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17/10/2008 - 09:42

Reflexões sobre o subprime verde-amarelo

por Fernando Blanco

Graças às perdas bilionárias que Sadia, Aracruz e Votorantim tornaram públicas, o espírito piadista brasileiro tratou de cunhar a expressão subprime brasileiro.

A operação é simples: a empresa toma um empréstimo. Junto com ele, vende derivativos que poderão ser exercidos pelo banco (que comprou o derivativo). Como o vendedor do derivativo (a empresa captadora) recebe um prêmio, o custo “all-in” do empréstimo ficava mais baixo. Só que as opções que eram “out-of-the-money” (isto é, quase impossível de serem exercidas), ficaram “in-the-money” (isto é, ficaram no preço para serem exercidas), gerando massivos prejuízos para os clientes dos bancos.

Tecnicamente falando, o drama acima não tem nada a ver com a hecatombe americana. Primeiro porque a extensão e a profundidade das crises são incomparáveis. Depois porque o problema lá é monossetorial (construção civil) e aqui é multissetorial. E também porque lá o lastro é crédito ruim, aqui é derivativo. Nos EUA o beneficiado era um cidadão sem crédito e aqui, uma empresa com crédito de sobra (em tese).

No entanto, pensando fora do “financês”, achei melhor redefinir a expressão subprime: “Estrutura de negócio vendida por agentes excessivamente ambiciosos, cuja meta é gerar receitas no curto-prazo, e que é comprada por clientes pouco esclarecidos. Todos os envolvidos, vendedores e compradores, negligenciam os riscos envolvidos na transação”.

Perfeito: temos então o nosso subprime verde-amarelo! Parabéns para o capitalismo nacional! Ou não…

Vale notar que a criação de uma estrutura financeira exótica não tem nada de excepcional. Elas existem para permitir que empresas e bancos possam se proteger ou se posicionar em determinado mercado. Parece obra de Deus.
Só que as três gigantes acima citadas têm expertise e balanço para fazer o que fizeram. Se correram tais riscos, sabiam o que estavam fazendo.

Agora, e aquele empresário amigo meu, de Avaré, que fatura R$ 20 milhões por ano, cujo gerente financeiro não tem MBA por Harvard ou Princeton? Pois é, ofereceram para ele também. E ofereceram também para um distribuidor de medicamentos local, que não tem um cent de dólar no balanço. Para que usar estruturas com derivativos de dólar?

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Colaboradores Tags:

57 comentários para “Reflexões sobre o subprime verde-amarelo”

  1. Biquei disse:

    ALIBARBUDO gostou da cadeira e não quer sair?
    http://www.OAB.
    Fábio Konder Comparato: não podemos contribuir para uma aventura constitucional
    A proposta de convocação de uma nova Assembléia Constituinte, defendida por lideranças do governo no Congresso Nacional, foi condenada hoje (20) pelo jurista Fábio Konder Comparato, medalha Ruy Barbosa do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e presidente da Comissão Nacional de Defesa da República e da Democracia da entidade. “Uma nova Constituinte é a destruição da ordem constitucional”, alertou Comparato. “O que não podemos é contribuir para uma aventura constitucional, como foi feito na Bolívia e no Equador. Na Bolívia, chegaram à fronteira de uma guerra civil. Precisamos ver o futuro independentemente das pessoas – há pessoas políticas com grande popularidade, mas não são elas que constroem o Brasil; o Brasil tem que ser construído por todos os brasileiros”, ensina o mestre em Direito Constitucional.
    Na Bolívia não colou?

  2. Prezado Argo,

    Tem lógica eu te emprestar R$ 100,00 e você me devolver R$ 97,00? Aonde isso vai parar?

    Abrs.

  3. Chirac disse:

    U R G E N T E !!! Itália e Espanha caçam os militares sul americanos envolvidos na erratica “Operação Condor” . Depois que os EUA subverteram a ordem natural das coisas no Cone Sul , mandando os militares Sul Americanos darem golpes em seus respectivos países …. ordenaram também matar e torturar. Entre os torturados e mortos estavam cidadãos
    ii mportantíssimos da Itália e da Espanha . Com a unificação da Europa , Itália e Espanha pedem o “repatriamento” de militares argentinos, uruguaios, paraguaios e brasileiros envolvidos na “Ordem Suja” dos EUA que os abandonou. Ulstra da Argentina foi pego e está preso . Muitos outros estão sendo presos . Se os militares brasileiros pisarem em solo Europeu já tem notificação de prisão sumária . Esta é a maior lição para o continente Sul Americano. Não ir na onda dos EUA . Não vai se sair bem desta.

