O Nobel para Krugman: prêmio na hora certa para o homem certo
Paul Krugman acaba de ganhar o Premio Nobel de Economia deste ano. É mais uma demonstração de que o pêndulo, na economia mundial, virou de vez. Krugman, da Universidade de Princeton, escreve duas vezes por semana uma coluna no New York Times, em cujo portal de internet mantém um blog. O blog tem um nome que não deixa dúvidas sobre suas idéias: “The Conscience of a liberal”.
Krugman é um liberal, do jeito que os americanos classificam um “liberal”: no sentido inverso do que damos aqui à expressão “liberal”, Krugman tem posições progressistas em política e, em economia, não joga toda a responsabilidade nas costas do mercado. É, como diriam alguns aqui no Brasil, em tom pejorativo, um intervencionista.
Nos últimos muitos anos, o Nobel de Economia tem sido concedido a “economistas matemáticos” ou a “economistas psicólogos”. Suas premissas são as de que os mercados, no fim das contas, não falham e suas teorias, dessossadas de preocupações sociais diretas.
Paul Krugman faz parte do outro time. O dos economistas que, embora não defendam uma economia planificada, entendem que o mercado não só precisa ser regulado, mas também, que é incapaz, pelo menos sozinho, de promover o bem-estar social.
Nos tempos perplexos de hoje, em que governos perdem a cerimônia no socorro ao setor financeiro privado, promovendo a maior intervenção nos mercados de que se tem notícia nos últimos 80 anos e a maior apropriação privada de recursos públicos da História, o Nobel de Economia foi dado ao homem certo na hora certa.
Enviado por: José Paulo Kupfer - Categoria: Blog Tags relacionadas:

Caro Kupfer: parafraseando Oscar Wilde, a aversão do mercado às crises que ele próprio engendra é a cólera de Calibã por ver seu rosto refletido em um espelho; a aversão do mercado ao intervencionismo é a cólera de Calibã por não ver seu rosto refletido em um espelho. Ilações poéticas à parte, parece-me incrível que os economistas hodiernos demonstrem tão pouca familiaridade com os dois grandes teoremas da Economia do Bem-Estar; em particular, o segundo teorema parece um estrangeiro incômodo em uma pátria xenófoba! Há tempos que se sabe que a hipótese de mercados perfeitamente auto-regulados não é razoável empiricamente. Resta esperar que o presente golpe na empáfia dos garotos de programa do mercado financeiro restaure, permanentemente, a atenção a certas lições de economia que não deveriam ser esquecidas. Forte abraço.
Acerca de 3 anos, ainda na academia, discutiamos na aula de economia monetária, onde iriamos parar com todo esse dinheiro em circulação no mundo, sem lastro. Aconteceu! O que vemos hoje é o resultado de uma liberalização sem regras que a história já mostrou, e que me perdou Adam Smith, não funciona totalmente na prática. O intervencionismo é necessário sempre, se não, quem vai pagar a conta, são as mesmas pessoas, nós!
A reunião na região do euro foi o fim (ideológico inclusive) do consenso de Washington.
A premiacao tem dois lados muito importantes uma para os catedraticos que tentaram desvendar toda a teoria do Professor Krugman e a sociedade como um todo no qual muitos mesmo nao conhecendo nada ou quase nada de sobre economia ja possuiam certa “intuicao” de que o mercado nao pode se auto regularizar sem uma intervencao e o bom exemplo e o momento atual em que vivemos.
UMA dica pra quem quiser ganhar o próximo Nobel
Estude e proponha um substituto PARITÁRIO ao dólar americano
O MUNDO nunca navegará mares sossegados se ficar atrelado aos desatinos de um unico país
…o difícil vai ser convencer os caras …mas todos sabemos que já passou do tempo de algo assim acontecer, não?
Acho mais que esse sujeito aí ganhou o Nobel mais por causa de seu sobrenome(faz parte do clube)
Que ninguem ou instituição alguma se auto-regula, Platão, Sócrates, Adimanto e Glaucon já discutiam isso há uns 2 mil anos…
Thomas Robert Malthus já dizia que liberalismo nunca promoveria bem estar-social..
O intervencionismo do Estado, acredito também que não foi o Krupman o primeiro a defender..
Mas afinal… porque esse cara ganhou o prêmio Nobel ?!?
Até que em fim a Academia acordou para um sistema econômico de picaretagem legitimada. Dinheiro sem lastro e circulando movido por especialista, que arrastaram um bando de neófitos na queda, mas alguém saíu lucrando. Pena que eu não entenda de economia para saber, mas aonde tem alguém perdendo tem alguém ganhando. Enquanto as perdas foram só sociais ninguem ligou. Agora há perda de capital, que ainda ameaça a ideologia da livre iniciativa, como se todos partissem do mesmo patamar. Bom, a máscara caíu. Teresa C. N. Azevedo.
