Tempo de exageros
Depois de, finalmente, entenderem que o socorro dos governos ao setor financeiro global focou no ponto certo e em volume suficiente, os mercados “descobriram” que, quando a guerra pela restauração da confiança terminar, o campo de batalha estará coalhado de corpos mutilados e escombros – ou seja, às voltas com uma combinação complicada de recessão e déficits fiscais, a economia real é que, numa quadra de reestruturações, necessitará de ajuda.
Antes, porém, de acabar de contar os mortos e recolher os destroços das economias, o mercado, observando a terra arrasada, continuará alternando surtos de pânico com momentos de euforia. São reações exageradas, mas, a esta altura, até previsíveis. Nos próximos meses, até que a grossa poeira comece a assentar e, principalmente, o novo presidente dos Estados Unidos assuma o leme do barco econômico mundial, será assim: oscilações, talvez aos poucos menos exageradas, mas oscilações.
Já é possível vislumbrar sinais de que a ação dos governos, quando a operação de resgate da confiança entrar em velocidade de cruzeiro, alcançará os efeitos esperados. As taxas interbancárias começaram a recuar e isso facilita aos bancos a decisão de emprestar – de resto, algo que não poderia permanecer em eterno empoçamento.
Feitas as contas, o total que deverá se despejado pelos governos no mercado para recuperar a confiança dos emprestadores e retomar o fluxo de crédito, ainda que em outras e menos flexíveis bases, não monta a algo inviável para nenhum governo. Mas o tamanho do saque de dinheiro dependerá do tamanho da recessão já em curso.
O presidente do Fed, Bem Bernanke, disse hoje que a economia americana já está em recessão e que a recuperação vai ser lenta. O “Livro Bege” – um relatório das unidades regionais do Federal Reserve – aponta desaceleração geral da atividade.
Essas informações, na visão dos famosos “analistas de mercado”, foram a senha para a violenta derrubada das bolsas registradas hoje. Mas, se, em seu último relatório, preparado para a reunião da semana passada, em Washington, o FMI projetou um futuro de derrubada da atividade econômica para 2009, sobretudo nos Estados Unidos e Europa, não o descreveu com tintas catastróficas. E o guru do momento, Nouriel Roubini, com todo o seu pessimismo, vaticina um ciclo recessivo relativamente curto, de um ano e meio a dois. Diante do estrago produzido pela liquidez irracional, até que dá para salvar os ossos.
Os tempos, enfim, são de exageros. Há pouco a fazer contra eles, a não ser esperar que as ações dos governos comecem a restabelecer o fluxo de crédito e se completem os ajustes econômicos impostos pelo crash e, em seguida, pela recessão.
Atualizado às 20h10
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
Pessoas com medo de perder o que recuperaram na segunda-feira. Medo de perder ainda mais do que perderam.
E o pior! É uma questão de tempo até começarem novamente os mesmos erros.
Nos últimos trezentos anos a humanidade passou por drásticas transformações economicas e políticas, porém, quando uma situação histórica se abre, parece que mesmo os mais capacitados intelectuais não conseguem entender a urgência da metamorfose social e teimam em defender um status quo falido e até mesmo putrefato, como se a história fosse imutável. Comodidade e conservadorismo ou covardia e apego aos privilégios obtidos? O futuro nos dirá.
Não se preocupem com as “abrobinhas” que “o Lula” fala no extremo oriente.
Melhor que isso é prestar a atenção nos gestos dele no sentido de concatenar as lideranças dos países emergentes, que poderão servir como um contrapeso às catástrofes dos EUA e Europa.
Quem ri por último ri melhor.
pura especulação!!!!! e o LULA???? TÁ COMENDO CAVIAR NA INDIA E FALANDO ABOBRINHA!!!!
É lamentável essa crise econômica que se estende dia-a-dia, nos assustando e imaginando o nosso amanhã. Isso se continuar neste patamar, pois a coisa pode piorar.
Os fundamentos da economia brasileiro estão sólidos. O único obstáculo sério as indústrias brasileiras é a recessão no mercado externo. Devemos vender menos para o exterior. Daqui há dois anos quem perdeu hoje na Bolsa vai embolsar um lucro substancial com as mesmas ações. Os preços das ações estão muito baixo. Em dois anos a Bovespa vai saltar dos atuais 38.000 pts para perto de 100.000pts. Tenham Fé. Marco Jesus.
