A caminho da solução
Sem entrar em outras considerações, o plano de absorção pelo governo de créditos privados podres ou incertos, em vias de ser adotado nos Estados Unidos, parece ser uma solução sistêmica para uma crise financeira sistêmica. Em situações como essa, de fato, só tempo e dinheiro resolvem a parada.
Injeção de recursos públicos pontuais, coordenação de transferência de ativos privados para outras instituições privadas, com suporte de dinheiro público, empréstimos de liquidez com juros descontados, são todas ações fadadas ao insucesso quando o que está em jogo é a confiança geral no sistema. Nesses casos, o grosso dos recursos públicos injetados acaba “empoçando”, como se diz em economês.
Como ninguém sabe com um mínimo de segurança o tamanho do problema de cada instituição – e, mais ainda, do conjunto –, a liquidez seca e se instala uma crise de crédito, mesmo quando algum socorro aparece aqui e ali. A tendência é pegar o dinheiro bombeado pelo governo, aliviar a emergência e se calçar para o que não se sabe que virá à frente, fechando as torneiras dos novos financiamentos. Os fluxos de pagamentos de empréstimos e refinanciamentos ficam interditados, com a recusa de financiamento para quem não parece estar solvente, mas também para quem está.
Por isso, a solução conhecida para evitar um crash geral e devastador exige que as autoridades econômicas não só tornem disponíveis recursos em volume suficiente. É fundamental que se estabeleça um mecanismo para que isso seja feito de forma contínua e ao longo do tempo. Um fundo, por exemplo, com regras de acesso, como o que está sendo discutido, neste exato momento, nos Estados Unidos.
No final do processo, se der certo, terá havido uma brutal transferência de recursos públicos para o setor privado, expresso por um aumento da dívida pública e com os conseqüentes efeitos negativos da explosão de déficits públicos “não produtivos” (eu defino os “produtivos” como aqueles que refletem investimentos em ampliação de infra-estrutura, em capacidade de produção de setores críticos e em transferência de renda) na economia real.
Ou seja, a solução para um problema financeiro sistêmico tende a levar dificuldades para a economia real, que se traduzem em perspectivas de menor crescimento e maior pressão inflacionária. O tamanho do estrago macroeconômico dependerá do tempo necessário para a recuperação da confiança nos mercados e em suas instituições.
De todo modo, o que está sendo tentado agora não é uma novidade. É mesmo um procedimento clássico do capitalismo contemporâneo: a produção pelo governo dos chamados “financiamentos compensatórios”. Temos, aqui no Brasil, enorme experiência com esse tipo de solução.
Esse tipo de saída, entre nós, atendia pelo nome de acordo com o FMI (e como os demais organismos multilaterais de financiamento). Os empréstimos negociados pelos governos, sob condições draconianas de pagamento, nada mais eram do um mecanismo de troca de dívida privada por dívida pública. Como agora tudo indica será feito nos Estados Unidos.
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags:
Foto: Edu Simões
TESOURO AMERICANO ASSUME ATIVOS INCOBRAVÉIS, MAS PASSIVOS COBRAVÉIS.
Telvez essse seja o melhor negócio do século para os especuladores. Jogaram nos cassinos sabendo antecipadamente que iriam ganhar às custas de sacrifícios de milhões de pessoas. Ñ existe loteria melhor no planeta.
E como serão analisados os Bancos Centrais e as empresas de avaliação de Riscos que mostraram que estão a serviço do sistema financeiro e não a serviço da sociedade para a sua fiscalização e monitoramento ?.
E os bilhões e bilhões de USD ganhos desonestamente, o governo oficializou como “honestos” e, a partir de hoje, com auto regulamentação intocável, novos bilionários continuarão surgindo do dia para a noite na especulação financeira.
O impressionante é que a sociedade civil realmente é desorganizada e sempre paga a conta dos outros, sem cobrar ou exigir explicação.
A euforia agora chegou com o reinicio da manipulação da cotação do dólar, das bolsas de valores e de mercadorias e das taxas referenciais de juros, em paises como o Brasil. Crime é para ladrao d galinha ou d prato d comida
E vem aí um processo Hiperinflácionário recessivo! Será que vale a pena salva instituições que ganharam tanto na bonança, arriscaram alto e quando vem as perdas os prejuizos são socializados? Isso é o nosso sistema financeiro atual (global), onde o capital especulativo e não produtivo é privilegiado sempre… onde isso vai dar em um futuro próximo? veremos…
penso que tem muito inocente e ingênuo pagando o pato, convenhamos, não deixa de ser uma covardia deixá-los abandonados
não é justo
A esperança é aguardarmos pra vermos das consequências
De preferência com a punição dos culpados, com CADEIA …a começar por BUSH e seus comandados
Caro José Paulo, O artigo do amigo esta nota 10. Os comentários postos idem idem. As providências tomadas serão me parece mesmo para curto ou médio prazo, e depois ?Aqui vamos ainda conter inflação com a alta de juros?Como ficarão as pequenas empresas? É brabo aguentar, Continuarão dando uma ASPIRINA INFANTIL PARA O ELEFANTE ADULTO….