Se tivesse de votar num nome para o premio nobel de economia, votava no do autor do blog do briguilino. Faz tempo que ele escreve as mesmas coisas que o Krugman, se bem que eu sei ele não saber falar inglês. rsss
Parabéns pelo blog muito lucido.
Olá Kupfer, gostei muito do seu artigo. Penso que o Kugman recebeu o Nobel um pouco tarde. Infelizmente, nesse caso da crise, cabe o tal provérbio que diz: “…só fecha a porta quando é roubado!” E nesse caso não foram apenas os brasileiros, mas boa parte do mundo globalizado. Acho que as perguntas a serem feitas são duas: Quem ganhou com isso tudo? e, quando vão finalmente fazer uma regulação do mercado financeiro global? Como o nosso Ministro de Relações Exteriores disse em uma entrevista na tv ontem:… como todos seremos (e já estamos sendo) afetados, se faz necessário que essa regulação tenha a participação dos países do G20. Agora, aqui entre nós: quem diria hein?! Os EUA estatizando boa parte do seu sistema financeiro. Isso a até muitíssimo pouco tempo atrás seria impensável!!! Seria o final dos tempos? Vamos tentar sobreviver a isso, primeiro, domando o “dragão” chamado mercado. Um abraço e parabéns pelas palavras tão sensatas.
Mais uma vez fomos enganados pela grande imrpensa, especializada em vender jabás em seu espaço editorial ao grande capital que lhe patrocina. Veja, Exame, Estadãom Folha, etc. nos venderam a idéia de que tudo estava bom com a economia mundial, que intervenção governamental era ruim. Que os lucros fáceis dos banqueiros era uma cosia normal. Resultado dormimos com os sonhos deles e acordamos no pesadelo nosso.
Quem sabe, dessa vez surge um novo capitalismo, menos agressivo e mais heterogêneo. A homogeneidade do capitalismo, tendo como detentor os EEUU com seus gastos abusios em guerras, não precisaria ser economista para analisar o que viria. Agora, quem vai pagar a conta? As forças das circunstâncias estão sinalizando o repensar a economia no mundo para ser menos agressiva e mais solidária, senão, será isso que está aí: Insegurança global na economia. Aliançar a Psicologia e a Economia é um bom caminho
Não entendo de economia, mas entendo um pouco desses articulistas neoliberais da grande mídia brasileira, geralmente pouco entendidos de economia, mas que se acham no direito de emitir intransigentes e apaixonadas defesas a favor da economia de mercado, e destilar a mais venenosa ojeriza, um verdadeiro patrulhamento, contra qualquer intervenção estatal na economia, principalmente em nome do bem-estar social, pelo qual eles estão pouco se lichando. Não conheço o trabalho do laureado Krugman, mas por este texto seu, Kupfer, vejo que foi para o cara certo, na hora certa, e para calar a boca de certos indivíduos que temos que aturar nas páginas de nossa imprensa.
Será que agora alguem vai acatar tal teoria do Dr. Krugman sobre o tema do neoliberalismo? Ou a premiação será novamente fato de reconhecimento e não de “solução” para alguma mudança no sistema atual!?
Parabéns ao Krugman, mas sinceramente, este é mais um daqueles casos em que a pessoa estava no lugar certo, na hora certa e falou, ou escreveu o que a maioria sabe, mas é tão normal e comum, que ninguém oficializa.
Enfim, ele teve a iniciativa e não foi também por ser, ou viver o liberalismo na sua essência é que ganhou o prêmio, com certeza, há mais sustentação para este reconhecimento.
Economista que sou no entanto, me decepcionei com a causa principal que deu origem ao título.
Abraços.
Cassio,
Não me entenda mal. O Paul Krugman não ganhou o Nobel por não ser liberal em economia. Ganhou por seus estudos em economia internacional.
Eu só quis notar que Krugman não é um liberal. OK?
Abrs.
O Krugman não ganhou o Nobel por sua suposta crítica ao neoliberalismo.
Mas sim por conta de seus trabalhos, principalmente em economia internacional, quem aqui não se deparou com horas e horas estudando Krugman e Obtesfeld na faculdade…
Uma pergunta: com todas essas intervenções dos estados (num cálculo grosseiro, deve passar dos 2 trilhões de dólares, pois não?) nos bancos privados, pode-se dizer que ainda estamos vivendo no capitalismo? ou seria no especulismo? ou, ainda, no sabidismo, no salve-se-quem-puder?
