uma imprensa anti-Lula, ainda que a chamada “grande imprensa” o seja.
No texto que você colocou aqui, tem a seguinte afirmação:
“A mídia conseguiu abalar a economia ao inibir os agentes econômicos. Fez consumidores deixarem de consumir, bancos terem medo de emprestar…”
Bem, acho que a imprensa (ai, ai, a mídia) não tem esse poder. Não foi a mídia, por exemplo, que fez a Sadia, a Aracruz, o Votorantim se enforcarem no target foward.
No meu modo de ver, há menos conspiração e mais ignorância Por exemplo, no texto que você colocou aqui, há uma flagrante inversão no que ocorre no mercado de automóveis.
Não foram os consumidores que sairam correndo, foram os vendedores que apertaram as condições e puseram os consumidores para correr.
Por causa da falta de crédito, reduziram os prazos, aumentaram as exigências de cadastro e subiram os juros. Fizeram uma seleção de consumidores pela elevação do valor da prestação. E estão ajustando os estoques.
Outro erro de análise aparece neste outro trecho: “os bancos, por sua vez, não usam o dinheiro do compulsório que o governo liberou. Não porque estão com problemas, mas porque estão com medo. Não estou especulando. Isso foi amplamente noticiado. É um fato.
Temos aqui, no meu modo de ver, o mesmo veneno que o autor diz inocular a imprensa (mídia). É fato que os bancos não transferiram os recursos liberados do compulsório para os clientes. Isso não é especulação. A especulação é que fizeram isso por medo. É quase ridículo. Os bancos empoçaram o dinheiro porque era mais negócio (o governo errou em só liberar a grana, sem fechar o cerco e estimular o repasse, coisa que está tentando fazer agora) colocá-lo em títulos públicos. Banco faz negócio. Se te um mais seguro do que outro e com rentabilidade suficiente, é isso que ele fará…
Meu caro Alex, todo problema complexo tem sempre uma explicação simples – e totalmente equivocada.
Abrs.
Se for para começar em termos de história, indico “História do Capitalismo”, Michel Beaud – Brasiliense.
Apesar de escrito em 1981, uma de suas análises se presta ao que ocorre hoje, em termos de capitalismo globalizado:
“Se imaginarmos que, através dos grupos industriais e financeiros internacionais, esse sistema funcionará nos cinco
continentes, nos quatro níveis da hierarquia imperialista e em
mais de cem países (cada um deles com legislações próprias,
tradições, relações de força diferentes), nós perceberemos
que haverá todo um esbatimento de situações, diversificadas
ainda mais pela gama das especificidades nacionais, culturais
e religiosas: capitalismo múltiplo e único, disforme e coerente,
fracionado e estruturado…”
Amigos, como literatura básica:
Introdução à Economia – J.P.Rossetti-Atlas/20ª Edição
” ” ” – S.das Neves e Viceconti-Frase Editora
GOVERNO AMERICANO LIBERA SISTEMA FINANCEIRO PARA UTILIZAR RECURSOS DO TESOURO, PARA PAGAR DIVIDENDOS, BONIFICAÇÕES, ALTOS SALARIOS, SEM PREOCUPAÇÃO COM A LEGALIDADE. ENVOLVE MAIS DE U$ 100 BILHOES.
Com a decisao do governo americano, o sistema financeiro do pais está mais capitalizado e mais preocupado em dar maior elastidade a essa crise que criaram e esta rendendo dividendos no mundo inteiro para desembocar lá mesmo. Aplicar recursos das reservas internacionais do Br em titulos do Tesouro americano, é um ótimo negócio, mas para os americanos. Aplicar dolares do Tesouro americano em titulos do Tesouro brasileiro, é um ótimo negócio, tambem para os americanos. Se os EUA aplicar U$ 200 bilhoes em titulos do Tesouro brasileiro, terá ganhos nominais de U$ 27, 5 bilhoes anuais ou receita para pagar l/5 ( hum quinto) de seus encargos com juros totais anuais. Com a redução de juros reais em mais de 40 paises e o BR mantendo taxs reais acima de 7,75% ao ano, a equipe economica do pais vai ter que se desdobrar na busca de r receitas para atender o capital especulativo e os recursos para investimentos que geram crescimento, produção, emprego e consumo, realmente irão faltar. Será q o pais adotou a melhor opção?
