Cuidado com os catastrofistas
Das muitas novidades da atual crise financeira global, uma que chama a atenção é a queda da regra do silêncio sobre instituições em dificuldades. O paradigma quebrado é o de que não se devem amplificar as informações sobre as dificuldades de um banco porque é aí mesmo que ele escorre pelo ralo.
Esse tipo de comportamento antigo, mais cauteloso e discreto, inclusive e sobretudo na imprensa, também escorreu pelo ralo, nesta crise. Entrou em cena a novidade do anúncio da fila dos afogados.
Realmente, no mesmo momento em que as atenções – e as notícias – se concentravam nos esforços para salvar o Lehman Brothers, se anunciava, em letras ampliadas, que a Merril Lynch e a AIG eram os próximos.
A Merril Lynch foi passada adiante e a AIG já entrou na UTI. Hoje, com o rebaixamento de seu rating pelas famosas agências de classificação de riscos, as ações estão 91% abaixo do valor há um ano. Falando claro, já não tem condições de se safar sozinha do afogamento.
Quem será o próximo? Saíram, hoje cedo, os resultados trimestrais do Goldman Sachs, o maior banco de investimento americano, e, até aqui, o menos afetado pelas turbulências. Ainda deu lucro, só 70% abaixo do registrado há um ano, e as receitas caíram 50%.
Mas o que explica essa mudança de paradigma? Uma resposta interessante, ainda que não a única e, eventualmente, nem a melhor, é a de que tem muita gente – mas muita gente mesmo – vendida nos mercados futuros, vivamente interessada, neste momento, em aproveitar a onda para derrubar os preços dos ativos que carregam. E como carregam ativos.
A moral dessa história, para os viventes da planície, é a de que, com o maior cuidado para não colocar todas as fichas nesse diagnóstico, as previsões catastrofistas podem estar camuflando aqueles chamados “interesses inconfessáveis”.
Como quem normalmente está fazendo previsão é gente do próprio mercado, que opera no mercado para si ou para outros … Não é para não acreditar, mas para botar um pé atrás.
Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags: AIG, crise, economia, Goldman Sachs, Merril Lynch
Foto: Edu Simões
O BACEN quer trazer a inflação para o centro da meta por isso temos deflação agora, tudo como planejado.
Luis,
Respondendo à sua pergunta, curto e grosso: existe.
Abrs.
Caro JPK e comentaristas,
É impossível dizer que qualquer país esteja imune à crise atual. Os pronunciamentos das autoridades monetárias brasileiras têm a finalidade de evitar uma corrida ainda maior do que a que já está acontecendo. Espero que ninguém leve tão a sério que o “Brasil está forte e não sentirá os efeitos da crise”.
Quanto ao fato de que oportunidades se abrirão com esta crise, concordo plenamente. Por mais que a crise seja intensa, por mais que as linhas de crédito sejam reduzidas ou encarecidas, NÃO é razoável pensar que a VALE acabará e/ou que a PETROBRÁS deixará de ser a empresa que é, bem como não se pode negar que os fundamentos da economia brasileira não são tão frágeis como no passado recente.
Assim sendo, oportunidades existirão, a questão é que provavelmente se abrirão no longo prazo e numa estrada de altos e baixos. Quem tiver fôlego suficiente cruzará a linha de chegada e subirá ao pódio.
A CRISE É DOS BANCOS, MAS A SOCIEDADE, POR CONIVENCIA DO ESTADO, SEMPRE PAGA O PATO QUE NÃO COMPROU E NAO COMEU.
A crise é realmente um elo da mesma corrente e lamentavelmente endossada pelos Bancos Centrais e pelas agencia de classificação de riscos e por todos aqueles que ganharam dinheiro desonestamente.
É totalmente injustificável, com tecnologia de ponta para as comunicações online, o mundo continuar sendo tranquilamente controlado pela nociva auto regulamentação dos cartéis.
Talvez na próxima reunião do BIS e do G-20, em São Paulo, em outubro e novembro, surja uma solução definitiva para o controle de ágios, monitoramento correto de comodities e iniciativas que de fato defendam os interesses da sociedade mundial. Parece que os chines já dispoem de um plano e outros países também.