Desde pequenininho meu avô falava, a melhor coisa do mundo é, conversar com quem sabe e fazer negócio com quem tem dinheiro.Deu no que deu, a usura dos banqueiros anuncia o fim do capitalismo.Abriu crédito pra quem não tem, se ferrou.Mas o pior de tudo é que: quem paga a conta somos nós.Lembrem-se do socorro aos bancos aqui, agora é lá fora.
Tchau. Se cuidem…
Quem merece prêmio Nobel é o cidadão que não se ilude com politica econômica de Governo nenhum.
Lembra, Kupfer, dos bons tempos do NOMÍNIMO? Ali, a gente lidava com um bando de neoliberais sionistas que nos dava um trabalho danado, mas que era bem divertido, pois ambiente mais democrático e livre estou pra ver. Saudades. Agora, gostaria de reencontrá-los, com a derrocada mundial do atual sistema de mercado, endeusado por eles. Eles faziam coro com a rede Globo, e muitos outros jornalistas que, com fortes lastros políticos, sobretudo do nosso congresso e, mesmo, do STF, faziam a cabeça do povo, querendo fazê-lo acreditar em que as reformas “necessárias” da constituição reverteriam em favor da nação. Fizeram da nossa bela constituição cidadã um monstrengo que rege agora uma bancocracia. Agora, eles insistem em que a situação só se equilibrará, se o estado se tornar ainda menor, e o governo não gastar com o povo. Afinal, segundo eles, tudo, menos a diminuição do superávit primário; esse monstro que precisa ser extinto. Parece que, no Brasil, teremos de agüentar o neoliberalismo por mais tempo, até que o povo enxote esses políticos neoliberais e simpatizantes para bem longe. A hora de pregar uma nova visão é agora!
Danilo está corretíssimo.
Paul Krugman, malgrado sua recente conversão ao “liberalismo” (in the american way, of course), é um grande admirador da teoria ricardiana das vantagens comparativas (Oh! Sacrilégio!). Foi premiado justamente por conta destes trabalhos no campo do comércio internacional, a maioria deles do século passado. Seu ativismo político só serve para encobrir a sua biografia anterior.
“Economists are also aware that even persistent trade imbalances are not necessarily a problem, and certainly that surpluses are not a sure sign of health or deficits one of weakness… Trade balance is equal to the difference between savings and investment, and that a country may justifiably run persistent deficits if it is an attractive site for foreign investment.” (Paul Krugman)
Uall!!
Link: http://web.mit.edu/krugman/www/ricardo.htm
a nossa midia fica sem comentario, com a derrota do PSDB, para presidente da republica, na ultima eleiçao, sempre tinha uma mesa redonda, muita desta Band, os jornalistas questionavam, por que o candidato e o proprio PSDB ,não foram mais fundo em defender a privativaçao feita pelo FHC. Fico imaginando se o Espanhois resolvem depois de estatizado vende o SANTANDER, o BB compra-lo.
Mauad,
Sabe quem também foi admirador de Ricardo, meu velho? Claro que, você, estudioso como é, sabe muito bem: aquele velho barbudo, sempre às voltas com furúnculos.
Agora, de onde você conclui, com base nesse extrato de Krugman (acredito em você, mas faltou a fonte bibliográfica), queo homem é um liberal (não no sentido americano)?
Abrs.
Dentro de uma perspectiva geografia e politica a maioria dos prêmios de economia(Premio Nobel) foram para os Estados Unidos e alguns paises da Europa. O mais interessante é que não se fala em outros trabalhos de cientistas de outros paises que não fazem parte dos centros de “excelência”. Com tudo respeito ao professor Krugman acerca do seu trabalho. Já está na hora do prêmio deixar o centro geografico acima e olhar outros trabalhos importantes dentro do Brasil e outros paises que trabalham sério… Até hoje no mundo não há noticia do mais bem elaborado projeto do Plano Real, ou seja a mudança bem sucedida da URV para o Real(não estou defedendo o plano real) e não lembro de qualquer premio o menção dos coordenadores do do Premio Nobel.
Um abraço
L a e r t e
oi, laerte, o plano real eo plano dos Chigago Boys.
Dónde está mi dinero?”
Los inversores españoles afectados por la bancarrota de Lehman se movilizan para intentar recuperar sus ahorros
A Academia Suéca premiando Krugman dá um recado ao mercado que a muitos anos criou esse universo economico virtual totalmente longe da realidade, como que antecipando o movimento de 180 graus no capitalismo feroz praticado pelos Ingleses desde o Sec. 19 e a maré Americana no Sec.20, agora o pendulo se dirige para o controle feroz quase estatizante, uma guinada completa do ciclo de Poder, aliado a um medo cada vez maior do avanço do extremismo religioso, violento e sem medo de praticar qualquer ato que desestabilize a economia mundial.
