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13/10/2008 - 09:26

O Nobel para Krugman: prêmio na hora certa para o homem certo

Paul Krugman acaba de ganhar o Premio Nobel de Economia deste ano. É mais uma demonstração de que o pêndulo, na economia mundial, virou de vez.  Krugman, da Universidade de Princeton, escreve duas vezes por semana uma coluna no New York Times, em cujo portal de internet mantém um blog. O blog tem um nome que não deixa dúvidas sobre suas idéias: “The Conscience of a liberal”.

Krugman é um liberal, do jeito que os americanos classificam um “liberal”: no sentido inverso do que damos aqui à expressão “liberal”, Krugman tem posições progressistas em política e, em economia, não joga toda a responsabilidade nas costas do mercado. É, como diriam alguns aqui no Brasil, em tom pejorativo, um intervencionista.

Nos últimos muitos anos, o Nobel de Economia tem sido concedido a “economistas matemáticos” ou a “economistas psicólogos”. Suas premissas são as de que os mercados, no fim das contas, não falham e suas teorias, dessossadas de preocupações sociais diretas.

Paul Krugman faz parte do outro time. O dos economistas que, embora não defendam uma economia planificada, entendem que o mercado não só precisa ser regulado, mas também, que é incapaz, pelo menos sozinho, de promover o bem-estar social.

Nos tempos perplexos de hoje, em que governos perdem a cerimônia no socorro ao setor financeiro privado, promovendo a  maior intervenção nos mercados de que se tem notícia nos últimos 80 anos e a maior apropriação privada de recursos públicos da História, o Nobel de Economia foi dado ao homem certo na hora certa.

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:

53 comentários para “O Nobel para Krugman: prêmio na hora certa para o homem certo”

  1. O Crítico disse:

    Seguindo a correta recomendação do F. Rypl, darei “nome aos bois” a partir de agora:

    O Cassio fez uma insinuação anti-semita sobre o Krugman, ou sou eu que estou enxergando demais? Se não foi o caso, mil perdões; se foi, me posicionarei num próximo comentário.

    A parte da teoria que o Warrior destacou (em inglês) é a mesma que o Gustavo Franco tanto defendeu. E que Lula e sua equipe vêm pregando. Acontece, que o mundo moderno (que talvez esteja extinto enquanto dialogamos) não funciona da mesma forma que a teoria sugere. A saída massiva de capitais de um país, ao primeiro sinal de problema, chacoalha o cambio, promove altas nos juros, destroi o planejamento empresarial, alimenta recessões e por aí segue a desgraceira…

    Simplesmente não funciona!

    Ah sim, o post: o Krugman é uma fera e está certo em ganhar dinheiro, aparecer na mídia, fazer política, etc. Pergunto: por que ele, que com menos de 30 anos de idade já tinha inovado a teoria econômica a ponto de ser merecedor do Nobel já naquela época, não teria o direito de reinventar-se profissionalmente? Ficar enfiado na acadêmia e morrer pobre, isso sim é bacana, protege a reputação, etc. Sem sentido.

    Sds

  2. Argo disse:

    O que eu acho impressionante na cambada que domina o poder e seus asseclas pagos, tipo corretores de bolsas e analistas de mercado, é sua capacidade de inverter as coisas, de mudar o jogo. A nova moda agora é culpar os pobres pelo estouro do mercado. Foram eles, por não haverem pago suas hipotecas os verdadeiros culpados. E, o que é pior, com seu domínio da mídia – em sua grande maioria, também comprada – essa versão acabará por prevalecer.

    Recontando a história, Emerson?

  3. Marcelo disse:

    Caro “Warrior of Freedom”,

    Este é um blog em Português. Em respeito as pessoas que o prestigiam tudo que coloco aqui está em português (mesmo que a origem seja o inglês). Até porque as línguas originadas do latim são muito mais articuladas e completas.
    Gosto de ler a wikipédia, não que acredite em tudo que está escrito lá. Mas como já falei antes, “selecionar” a leitura a esse nível acaba nos levando a entraves que não nos permitem ver todo o espéctro da realidade. É como se estivéssemos de antolhos, entende?
    Sds.