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É VERDADE, AMERICANOS PAGAM PARA ROLAR UMA DÍVIDA DE TRILHÕES, O MESMO MONTANTE DE JUROS PAGOS PELO BRASIL PARA UMA DIVIDA DE MILHOES.
E os EUA para rolar uma dívida de U$ 10,5 trilhao ou treze vezes maior do que a nossa, pagam somente U$ 105 bilhoes de dolares anuais ou seja: U$ 5 bilhoes a menos do que o BR para rolar somente U$ 800 bi. E tudo isso é devido às taxs de juros: lá eles pagam 1% ao ano e aqui nós pagamos 13,75% ao ano. Logo, muita gente deve estar tomando emprestimo a 2% ao ano e aplicado nos titulos do Tesouro do Brasil que rendem 13,75% ao ano. Exemplo: se um cidadao, empresa ou banco tiver credito para tomar um emprestimo de U$ 10 milhoes, pagará jrs de somente US$ 200 mil ao ano , lá nos estados unidos ( isso mesmo, 200 mil) e compra titulos do Tesouro do BR, a sua renda nominal será de U$ 1.375 milhoes ou seja, o ganho bruto que terá será de US$ 1.175 milhoes e de U$ 98 mil por mes, sem esforço e sem capital. E Bancos, empresas e pessoas fisicas estão fazendo essa jogada e sem nenhum risco. Em dois meses pagam os jrs anuais do capital emprestado e os dez meses restantes do ano é somente para gerar Lucro. Quantos brasileiros e strangeiros estao fazendo isso ? A quantidade de recursos envolvidos deve ser muito grande, mesmo porque os proprios titulos do Tesouro brasileiro passam a servir de garantias para os financiamentos. E o capital continua a serviço da especulação.
João Rocha
Essa é minha raiva de tudo o que esses defensores dos banqueiros escrevem. É um verdadeiro assalto ao nosso bolso. E o que é pior, até agora nada fizemos.
Um país onde a população de uma das maiores cidades foi à praia e deixou um candidato aliado a tudo isso aí ganhar, realmente prefere continuar apanhando – é masoquista.
Caro Kupfer,
Teus comentários são sempre sérios e apropriados. No entanto acho que voce sofre do mesmo mal que a mioria de nós sofre também. Ou seja como bons brasileiros, sempre vemos no vendaval uma fresta de brisa. É bom do ponto de vista do astral – que seja positivo – e, menos deprimente em qualquer aspecto.
Agora opiniões de economistas, ministros da fazenda e palavras em geral de políticos, só podem ser levadas à sério se conseguirmos saber a serviço de quem estão.
Não há, – sequer tenho curso superior – honestamente como acreditar que essa crise passará de raspão sobre os países emergentes, notadamente sobre nós.
Acho que o governo, como sempre tardiamente, tomou e vem tomando medidas adequadas para enfrentar a parte mais vistosa do dragão.
Acho que o sub-prime verde amarelo que voce comentou dia desses é real – só não sabemos o tamanho. Vemos pipocar aqui e ali notícias que dão conta – veja o caso da Vale hoje – de que há uma redução generalizada na demanda por matérias primas, fundamento de qualquer produto.