Tempos tenebrosos nos aguardam em alguns anos.
Querido Kupfer,
O que eu disse foi “malgrado sua recente conversão ao “liberalismo” (in the american way, of course), é um grande admirador da teoria ricardiana das vantagens comparativas.”
Portanto, eu disse exatamente que ele é um “liberal” no sentido americano do termo, e não o contrário. Parece que você anda lendo o que escrevo com má vontade.
Quando a Marx, o que ele admirava em Ricardo era exatamente a teoria que se mostrou equivocada - a do “Valor trabalho”.
Quanto à fonte, o link estva no fim de comentário. Mas parece que você não chegou até lá.
Querido Kupfer,
O que eu disse foi: “malgrado sua recente conversão ao “liberalismo” (in the american way, of course), é um grande admirador da teoria ricardiana das vantagens comparativas.”
Portanto, eu disse exatamente que ele é um “liberal” no sentido americano do termo, e não o contrário. Parece que você anda lendo o que escrevo com má vontade.
Quando a Marx, o que ele admirava em Ricardo era exatamente a teoria que se mostrou equivocada - a do “Valor trabalho”.
Quanto à fonte, o link estva no fim de comentário. Mas parece que você não chegou até lá.
Mauad/Warrior,
Mil desculpas quanto à fonte do trecho citado. Mas você vai entender que sou velho e me confundi com a indicação da internet (esperei uma referência bibliografica das clássicas). em todo caso, explica, mas não justifica.
Quanto à sua visão da teoria do “valor trabalho”, há controversias.
Abrs.
O Krugman ganhou o prêmio por que conseguiu expressar em termos matemáticos o impacto das economias de escala nos padrões de comércio internacional e especialização regional.
Sem dúvida nenhuma é um grande avanço se levarmos em conta o caráter irreal dos trabalhos em comércio internacional que se baseiam na existência de mercados plenamente competitivos.
Desta forma, no campo das políticas monetárias e fiscais, suas idéias sobre a existência de “falhas de mercados” o levaram a ser crítico das visões mais conservadoras.
Inegavelmente, nestes aspectos ele tem estado numa posição mais progressista ao criticar a excessiva desregulamentação tanto dos mercados financeiros quanto os de saúde nos EUA. Entretanto, sua visão de crescimento econômico de longo prazo não se difere muito do “Consenso de Washington”, defendendo, por exemplo, que o milagre Coreano é produto apenas de poupança e investimentos em educação, tratanto como irrelevante ou prejudicial a atuação do governo daquele país no aprendizado tecnlógico. Nestas questões o Stigltz é melhor.
Kupfer, parabéns não apenas pela sua coluna, mas também pelo seu excelente trabalho na Gazeta. O Krugman, como bem disse, nos forneceu excelentes contribuições na análise do comércio internacional, explicando os motivos de muitos dos fluxos existentes, baseados na interpretação ricardiana. Que estudante de economia que nunca pegou no Economia Internacional do Krugman e Obstfeld…
Agora, com relação à divisão do Prêmio Nobel entre outras partes do mundo fora os EUA, é uma questão delicada. O Plano Real, por exemplo, citado pelo Laerte, teve um imenso auxílio das condições externas: a necessidade de crescimento do fluxo de capitais levou à estabilização da inflação não apenas no Brasil, mas em diversas economias do mundo nas mesmas condições. Será que teve um economista brilhante em cada país com inflação alta, na época??
[]’s
Fogo®
Pois é, José Paulo, sinto uma ponta de orgulho.
Não sou economista, mas leio, sempre que posso, os artigos do Paul Krugman. Agradam-me suas posições e sua maneira de expressá-las, clara e ordenadamente, com brilho.
Porém, a pitada de orgulho aí é como se fosse ele torcedor do mesmo time que eu.
Explico: na Universidade onde leciona Krugman, há um professor recém efetivado (há um nome, que me escapa) e antes do prazo limite, de Literatura Brasileira, do qual, este sim, me orgulho sem peias, pois é meu genro.
Ensina literatura e algo mais sobre o Brasil brasileiro para os filhinhos de papai de lá.
Abraço
Kupfer,
O crescimento Chinês é o exemplo do “valor trabalho”.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_valor-trabalho
A crise começou no governo do Tio Bill Clinton. Financiamento imobiliário liberado, sem qualquer espécie de garantia. Produto dos “gênios” políticos como sempre. Acham que podem fazer a economia crescer na base da canetada.
