O Nobel para Krugman: prêmio na hora certa para o homem certo
Paul Krugman acaba de ganhar o Premio Nobel de Economia deste ano. É mais uma demonstração de que o pêndulo, na economia mundial, virou de vez. Krugman, da Universidade de Princeton, escreve duas vezes por semana uma coluna no New York Times, em cujo portal de internet mantém um blog. O blog tem um nome que não deixa dúvidas sobre suas idéias: “The Conscience of a liberal”.
Krugman é um liberal, do jeito que os americanos classificam um “liberal”: no sentido inverso do que damos aqui à expressão “liberal”, Krugman tem posições progressistas em política e, em economia, não joga toda a responsabilidade nas costas do mercado. É, como diriam alguns aqui no Brasil, em tom pejorativo, um intervencionista.
Nos últimos muitos anos, o Nobel de Economia tem sido concedido a “economistas matemáticos” ou a “economistas psicólogos”. Suas premissas são as de que os mercados, no fim das contas, não falham e suas teorias, dessossadas de preocupações sociais diretas.
Paul Krugman faz parte do outro time. O dos economistas que, embora não defendam uma economia planificada, entendem que o mercado não só precisa ser regulado, mas também, que é incapaz, pelo menos sozinho, de promover o bem-estar social.
Nos tempos perplexos de hoje, em que governos perdem a cerimônia no socorro ao setor financeiro privado, promovendo a maior intervenção nos mercados de que se tem notícia nos últimos 80 anos e a maior apropriação privada de recursos públicos da História, o Nobel de Economia foi dado ao homem certo na hora certa.
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
Caro Kupfer: parafraseando Oscar Wilde, a aversão do mercado às crises que ele próprio engendra é a cólera de Calibã por ver seu rosto refletido em um espelho; a aversão do mercado ao intervencionismo é a cólera de Calibã por não ver seu rosto refletido em um espelho. Ilações poéticas à parte, parece-me incrível que os economistas hodiernos demonstrem tão pouca familiaridade com os dois grandes teoremas da Economia do Bem-Estar; em particular, o segundo teorema parece um estrangeiro incômodo em uma pátria xenófoba! Há tempos que se sabe que a hipótese de mercados perfeitamente auto-regulados não é razoável empiricamente. Resta esperar que o presente golpe na empáfia dos garotos de programa do mercado financeiro restaure, permanentemente, a atenção a certas lições de economia que não deveriam ser esquecidas. Forte abraço.
Acerca de 3 anos, ainda na academia, discutiamos na aula de economia monetária, onde iriamos parar com todo esse dinheiro em circulação no mundo, sem lastro. Aconteceu! O que vemos hoje é o resultado de uma liberalização sem regras que a história já mostrou, e que me perdou Adam Smith, não funciona totalmente na prática. O intervencionismo é necessário sempre, se não, quem vai pagar a conta, são as mesmas pessoas, nós!
A reunião na região do euro foi o fim (ideológico inclusive) do consenso de Washington.
A premiacao tem dois lados muito importantes uma para os catedraticos que tentaram desvendar toda a teoria do Professor Krugman e a sociedade como um todo no qual muitos mesmo nao conhecendo nada ou quase nada de sobre economia ja possuiam certa “intuicao” de que o mercado nao pode se auto regularizar sem uma intervencao e o bom exemplo e o momento atual em que vivemos.
UMA dica pra quem quiser ganhar o próximo Nobel
Estude e proponha um substituto PARITÁRIO ao dólar americano
O MUNDO nunca navegará mares sossegados se ficar atrelado aos desatinos de um unico país
…o difícil vai ser convencer os caras …mas todos sabemos que já passou do tempo de algo assim acontecer, não?
Acho mais que esse sujeito aí ganhou o Nobel mais por causa de seu sobrenome(faz parte do clube)
Que ninguem ou instituição alguma se auto-regula, Platão, Sócrates, Adimanto e Glaucon já discutiam isso há uns 2 mil anos…
Thomas Robert Malthus já dizia que liberalismo nunca promoveria bem estar-social..
