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19/09/2008 - 10:44

A caminho da solução

Sem entrar em outras considerações, o plano de absorção pelo governo de créditos privados podres ou incertos, em vias de ser adotado nos Estados Unidos, parece ser uma solução sistêmica para uma crise financeira sistêmica. Em situações como essa, de fato, só tempo e dinheiro resolvem a parada.

Injeção de recursos públicos pontuais, coordenação de transferência de ativos privados para outras instituições privadas, com suporte de dinheiro público, empréstimos de liquidez com juros descontados, são todas ações fadadas ao insucesso quando o que está em jogo é a confiança geral no sistema. Nesses casos, o grosso dos recursos públicos injetados acaba “empoçando”, como se diz em economês.

Como ninguém sabe com um mínimo de segurança o tamanho do problema de cada instituição – e, mais ainda, do conjunto –, a liquidez seca e se instala uma crise de crédito, mesmo quando algum socorro aparece aqui e ali. A tendência é pegar o dinheiro bombeado pelo governo, aliviar a emergência e se calçar para o que não se sabe que virá à frente, fechando as torneiras dos novos financiamentos. Os fluxos de pagamentos de empréstimos e refinanciamentos ficam interditados, com a recusa de financiamento para quem não parece estar solvente, mas também para quem está.

Por isso, a solução conhecida para evitar um crash geral e devastador exige que as autoridades econômicas não só tornem disponíveis recursos em volume suficiente. É fundamental que se estabeleça um mecanismo para que isso seja feito de forma contínua e ao longo do tempo. Um fundo, por exemplo, com regras de acesso, como o que está sendo discutido, neste exato momento, nos Estados Unidos.

No final do processo, se der certo, terá havido uma brutal transferência de recursos públicos para o setor privado, expresso por um aumento da dívida pública e com os conseqüentes efeitos negativos da explosão de déficits públicos “não produtivos” (eu defino os “produtivos” como aqueles que refletem investimentos em ampliação de infra-estrutura, em capacidade de produção de setores críticos e em transferência de renda) na economia real.

Ou seja, a solução para um problema financeiro sistêmico tende a levar dificuldades para a economia real, que se traduzem em perspectivas de menor crescimento e maior pressão inflacionária. O tamanho do estrago macroeconômico dependerá do tempo necessário para a recuperação da confiança nos mercados e em suas instituições.

De todo modo, o que está sendo tentado agora não é uma novidade. É mesmo um procedimento clássico do capitalismo contemporâneo: a produção pelo governo dos chamados “financiamentos compensatórios”. Temos, aqui no Brasil, enorme experiência com esse tipo de solução.

Esse tipo de saída, entre nós, atendia pelo nome de acordo com o FMI (e como os demais organismos multilaterais de financiamento). Os empréstimos negociados pelos governos, sob condições draconianas de pagamento, nada mais eram do um mecanismo de troca de dívida privada por dívida pública. Como agora tudo indica será feito nos Estados Unidos.

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:

53 comentários para “A caminho da solução”

  1. everaldo disse:

    Meu raciocínio é bem simples. Se uma crise num setor da economia que não representa 10% da mesma, um rombosinho de 700 bi, num PIB de tri, causa tanto estrago e pavor, é sintoma que há muita coisa oculta, ainda não revelada. Parece-me que os states já titanicou há muito tempo, e esconde isto dos idiotas de plantão. Aquilo alí é um universo virtual, e como tal deve estar raqueado.

