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29/10/2008 - 20:02

O Fed contra o dólar valorizado

Nesse mundo virado de cabeça para baixo, apareceu alguém para ficar com o mico do real. E é nada menos do que o Federal Reserve.

O banco central americano vai trocar uma linha de US$ 30 bilhões por reais, sem condicionantes ou restrições de espécie alguma. Com isso, o BC brasileiro aumenta a bala já anunciada para enfrentar ataques ao real de US$ 50 bilhões para US$ 80 bilhões. O dinheiro ficará disponível até abril. México, Coréia do Sul e Cingapura também receberam do Fed linhas do mesmo valor, em troca de suas moedas.

A razão da “generosidade” do Fed não está sendo escamoteada. Trata-se de evitar uma valorização excessiva do dólar e, no mesmo pacote, do iene. As duas moedas-âncoras estão aspirando os recursos do desmonte global de posições alavancadas.

Como escrevi na segunda-feira (Real, de objeto de desejo a mico) o Brasil, com suas taxas de juros exorbitantes e sua moeda supervalorizada, atraiu enorme massa de capital de arbitragem. O real e papéis de empresas brasileiras, sobretudo os originários de lançamentos iniciais (IPO) recentes, passaram a figurar entre as vítimas preferenciais da queima de ativos.

Daí a escalada do dólar no mercado cambial brasileiro. Agora, a tendência, pelo menos no curto prazo, é de que as cotações se acalmem e se acomodem nas vizinhanças dos R$ 2 por dólar.

Há diversos aspectos interessantes na nova intervenção do Fed, que conta com o apoio dos bancos centrais dos países desenvolvidos. Um deles é a novidade da medida. Intervenções nos mercados monetários são raras - no caso do Brasil, é inédita. A última vez que o Fed atuou desse modo, para socorrer o euro, ocorreu em 2000. Antes disso, houve outra, em 1998, na crise da Ásia.

Outro aspecto que chama a atenção é o contraste da atuação do Fed com a do BC brasileiro. Enquanto aqui a valorização do real foi tenazmente perseguida e alegremente louvada, lá a valorização do dólar é tratada com uma maldição a ser exorcizada com todos os instrumentos, inclusive a troca de dólares por moedas inconversíveis, como é o caso do real.

Várias conclusões estão à disposição. Uma, quase uma constatação, é que os ortodoxos de lá não são tão ortodoxos quanto os daqui. Outra, é que, vai ver, os nossos ortodoxos é que estão certos e os de lá, coitados, são, como arrotam nosos ortodoxos, tão desqualificados quantos os que aqui cansaram de criticar a valorização excessiva do real. 

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:

111 comentários para “O Fed contra o dólar valorizado”

  1. Benedito Lemes disse:

    Caro Karburê

    Simbolos Nacional, definidos por lei, são a Bandeira, as Armas, o Hino e o Selo. No entanto, tudo aquilo que represente um país passa a ser um símbolo e, independente de ser definidos por lei, não deixa de ser um símbolo, afinal, no caso da moeda, o Real, é um símbolo da moeda do Brasil, onde quer que esteja ou quem a tenha posse, não deixa de remeter ao nome do Brasil.

    Veja o exemplo dos Simbolo Nacional que voce citou, esqueceu-se das Armas e o Selo. E como voce deve ser uma pessoa culta e cometeu esta falha, imagine a grande maioria da população… E se fizer uma pesquisa, perceberás que todos responderão que a moeda do Brasil é o Real.

    Volto a dizer, sem a estabilidade econômica de um país, sustentada pela moeda, não há Símbolo algum que realmente seja respeitado como Símbolo. Economia quebrada, não há Símbolos e nem tão pouco pátria, apenas mercenários e a lei é a dos mais fortes, ou seja, a lei do cão.

  2. cunhamre disse:

    Excelente o comentário do Luiz, postado em 29/10 às 23:18.

    Simples e didático. Muitos “papas do assunto” não sabem expor com a clareza e lógica – são os ” bons” de plantão.

    Também concordo com as opiniões de alguns comentaristas: o Real não é mico; é nossa moeda. Se não merecer nosso respeito ou for sempre motivo de idéias jocosas – quem as valorizará ? só o G.Soros? Até me parece que o “mico” tem a ver com o LULA.
    Tive aulas na FGV, e lá ouvi de prof. que o Meirelles , o Fraga são excelentes profissionais e sabem o que fazem- e não têm partidos.