O intervencionismo do Estado, acredito também que não foi o Krupman o primeiro a defender..
Mas afinal… porque esse cara ganhou o prêmio Nobel ?!?
Até que em fim a Academia acordou para um sistema econômico de picaretagem legitimada. Dinheiro sem lastro e circulando movido por especialista, que arrastaram um bando de neófitos na queda, mas alguém saíu lucrando. Pena que eu não entenda de economia para saber, mas aonde tem alguém perdendo tem alguém ganhando. Enquanto as perdas foram só sociais ninguem ligou. Agora há perda de capital, que ainda ameaça a ideologia da livre iniciativa, como se todos partissem do mesmo patamar. Bom, a máscara caíu. Teresa C. N. Azevedo.
Se tivesse de votar num nome para o premio nobel de economia, votava no do autor do blog do briguilino. Faz tempo que ele escreve as mesmas coisas que o Krugman, se bem que eu sei ele não saber falar inglês. rsss
Parabéns pelo blog muito lucido.
Olá Kupfer, gostei muito do seu artigo. Penso que o Kugman recebeu o Nobel um pouco tarde. Infelizmente, nesse caso da crise, cabe o tal provérbio que diz: “…só fecha a porta quando é roubado!” E nesse caso não foram apenas os brasileiros, mas boa parte do mundo globalizado. Acho que as perguntas a serem feitas são duas: Quem ganhou com isso tudo? e, quando vão finalmente fazer uma regulação do mercado financeiro global? Como o nosso Ministro de Relações Exteriores disse em uma entrevista na tv ontem:… como todos seremos (e já estamos sendo) afetados, se faz necessário que essa regulação tenha a participação dos países do G20. Agora, aqui entre nós: quem diria hein?! Os EUA estatizando boa parte do seu sistema financeiro. Isso a até muitíssimo pouco tempo atrás seria impensável!!! Seria o final dos tempos? Vamos tentar sobreviver a isso, primeiro, domando o “dragão” chamado mercado. Um abraço e parabéns pelas palavras tão sensatas.
Mais uma vez fomos enganados pela grande imrpensa, especializada em vender jabás em seu espaço editorial ao grande capital que lhe patrocina. Veja, Exame, Estadãom Folha, etc. nos venderam a idéia de que tudo estava bom com a economia mundial, que intervenção governamental era ruim. Que os lucros fáceis dos banqueiros era uma cosia normal. Resultado dormimos com os sonhos deles e acordamos no pesadelo nosso.
Quem sabe, dessa vez surge um novo capitalismo, menos agressivo e mais heterogêneo. A homogeneidade do capitalismo, tendo como detentor os EEUU com seus gastos abusios em guerras, não precisaria ser economista para analisar o que viria. Agora, quem vai pagar a conta? As forças das circunstâncias estão sinalizando o repensar a economia no mundo para ser menos agressiva e mais solidária, senão, será isso que está aí: Insegurança global na economia. Aliançar a Psicologia e a Economia é um bom caminho
Não entendo de economia, mas entendo um pouco desses articulistas neoliberais da grande mídia brasileira, geralmente pouco entendidos de economia, mas que se acham no direito de emitir intransigentes e apaixonadas defesas a favor da economia de mercado, e destilar a mais venenosa ojeriza, um verdadeiro patrulhamento, contra qualquer intervenção estatal na economia, principalmente em nome do bem-estar social, pelo qual eles estão pouco se lichando. Não conheço o trabalho do laureado Krugman, mas por este texto seu, Kupfer, vejo que foi para o cara certo, na hora certa, e para calar a boca de certos indivíduos que temos que aturar nas páginas de nossa imprensa.
Será que agora alguem vai acatar tal teoria do Dr. Krugman sobre o tema do neoliberalismo? Ou a premiação será novamente fato de reconhecimento e não de “solução” para alguma mudança no sistema atual!?