  2. everaldo disse:

    Como pode um grupelho de gigamarginais, provocar tantos transtornos???
    Interessante que a coisa veio à tona num momento em que o Obama estava em baixa, não é mesmo?
    mistéééérios…

  3. Chirac disse:

    Eu poderia sacar dos meus arquivos de estudante um balancete, uma razonete , um conjunto de teorias economicas e especulações sobre o mercado economico americano. Mas, depois de ver que o todo poderoso economista Alan Greenspan não sabia era nada , fico então com o povão . E acrescento. Os EUA estão virando Comunista ? A crise poderia ser maior se a China colocasse a venda os titulos do Tesouro Americano e algumas outras “coisitas” mais que tem em poder . Tais como ações de empresas americanas , ….. etc, etc. Mas , gostaria de ver os eloquentes defensores do Capitalismo , vestindo a camisa do NeoComunismo dos EUA . Diriam ….. o que ?

  4. A crise financeira atual é apenas o reflexo tardio de problemas estruturais muito maiores. Ela decorre do aumento artificial da capacidade de consumo dos cidadãos dos USA, realizado através das manobras especulativas que aumentaram o valor dos imóveis.
    Postei hoje, em meu blog, uma pequena análise das origens reais do problema que, ao contrário da maioria dos analistas, inclusive o Sr. Paul Krugman, escapa da modorrenta prática de apenas expor as questões imediatas.

  5. gepeto disse:

    Bush assassinou o capitalismo neo-liberal. Implodiu a escola de chicago. E vale a máxima: só o contribuinte salva o capitalismo (Marx diria que o Estado resolveria).

  6. gepeto disse:

    Somente os neo-bobos brasileiros, representados por gustavo franco e malan e outros assemelhados do PSDB e DEM apadrinhados de Daniel dantas ainda acreditam no mercado. Nem a Inglaterra e nem o USA acreditam.

  7. Fernando Blanco disse:

    Prezado José Paulo e leitores,
    O post abaixo ainda é um furo por aqui. A tendência é que os bancos americanos – quase todos – sejam FEDERALIZADOS, em alguma extensão. Muitos deverão mudar de donos mesmo! A dúvida é se o novo patrão chamar-se-a Obama ou Mc Cain.
    Obviamente, ainda existe um zilhão de coisas a serem detalhadas/negociadas neste plano, mas ao que tudo indica os pontos abaixo vieram para ficar.
    Saudações,
    Fernado Blanco

    http://blogdocredito.wordpress.com/2008/09/22/furo-no-brasil-do-
    blog-do-credito-novidades-no-plano-paulson/

  8. JOAOROCHA disse:

    BOLSA DE VALORES NAO É CASSINO

    Talvez a bolsa volte a encontrar o seu verdadeiro caminho e no curto prazo. Entrou em vários entroncamentos errados, recebendo, gostando e alimentando falsas informações e falsos elogios por aquilo que deveria ser censurado.

    Esse mundo de fantasia para muitos e de realidade para poucos operadores que ganham bilhões, tem que ser melhor regulamentado , monitorado e fiscalizado pelo CVM.

    E as declarações do governo só prejudicam o mercado que já sacrifica milhares de pequenos investidores e que nao aprenderam os jogos desonestos de muitas corretoras, que tanto GANHAM na alta como na baixa.

    Querem que uma ação que vale R$ 20, volte a valer R$ 30,00, é totalmente impossível e desonesto. “Res non verba…” e ” non dominus…”

    O mercado de ações é para alavancar e garantir o crescimento das empresas, com a retribuição de lucros reais sobre o patrimopnio. Mercado de ações não pode continuar sendo tratado como um grande Cassino de Atlant City ou de Las Vegas, daí a volatilidade justificada

  9. paulo disse:

    se fosse para gastar 1% dessa ajuda com sem-tetos os LIBERAIS LOGO falariam¨” é necessário ensinar a pescar e não dar o peixe”

    quando é para ajudar banqueiros gordos formados em harvard a situação muda…………………
    quanto a classe média. eu também queira ter comprado um pequeno não ter dinheiro para pagar e pedir socorro aos contribuintes. e para os sem-tetos………….nada

  10. Luiz disse:

    Não entendo porque tamanha variação de preços nos papeis da bolsa no Brasil

  11. HomusOtarius disse:

    Marx, o visionário tresloucado, deve estar morrendo de rir na sua tumba. (rs)