Resumindo meu humilde ponto de vista: Se a catástrofe financeira que hoje está lançada sobre o planeta fizesse parte de um plano urdido por alguém, de modo a enquadrar todos. (podemos sugerir uma teoria conspiratória partindo da América contra o resto do mundo) Pois vejamos alguns aspectos mais notáveis nesse momento: a) A comunidade européia vinha se consolidadando. Tomou um tombo maravilhoso e ainda não se tem qualquer clara dimensão do tamanho. b) A Rússia vinha se manisfestando contariamente a renovação do tratado nuclear, enfraquecimento da OTAN, entre outros. Não questiono se certo ou errado. Apenas comento. c) O Irã vinha adicionando uma boa dose a hostilidade natural que o mundo sempre viveu. d) O Sr. Chavez – IL BUFFONE BOLIVARIANO – a financiar seus vizinhos com a renda do petróleo, criando um clima delicado entre os países da América Latina. e) O nosso próprio presidente – também por méritos de seus acertos, ou até da ausencia de ousadias fora do caminho que já recebeu escrito, vinha se plantando como alguém acima do bem e do mal. (não sei, não vi, nada tenho com isso, fui traído, etc. etal). Rapidamente o que temos agora: 1) Chavez não se houve mais. Afinal com o barril de petróleo a US$ 147,00 podia tudo e a US$ 60,00 pode o que?? Olhar ao redor e arrepender-se de ter colocado os petrodólares em países mais pobres que o dele, sem cuidar de sua própria casa. 2) O Irã, cuja economia central depende totalmene do petróleo, o que estará fazendo agora para buscar os US$ 87/barril que estarão seguramente faltando para fechar suas próprias contas. 3) A Rússia com suas ogivas e potencial nuclear, vai atacar quem com suas contas em frangalhos? Vai re-invadir a Europa Central? 4) A China, até então o bonde do mundo, afinal sabemos quem é a locomotiva, o que fará com os bilhões de bagulhos que fabricam ? Com os desempregados que se originarão do fechamento de inúmeras fábricas ? 5) E, por último sem necessariamente ser nem mesmo o mais importante, nosso presidente evolue da marola para a crítica contundente aos ricos sobre a ciranda que implantaram. Correto o discurso e procedente o comentário. Mas a nossa realidade será que passará ao largo de tudo isso ??
Evidente que não. Então não sei porque os economistas ainda se atrevem a dar palpite sem dizer pra quem trabalham e a quem defendem. Não fosse isso não teríamos opiniões tão desbaratadas entre um e outro.
Acho realmente, sem ser catastrofista, que a crise vai pegar pesado, quem pagará a conta é o pequeno/pobre, e, em menos de 5 anos verá que viveu até 2008 uma nova edição do milagre brasileiro. O resto será suor e lágrimas. Resta o conforto de que produzimos alimentos em abundancia, então não morreremos de fome. Mas do lado negro dessa crise, que é muito mais séria do que se pinta, e, ela é real pois números falam e definem, pode surgir um Hitler, um Anticristo, ou o que quer que seja, dada a miséria que se instalará no mundo. Afinal em algum lugar, ou em todos os lugares do planeta vai aportar os US$ 30/40/50/60 ou sei lá de quantos bilhões é o problema.
Portanto, se não houve um plano para produzir esse desastre, temos de convir que foi só o que faltou. Porque de resto a crise está colocando cada um em seu lugar. Pena que alguns ainda insistam em passar muito tempo fora da casinha, passeando em Cuba, como se Cuba tivesse algo a acrescentar na melhoria de vida dos brasileiros. Estamos, nesse caso, pedindo esmola pra dois, quando poderíams estar cuidando de nós mesmos, em momento tão grave. Acho que um governante tem de ser um caixeiro-viajante, mas não é o momento de ajudarmos Cuba, ou África, ou financiar a Bolívia, Equador, ou alguém mais manco que nós.
Parece-me que os maiores responsáveis pelo bem estar do povo, não se deram conta de que o momento é de cautela e poupança, pois como diz a Caixa sabiamente: Quem poupa, tem. Assim talvez sobre combustível para alguma ajuda humanitária necessária a tantos brasileiros que vão novamente empobrecer muito com essa crise.
É só uma reflexão,que não pretende nada além disso.
Luca Fiorini
Aproveitando a crise financeira o governo poderia liberar os aposentados do Imposto de Renda,na declaração anual e em todas as etapas de sua concessão para ter mais dinheiro circulando.
Muitas aposentadorias sustentam os desempregados e dependentes do aposentado neste Brasil.
Sr. Luca
Uma sábia reflexão, uma das melhores já escritas por aqui. Esta é daquelas que merece uma profunda reflexão sobre tudo que está escrito.
Uma das coisas com a qual não concordo é essa aí:
“Resta o conforto de que produzimos alimentos em abundancia, então não morreremos de fome.”
No capitalismo, morre-se, sim, de fome em meio à abundância.
Caro Argo,
Voce tem toda a razão. Essa foi uma frestra de minha parte nesta ventania toda.