Sou investidor em bolsa há anos e uso técnicas grafistas,e entendo que a bolsa sobe ou desce quando os grandes investidores assim o desejam. Qualquer grafista competente já viu há muito tempo que Vale ir bater nos R$22,00 ; Petro nos R$23,00; o DJ nos 9.800 pontos , não com a velocidade que foram. O errado da bolsa está só na super volatilidade atual e a última grande alta provocada pelos grandes grupos financeiros, que já sabiam da crise, para êles venderem tudo que podiam com preços super valorizados, sendo alguns dêles alguns dos que estão “falindo” agora. Greenspam falou no ano passado sôbre a super valorização dos imóveis e os “donos” do mercado subiram a bolsa espetacularmente, como fizeram quando o mesmo Greespam Falou anos atrás sôbre a bôlha que ia arrebentar porque as ações estavam super valorizadas.
Saude e Paz para todos.
Prezado José Paulo,
Você chama de “tempos de exageros”. Eu cunhei – para consumo próprio – Capitalismo Acelerado (com uma sub-divisão chamada Capitalismo Financeiro Acelerado). Dá na mesma e estamos no mesmo barco.
O capitalismo fez-se aliado e tornou-se refém de forças externas: tecnologia e telecomunicações (”T&T”). E como ambas convergem…
A dupla T&T viabilizou a existência e a proliferação dos derivativos e da securitização de ativos. Bastou então a adição de uma pitadinha de Política (com “P” maiúsculo), para que houvesse a desregulamentação da maioria dos mercados relevantes do planeta.
Com tudo isto à disposição, por que não globalizar? E graças às relações simbióticas entre EUA e China, deu-se inicio a um processo de aumento da liquidez internacional (sim, eu cortei alguns passos aqui), que acabou por retroalimentar o monstro. Sem falar no subprime americano.
J.Paulo, são muitos trilhões (várias vezes o PIB do planeta), processos complexos de decisão públicas (e.g. “bail-out”), privados (e.g o banqueiro dizendo: “Thank for the money, dear Mr. Pauson, but I will not extend credit for that company anymore…”). A Lehman quebrou há 1 mês (ou 2?) e os auditores contratados não tem idéia dos tamanhos dos vários buracos que acharam por lá – palavra de “insider”.
E tem muita gente machucada, nos gabinetes de governo e nos “board-rooms” das empresas e bancos. O processo de decisão e a liberalidade na concessão de crédito serão fortemente impactados no futuro.
Acho que o mundo vai ser diferente quando sair dessa de vez. E aposto que ainda não vimos a metade da missa. O Roubin, meu guru para dias bicudos, soltou mais uma hoje, que, confesso, me deu calafrios.
Convido o J.Paulo e os amigos deste blog a visitarem o post abaixo, de minha autoria.
http://blogdocredito.wordpress.com/2008/10/15/1133/
Saudações, Fernando
PS: Interessante o comentário da Mary. Ela fala em “susto”. E é para se assustar mesmo, sejamos leigos, iniciados ou especialistas. Aliás, mais que susto, o momento é para precaução.
O Lula tem que ficar mais uns 10 anos na presidência, só um lider para governar um pais em meio a uma crise mundial dessa magnitude. Já imaginou 200 bilhoes de dolares nas mãos dos tucanos e demo seria o fim do Brasil.
Embora não entenda nada de economia, salvo aquela do dia a dia dos supermercados, em tempos de crise, vivo buscando respostas para algumas perguntas:- O capitalismo não prega a livre concorrência e a não intervenção? Então por que os governos devem sempre socorrer os bancos, com o nosso dinheiro, em momentos de crise?- Os recursos referentes a parte do compulsório liberado pelo BC aos bancos comerciais, serão repassados por estes bancos aos seus clientes, onerado com as taxas altíssimas usualmente aplicadas? E quem fica com o fruto desta agiotagem formal, o BC ou a Instituição privada?