  3. Ana disse:

    Boa tarde José Paulo,

    Sou leitora do seu blog e convido-o para conhecer o meu: http//diretoparaoaltar.arteblog.com.br/

    É um espaço sem grandes pretensões, dedicado sobretudo à minha paixão pelo cinema,pela arte de atuar e pelas letras. Pode dar uma passadinha por lá que eu sei que vc vai curtir. É um local para recarregar as baterias ; ) ( olha a pretensão ; )

    E como dizia Manuel Bandeira sob licença poética, apareça sempre para tomar um suco de alegria, ou de tristeza, qdo for o caso…

    Abraço da Ana Beatriz

  4. Moa disse:

    Esse bobão do Lula dizendo: Crise? Pergunte ao Bush”. Mesmo que seja por interesse o FED não tem ideologia e sim trabalho técnico e enfiou dólares no nosso traseiro. O Presidente calado já está falando muito.

  5. KARBURÊ disse:

    Enviado por: Benedito Lemes

    Eu não disse nada de mais, somente que a moeda não é simbolo nacional.

    E ela com certeza não é simbolo nacional mesmo.

    Alem de não ser o simbolo nacional que você quer que seja, não vale nada fora do Brasil.

  6. bom dia sr .José Paulo Kpfer , eu queria saber uma coisa pelos comentário que vi o senhor acha que ainda melhor o brasileiro investir na compra de dolar?até aonde pode ser vantagem?ou se deve sempre investir mesmo sendo pequenos valores.
    obrigado
    MARCELO LEITE BARCELOS

  7. José Paulo Kupfer disse:

    Marcelo,

    Eu, pessoalmente, não acho que dólar seja um investimento para pessoas comuns. Se o gosto for grande, talvez algum fundo cambial, desde que a taxa de administração não seja alta, pode ser o caso. Além disso, se há uma viagem para os EUA ou país fora da União Européia (aí é melhor comprar euros) no horizonte, é razoável comprar a moeda que terá de ser usada na viagem. No momento, com as incertezas presentes, e a gangorra nas cotações, eu compraria aos poucos, tentando fazer um dólar médio mais favorável.

    Abrs.

  8. Benedito Lemes disse:

    12/11/2008 – 17:24 Enviado por: KARBURÊ

    “Alem de não ser o simbolo nacional que você quer que seja, não vale nada fora do Brasil.”

    Caro Karburê

    Não posso afirmar sobre o momento presente, mas no primeiro semestre, precisamente até julho/2008, fonte Banco Central, o Real ocupava a 3ª (terceira) posição no volume de negociação de moeda no mundo, perdendo apenas para o Dólar americano e o Euro, o que comprova o seu valor no exterior.
    O momento está nebuloso, o grande perigo está na valorização do Dólar, risco de provocar grandes perdas a quem esteja depositanto confiança neste ativo, afinal, a economia dos Estados Unidos estão em “frangalhos” e não há nenhum sinal de que o Governo de lá (EUA) estão aptos para resolver os enormes déficits e a eventual capacidade de honrar a dívida pública. Quem apostar no Dólar vai levar um “tombo” muito maior. É esperar para ver…

  9. KARBURÊ disse:

    Enviado por: Benedito Lemes

    Se eu comprar qualquer mercadoria no exterior , se eu não pagar adiantado em U$ eles não mandam a mercadoria.

    Para a economia dos EUA ficar em frangalhos vai demorar um século.

  10. nOMo disse:

    Arautos do apocalipse agindo novamente, trabalhando para demos e tucanos, a serviço do rei fernandinho e seus príncipes… Desde o primeiro mandato de fhc que os ricos se municiaram para esta crise, com privatizações e bolha das bolsas. AGORA QUE ACABARAM OS LUCROS, VOLTAM-SE PARA SOCIALIZAR OS PREJUÍZOS… Bilhões de dólares da bolsa-elite para salvar as especulações. E ainda tem bobos que criticam as bolsas-miséria/fome que existem por aqui…

  11. KARBURÊ disse:

    Enviado por: nOMo.

    Você deve ser adorador do Rei.

    A Petrobrás de 2002 a 2008 – admitiram 25 mil empregados.

    Em setembro 9.9% de aumento, acompanhado de 80% de bonificaçãodo valor dos salários, e isso com crise mundial.

    As empresas privatizadas cresceram, o Lucro estrodosamente diminuiram, e os cabides de empregos acabaram.

    Você deve ser empregado público, porque se fosse empregado de empresa privada como eu não falava isso.

    PT “P” ( partido dos trabalhadores públicos).

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