Pode ser que nosso grande governo não tenha armazens. Ou entregue pra algum amigo cuidar. Ou ponha alguns sindiicalistas pra decidir quem deve ou não receber os alimentos, ou ainda pior podem vende-los todos, depositar em algum paraíso que sobrar, contratar o Dantas pra administrar e o G. Mendes para advogar pra ele quando reclamarmos o que acharmos que é a nossa parte.
Novamente – acho que voce está cheio de razão. – Luca
Prezados José Paulo, Leandro e comentaristas,
Belo post! A somatória dos talentos do Leandro e do J.Paulo, que está comentando com gosto, e a visão provocativa do grupo, está muito legal. Só que está muito à esquerda, o que limita o debate. Cadê a ala à direita do blog???
A discussão sobre o papel dos bancos nesta segunda fase da crise está pegando fogo pelo mundo (em termos de qualidade, mais do que aqui!). E questiona-se como os governos devem se posicionar frente a esta situação.
O texto abaixo traz informações importantes que ainda não foram tratadas pela mídia brasileira. Espero que lhes seja útil.
http://blogdocredito.wordpress.com/2008/10/31/os-bancos-irao-emprestar-ou-entesourar-os-recursos-do-tesouro/
Abraços, Fernando Blanco
Assim como Friedrich Hayek e Ludwig Von Mises previram a grande crise de 1929, seus atuais discípulos, os chamados analistas austríacos, como Petrov, utilizando-se da teoria austríaca dos ciclos, previram com quase 4 anos de antecedência o atual estouro da bolha de crédito dos mercados financeiros.
Originariamente, a teoria dos ciclos econômicos foi criada pelo russo Kondratieff, mas foi aperfeiçoada, e muito, pela escola econômica austríaca, com Mises e Hayek, dois dos principais expoentes.
Basta dar uma lida atenta no artigo abaixo, produzido por Krassimir Petrov em setembro de 2004. A China será a próxima a entrar em recessão. Quem der uma lida no artigo saberá o porquê.
CHINA’S GREAT DEPRESSION
by Krassimir Petrov, Ph.D.
September 2, 2004
http://www.financialsense.com/editorials/petrov/2004/0902.html
Having recently completed Rothbard’s “America’s Great Depression”, I couldn’t help draw the parallels between America’s roaring 20’s and China’s roaring economy today, and I couldn’t help conclude that China will inevitably fall in a depression just like America did during the 1930s. The objective of this article is to present an Austrian argument as to why this must happen; to substantiate my arguments, I will be quoting Rothbard’s Fifth Edition where relevant.
Before proceeding any further, I would urge all readers who haven’t read Rothbard’s “America’s Great Depression”, to pick up a copy and read it. First, it is a real pleasant read, and Rothbard’s witty style of writing makes reading it fun. Second, the first part of the book develops the Austrian Business Cycle Theory, which is indispensable for understanding credit booms and their inevitable busts. Finally, the second part of the book elaborates the development and the causes of the Inflationary Boom of the 1920s and provides a basis for comparison with the economic policies of modern-day China.
In order to establish our parallel, we need some historical perspective of the relationship between a world superpower and a rising economic giant. In the 1920s, Great Britain was the superpower of the world, and the United States was the rising giant. As such, Great Britain ran its economic policies independently, and the U.S. adapted its own policies in a somewhat subordinated manner. Today, The United States is the hegemonic superpower of the world, and China is the rising economic giant. Not surprisingly, the U.S. runs its policy independently, while China adjusts its own accordingly.
Continuing our parallel analysis, during the 1920s the British Empire was already in decline, was militarily overextended, and in order to pay for its imperial adventures, resorted to debasing its own currency and running continuous foreign trade and budget deficits. In other words, Britain was savings-short, a net-debtor nation, and the rest of the world was financing her. Meanwhile, America was running trade surpluses and was a net creditor nation. Importantly from a historical point of view, the British Empire collapsed when the rest of the world pulled the plug on their credit and began capital repatriation. Today, the American Empire is in decline, is militarily overextended, and is financing her overextended empire with the “tried-and-true” methods of currency debasement and never-ending foreign trade and budget deficits. In other words, America is savings-starved, a net-debtor nation, and the rest of the world is financing her. At the same time, today China runs trade surpluses and is a net-creditor nation. When the rest of the world finally pulls the plug on American credit, will the American Empire also collapse?