A grande pista que aponta, se não a culpa, a responsabilidade política pela origem da bolha imobiliária americana foram as profundas alterações que a Community Reinvestment Act [Lei de Reinvestimento na Comunidade] sofreu logo no início (1993) do primeiro mandato de William Jefferson Clinton, o popular Bill Clinton. Num longo, mas muito esclarecedor artigo publicado pela revista inglesa The Spectator em 01/10/08, o jornalista inglês Dennis Sewell diz com todas as letras: a culpa é dos democratas de Clinton. Ele demonstra os esforços de um grande e fanático grupo de ativistas-engenheiros sociais, liderados por Roberta Achtenberg, uma advogada e ativista dos direitos dos homossexuais em São Francisco, que mudaram radicalmente os outrora rígidos critérios de concessão de empréstimos imobiliários. Clinton a nomeou Secretária Assistente para a Moradia Justa (sic) e Oportunidades Iguais do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano [Department of Housing and Urban Development – HUD].
A política de Clinton era de ampliar enormemente o acesso das chamadas minorias ao crédito imobiliário. Roberta Achtenberg logo tratou de estabelecer escritórios ao redor dos Estados Unidos, cuja função seria a de fiscalizar a aplicação da “nova” lei, mas que, na prática, trataram de táticas de coação e chantagem. Tais escritórios tinham seu staff composto por advogados ativistas e investigadores. Primeiramente, os bancos imobiliários, e depois também os bancos comerciais, se viram em face de numerosos e rumorosos processos judiciais (aqui entra em cena a pressurosa colaboração de Janet Reno, a ministra da Justiça de Clinton) que os acusavam de práticas discriminatórias de todo tipo. Além das custas processuais crescentes, da publicidade negativa, os bancos recebiam insistentes convites da Casa Branca clintoniana para que “cooperassem”.
Além disso, a própria lei (CRA- Community Reinvestment Act) estabelecia um critério de notas para os bancos que concedessem empréstimos imobiliários conforme as diretrizes governamentais. Dependendo da nota que um banco obtivesse, teria ou não permissão para fusões, aquisições ou a simples abertura de uma nova agência. Os tais critérios inicialmente exigiam que o tomador do empréstimo depositasse apenas três por cento (3%) do valor do mesmo. Depois, esse valor foi rebaixado para zero (0%) de entrada. Num ambiente econômico de expansão de crédito, os bancos cederam e a bolha imobiliária veio a estourar quinze anos depois de ter sido planejada como ação de “justiça social”.
Dennis Sewell faz questão de isentar George W. Bush quanto à responsabilidade pelo atual estado de coisas, pois Bush teria tentado reverter ou modificar mais de uma vez os critérios da CRA. Uma vez que Sewell não é americano, nem republicano e muito menos uma Ann Coulter, a sua defesa de Bush ganha mais força. Todavia, há alguns detalhes que ele não menciona no artigo e que levam a algumas indagações: durante seis dos oitos anos dos dois mandatos de Bill Clinton, a maioria no Congresso americano (Câmara e Senado) era republicana. Onde estava essa maioria republicana que não viu ou não percebeu o que estava acontecendo? Se Clinton, que teve maioria durante apenas dois anos (1993-94) conseguiu introduzir modificações profundas numa lei já existente (de 1977), o que não poderia ser feito em seis anos? Mais ainda: com pequenas oscilações no Senado, George W. Bush teve maioria de 2001 até boa parte do ano de 2007. Assim, os republicanos tiveram algo em torno de doze (12) anos para modificar uma lei. A partir de 2001 é possível argumentar que os ataques de 11 de setembro, a campanha no Afeganistão, a guerra no Iraque, possam ter desviado a atenção dos republicanos. Mas nos anos Clinton, as únicas grandes desculpas ou distrações levam o nome de Monica Lewinsky e impeachment (este, tampouco consumado). E há mais um agravante: o candidato republicano John McCain é senador republicano desde 1986 e ainda assim não foi capaz de (ou não quis) rebater Barack Hussein Obama, quando este, no debate do último dia 07/10, atribuiu a Bush toda a culpa pela crise. Hoje, no que diz respeito à crise financeira, McCain não parece ter outra coisa a propor a não ser mais intervenção e ajuda estatal.
Quando Richard Nixon declarou, em 1972, que “agora somos todos keynesianos”, pode não ter dito uma coisa boa, mas bem pode ter dito uma triste verdade. O que resta é a constatação de que os verdadeiros conservadores americanos estão, ou sempre estiveram, muito, muito longe do poder.