Essa propalada crise não é de ESTADO, mas uma crise localizada no sistema financeiro cartelizado, que fabricou centenas de bilionários em curtissímo prazo e desonestamente. E hoje esses especuladores estão usando o ESTADO PARA GARANTIR A PRIVATIZAÇÃO DE SEUS LUCROS E A SOCIALIZAÇÃO DE PREJUIZOS. E O ESTADO , PARA GARANTIR A CONTINUIDADE DESSES CARTÉIS, MAIS UMA VEZ IRÁ PENALIZAR O POVO INDEFESO QUE NÃO RECEBEU, MAS VAI PERDER BENEFÍCIOS PARA A CONCENTRAÇÃO DE RIQUEZAS.
Kupfer,
Acho que você vai gostar dessa:
* Robert Peston
* 16 Sep 08, 04:40 PM
Ken Lewis, the chief executive of Bank of America, said yesterday that “I don’t know of a major bank that doesn’t have some significant exposure to AIG”.
American International buidling, New YorkSo AIG’s need to raise billions in new capital to shore itself up has sent shockwaves through global markets and helped to undermined the share prices of many banks.
But how exactly are banks “exposed” to AIG?
Light is shed by an insightful bit of research by Sandy Chen of Panmure Gordon.
He has found the following paragraph in AIG’s US regulatory filing:
“Approximately $307bn (consisting of corporate loans and prime residential mortgages) of the $441bn in notional exposure of AIGFP’s super senior credit default swap portfolio as of June 30, 2008 represented derivatives written for financial institutions, principally in Europe, for the purpose of providing regulatory capital relief rather than risk mitigation. In exchange for a minimum guaranteed fee, the counterparties receive credit protection with respect to diversified loan portfolios they own, thus improving their regulatory capital position.”
If you managed to read to the end of that, your reaction is probably “you what?”
Well, I’ll tell you what.
AIG is saying here that it has insured $307bn of corporate loans and prime residential mortgages that are on the balance sheets of banks, mostly European banks.
The banks have bought this insurance to protect themselves against the risk that these loans would go bad, that borrowers would default.
Their motive for doing so was to reassure their respective regulators – such as the FSA for UK banks – that these loans are of minimal risk.
And the benefit of doing that was that they could lend considerably more relative to their capital resources.
But if AIG is in trouble, then doubts arise about whether it would be able to honour the financial commitments it has made through these insurance contracts (which, for those of you who like to learn the lingo, are called super senior credit default swaps).
In fact, in a wholly mechanistic way, the downgrades of AIG’s credit rating that we saw last night automatically increased the perceived riskiness of loans made by banks that have insured credit with AIG.
Which means those banks’ balance sheets become weaker – and that could mean that they’ll be forced by their regulators to raise additional capital.
Moral da estória: o tal mercado financeiro europeu, rigidamente regulado, cantado em prosa e verso pelos intervencionistas, parece que não escapou da debacle. De fato, já se fala que as conseqüências por lá serão ainda piores.
Como diz um amigo meu, regras regulatórias distorcem os incentivos de mercado, incentivam “alternativas criativas”, ajudam a produzir aberrações e, last but not least, não evitam os problemas.
Abrs
Abrs
Warrior,
O Fed já cuidou do risco. Fica frio…
Abrs.
Gostaria de entender. Não, de ser convencido, que os Títulos do Tesouro Americano são o porto seguro do Investidor. A confusão toda começou lá, com o tal de Sub-Prime e ninguém consegue dizer onde vai parar ou quem mais vai quebrar. Quantos mais vâo falir? Quem vai permanecer de pé? E se os EUA estiverem Falidos? Como podemos fiar nossas riquesas nas reservas de 200 bi U$$? Acredito que precisamos de algo mais sólido, mais palpável e Real do que este fictível papel.
Acredito que o BRASIL é o celeiro do mundo, com a maior e melhor hidrografia, cheiro de riquesas incalculáveis e os melhores cérebros do mundo, então, porque ficamos a mercê do capitalismo e da ganância de quem não tem nada?…
E aì? Sem resposta? Então que tal esquecermos tudo isso e irmos trabalhar, afinal, como diz o ditado, só o trabalho produz riquezas.
Todas as crises são excelentes oportunidades para ganhar dinheiro.Aqui e lá fora as empresas estão baratíssimas.Quem mais fomenta “sinistrose”,são aqueles que mais lucrarão.Se bolsas despencam pelo mundo,existe alguém na ponta comprando.Imaginem quem entrou na Bolsa com 10,000pontos.Apesar de tudo,ainda nada de braçada.
Inacreditável como todos parecem entender de tudo e aparece um novo profeta do óbvio caos de sempre.