  4. Emerson disse:

    Caro Argo
    Não se trata de responsabilizar os pobres. Isto não foi dito em lugar nenhum no comentário. Mas, responsabilizar políticos irresponsáveis que pensam entender de economia. Um erro básico, conforme lição de Ludwig Von Mises (economista austríaco no começo do séc. XX), ou seja, a expansão desmedida de crédito fatalmente leva a uma contração porque não pode se sustentar indefinidamente. Por óbvio que os especuladores também tem sua parcela de culpa na crise. Entretanto, os políticos, representantes do povo, deveriam tentar assegurar a tranquilidade social a médio e longo prazo e não intentarem medidas populistas rasteiras para angariar votos. Depois a bomba explode e fica fácil culpar o capitalismo pela porcaria que eles mesmos induziram.
    PS: Não tenho ligação nenhuma com o mercado.

  5. Argo disse:

    Então, Emerson, você advoga que o mercado tem preocupação com ações sociais, é isso? Que não se precisa de que o estado tente soluções para os que não foram aquinhoados com heranças, muitas delas remontando à época dos lucros com o tráfico negreiro? Que a ordem natural das coisas é uns terem e outros não?

    Mesma pergunta que fiz ao Francisco, faço a você: Já teve alguma vez preocupação com a próxima refeição?

  6. Marcelo disse:

    É a Wikipédia, o PHA, acho que estou com péssimos hábitos de leitura. KKKKKKKKKKK.

    http://paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=753

  7. Emerson disse:

    Prezado Argo, vamos por partes.
    Eu não advogo que o mercado tem estas ou aquelas preocupações, sociais ou não.
    Entendo que o Estado tem o dever de regulamentar e fiscalizar o funcionamento das instituições, no caso em tela, as financeiras.
    Por outro lado, tratando-se de políticas sociais, para que realmente possam cumprir o intuito de trazer o bem social, devem ter seus efeitos analisados de forma escrupulosa para se evitar o que estamos observando. Então eu pergunto: qual foi o efeito da dita “política social” do queridinho das esquerdas, o Senhor Bill Clinton, auxiliado, é óbvio, pelo mentecapto do Bush ? Foi um resultado totalmente contrário ao objetivo social inicial.
    Não sou contra as políticas sociais, mas não sou ignorante e “cordeirinho” para aplaudir políticas de pão e circo que são contrárias a ciência econômica e ao pensamento racional.
    O Estado dispõe de outros meio para desenvolver projetos sociais, tais como instrumentos fiscais, monetários e bancos de investimento e desenvolvimento, estes últimos, é claro, desde que não sejam coagidos a dar crédito sem garantia alguma.
    Imagine, por exemplo, o seguinte: no caso do Brasil, sabemos que os financiamentos imobiliários são subsidiados pela poupança de milhões de brasileiros. Agora, se o governo de plantão inventa que os bancos devem emprestar o dinheiro da minha, da sua avó (aquele da pensão do INSS que está na poupança dela) para qualquer um sem garantia alguma. Caso o banco vá a falência, o Estado terá que intervir com dinheiro nosso, dos contribuintes. Mas se o Estado não puder arcar com o prejuízo quem será prejudicado ? Novamente o contribuinte devido ao aumento da carga tributária. Ou seja, além da minha vó ter perdido a poupança dela ainda terá que arcar com aumento de impostos. E porquê ?? Porque um “gênio” de plantão achava que estava praticando “política social”.
    Quanto a sua questão de cunho pessoal Sr. Argo, se já tive preocupação com a minha próxima refeição, respondo que tive sim ! E daí ?? O que isto importa na discussão aqui realizada ? Onde estão os argumento lógicos, racionais e, se possível, científicos Sr. Argo ? Por favor, faça jus ao seu nome (Argo) e apresente argumentos verdadeiros e não tente sair pela tangente com perguntinhas infantis (retórica vazia) de cunho meramente ideológico. Aliás, não venho de família rica, estudei graças ao esforço dos meus pais, sou funcionário público concursado, mas nem por isso caí em alguma cantilena ideológica.
    Churchil uma vez disse que: “a democracia é o pior dos regimes, exceto todos os outros.”
    Analogamente, podemos dizer que: o sistema capitalista é o pior, exceto os outros.
    Senhor Argo, não pense que fiquei revoltado ou magoado com suas perguntas pessoais, muito pelo contrário, como é bom poder debater idéias em um regime democrático, não é mesmo ?