The cause of the Depression, as Rothbard explains, was a credit expansion that fuelled the boom. According to Rothbard, “[o]ver the entire period of the boom, we find that the money supply increased by $28.0 billion, a 61.8 percent increase over the eight year period [of 1921-1929]. This was an average annual increase of 7.7 percent, a very sizable degree of inflation (p.93)…The entire monetary expansion took place in money substitutes, which are products of credit creation… The prime factor in generating the inflation of the 1920s was the increase in total bank reserves” (p.102). In other words, during the 1920s, the United States experienced an inflationary credit boom. This was most evident in the booming stock and the booming real estate markets. Furthermore, there was a “spectacular boom in foreign bonds… It was a direct reflection of American credit expansion, and particularly of the low interest rates generated by that expansion” (p.130). To stem the boom, the Fed attempted in vain to use moral suasion on the markets and restrain credit expansion only for “legitimate business. Importantly, consumer “prices generally remained stable and even fell slightly over the period” (p. 86). No doubt the stable consumer prices contributed to the overall sense of economic stability, and the majority of professional economists then did not realize that the economy was not fundamentally sound. To them the bust came as a surprise.
Today, in a similar fashion, the seeds of Depression are sown in China. Economists hail the growth of China, many not realizing that China is undergoing an inflationary credit boom that dwarfs that American one during the roaring ‘20s. According to official government statistics, 2002 Chinese GDP growth was 8%, and 2003 growth was 8.5%, and some analysts believe these numbers to be conservative. According to the People’s Bank of China own web site (http://www.pbc.gov.cn/english/baogaoyutongjishuju/), “Money & Quasi Money Supply” for 2001/01 was 11.89 trillion, for 2002/01 was 15.96 trillion, for 2003/01 was 19.05 trillion, and for 2004/01 was 22.51 trillion yuan. In other words, money supply for 2001, 2002, and 2003 grew respectively 34.2%, 19.3%, and 18.1%. Thus, during the last three years, money supply in China grew approximately three times faster than money supply in the U.S. during the 1920s.
No wonder the Chinese stock market has been booming and the Chinese real estate market is on fire. Just like the U.S. in the 20s, China finances today foreign countries, mostly the U.S., by buying U.S. government bonds with their trade surplus dollars. Just like the Fed’s failed attempts of moral suasion during the 20s, the Chinese government today similarly attempts in vain to curtail growth of credit by providing it only to those industries that need it, that is, only to industries that the government endorses for usually political reasons. Also, for most of the current boom, Chinese consumer prices have been mostly tame and even falling, while prices for raw commodities have been skyrocketing, which perfectly fits the Austrian view that prices of higher-order goods, such as raw materials, should rise relative to prices of lower-order goods, such as consumer goods. This indeed confirms that credit expansion has already been in progress for a considerable time, and that inflation now is in an advanced stage, although it has not yet reached a runaway mode. Thus, economic conditions in China today are strikingly similar to those in America during the 1920s, and the multi-year credit expansion implies that a bust is inevitable.
There are also important parallels regarding currency and export policy. During the 1920s, the British Pound was overvalued and was used by smaller countries as a reserve currency. While Britain ran its inflationary policies during the 1920’s, it was losing gold to other countries, mainly the United States. Therefore, “if the United States government were to inflate American money, Great Britain would no longer lose gold to the United States” (p. 143). Exacerbating the problem further, the Americans artificially stimulated foreign lending, which further strengthened American farm exports, aggravated the net-export problem, and accelerated the gold flow imbalances. “It [foreign lending] also established American trade, not on a solid foundation of reciprocal and productive exchange, but on a feverish promotion of loans later revealed to be unsound” (p. 139). “[President] Hoover was so enthusiastic about subsidizing foreign loans that he commented later that even bad loans helped American exports and thus provided a cheap form of relief and employment—a cheap form that later brought expensive defaults and financial distress” (p.141) Thus, the preceding discussion makes it clear, that the fundamental reasons behind the American inflationary policy were (1) to check Great Britain’s drains of gold to the United States, (2) to stimulate foreign lending, and (3) to stimulate agricultural exports.