  4. Romanelli disse:

    RYPL …apenas pegando uma carona e caminhando pelas paralelas

    Faz sentido um país como o BRASIL..

    -efetivamente uma das 10 maiores economias
    -um dos de MAIOR perspectiva
    -uma nação uniforme e pacífica
    -de menor risco sistêmico
    -de maior controle sobre seus gastos BÁSICOS (superávit primários)
    -de instituições maduras
    -com US$ 200 bi em reservas, tendo sido conseguidas a duras penas e altos custos
    -classificada como INVESTMENT GRADE
    -tendo conquistado certa independência, projeção e liderança, NÃO só regional, como também mundial…

    …faz sentido bancar AGIOTAS que se valem de MENTIRAS e de placebos, pra pagar os maiores juros e taxas do mundo ?

    desprezando fórmulas, ferramentas e INÚMEROS OUTROS instrumentos que até as maiores economias (mais desenvolvidas) NUNCA desperdiçaram em seus momentos (controle do crédito, intervenção do estado etc) pra bem conduzir suas economias

    JUROS que drena recursos, que tira renda do desafortunado dando pro rico entesourar. Recursos muitas vezes canalizado e remetido pra rentista no estrangeiro

    O que tento dizer, talvez indo na linha de vocês dois, é que TUDO O QUE É de mais, faz mal

    De mais ou de menos, no montante, no tempo, no momento

  5. Prezado Romanelli,

    Qual o conselho de um economista responsável para alguém que está endividado?
    Resposta: tente eliminar ou diminuir a sua dívida, com isso pagará menos juros.

    Abrs.

  6. Romanelli disse:

    ahhh sim, bem lembrado

    saber negociar e renegociar sua divida, frente a um NOVO momento, é uma arte …exige determinação, poder de convencimento, transparência e autoridade, exige se escolher prioridades

    em tempo, dentre as maiores economias do MUNDO, o BRASIL é UM dos que tem MENOR índice de endividamento

    …inclusive é dos poucos que apresentou divida pública CADENTE (portanto sob controle) nos últimos tempos

    pena que ainda não colhemos niente ?

    …já imaginou como seria ainda melhor se o custo de manter nossa divida fosse civilizado ?

    Quem sabe poderíamos então sonhar com a queda dos IMPOSTOS REGRESSIVOS, com uma economia vivendo mais da ESCALA e da inclusão, do que do ABUSO e da excessão

    mais de R$ 150 bi ano …carajo ?!

    quem sabe um dia, travando este desperdício, poderíamos sonhar com a queda efetiva do tal custo BRASIL embutido nos preços ?

    Olha, muito deste juros que esta aqui não me surpreende …o danado é que ainda incorporamos no tal JUROS, uma correção monetária corrente, plenamente ATIVA, nada esquecida …aí …aí é o tal velho rabo-cachorro-rabo

    e não se engane, parte deste juros esta pregando muita tábua em muita favela por ái

    Com estimular o crédito junto com um prática de juros de traficante e agiota ?

    Você viu a nova lei que esta no senado ?

    PASME …ela PERMITE que vendas a vista, feita em débito, cheque e dinheiro, possam ser diferenciadas das tais a vista, porém comissionadas em 5%, das feitas com cartão

    ..e ninguém fala nisso, até o governo não deu prioridade

    ..é disso que falo, de artificialismos criados ANTES, sob medida …só pra facilitar a formação duma nobreza

    http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/10/14/ult5772u1068.jht

    e cá entre nós, só pra reflexão …nos recentes episódios contemporâneos …não computar o efeito de cambio cadente sobre aplicações financeiras …tratando rentistas locais e internacionais como se fosse o mesmo …como se sofressem o mesmo efeito sobre suas rendas e capital financeiro, sobre seus ganhos ?! tudo sobre a mesma régua …foi um verdadeiro negócio da china, né ? …ou de brasileiros que remetiam e depois re-invertiam …vai saber ?