  8. luiz.C.L.Botelho disse:

    Prezado Jornalista Kupfer e leitores
    Gostaria de comentar os seguintes “axiomas” em relação a “filosofia-política” da economia pós-1945,talvez de alguma utilidade para exercitar-se no complexo jôgo/arte das previsões econômicas globais
    1-O Dólar Americano não se cria.
    2-O Dólar Americano(assim como qualquer outra moeda),pode ser destruído.
    Baseado nestas premissas óbvias,tenho o justificado receio que a presente percepção RACIONAL dos mercados financeiros de que esta ajuda ESTATAL trilionária em dólares(que do ponto de vista geo-político_= Euro)inexoravelmente deverá sair da economia real(especialmente daquelas dos países em desenvolvimento!) ,afim de massivamente substituir a destruição monetária vivenciada pela (fracassada?) experiência capitalista pós-queda muro de Berlim de pacificação planetária ( pax capitaneada pelos mercados financeiros); é IRREVERSIVEL!.Não será nenhuma surpresa se o próximo prêmio nobel de economia ser o presente Diretor do FMI!.
    Note que para o bem ou para o mal, as moedas continuam a representar os vícios e as virtudes da sociedade que as emite e portanto, representando com bastante fidelidade político- social,o real valor econômico e os sucessos geo-políticos da mesma(Charles Darwin-apesar de ter sido Biólogo!).Neste ponto,eu entendo porque o Brasil já entrou com 50 bilhões para ajudar os Bancos “Brasileiros” e o dólar ter passado de R$1.57 para R$2.20 em menos de alguns poucos meses.

  9. Warrior for Freedom disse:

    Os governos salvando banqueiros mundo afora, com dinheiro do povão, e a esquerda rindo à toa, achando o máximo. Vai entender essa gente…

  10. Marcelo disse:

    Caro Warrior…

    Que dinheiro do povão? O do bolsa família?
    Vamos torcer para que isso marque um ponto de inflexão na curva do capitalismo. Quem sabe uma tendência para estabilizar mais as coisas. Com melhor distribuição de renda e mais gente inserida no mercado?

    Quem sabe?

  11. Warrior for Freedom disse:

    Marcelo,

    Que distribuição de renda? Dos contribuintes para os milionários banqueiros? Vocês realmente acham que isso é prenúncio de algum tipo de socialismo? Não meu caro. Isso é socialismo às avessas. É puro rent-seeking; concentração de renda e não distribuição. Por isso, é patética toda essa euforia que a esquerda vem demonstrando.

    Isso só prova que para vocês não interessa quem sejam os beneficiários da concentração de poder pelo Estado. O que importa é o poder em si. Aquele papo de desigualdade, solidariedade, distribuição, etc, é pura retórica. O que importa mesmo é concentrar poder.

    Abrs

  12. Marcelo disse:

    Engano seu Warrior. Na verdade “nós” só tínhamos a esperança de que “vocês” entendam que o capitalismo é apenas uma forma de exploração do homem pelo homem…

    Quando for pensar em economia procure lembrar desse fato de agora. E eles, meu caro, ainda sairão dessa como heróis.

  13. luiz.C.L.Botelho disse:

    1. Prezado Jornalista Kupfer e leitores
    Gostaria de comentar os seguintes “axiomas” em relação a “filosofia-política” da economia pós-1945,talvez de alguma utilidade para exercitar-se no complexo jogo/arte das previsões econômicas globais
    1-O Dólar Americano não se cria.
    2-O Dólar Americano(assim como qualquer outra moeda),pode ser destruído.
    Baseado nestas premissas óbvias,tenho o justificado receio que a presente percepção RACIONAL dos mercados financeiros de que esta ajuda ESTATAL trilionária em dólares(que do ponto de vista geopolítico iguala-se ao Euro)inexoravelmente deverá sair da economia real(especialmente daquelas dos países em desenvolvimento!) ,afim de massivamente substituir a destruição monetária vivenciada pela (fracassada?) experiência capitalista pós-queda muro de Berlim de pacificação planetária ( Pax capitaneada pelos mercados financeiros); é IRREVERSIVEL!.Não será nenhuma surpresa se o próximo prêmio Nobel de economia ser o presente Diretor do FMI!.
    Note que para o bem ou para o mal, as moedas continuam a representar os vícios e as virtudes da sociedade que as emite e portanto, representando com bastante fidelidade político- social,o real valor econômico e os sucessos geopolíticos da mesma(Charles Darwin-apesar de ter sido Biólogo!).Neste ponto,eu entendo porque o Brasil já entrou com 50 bilhões para ajudar os Bancos “Brasileiros” e o dólar ter passado de R$1.57 para R$2.20 em menos de alguns poucos meses.

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