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01/09/2008 - 15:07

A volta dos que não foram

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de 23 de julho, registrou:

“Diante da deterioração das perspectivas para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Comitê avalia que o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno segue se elevando.”

E reafirmou:

“O Copom avalia que, diante dos sinais de aquecimento da economia, como ilustram a aceleração dos preços no atacado e a trajetória dos núcleos de inflação, e da rápida elevação das expectativas de inflação, são relevantes os riscos para a concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas.”

Em palestra, na sexta-feira, 29 de agosto, em São Paulo, para estudantes de engenharia da Universidade Mackenzie, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou:

“A boa notícia é que o processo está funcionando e já estamos vendo os sinais de que a inflação está convergindo para o centro da meta”.

Os últimos dados mostram, de fato, que a inflação está perdendo força. O IGP-M registrou este mês sua menor taxa desde abril de 2006, com deflação de 0,32%. Deflação também aparece em todos os índices de preço ao consumidor, empurrados para baixo pelo recuo acentuado dos preços dos alimentos.

Perguntar não ofende:

1) Com os sofisticados modelos de previsão do BC não dava para prever, com um mísero mês de antecedência, a tendência declinante dos preços?

2) Se, porém, esse recuo é meramente pontual, como é possível já enxergar sinais de que a inflação está convergindo para o centro da meta?

3) O BC não está passando recibo de que, mais uma vez, exagerou na dose?

4) E na reunião da semana que vem, o sinais de convergência da infla~ção para o centro da meta vão se impor ou a “deterioração das perspectivas para a inflação” voltará a prevalecer?

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags: , ,

24 comentários para “A volta dos que não foram”

  1. JOAOROCHA disse:

    AMERICANOS ECONOMIZAM EM COMBUST�VEIS E NAS AQUISIÇÕES DE VE�CULOS

    A cada dia os americanos est�o nos dando uma demonstra��o de que quando querem, fazem. E o exemplo bem recente � a dr�stica redu��o na aquisi��o de ve�culos novos de passaio, envolvendo todas as grandes montadoras de marcas locais e asi�ticas, com uma consider�vel diminui��o no consumo de combust�vel.

    Se os Governantes do G-15 quiserem, � poss�vel controlar a usura dos grandes cart�is mundiais, hoje totalmente auto regulamentados. Afinal, os governantes representam mais de 6,5 bilh�es de pessoas e que n�o podem continuar sendo sacrificada por uma minoria de privilegiados. De novembro de 2007 at� hoje, os americanos j� economizaram mais de 100 bilh�es de litros de combustiveis automotivos.

    Com o exemplo americano e de outras na��es, um Pacto dos pa�ses do G-15, pode gerar um documento em que o Grupo s� pode pagar
    �gio at� o limite de 3% acima da taxa referencial de juros. J� est� passando da hora dos governantes pensarem mais nos bilh�es de pessoas que representam.
    ———————————— ——————————-
    AMERICANOS CONTINUAM GANHANDO COM A REDU��O NAS TAXAS DE JUROS

    A economia que os americanos est�o fazendo com a redu��o dr�stica nas taxas de juros,para rolar uma d�vida de mais de 9 trilh�o de d�lares, est� proporcionando o aumento de recursos para se gastar com a guerra e destacar mais US$ 1 bilh�o para reconstruir a Ge�rgia. � dificel entender recess�o, assim. Enquanto isso, os especuladores financeiros e vol�teis, com os juros americanos negativos, est�o buscando mercado como o brasileiro para aplicar recursos em a��es e US$.

    No grupo do G-15, o Brasil � o �nico pa�s que est� remunerando com grande atrativo, os cart�is financeiros internacionais. J� os Estados Unidos, pagando juros m�dios reais abaixo de 3% ao ano, para rolar uma d�vida de 9,5 trilh�o de US, est� pagando pouco menos de US$ 190 bilh�o de d�lares, ano, ou , em reais, pouco mais de 300 bilh�es de reais. J� o Brasil, para rolar uma d�vida de US$ 870 bilh�es ou seja,representando somente 9,5% da d�vida americana, est� pagando jrs. nominais de US$ 110 bi a.a. ou quase 80% dos jrs pagos pelos USA. Entende…? Ou será que esse é um privilégio de poucos alfabetizados em matemática. Mas que é um absurdo, é.

  2. JOAOROCHA disse:

    O Brasil realmente está pautando muitas decisões importantes de Governo, principalmente na área economico financeira, através da mídia. Aumentar a Selic em 0,75% , como desejam analistas e mídia impressa e falada, serve para previnir o que ?. Só se for para previnir os especuladores de que a mina não secou. O aumento de 0,75% represente mais um acréscimo de R$ 10 bilhões na dívida do Tesouro. É muito dinheiro e seria o suficiente para a construção de uma ferrovia de + de 1.000 km ou proporcionar a construção de 500 mil casas populares.

    Compensa ler uma entrevista sobre o poder da mídia, publicada hoje, no DW WORLD.