Depois tem gente que acha que a culpa é do mercado !! Pobres inocentes.
Já que na prática, a concessão do prêmio nobel não ajudará em nada a solucionar a crise ora instalada e muito menos para minimizar o sofrimento das populações miseráveis do mundo, creio que este prêmio poderia ser concedido a qualquer assalariado brasileiro que consegue sobreviver com apenas R$ 415,00 (bruto).
Emerson,
o seu comentário é lúcido, esclarecedor e resgata a verdade dos fatos. Parabéns!
Abrs.
ola Kupfer
Eu pregunto sera que que esos fracasados politicos sicopatas entenderon o recado do mercado e a coisa muda o sera que tentaran disfrasar como sempre e nois ficamos com o prejuisio
Pois é, sr. Kupfer, até há pouco tempo o considerado gênio era o Adan Smith, o pai do liberalismo econômico e de toda bagunça que está aí, né? Graças a Deus o tal neoliberalismo acabou-se, e a pá de cal foi a estatização de bancos na Inglaterra, e esta estatização está se alastrando pelo mundo todo, Isso é prova incontestável de que a mão invisível do mercado só serve para afanar os pobres incautos. Só um pequeno lembrete: A estatização dos bancos está na contra-mão do que realizou o FHC no seu governo enfadonho, eivado pelo neoliberalismo. Ele privatizou quase todos os bancos, fez o tal proer e o proximo banco a ser privatizado seria o Banco do Brasil, instituição de 200 anos, que apesar dos pesares, serve de fiel da balança no mercado bancario brasileiro. Já imagimaram tudo privatizado??? As míseras reservas que o governo tem não dariam nem prá começar!!! o Brasil estaria quebrado. Deus é mesmo brasileiro: não poermitiu que a turma do FHC continuasse no governo; e peço a Ele que dê sabedoria ao povo para não deixar essa corja voltar nunca mais.
Estou assistindo a reapresentação do “Roda Viva” com o Paul Krugman. Estou achando ele fraquinho nos argumentos, em cima do muro como um tucano e ainda por cima se contradiz. Mas vejo que ele domina a arte política: falar muito e não dizer nada.
Caro Rypl,
Krugman contribuiu bastante para a teoria econômica com seus estudos sobre o comércio internacional. Não por acaso, a Academia Sueca concedeu-lhe o prêmio exatamente por esses estudos - ainda que o componente político da escolha pareça inafastável.
Depois que ele resolveu abandonar a economia e bandear-se para a política rasteira, só tem feito denegrir a própria reputação acadêmica.
Caro Marcelo,
Se você realmente insiste em estudar economia pela Wikipédia, eu sugiro que, pelo menos, opte pela língua inglesa. Os artigos em inglês são bem melhores e muito mais completos.
Abrs
Seguindo a correta recomendação do F. Rypl, darei “nome aos bois” a partir de agora:
O Cassio fez uma insinuação anti-semita sobre o Krugman, ou sou eu que estou enxergando demais? Se não foi o caso, mil perdões; se foi, me posicionarei num próximo comentário.
A parte da teoria que o Warrior destacou (em inglês) é a mesma que o Gustavo Franco tanto defendeu. E que Lula e sua equipe vêm pregando. Acontece, que o mundo moderno (que talvez esteja extinto enquanto dialogamos) não funciona da mesma forma que a teoria sugere. A saída massiva de capitais de um país, ao primeiro sinal de problema, chacoalha o cambio, promove altas nos juros, destroi o planejamento empresarial, alimenta recessões e por aí segue a desgraceira…
Simplesmente não funciona!
Ah sim, o post: o Krugman é uma fera e está certo em ganhar dinheiro, aparecer na mídia, fazer política, etc. Pergunto: por que ele, que com menos de 30 anos de idade já tinha inovado a teoria econômica a ponto de ser merecedor do Nobel já naquela época, não teria o direito de reinventar-se profissionalmente? Ficar enfiado na acadêmia e morrer pobre, isso sim é bacana, protege a reputação, etc. Sem sentido.
Sds
O que eu acho impressionante na cambada que domina o poder e seus asseclas pagos, tipo corretores de bolsas e analistas de mercado, é sua capacidade de inverter as coisas, de mudar o jogo. A nova moda agora é culpar os pobres pelo estouro do mercado. Foram eles, por não haverem pago suas hipotecas os verdadeiros culpados. E, o que é pior, com seu domínio da mídia - em sua grande maioria, também comprada - essa versão acabará por prevalecer.
Recontando a história, Emerson?