Dólar irá a R$2,00, vários setores da economia brasileira irão quebrar, blá blá…….desculpem meus caros, ilustres e inquestionáveis economistas de fundo de quintal….existe sim hoje um descolamento entre a nossa economia e a economia americana. Claro que a crise americana vai afetar a nossa economia mas não da forma apocaliptica que está sendo propagandeada por todos. E é claro que se o EUA entrarem em recessão não teremos valorização do dólar de forma contínua. O que estamos vendo nesse momento é uma bolha que deverá se dissipar até o final dessa semana ou já na semana que vem. Eu acho que o problema é justamente o contrário…daqui a poucos dias ….teremos uma desvalorização contínua do dólar e isso sim pode causar um grande estrago para nossas exportações.
O que nosso País precisa fazer é aproveitar o momento dessa economia super aquecida e estimular a poupança interna abrindo linhas de crédito mais acessíveis dos títulos brasileiros.
Agora quanto a carga tributária e taxa de juros infelizmente já tem gente demais repetindo as mesmas coisas: MUDA BRASIL!!!!
Uma charge em um jornal alemão reproduzindo o mal otimista.
Este personagem caminha em direção ao abismo á sua frente pensando sempre em frases otimistas . É elementar que os opostos são ruins , mas cautela e uma boa canja de galinha não faz mal a ninguém isso é verdade . Os clientes do Banco Santos que o digam. Até o último momento os otimistas conservavam o espírito reto e firme confiantes no seu Presidente e nas contas super, ultra positivas do Banco Santos apresentadas em balanços , ativos , passivos , circulantes, etc , etc. Os pessimistas retiraram o seu rico dinheiro rapidamente. Os otimistas afundaram junto com o Banco Santos. O Presidente do Banco saiu rico e provavelmente hoje está no Havaí tirando umas férias prolongadas.
Kupfer, é vero, fiquei bom tempo sem aparecer.
O que me assusta é esse “cheque especial” que o tesouro norte-americano tem, pior que está aumentando.
Já bate nos 9,5 trilhões de dólares, some-se a isso o buraco de 3 trilhões das hipotecárias (ex-híbridas) e à estatização da seguradora (não creio que ficará barato, ainda não li nada sério sobre esse montante).
Ah, despesas com guerra, também contam.
Esse buraco está ficando muito grande não acha?
Golias foi derrubado na pedrada, um escorregão mais forte e creio que a coisa não se sustenta, não é saudável tocar a economia na corda bamba.
Vamos esperar, ou arruma ou detona, pelo menos não houve corrida aos bancos (o que foi um alívio).
Catastrofista é bom para que se pense sempre num “plano B”, ainda bem que os há.
Catastrofismo? O Brasil optou pelo estoque de reservas, hoje na casa dos US$ 230 bi, em detrimento dos investimentos nas infra-estruturas do País. Nesse segmento, onde poderia atrair investimentos diretos, o Brasil deixa muito a desejar. Taí a fuga em massa de capitais (dinheiro expeculativo). Ainda que o “sábio tupiniquim” já tenha aos quatro cantos ventado que a economia brasileira é inatingível pela crise vejo com certo ceticismo pois internamente o reflexo dela será uma oferta e demanda maior por alimentícios – ao menos enquanto durar os estoques que não serão exportados para o maior importador de produtos brasileiros. Talvez seja por este ângulo que o desgoverno brasileiro com sua boa grande se vangloria tanto. A CRISE PODE E CERTAMENTE TRARÁ PROBLEMA PARA O BRASIL A EXTERNO EXTERNO. É aí que a porca vai torcer o rabo.
Catastrofismo? O Brasil optou pelo estoque de reservas, hoje na casa dos US$ 230 bi, em detrimento dos investimentos nas infra-estruturas do País. Nesse segmento, onde poderia atrair investimentos diretos, o Brasil deixa muito a desejar. Taí a fuga em massa de capitais (dinheiro expeculativo). Ainda que o “sábio tupiniquim” já tenha aos quatro cantos ventado que a economia brasileira é inatingível pela crise vejo com certo ceticismo pois internamente o reflexo dela será uma oferta e demanda maior por alimentícios – ao menos enquanto durar os estoques que não serão exportados para o maior importador de produtos brasileiros. Talvez seja por este ângulo que o desgoverno brasileiro com sua boca grande se vangloria tanto. A CRISE PODE E CERTAMENTE TRARÁ PROBLEMA PARA O BRASIL A NIVEL EXTERNO. É aí que a porca vai torcer o rabo.
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