    e quem pagou a conta? …bingo …isso mesmo …sempre os mesmos que nem sabe fazer a tal conta

    TUDO que é demais faz mal, pra cima ou pra baixo

  7. Romanelli, não se esqueça, também, de que as taxas de juros dependem do capital acumulado (poupança). E que se o maior tomador (governo) deixar de tomar emprestado, haverá maior oferta de capital para os outros tomadores. Consequentemente, de acordo com as leis de mercado, as taxas de juros cairão, obrigatoriamente.

  8. Romanelli disse:

    não, não esqueço ..pode deixar

    mas que o mercado “descobriu” o que sempre falamos descobriu …não precisa você mexer só no juros pra desaquecer e parar uma economia …sem fazer isso recentemente o dinheiro SUMIU do mercado …o mesmo efeito poderia ter sido adotado se tivesses atuado nos prazos (pontualmente como sempre falei, no carro e crediário)

    agora, você tb vai ter que se lembrar que aqui, por exemplo, até o tal do compulsório (parado) rende SELIC, tá ?!

    e lembrar-se tb que nossa tributação exagerada, mesmo sobre o ganho c/rendimento de renda fixa e variada, distorce comparações, reduz ganhos REAIS, pressiona alavancagens e acaba incorporando preços, tanto os a vista (nos cartões de5%) como os a PRAZO

    e mais, lembrar-se de que dependendo de como se monta o esquema – prum longo prazo – (o tal convencimento e escolha de prioridades) o mercado, mesmo reduzido de ganhos de 3 a 4% ao ano, ainda veria no marmitão Estado, uma bela e segura opção …não?

    Rypl, verdade mesmo é que tudo que é demais faz mal, e exageramos nos nossos juros

    concordo que não é correto e oportuno, diria nada saudável, trabalhar-se por muito tempo com juros negativo (ou mesmo muito baixo) …mas convenhamos, no mundo em que estamos metidos, somos um dos de menores em risco

    tratar investidor local (que não tem o efeito cambio) tal qual o estrangeiro …é um esculacho

    relação oportunidade, custo, benefício. Há que aprendermos a fazer valer isso …o triste é nos colocarmos (com o chapéu do pobre) sempre nos colocarmos como eterno paraíso, só pra rico

  9. Argo disse:

    “Consequentemente, de acordo com as leis de mercado, as taxas de juros cairão, obrigatoriamente.”

    Não mais existe leis de mercado, o tamanho da concentração de capital nas maõs de uns poucos revogou-as. Qualquer grupo suficientemente grande domina o mercado.

    Aconteceu isto mesmo ontem com o leilão de dólares. O mercado assustou-se com a concentração nas mãos de pouca gente e procurou defender-se comprando dólares no mercado à vista. Resultado: mesmo com dólares sobrando na praça, a mesma subiu, por já ter sido no finalzinho dos negócios.

    Quem acha que não foi de propósito?

    Não, as leis de mercado não são mais válidas. Funcionavam na época que foram estabelecidas, hoje, não. As variáveis são outras.

  10. Argo disse:

    Francisco

    E quem disse que a taxa de juros estava negativa? Mesmo que estivesse é muito simples: não se empresta, investe-se em outra coisa, compra-se ações.

    Ora, se faltou liquidez para comprar ações, é porque os juros não estavam baixos. Se os governos estão despejando dinheiro no mercado é porque eles não o estão enxugando via aumento de juros.

  11. “Não, as leis de mercado não são mais válidas. Funcionavam na época que foram estabelecidas, hoje, não. As variáveis são outras.”

    Argo,

    as leis de mercado não foram estabelecidas por ninguém em época nenhuma. As leis de mercado são naturais. Elas são as interações humanas espontâneas, individualistas e interesseiras. Elas sempre existiram, mas na maior parte do tempo foram ignoradas e ou pisoteadas pelos governantes de todas as partes do Planeta. Mesmo que não se permitam as suas manifestações, elas continuam latentes.

    Abrs.