  12. HomusOtarius disse:

    “A bancarrota de um sistema financeiro global que penaliza os países pobres”. Quem afirmou isso? Será que foi algum desses “iluminados” que têm explicação prá tudo? Ou será que foi algum comunista? Algum socialista, talvez. Não!! Quem fez essa afirmação foi o mega-especulador George Soros, que ficou conhecido como o investidor que quebrou o banco da Inglaterra, apostando contra a libra esterlina, em 1992, e ganhou 1 bilhão de dólares em um único dia! Ora, se um ícone do capitalismo, que conhece os meandros de um sistema viciado, afirma que esse sistema fracassou, quem sou eu para duvidar disso?

  13. luiz.C.L.Botelho disse:

    Gostaria de comentar para este blog que todas estas ajudas financeiras diretas do Tesouro Americano são desastrosas a médio e longo prazo(provavelmente a curto prazo também!). É bem sabido que depois de fracassadas guerras megas custosas, o Tesouro efetivo de qualquer Estado beligerante(mesmo o do vencedor) deverá estar em situação difícil.Os USA possuem uma dívida real de U$11 trilhões ,ainda não saneada e o mundo não é uni polarizado! .Certamente a solidez do Tesouro Americano não inspira mais confiança entre os investidores europeus!.Logo a questão premente é quais serão os mecanismos que estão sendo criados para repassar tal “conta” para aqueles países dependentes economicamente dos Bancos Europeus e Americanos,especialmente o Brasil,onde a Bovespa é uma simples sucursal da Bolsa de NY.Ficou claro das ultimas discussões neste Blog, que o Pre-sal é ainda uma quimera propagandística dos donos da Petrobrás(investidores Americanos em apuros). A petrobazex transformou-se em mais uma moderna “Hacienda” high tec e de carácter meramente extrativo!(lembrem-se da ICOMI/Amapá , Fordlândia e antiga Light no Rio)-culpem as políticas industrias e comerciais desastrosas das esquerdas/direitas intelectuamente imbecis (neo-liberal ) e de genialidades no caráter macunaímico do PSDB( e ex- PFL).Culpem também a continuação da mesma pelo PT ,PMDB(e partidos pequenos -casos de polícia,conforme abundante noticiários dos Veículos de Comunicação).É claro que em paises democráticos e minimamente civilizados, os culpados são sempre as agremiações partidárias que exercem o governo(federal, estadual e municipal)Portanto nada pessoal deste leitor contra a ideologia partidária de qualquer Partido Político Brasileiro!.Finalmente chamo a atenção dos leitores deste blog, que a nossa ciência e tecnologia ainda andam de “carona”( com verbas do CNPQ ,FINEP,etc…)(os nossos cientistas ,intelectuais e engenheiros de pesquisa ainda permanecem ,em sua grande maioria, co-”carona”-autores na apresentação de pensamentos, resultados científicos e projetos tecnológicos que sejam de significado internacional-relevantes). Para enfrentar estas crises , o Estado Brasileiro precisa ter uma política industrial coerente,inteligente do ponto de vista Geo-político e realista frente ao cenário nacional.( O que temos hoje em termos de Parque Industrial Brasileiro ainda é devido ao Getúlio, Médici e Geisel. Quanta tristeza!.Rezo para que o “famigerado Lessa” não tenha minimamente nenhuma razão sobre a sua” premonição” de que o Brasil “vai entrar pelo cano”.Mas não devemos esquecer que a atual prática política brasileira de “espionagens e Sabotagens tipo STASI” (Cheloti,G.Araújo, Jorge Félix,Abin,Ciex,cenimar,Ciar,etc )de uso criminoso de manipulações e chantagens ´só enfraquece a democracia brasileira,e portanto as defesas do Estado brasileiro frente aos problemas externos.

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