A pergunta que não quer calar é:
- qual será a próxima vítima???
Só que lá não terá as exigências draconianas.
E como é bom emitir moeda!
A existência dessa bolha era conhecida por todos os banco de investimentos, os mesmos que durante anos seus diretores lavaram a burra com bônus que chegavam algumas vezes a casa das centenhas de milhões de dolares por ano.
Há uma regra simples que diz que o retorno está diretamente ligado ao risco. Apostaram errado, botaram ovo podre na cesta, agora paguem o pato, sozinhos.
O investimento americano agora posto como salvador para essa crise anunciada deveria ser voltado ao crédito de resquarda para as pequenas e médias empresas e investimento em infra-estrutura e geração de empregos, ao inves de socializar o prejuizo de quem até pouco tempo arrotava.
Ok, o plano parece bom, mas a gente ainda nem sabe como ele realmente é…
Na verdade foi muito estranha esta divulgação de um plano que não existe justamente na véspera do vencimento de opções e de índice. Sim, hoje é “quadriple witch”.
Ainda houve, hoje, a suspensão da proibição de recompra de ações pelas companhias na abertura.
Para completar, a SEC solta normas proibindo as short-sellings, (as vendas alugadas por aqui). Pra mim isso é tiro no pé. No final das contas quem dá liquidez são os especuladores. Quando o mercado caía 5 ou 6% nos últimos dias, quem eram os primeiros a entrar comprando e segurar a queda, quando os “investidores” estavam paralisados? Justamente quem tinha vendido “short” lá em cima e estava realizando o lucro. Quero ver na próxima queda, o mercado vai paralizar.
Só pra lembrar: em junho a “SEC” paquistanesa soltou uma medida igual, proibindo as vendas alugadas e restringindo a variação negativa dos papéis a 1%. No primeiro dia foi um sucesso, mais de 8% de alta. Depois, 15 dias seguidos de queda…
estimado Zé Paulo, quantos caminhos vão surgir após esse abafa do gaverno e do FED. Você com a sua experiência apostaria em uma futura recessão, uma súbita inflação, o que vem pela frente? Zé Paulo, eu acredito até que este socorro foi sem dúvida providencial, mas até quando os americanos tem balas para acudir estas instituições, pricipalmente vivendo este momento de manutenção desta guerra estúpida , provocada este fascínora no Iraque. lha Zé tem que ter muita grana para isto tudo concorda?
E como ficam as empresas avaliadoras de riscos?
Quanto tempo levamos para atingir o tal de grau de investimento, às custas do sacrifício de milhões de brasileiros? Será que já não éramos confiáveis há muito mais tempo?
Quem é que vai pagar por isso?
Outrta coisa Zé Paulo, Apesar de não ver outra saída a princípio, pense bem: O risco que o governo dos EUA em criar esta agência para abraçar estas dívidas é muito alto. É evidente demais que isto tudo, é um grande saco sem fundo e perdido . Não sei bem ao certo dizer hoje com precisão as sequelas destas atitudes, porém os caminhos que vejo pelo frente são dois: Recessão e uma súbita inflação logo a seguir, A decisão de ontem à noite, criando um fundo para acomodar os títulos pobres, ou podres, acabou de sacramentar a valorização do capital especulativo e improdutivo, em detrimento dos interesses da sociedade. Os Bancos Centrais mostraram, mais uma vez, que realmente continuarão a serviço dos cartéis especuladores, que voltaram com força redobrada para cometerem os mesmos abusos e erros, porque estão imunes as mesmas penalidades que nós mortais.
Se tem uma coisa que essa confusão conseguiu foi movimentar isso aqui…mal dá tempo pra se inteirar das novidades e lá vem mais. Aliás, Kupfer, vc anda inspiradíssimo nesses dias. Bem focado, bem humorado, enfim, é um prazer permanente ser informada assim.
Sou meio curiosa mesmo nessas macro questões econômicas e, portanto, Neo (desculpa, é Guerreiro..rs) não sei se consigo explicar os fenômenos das reações daqueles que se diziam liberais até então…
A única coisa que consigo concluir é que liberal, liberal mesmo, pra valer, acho que sobrou só você, assim como comunista, comunista mesmo, só o Saramago e o Niemeyer. É tudo uma questão de fé… E assim caminha a humanidade e a marcha continua!
Lembra do vampiro braslieiro? – neste caso, com certeza ele diria: “capitalismo americano”…ara..
Este é o neoliberalismo ,esta é a não fiscalização(intervenção) do Estado nestas organizações, na hora de ganhar tudo lindo maravilhoso,quando se perde tudo triste ,mas está aí o Estado (POVO) para financiar as mazelas novamente do neoliberalismo ,até quando ??????? – A função do Estado não é financiar os Bandidos de colarinho branco , e a sociedade ,onde fica,pagando as contas. Cadeia neles…!!!!!!!!!
Veremos o país todo poderoso(USA) durante algum tempo como o Japão, na década passada,taxa de juros negativa e crescimento perto de Zero.