Similarly, today the dollar is overvalued and used as the reserve currency of the world. The U.S. runs its inflationary policy and is losing dollars to the rest of the world, mainly China (and Japan). Today, the currency and export policy of China is anchored around its peg to the dollar. The main reason for this is that by artificially undervaluing its own currency, and therefore overvaluing the dollar, China artificially stimulates its manufacturing exports. The second reason is that by buying the excess U.S. dollars and reinvesting them in U.S. government bonds, it acts as a foreign lender to the United States. The third reason is that this foreign lending stimulates American demand for Chinese manufacturing exports and allows the Chinese government to relieve its current unemployment problems. In other words, the motives behind the Chinese currency and export policy today are identical to the American ones during the 1920s: (1) to support the overvalued U.S. dollar, (2) to stimulate foreign lending, and (3) to stimulate its manufacturing exports. Just like America in the 1920s, China establishes its trade today not on the solid foundation of reciprocal and productive exchange, but on the basis of foreign loans. No doubt, most of these loans will turn out to be very expensive because they will be repaid with greatly depreciated dollars, which in turn will exacerbate down the road the growing financial distress of the banking sector in China.
Therefore, it is clear that China travels today the road to Depression. How severe this depression will be, will critically depend on two developments. First, how much longer the Chinese government will pursue the inflationary policy, and second how doggedly it will fight the bust. The longer it expands and the more its fights the bust, the more likely it is that the Chinese Depression will turn into a Great Depression. Also, it is important to realize that just like America’s Great Depression in the 1930s triggered a worldwide Depression, similarly a Chinese Depression will trigger a bust in the U.S., and therefore a recession in the rest of the world.
Unless there is an unforeseen banking, currency, or a derivative crisis spreading throughout the world, it is my belief that the Chinese bust will occur sometime in 2008-2009, since the Chinese government will surely pursue expansionary policies until the 2008 Summer Olympic Games in China. By then, inflation will be most likely out of control, probably already in runaway mode, and the government will have no choice but to slam the brakes and induce contraction. In 1929 the expansion stopped in July, the stock market broke in October, and the economy collapsed in early 1930. Thus, providing for a latency period of approximately half a year between credit contraction and economic collapse, based on my Olympic Games timing, I would pinpoint the bust for 2009. Admittedly, this is a pure speculation on my part; naturally, the bust could occur sooner or later.
While I base my timing of bust on the 2008 Olympic Games, Marc Faber, the foremost Austrian authority in the world on Chinese economic development, believes that the bust will occur sooner. According to him, the U.S. is due for a meaningful recession relatively soon, which in turn will exacerbate already existing manufacturing overcapacities in China. This, coupled with growing credit problems, makes him believe that China will tip into recession sooner than the Olympic Games. In other words, Dr. Faber believes that a U.S. recession will trigger the Depression in China. Indeed, that very well may be the trigger, but if so, it still remains to be seen whether the Chinese government will let the bust run its course or choose the route of a “crack-up” boom, come hell or high water.
We should also consider another possible trigger for a bust, namely trade surpluses turning into trade deficits due to the accelerated rise of prices for resources, such as commodities, which China must import. Faced with trade deficits, China may decide to dishoard surpluses by selling U.S. government bonds, or it may decide to abandon its peg to the dollar. In either case, this will exacerbate the problems of the ailing U.S. economy, which in turn will boomerang back to China.
Finally, the bust may be triggered by a worldwide crisis in crude oil supplies. Peak oil supply is around the corner, if not already behind us, and Middle East or Caspian instability could sharply cut oil supplies. Historically, oil shortages and their concomitant rise of oil prices have always induced a recession. China’s growing dependence on oil ensures that should an oil crisis occur, it will slip into recession.
To summarize, the likely candidates for a trigger to the Chinese depression are (1) a worldwide currency, banking, or derivatives crisis, (2) a U.S. recession, (3) the containment of runaway inflation, (4) the disappearance of Chinese trade surpluses, and (5) an oil supply crisis.
Whatever the trigger of the bust in China, there is little doubt that this will provide the onset of a worldwide depression. Just like the U.S. emerged from the Great Depression as the unrivalled superpower of the world, so it is likely that China will emerge as the next.
Estes são argumentos realmente histórico-científicos. Quem puder refutá-los, por favor, faça as honras.
Por falar nisso, se encontrarem algum economista neokeynesiano que também tenha previsto a atual crise, favor indicar.
Na outra semana trarei mais argumentos de peso.