Viagem ao vendaval de 2008
Não faço parte do bloco dos profetas do eu-já-sabia ou dos gurus do eu-não-disse?. Tenho, na verdade, implicância com esse pessoal, entre outras coisas, porque nunca “já alertaram” para os erros de análise e previsão que cometem – só lembram que já haviam “chamado a atenção” quando acertam.
Revisando uns textos mais antigos, topei com esse de fevereiro deste ano. Revendo a tal nota de fevereiro, fica claro que eu “já sabia”. A ironia é que, mesmo “já sabendo”, errei depois na avaliação inicial do tamanho e da profundidade da crise, inclusive no Brasil (ver Mudança de idéia, que escrevi em 11 de outubro).
Não foi a primeira vez que errei e não errarei na previsão de que não será a última.
Melhor, enfim, reconhecer que eu, apesar de “já saber”, tenha, no fim, produzido a maior confusão. Fico mais humano, mais honesto e mais humilde.
Mas vejam aqui como eu “já sabia”:
27/02/2008 – 07:21
Viagem ao vendaval de 1998
Aparentemente, tem para todos os gostos nos números de janeiro do setor externo. Ainda mais que são números tão fora da curva que, aparentemente, fica difícil definir, com base neles, uma tendência clara. Mas, se a história vale de alguma coisa para entender o presente e projetar o futuro, é só na aparência que os números do setor externo em janeiro não indicam uma tendência preocupante.
Que tal uma viagem no tempo para ajudar a entender o ponto? Estamos em 1998, mais precisamente no começo do segundo semestre. Vai eclodir a crise russa, com uma estrepitosa moratória de sua dívida e um quase instantâneo aperto de liquidez no mercado financeiro internacional. Será a terceira crise de liquidez em quatro anos.
No Brasil, a banda cambial vigente havia sido alargada em janeiro, passando a variar entre R$ 1,12 e R$ 1,22 por dólar. Por conta de um câmbio excessivamente valorizado, o déficit em transações correntes caminhará para um recorde de US$ 33,4 bilhões, no fim do ano.
Com a colaboração de taxas de juros nas alturas de 30% anuais, a inflação está no chão e pouco passará de 1,5% quando acabar o ano. A economia estagnou, vai acabar crescendo décimos de percentagem, mas o dinheiro externo jorra. Investimentos estrangeiros diretos, engordados pela privatização das teles em julho, vão bater em US$ 25 bilhões no fim do ano. Nem a economia estagnada nem as nuvens que se formavam no setor externo impediriam a reeleição, com folga, em primeiro turno, do presidente Fernando Henrique.
As reservas cambiais, apesar da sangria das contas correntes, alcançam antes da crise russa, robustos US$ 60 bilhões. No fim do ano, ainda aparecerá o FMI com mais US$ 44 bilhões. Não é pouco para enfrentar uma dívida externa de US$ 235 bilhões, 60% dos quais de responsabilidade privada. Mas, a partir de agosto – e, de modo franco, depois das eleições de outubro – um terremoto vai sacudir a economia.
Faz dez anos, nem tanto tempo assim. Parece que muitos, já bem vivos naquele período, não se lembram – ou, mais provavelmente, não querem se lembrar. Em menos de seis meses, as reservas evaporaram diante de um vendaval especulativo, que forçou a mudança do regime cambial e, em seguida, abriu espaço para a formalização de um sistema de metas de inflação.
Voltemos a 2008. De novo, os riscos de turbulências e de contração da liquidez internacional estão nítidos na linha do horizonte. Mais uma vez, um câmbio excessivamente valorizado revira as entranhas das contas correntes. Como antes teve quem achasse, tem gente hoje que acha bom.
Lá vem a ladainha. Déficit em conta corrente que preocupa tem de ir a 4,5% do PIB. O de 2008, dizem, nem na pior hipótese chegará a 1% do PIB. Dizem também que o déficit é bom porque significa aumento de importações – e estas, além de frear a inflação, ajudam na renovação do parque industrial e no aumento da produtividade. Idem em relação às remessas dos lucros gerados pelos investimentos externos diretos.
Vale dar mais um pulinho em 1998. Enquanto a onça bebia água no setor externo brasileiro, a conversa era exatamente a mesma. Era como dissessem que déficit em conta corrente não passa do apelido pejorativo de virtuosidades: poupança externa, produtividade, lucratividade. Deu no que deu.
Perguntar não ofende: não há alternativa a deixar o dólar escorregar de vez ou continuar comprando reservas em troca de dívida interna pública? Falando em português mais claro: quando chegará a hora de definir algum tipo de barreira não monetária à entrada de capitais externos?
Não se venha escapar do problema com a argumentação vazia de que os tempos são outros, os fundamentos também. Podem até ser na superfície. O drama é que, na essência, o problema é o mesmo: uma política monetária que estimula a entrada descontrolada de capitais externos.
Sob o risco de repetir a história – que, sabemos, quando se repete, é sempre como farsa -, as respostas honestas não podem vir, novamente, só depois do vendaval
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
TRINTA BILHOES DE DOLARES PARA O BRASIL TORRAR
Será q esses recursos estao chegando para ser torrado rapidamente com a valorização do dólar, através de especuladores? . Americano ñ faz graça para ninguem com a sua moeda. E se os EUA tivessem aprêço pelo BR como dizem, teria convidado o pais para a redução da taxa real de juros, como convidou e irá acontecer com UE, Ásia, China e Inglaterra e a partir do dia primeiro proximo. Esses recursos estão vindo das aplicações do BR em titulos do Tes. americano, nada +.E o Brasil deve estar dando essa garantia de recompra (swap) de nossa moeda em relação ao dólar. Logo, se alguem tem recursos a perder, é o Tesouro brasileiro. Agora estamos vendo q o modelo monetário brasileiro ainda é muito falho e frágil, sustentado somente em jrs altos q elevam os encargos financeiros do Tesouro. Mas, aonde realmente estão guardadas as nossas reservas d US$ 200 bi de USD e para q estão servindo ?. Nós, o povo, somos fáceis de ser enganados e ñ perguntamos nada e aceitamos tudo passiva e pacificamente. O mundo mudou, o BR ainda ñ
Prezado jornalista Kupfer e Leitores
Chamo a atenção dos senhores para a bolha bancária brasileira de R$ cem bilhões ,relativos ao pagamentos das correções por perdas causadas por planos econômicos do passado e de inteira responsabilidade do BC e portanto de governos eleitos democraticamente à época.È minha opinião que todo governo republicano democrático representa fielmente as decisões dos seus representados, para o bem ou para ou mal.Não vale dizer que depois de eventuais fracassos de gestão de governo , os cidadãos não tem nada a ver com as conseqüências dos atos dos seus governantes e,portanto precisam ser ressarcidos dos erros de políticas governamentais desastrosas.È por este fator único e fundamental de responsabilidade geral de todos em uma sociedade democrática representativa republicana que a torna o que se tem de melhor dentre os regimes políticos.Esperamos para o bem financeiro da nação e do estímulo a uma participação efetiva e real dos cidadãos e suas instituições nas decisões dos governos que o Supremo Tribunal Federal retire esta bolha devastadora que se aproxima das finanças públicas brasileiras ao declarar como responsabilidade de todos, os eventuais fracassos de políticas públicas.È por isso que o Congresso deve estar profundamente atento a tomada de decisões do Executivo,e não depois tentar, através de medidas emergenciais, consertar aqueles estragos feitos por decisões do Executivo equivocadas e contaminadas por interesses espúrios.