Caro “Warrior of Freedom”,
Este é um blog em Português. Em respeito as pessoas que o prestigiam tudo que coloco aqui está em português (mesmo que a origem seja o inglês). Até porque as línguas originadas do latim são muito mais articuladas e completas.
Gosto de ler a wikipédia, não que acredite em tudo que está escrito lá. Mas como já falei antes, “selecionar” a leitura a esse nível acaba nos levando a entraves que não nos permitem ver todo o espéctro da realidade. É como se estivéssemos de antolhos, entende?
Sds.
Caro Argo
Não se trata de responsabilizar os pobres. Isto não foi dito em lugar nenhum no comentário. Mas, responsabilizar políticos irresponsáveis que pensam entender de economia. Um erro básico, conforme lição de Ludwig Von Mises (economista austríaco no começo do séc. XX), ou seja, a expansão desmedida de crédito fatalmente leva a uma contração porque não pode se sustentar indefinidamente. Por óbvio que os especuladores também tem sua parcela de culpa na crise. Entretanto, os políticos, representantes do povo, deveriam tentar assegurar a tranquilidade social a médio e longo prazo e não intentarem medidas populistas rasteiras para angariar votos. Depois a bomba explode e fica fácil culpar o capitalismo pela porcaria que eles mesmos induziram.
PS: Não tenho ligação nenhuma com o mercado.
Então, Emerson, você advoga que o mercado tem preocupação com ações sociais, é isso? Que não se precisa de que o estado tente soluções para os que não foram aquinhoados com heranças, muitas delas remontando à época dos lucros com o tráfico negreiro? Que a ordem natural das coisas é uns terem e outros não?
Mesma pergunta que fiz ao Francisco, faço a você: Já teve alguma vez preocupação com a próxima refeição?
É a Wikipédia, o PHA, acho que estou com péssimos hábitos de leitura. KKKKKKKKKKK.
http://paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=753
Prezado Argo, vamos por partes.
Eu não advogo que o mercado tem estas ou aquelas preocupações, sociais ou não.
Entendo que o Estado tem o dever de regulamentar e fiscalizar o funcionamento das instituições, no caso em tela, as financeiras.
Por outro lado, tratando-se de políticas sociais, para que realmente possam cumprir o intuito de trazer o bem social, devem ter seus efeitos analisados de forma escrupulosa para se evitar o que estamos observando. Então eu pergunto: qual foi o efeito da dita “política social” do queridinho das esquerdas, o Senhor Bill Clinton, auxiliado, é óbvio, pelo mentecapto do Bush ? Foi um resultado totalmente contrário ao objetivo social inicial.
Não sou contra as políticas sociais, mas não sou ignorante e “cordeirinho” para aplaudir políticas de pão e circo que são contrárias a ciência econômica e ao pensamento racional.
O Estado dispõe de outros meio para desenvolver projetos sociais, tais como instrumentos fiscais, monetários e bancos de investimento e desenvolvimento, estes últimos, é claro, desde que não sejam coagidos a dar crédito sem garantia alguma.
Imagine, por exemplo, o seguinte: no caso do Brasil, sabemos que os financiamentos imobiliários são subsidiados pela poupança de milhões de brasileiros. Agora, se o governo de plantão inventa que os bancos devem emprestar o dinheiro da minha, da sua avó (aquele da pensão do INSS que está na poupança dela) para qualquer um sem garantia alguma. Caso o banco vá a falência, o Estado terá que intervir com dinheiro nosso, dos contribuintes. Mas se o Estado não puder arcar com o prejuízo quem será prejudicado ? Novamente o contribuinte devido ao aumento da carga tributária. Ou seja, além da minha vó ter perdido a poupança dela ainda terá que arcar com aumento de impostos. E porquê ?? Porque um “gênio” de plantão achava que estava praticando “política social”.
Quanto a sua questão de cunho pessoal Sr. Argo, se já tive preocupação com a minha próxima refeição, respondo que tive sim ! E daí ?? O que isto importa na discussão aqui realizada ? Onde estão os argumento lógicos, racionais e, se possível, científicos Sr. Argo ? Por favor, faça jus ao seu nome (Argo) e apresente argumentos verdadeiros e não tente sair pela tangente com perguntinhas infantis (retórica vazia) de cunho meramente ideológico. Aliás, não venho de família rica, estudei graças ao esforço dos meus pais, sou funcionário público concursado, mas nem por isso caí em alguma cantilena ideológica.
Churchil uma vez disse que: “a democracia é o pior dos regimes, exceto todos os outros.”
Analogamente, podemos dizer que: o sistema capitalista é o pior, exceto os outros.