    “Em entrevista à DW-WORLD.DE, o cientista político Colin Crouch explica seu conceito de “pós-democracia”, analisa a influência do discurso midiático sobre processos políticos e aposta no fortalecimento da sociedade civil.
    O catedrático britânico Colin Crouch, especialista em Governança e Gestão Pública da Universidade de Warwick, desencadeou com seu livro Pós-Democracia um ferrenho debate não somente dentro do Reino Unido. “Os alemãs acham q essa ñ é a Democracia que sonharam. Precisamos encontrar um verdadeiro modelo democrático-social que incorre à sociedade os 500 milhões de pessoas que vivem em completo estado de desnutrição.

  3. JOAOROCHA disse:

    UNCTAD ACUSA OS CARTÉIS INTERNACIONAIS

    “Um novo relatório da Unctad, o braço das Nações Unidas para o Desenvolvimento, prevê que os países emergentes crescerão neste ano quatro vezes mais do que os países ricos.

    Segundo o Relatório de Comércio e Desenvolvimento (TDR, na sigla em inglês) divulgado nesta quinta-feira, os países em desenvolvimento devem crescer 6,4% em 2008 – um contraste com a taxa de 1,6% prevista para os países desenvolvidos, abalados pela crise financeira e o desaquecimento econômico global.

    É o maior descompasso registrado entre o ritmo de crescimento dos dois grupos de países em 15 anos. Em 1998, ano da crise russa, os emergentes inclusive chegaram a crescer menos do que os ricos (1,1% contra 2,1%, respectivamente), segundo os dados históricos da Unctad.

    Para o Brasil, a entidade avalia que o crescimento será de 4,8% neste ano, um pouco acima da projetada média latino-americana de 4,6% e muito atrás das estimativas para China (10%) e Índia (7,6%).

    Recessão

    Pelas previsões do relatório, a economia global como um todo deve crescer 3% em 2008 – um ponto percentual a menos do que em 2007 .

    A Unctad diz que a Responsabilidade em parte é do Sistema Financeiro global, que mescla “Instrumentos pouco Transparentes com uma grande influência de firmas que buscam extrair Retornos de Dois Dígitos de uma Economia Real que Cresce a um Passo muito mais Lento”.

    Um dos efeitos perversos desta lógica, aponta a Unctad, é o aumento do preço dos alimentos, já pressionado pelo aumento da demanda no consumo dos países em desenvolvimento .

    “Nessas condições, o efeito da Especulação é Amplificado”, aponta o relatório. “É mais do que Coincidência que o recente Repique nos preços tenha começado pouco depois da Turbulência Financeira originada no Mercado Americano.”

    Investimentos

    “Assim como a especulação intensificou o movimento ascendente dos preços, também pode intensificar um movimento de queda dos preços”, diz o documento.

    Como prevenção, a entidade recomenda aos países em desenvolvimento adotar maior diversificação e desenvolvimento industrial – uma transição que requer maiores investimentos em novas capacidades produtivas e em infra-estrutura.” Matéria completa na BBCBRASIL.

  4. JOAOROCHA disse:

    É uma entrevista que precisa ser lida pelos analistas políticos e economicos.

    “O futuro da democracia está nas mãos da sociedade civil”

    Em entrevista de ontem, à DW-WORLD.DE, o cientista político Colin Crouch explica seu conceito de “pós-democracia”, analisa a influência do discurso midiático sobre processos políticos e aposta no fortalecimento da sociedade civil.

    O catedrático britânico Colin Crouch, especialista em Governança e Gestão Pública da Universidade de Warwick, desencadeou com seu livro Pós-Democracia um ferrenho debate não somente dentro do Reino Unido. Suas teorias vêm acompanhando, desde então, as discussões sobre o fim do Estado do bem-estar social na Europa e as ondas globais de privatizações.

    Através de críticas ácidas à “mentalidade apática do cidadão contemporâneo”, Crouch questiona a legitimidade das supostas democracias ocidentais e explicita as forças de manipulação da mídia e das estratégias de marketing – reais definidoras dos rumos da política. Leia abaixo entrevista com Colin Crouch:

    DW-WORLD.DE: Muitos governos parecem atuar em nome dos interesses de multinacionais. Assessores de marketing determinam o nível e o conteúdo do debate público, enquanto parlamentares são guiados por lobbys. Tudo isso não significa, pelo menos do ponto de vista técnico, o fim da democracia tal como a conhecemos?

    Colin Crouch: Os governos de países onde instituições democráticas são sólidas não podem trabalhar somente em função de multinacionais. E os assessores de marketing não podem tampouco controlar todo o debate. Onde os governos têm que enfrentar eleições seriamente disputadas, não é possível ignorar as necessidades do cidadão comum. De fato, o empresariado tem tamanho poder político porque os governos dependem do sucesso econômico para satisfazer as necessidades da população. E as empresas que parecem ter a resposta para tal sucesso.

    Lembre-se de que meu livro Pós-Democracia trata de sociedades onde as instituições democráticas são sólidas e dos problemas surgidos dentro destas. As mesmas forças que você mencionou – multinacionais, estratégias de marketing – seriam muito mais prejudiciais num contexto em que a democracia fosse jovem e com raízes pouco profundas.