Isso vai nos atingir logo,logo.
Eta país(Brasil) azarado…
Sou PALPITEIRO, mas não sou banqueiro….
A senha deve ser olhar para a China. Alguém aí preparado para escrever sobre ” Quanto vale o preço da hegemonia ?”. Temos que olhar a China , país que dizem, agora tem US$ 3 TRILHÕES em títulos da dívida do governo americano. Quanto é isso para cada governo ? A China tem saldo anual ( soma todas as receitas e diminui as despesas) de U$ 1 tri. Os EUA um deficit de U$ 700 bi/ano. Quando me pergunto onde começou a crise a resp. é no endividamento do povo americano. Quando a pergunta é – por quê não estanca ? a resp. é por causa do governo americano, que deve demais e todo mundo sabe que pode pagar, nem que seja emitindo dólares e causando inflação por excesso de liquidez . Mas quando a questão é quem causou, a China é forte candidata !!! … Compra títulos do governo americano, não porque irão se valorizarr, mas sim porque pode-se dar ao luxo de transformar US$ 3 TRI em papéis que valerão , sei lá , US$ 1 TRI. Explico a tese sem dar a proporção : Se você tem muitos carros que normalmente valem R$ 30.000,00 mas de repente você vende esses carros ao preço de R$ 20.000,00, dá garantia e supre as necessidades dos interessados compradores daquela ocasião, então o preço de mercado passa a ser de algo próximo a 20 mil.
Será que a crise não vai cessar, pelo movimento de um governo no canto do mundo, mesmo depois de uma injeção como vista ontem ?
Com a palavra o JPK
Essa, vai para todos esses analfabetos econômicos que tecem comentários idênticos aos que o Lula proferia quando era apenas um candidato de oposição.
Não se pode nem se deve deixar que uma instituição financeira tão grande como as que agora passam por dificuldades quebrarem. É e será p´éssimo para economia global se isso acontece. O FHC quando de seu governo fez isso corretamente no Brasil e evitou um agravamento de crise. Toda empresa que consegue abrir seu capital numa bolsa e vender suas ações é sinal bom para todos, pois ela capta dinheiro e o risco passa a ser dos investidores. Que mal há nisso…é salutar econômicamente que assim seja. Um banquinho ou outro quebrar não tem grande problema, mas instituições do porte dessas em hipotese nenhuma. Podem observar o DISCURSO do noso Lula, é mais maduro hoje em dia.
Querida curiosa,
Desta vez, você está mal informada, querida. Embora existam por aí muitos liberais de fachada, iguais a esses que o preclaro Kupfer gosta de citar, há também muitos liberais autênticos. É só procurar nos lugares certos. Porém, mesmo que eu fosse o último, isso não daria a você a certeza de que estou errado. No passado, acreditou-se que a terra era plana, e foi preciso que um sujeito inconformado com o “consenso”, provasse o contrário. Lembre-se também que, mesmo na Alemanha nazista, havia uma minoria que não concordava com aquilo tudo.
Quanto à “questão de fé”, ainda que eu listasse uma centena de livros, explicando detalhadamente o meu ponto-de-vista, tanto em termos empíricos quanto lógicos, ainda assim você diria que é tudo “questão de fé”. Quanto a isso, nada há que eu possa fazer, pois sua fé parece ser bem maior que a minha. Bjs
Dinheiro não surge por geração expontânea. Dinheiro MIGRA de um lugar para outro.
Os serotes que agora necessitam de ajuda são aqueles que equivocadamente pensavam estar tendo lucro em suas transações. Quando se tornou evidente que não estavam, ficou claro pra todo mundo o tamanho da cagada.
Resumindo: O dinheiro da ajuda de agora está MIGRANDO para os setores que estavam lucrando com dinheiro que não existia, ou seja, empréstimos sem lastro e imóveis que valem menos que o mercado achava que valia.
PRESIDENTE BUSH TENTA EXPLICAR O INEXPLIC�VEL
Depois de envolver + de USD 800 bilh�es de recursos do tesouro americano ( do povo) , para salvar os especuladores do capital vol�til, quem de fato esperaria do presidente Bush outra explica�ao ?
A fala do presidente, para iludir os cidad�os, n�o � f�cil atingir os objetivos. E a minoria de privilegiados devem estar comemorando com champagne Cristal ou uma mais cara ainda e n�o falsificada, como falsificaram os dados do mercado financeiro mundial.
A crise americana vai ficar na hist�ria e por que :
- Pagando jrs, negativos para uma d�vida de USD 9,5 trilh�o, o pa�s est� economizando em encargos financeiros anuais mais de USD 400 bilh�es.
- A especula��o financeira, com base no territorio americano, volta , a partir de agora, bem capitalizada, a monitorar e agredir mercados como o brasileiro , para usufruir de ganhos bem f�ceis, em titulos do governo, em a��es e comodities.
Tem exemplo~melhor para incentivar o crime financeiro, do que a decis�o americana ? Os bobos est�o presentes no mundo todo.