Senhor Argo, não pense que fiquei revoltado ou magoado com suas perguntas pessoais, muito pelo contrário, como é bom poder debater idéias em um regime democrático, não é mesmo ?
Prezado Jornalista Kupfer e leitores
Gostaria de comentar os seguintes “axiomas” em relação a “filosofia-política” da economia pós-1945,talvez de alguma utilidade para exercitar-se no complexo jôgo/arte das previsões econômicas globais
1-O Dólar Americano não se cria.
2-O Dólar Americano(assim como qualquer outra moeda),pode ser destruído.
Baseado nestas premissas óbvias,tenho o justificado receio que a presente percepção RACIONAL dos mercados financeiros de que esta ajuda ESTATAL trilionária em dólares(que do ponto de vista geo-político_= Euro)inexoravelmente deverá sair da economia real(especialmente daquelas dos países em desenvolvimento!) ,afim de massivamente substituir a destruição monetária vivenciada pela (fracassada?) experiência capitalista pós-queda muro de Berlim de pacificação planetária ( pax capitaneada pelos mercados financeiros); é IRREVERSIVEL!.Não será nenhuma surpresa se o próximo prêmio nobel de economia ser o presente Diretor do FMI!.
Note que para o bem ou para o mal, as moedas continuam a representar os vícios e as virtudes da sociedade que as emite e portanto, representando com bastante fidelidade político- social,o real valor econômico e os sucessos geo-políticos da mesma(Charles Darwin-apesar de ter sido Biólogo!).Neste ponto,eu entendo porque o Brasil já entrou com 50 bilhões para ajudar os Bancos “Brasileiros” e o dólar ter passado de R$1.57 para R$2.20 em menos de alguns poucos meses.
Os governos salvando banqueiros mundo afora, com dinheiro do povão, e a esquerda rindo à toa, achando o máximo. Vai entender essa gente…
Caro Warrior…
Que dinheiro do povão? O do bolsa família?
Vamos torcer para que isso marque um ponto de inflexão na curva do capitalismo. Quem sabe uma tendência para estabilizar mais as coisas. Com melhor distribuição de renda e mais gente inserida no mercado?
Quem sabe?
Marcelo,
Que distribuição de renda? Dos contribuintes para os milionários banqueiros? Vocês realmente acham que isso é prenúncio de algum tipo de socialismo? Não meu caro. Isso é socialismo às avessas. É puro rent-seeking; concentração de renda e não distribuição. Por isso, é patética toda essa euforia que a esquerda vem demonstrando.
Isso só prova que para vocês não interessa quem sejam os beneficiários da concentração de poder pelo Estado. O que importa é o poder em si. Aquele papo de desigualdade, solidariedade, distribuição, etc, é pura retórica. O que importa mesmo é concentrar poder.
Abrs
Engano seu Warrior. Na verdade “nós” só tínhamos a esperança de que “vocês” entendam que o capitalismo é apenas uma forma de exploração do homem pelo homem…
Quando for pensar em economia procure lembrar desse fato de agora. E eles, meu caro, ainda sairão dessa como heróis.
1. Prezado Jornalista Kupfer e leitores
Gostaria de comentar os seguintes “axiomas” em relação a “filosofia-política” da economia pós-1945,talvez de alguma utilidade para exercitar-se no complexo jogo/arte das previsões econômicas globais
1-O Dólar Americano não se cria.
2-O Dólar Americano(assim como qualquer outra moeda),pode ser destruído.
Baseado nestas premissas óbvias,tenho o justificado receio que a presente percepção RACIONAL dos mercados financeiros de que esta ajuda ESTATAL trilionária em dólares(que do ponto de vista geopolítico iguala-se ao Euro)inexoravelmente deverá sair da economia real(especialmente daquelas dos países em desenvolvimento!) ,afim de massivamente substituir a destruição monetária vivenciada pela (fracassada?) experiência capitalista pós-queda muro de Berlim de pacificação planetária ( Pax capitaneada pelos mercados financeiros); é IRREVERSIVEL!.Não será nenhuma surpresa se o próximo prêmio Nobel de economia ser o presente Diretor do FMI!.
Note que para o bem ou para o mal, as moedas continuam a representar os vícios e as virtudes da sociedade que as emite e portanto, representando com bastante fidelidade político- social,o real valor econômico e os sucessos geopolíticos da mesma(Charles Darwin-apesar de ter sido Biólogo!).Neste ponto,eu entendo porque o Brasil já entrou com 50 bilhões para ajudar os Bancos “Brasileiros” e o dólar ter passado de R$1.57 para R$2.20 em menos de alguns poucos meses.