    Na Grécia Antiga, Péricles promovia a democracia enquanto no país prevalecia a escravidão. Desde então, a democracia vem sempre sendo acompanhada de contradições. Neste sentido, não seriam os fenômenos que vocês descreve em seu livro como “pós-democráticos” simplesmente parte da evolução natural da democracia?

    Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift: Suíça, no centro da Europa, só permitiu às mulheres direito de voto em 1971O significado da democracia depende da definição do demos, de povo. Até o início do século 20, as mulheres eram habitualmente excluídas do demos em sociedades que, por outro lado, viam a si próprias como democráticas. Hoje, excluímos pessoas abaixo de determinada idade, estrangeiros vivendo num país e, às vezes (como nos EUA) pessoas com certos antecedentes criminais. Os debates a respeito da inclusão na democracia são diferentes daqueles sobre a qualidade da democracia. É deste último que me ocupo.

    Alguns dos sintomas descritos em seu livro estão presentes na América Latina, sem que a região tenha passado por uma fase prévia de consolidação da democracia. Não houve ali nenhum desenvolvimento democrático “parabólico”, mas, mesmo assim, parece que a pós-democracia chegou à maioria dos países latino-americanos. Como você explica isso?

    Como já disse, alguns dos fatores que produzem a pós-democracia podem aparecer em algumas sociedades isentas de uma democracia consolidada. Quando as democracias, hoje estabilizadas, estavam se formando, não havia tais forças como o capital global ou estratégias de marketing sofisticadas.

    Isso certamente dificulta a vida das democracias jovens – na América Latina, no Leste e Centro da Europa, em partes da Ásia, onde essas forças já estão presentes. Será que é demasiado cínico acreditar que o entusiasmo atual em promover a democracia em todo o mundo, por parte das potências ocidentais, é resultado da convicção de que a democracia, hoje, pode ser efetivamente controlada?

    Clique ao lado para continuar lendo.

    Desde a chegada de George W. Bush à Casa Branca, parece haver uma tendência crescente em considerar o poder como um negócio de família. O ex-presidente mexicano, Vicente Fox, tentou promover a candidatura de sua mulher à presidência. Na Argentina, Nestor Kirchner conseguiu eleger sua mulher como sua sucessora. Trata-se aqui de uma outra tendência “pós-democrática”?

    As dinastias são características pré-democráticas. De fato, na maior parte da história da humanidades e na maior parte das regiões do mundo, tanto o poder político quanto o econômico vêm sendo controlados por famílias. Não estou certo se há aqui uma nova tendência.

    Você afirma que especialistas em marketing controlm o debate político, principalmente durante campanhas eleitorais. Poderia citar um exemplo em relação à atual disputa entre Barack Obama e John McCain?

    A política eleitoral norte-americana é tão completamente dominada por eventos midiáticos, que fica difícil identificar momentos que não são controlados pelos assessores de marketing. Uma conseqüência disso é que jornalistas, que realmente ressentem-se do controle de seus trabalhos, estão constantemente em busca de pequenas revelações, de pequenos segredos sujos, a fim de escapar da máquina do marketing político.

    Bildunterschrift: John McCain e vice Sarah Palin: espetáculo para a mídia

    Lembre-se do momento quando McCain se esqueceu de quantas casas é proprietário (sete, de fato) e do embaraçoso pastor, amigo de Obama. Mas essas coisas desviam uma atenção excessiva para incidentes que na verdade têm pouca importância.

    Recentemente, a Rússia trocou seu governo através de eleições livres (pelo menos ninguém as contestou em alto e bom som). No entanto, parece que o primeiro-ministro, e não o presidente, governa o país. Agora temos uma guerra na Geórgia, que pode causar uma instabilidade futura no Cáucaso e talvez até extensiva à Europa. Você vê um fundo “pós-democrático” nessa seqüência de eventos envolvendo a Rússia?

    A Rússia é um caso de uma democracia muito, muito imperfeita, não de uma pós-democracia. Nunca houve um período de solidez democrática em toda a história do país.

    E em relação à aparente tolerância da União Européia frente ao crescente regime autoritário na Rússia? Há aí também elementos pós-democráticos?

    As relações entre os países têm raramente uma base moral. Elas se baseiam em interesses estratégicos e econômicos. Isso sempre aconteceu e não é realmente parte da pós-democracia.

    Seu livro dá a impressão de que a democracia, hoje, não está em boa forma, não apenas em países pobres, mas também nos desenvolvidos. Neste sentido, minha última pergunta é bastante simplista: a democracia tem futuro?

    Os propósitos de escrever sobre uma “distopia” são os de alertar acerca de perigos iminentes, de tal forma que as pessoas possam fazer alguma coisa para evitar o que está por vir. Para fazer isso, é preciso ser otimista.

    Mas ainda tenho esperanças, nem tanto numa renovação da democracia eleitoral e nos partidos políticos, mas no desenvolvimento de uma sociedade civil sólida, capaz de alertar os cidadãos e os movimentos sociais que se opõem aos abusos de poder político e econômico em vários âmbitos. Embora esses movimentos não possam substituir a democracia formal, enfraquecida por aquilo que vejo como forças pós-democráticas.

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