Os EUA ressuscitaram sua 4.ª Frota Naval do Atlantico Sul. Durante o chamado golpe de 1964 essa poderosa força militar naval desembarcou milhares de fuzileiros navais (disfarçados) no Nordeste brasileiro para garantir seus interesses. Esses navios de guerra estão aqui, bem na frente do Brasil. Esse poderio militar naval norte-americano é um recado bem claro de que as regras são ditadas por quem tem o poder militar. Agora são a hora de se ouvir os milhões de desenformados e débeis mentais que sempre advogam contra a construção de uma Força Armada a altura de um povo que detém a 6.ª economia da Terra. As plataformas que retiram o petróleo do fundo do mar podem ser objeto de simples seqüestro, estou precisando de petróleo para meu povo e os estou tomando, e agora povo brasileiro? Todas as grandes depressões econômicas são o prenuncio das guerras, vão a história. Urge se armar o Brasil para se defender não somente as riquezas naturais, mas, também o patrimônio da Nação brasileira. Com urgência antes que nos levem tudo. Ah! Ninguém fala da 4.ª Frota Naval Americana por mera conveniência. Nossos meios de comunicações são uma merda, sabem das verdades e se omitem propositalmente.
Na Universidade do Rio de Janeiro (UERJ), onde cursei a graduação em direito, fui obrigado a estudar por 2 anos uma tal de introdução as ciências econômicas, cujo professor era um tal de Castelo Branco (já deve ter partido, esse calhorda me levou a fazer prova final, não gostava de pessoas com pensamentos socialistas), que chegou a chefiar o BC. Desse conhecimento curto o que meu deu para entender é que os ‘economistas’ nada sabem sobre questões sociais e tentam definir a existência humana com uma sucessão de número vazia. Ah! Fui 4.º Colocado no CEGRANRIO e 1.º para a Faculdade de Direito da UERJ, isso na época que vestibular era sério, ou seja há mais de 30 anos passados.
Do que eu mais gostei no artigo foi “analistas de mercado”. Pois é, essas aves mutantes, regadas com o resto das mesas capitalistas, são as que mais complicam o já complicado e contraditório mercado capitalista.
Eles tentam “provar” a todo custo que seis não é igual a meia dúzia.
Ah, e que tal a Miriam Leitão?
E como ficam as corretoras? Devem estar ganhando rios de dinheiro, pois não?
ESPECULADORES QUEREM MAIS RECURSOS DO GOVERNO (POVO) , MAS A CIRANDA FINANCEIRA NAO ESTÁ FÁCIL
O que os especuladores, em nome do povo, ainda estão querendo, depois de tanto paternalismo ESTATAL?. Os governantes dos paises ricos já garantiram aos especuladores a solicialização de prejuizos e garantiram a tranquilidade na privatização de lucros, bonificações, dividendos, elevados salários,mesmos desonestos. E o mundo capitalista já colocou à disposição da especulação financeira mais de 3 trilhões de dólares, do Tesouro, para que volte e com força redobrada para desorganizar a economia dos países pobres e em desenvolvimento. Enquanto isso, quando governantes querem fazer alguma coisa a favor do pobre, enfrentam uma série de obstaculos partindo dos ricos. Os famintos do mundo aumentaram em mais 75 milhões em 2007 e já passam de 900 milhões vivendo em estado de miséria e pobreza. No entanto para resolver o problema mundial da fome e até 2015, que é degradante e des umano, basta somente que essas nações que estão dando dinheiro para banqueiros ficarem mais ricos com o dinheiro dos humildes, basta que invistam somente 30 bilhões de doláres anualmente em alimentos, no fornecimento de dinheiro e de tecnologia de plantio e colheita em paises atrazados e em desenvolvimento, para alimentar o seu povo. Será que os restantes 5,5 bilhões de habitantes do planeta não estão vendo isso ? Da década de 30 para cá só estamos vendo e cada vez mais, a concentração de riquezas, com as apropriações de recursos do Tesouro. O acelerado aumento de famílias que não chegam a ganhar mais de 30 dólares por mes é constante. Será que alguem acha justo e humanitário esse modelo capitalista explorador da humanidade ? Nesse mundo cibernético e de fácil comunicação globalizada on line, em tempo real, a sociedade civil tem que usar com vigor essa ferramenta na defesa dos seus intereses. Temos que entender que o Estado é definitivo e os governantes são transitórios e simplesmente nossos delegados. Acordem internautas e no mundo todo. A Uniao europeia, através do ministro britânico acaba de apresentar um esboço de umanova engenharia financeira para o mundo, para discussão imediata. E o Brasil, clonando as cotações mundiais de comodities e de ações, só não está clonando a prática de juros de mais de 40 países. Será pq pagamos jrs tão altos ? Pq tambem não clonar os jrs reais da china ou do japão, estados unidos e união europeia. Uma redução de somente 2% nas taxas de juros da selic, já representa um ganho real de mais de R$ 30 bilhões anuais ou o correspondente a um terço da folha de pagamento do funcionalismo público federal. Mas quando se pensa em reduzir gastos, não se pensa em reudzir juros exorbitantes, pensa-se em sacrificar o funcionalismo, acarretamento a redução de produção, consumo e renda. Essa receita está superada há muito tempo. Juros elevados so beneficiam especuladores improdutivos e o mundo está clamando é por mais empregos e redução da miséria e das desigualdades sociais.