Parabéns ao Krugman, mas sinceramente, este é mais um daqueles casos em que a pessoa estava no lugar certo, na hora certa e falou, ou escreveu o que a maioria sabe, mas é tão normal e comum, que ninguém oficializa.
Enfim, ele teve a iniciativa e não foi também por ser, ou viver o liberalismo na sua essência é que ganhou o prêmio, com certeza, há mais sustentação para este reconhecimento.
Economista que sou no entanto, me decepcionei com a causa principal que deu origem ao título.
Abraços.
Cassio,
Não me entenda mal. O Paul Krugman não ganhou o Nobel por não ser liberal em economia. Ganhou por seus estudos em economia internacional.
Eu só quis notar que Krugman não é um liberal. OK?
Abrs.
O Krugman não ganhou o Nobel por sua suposta crítica ao neoliberalismo.
Mas sim por conta de seus trabalhos, principalmente em economia internacional, quem aqui não se deparou com horas e horas estudando Krugman e Obtesfeld na faculdade…
Uma pergunta: com todas essas intervenções dos estados (num cálculo grosseiro, deve passar dos 2 trilhões de dólares, pois não?) nos bancos privados, pode-se dizer que ainda estamos vivendo no capitalismo? ou seria no especulismo? ou, ainda, no sabidismo, no salve-se-quem-puder?
Desde pequenininho meu avô falava, a melhor coisa do mundo é, conversar com quem sabe e fazer negócio com quem tem dinheiro.Deu no que deu, a usura dos banqueiros anuncia o fim do capitalismo.Abriu crédito pra quem não tem, se ferrou.Mas o pior de tudo é que: quem paga a conta somos nós.Lembrem-se do socorro aos bancos aqui, agora é lá fora.
Tchau. Se cuidem…
Quem merece prêmio Nobel é o cidadão que não se ilude com politica econômica de Governo nenhum.
Lembra, Kupfer, dos bons tempos do NOMÍNIMO? Ali, a gente lidava com um bando de neoliberais sionistas que nos dava um trabalho danado, mas que era bem divertido, pois ambiente mais democrático e livre estou pra ver. Saudades. Agora, gostaria de reencontrá-los, com a derrocada mundial do atual sistema de mercado, endeusado por eles. Eles faziam coro com a rede Globo, e muitos outros jornalistas que, com fortes lastros políticos, sobretudo do nosso congresso e, mesmo, do STF, faziam a cabeça do povo, querendo fazê-lo acreditar em que as reformas “necessárias” da constituição reverteriam em favor da nação. Fizeram da nossa bela constituição cidadã um monstrengo que rege agora uma bancocracia. Agora, eles insistem em que a situação só se equilibrará, se o estado se tornar ainda menor, e o governo não gastar com o povo. Afinal, segundo eles, tudo, menos a diminuição do superávit primário; esse monstro que precisa ser extinto. Parece que, no Brasil, teremos de agüentar o neoliberalismo por mais tempo, até que o povo enxote esses políticos neoliberais e simpatizantes para bem longe. A hora de pregar uma nova visão é agora!
Danilo está corretíssimo.
Paul Krugman, malgrado sua recente conversão ao “liberalismo” (in the american way, of course), é um grande admirador da teoria ricardiana das vantagens comparativas (Oh! Sacrilégio!). Foi premiado justamente por conta destes trabalhos no campo do comércio internacional, a maioria deles do século passado. Seu ativismo político só serve para encobrir a sua biografia anterior.
“Economists are also aware that even persistent trade imbalances are not necessarily a problem, and certainly that surpluses are not a sure sign of health or deficits one of weakness… Trade balance is equal to the difference between savings and investment, and that a country may justifiably run persistent deficits if it is an attractive site for foreign investment.” (Paul Krugman)
Uall!!
Link: http://web.mit.edu/krugman/www/ricardo.htm