  12. Argo disse:

    Bem, não concordo com você. Essas leis não são naturais, foram estabelecidas para reafirmar o direito do mais forte. Sugiro (caso não o tenha feito, lógico) a você que leia História da Riqueza do Homem, onde o autor exemplifica melhor essa posição.

  13. Argo disse:

    Ah, desculpe, abraços para você também (mal-educado, esse Argo, vôte!)

  14. Rene Bastos Baptista disse:

    Passado recente, quando o mundo globalizado crescia de vento em popa, o Brasil não “ousou” acompanhá-lo, optando por melhorar os fundamentos da sua economia, o que lhe proporcionaria um crescimento sustentado, de percentual razoável. Mal colhera os primeiros frutos de sua estratégia, eis que se lhe depara a tsuname financeira a desafiar os PACotes ortodoxos adotados para neutralizá-la. Até descobrirmos o caminho das pedras, um remédio heterodoxo, prescrito pelo tsunamista Ridendo C. Mores, poderá ser encontrado no Acordo Ortográfico, recentemente assinado, que recomenda a retirada do desnecessário e pesado acento do voo de galinha, permitindo que ela, “mais leve”, relaxe e goze, oportunizando-nos um tranquilo e perene crescimento, “ao redor” de 3,1416%…,a partir de 2009. Ademais, como a crise resulta mais de falta de vergonha na cara do que de incompetência, e porque representamos 85% dos amantes da “Última flor do Lácio, inculta e bela”,poderíamos, tal como fez Colombo, colocar o ovo em pé, acabando com a corruPção. Simples: bastaria exigir dos demais signatários do Acordo o corte da letra P, acabando de vez com essa prescindível duplicidade. Já pensou o desgosto, a humilhação – piores que as algemas – de nossos respeitáveis mensalafrários, aloprados, Cacciolas, DDs e outros, de maior importância mas estranhamente inimputáveis, ao serem chamados apenas de “corrutos”. Jamais eles aceitariam esse tratamento tão pouco honroso…

  15. Legal, Argo, pode-se debater civilizadamente. Tenho certeza de que quando você expõe as suas idéias é com o intuito de ajudar a melhorar o mundo em que vivemos. Da minha parte ocorre o mesmo. Pena que eu não tenha muito tempo disponível. Há dois dias que não me conectava.

    Vejo duas possibilidades de organização da sociedade: uma planejada e centralizada e outra livre e descentralizada. Claro que prefiro esta última. Lógico também que não prego o anarquismo. É indispensável um governo (o Estado) para fazer cumprir as regras estabelecidas. Novas idéias surgem a todo instante e em todos os extratos da sociedade. E penso que essas iniciativas não podem ser tolhidas pela burocracia.

    Permita-me recomendar para que você leia as obras de Ludwig Von Mises. É um autor de leitura agradável e ao mesmo tempo profunda.

    Abrs.

  16. Hell Back disse:

    Respondendo, ainda que tardiamente, ao Trajano Chacon.
    Derivativo; segundo o “Aurélio” origina-se de: Instrumento derivado. 1. Econ. Uma das várias formas de operação financeira baseadas em expectativas quanto ao comportamento futuro de certos valores (taxa de juros, preços de ações, taxa de câmbio, etc.), como as operações de swap (2) e do mercado de opções [v. opção (3 e 4)]; instrumento derivativo. [Tb. se diz apenas derivado. M. us. no pl.]

    Instrumento derivativo. 1. Econ. V. instrumento derivado:
    “[O grande movimento de compra de ações] é explicado pela volatilidade dos chamados instrumentos derivativos, que englobam complexas operações envolvendo os mercados cambial, de capitais e financeiro, além do de commodities.” (Gazeta Mercantil, 20.4.1994, p. 4).
    [Tb. se diz apenas derivativo. M. us. no pl.]

  17. NICE disse:

    Isto é histórico, hein?!?
    Parte da História sobre a Economia do Início do SÉC XXI!
    O Século XXI, começou, sendo chamado de” A Nova Ordem Mundial”!
    Que “nova ordem”!!!!
    “Help” – socorram os livros didáticos de Geografia geral e História geral!
    Em nove anos, muita coisa aconteceu!
    Deus Criador, nos acudam!

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