João Rocha
Pergunte ao Emerson e ao Warrior, são eles que acham justo o atual estado de coisas.
Crise nas bolsas, que crise ??
Fiz uma simulacao. Peguei o Indice Bovespa em agosto de 1994, logo após o Plano Real, e atualizei pelo IGP-M. Depois joguei 5% ao ano (que é o máximo razoável que a bolsa pode valorizar a longo prazo). Sabem em quantos pontos cheguei ?? Em 36.000. Resumindo: a bolsa tá valendo o que deveria valer…..antes é que estava supervalorizada….
Lembram da historia da bolha da Internet, onde um rapaz andava na praia com um cachorro ? Chegou-se a ele um amigo e perguntou: – Bonito o cachorrinho, quer vender ? E o rapaz: – Vendo, mas só se for por dez milhoes de dolares.
O amigo disse: – Tá louco, nao vale nem cem reais.
Uma semana depois o mesmo amigo encontra novamente o rapaz na praia, agora porém sem o cachorro, mas com dois gatos. Perguntou: – Cade o cachorro ? Vendeu ? E o rapaz: – Vendi, por dez milhoes de dolares, como falei.
Impressionado, o amigo disse: – Deus do Céu, e quem foi o louco que comprou o bicho ? Pagou como ?
- Foi um fundo de investimentos. Pagou com esses dois gatos aqui: cada um deles vale cinco milhoes de dólares.
Nesse instante um dos gatos fugiu. O rapaz, desesperado, tinha perdido metade de sua fortuna. Num assovio cinco milhoes de dolares sumiram pela avenida afora.
É facil perceber que Bovespa a 73.000 nunca existiu. É que nem a historinha do cachorro trocado pelo gato. A pontuacao atual é a coerente, razoavel – nao posso falar em crise quando perdemos algo que nunca tivemos. Quanto a “analistas de mercado”, tenham dó ….. jogo de búzios é mais confiável.
A imprudência ataca quando você não está prudente.
“A informação mais necessária é sempre a menos disponível”
“Toda solução cria novos problemas”
Meu voto vai para o sr. Roubini
Gostei do artigo, JPK.
Achei que as aspas para os “analistas” foram perfeitas. Tem um lance básico que a mídia não entende e continua dando trela para essa gangue: analista de corretora e asset management vive de bolsa pra cima: vão sempre arrumar uma boa desculpa e justificar as altas e dizer que o pior já passou. JPK – dá um chacoalhão nesses teus colegas de profissão!!!
E o Marcelo Correa foi perfeito. A piada é tão verdadeira quanto engraçada (pelo menos para quem não embarcou naquele barca furadésima das ponto-com). Não tem free-lunch, macacada! Tudo que sobe muito, e rápido, cai muito e rápido também!!
Josafá, tô contigo meu filho! E tem mais, como dizia o lendário Enéas, vão tomar o nosso nióbio!!!!!!!!! Acho que a marinha americana tá rondando nossas costas é por causa do nióbio!!!
MEU NOME É CRÍTICO!
Estão falando que o Lula anda falando abobrinhas? Pois eu acho que a mensagem que ele está passando é a mais importante de todos os tempos!!!! Seria revolucionário abandonar o dolar como moeda obrigatória nas trocas comerciais de países que nada tem a ver com essa moeda! Brasil e Argentina já não utilizam mais o dolar como moeda de troca! E essa é a revolução que está por vir. Resta saber se a força dos países em desenvolvimento é suficiente para realizar essa batalha.
O que você acha sobre isso José Paulo?