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27/08/2008 - 12:40

Dr. Olavo, um conservador moderno

Morreu, hoje de manhã, o banqueiro Olavo Setubal, o grande empreendedor do grupo Itaúsa – Banco Itaú, Deca, Duratex, Itautec. Estava com 85 anos.

Olavo Setubal foi um dos protagonistas históricos da formação do sistema bancário brasileiro – uma estrutura operacional e tecnológica incomparável no mundo.  Engenheiro de origem, o dr. Olavo (todos o tratavam, no contato pessoal, como dr. Olavo, mas se referiam a ele como “Olavão”, menos pelo corpanzil do que pela voz de baixo profundo e a fala arrastada), fundou e consolidou também um grande e em geral eficiente conglomerado industrial, com empresas pioneiras e líderes em áreas tradicionais, como a construção civil e química, e modernas, como a informática.

Olavo Setubal fez parte daquele grupo, hoje raro no Brasil, de empreendedores privados com espírito público. É da estirpe de Roberto Simonsen, Horácio Lafer e Walter Moreira Salles. Prefeito nomeado de São Paulo, foi ministro das Relações Exteriores, nos primeiros tempos do governo José Sarney, e chegou a disputar indicação pelo então PFL ao governo paulista.

Da minha convivência com o dr. Olavo ficou a marca de uma inteligência aguda e a convicção de que podem existir, como ele, conservadores modernos. Nunca esqueci uma conversa com o dr. Olavo, em seu gabinete de prefeito, ainda no Parque do Ibirapuera, na época em que o general João Figueiredo, já indicado à Presidência da República, montava seu ministério.

Faz quase 30 anos, comecinho de 1979. Eu era subeditor de economia da Veja, e fui conversar com o dr. Olavo, juntamente com o jornalista Paulo Sotero, então da editoria de Brasil da revista, justamente sobre a montagem do ministério. Não era uma conversa para publicar, mas para obter informações e entender a movimentação do momento.

Depois de falar um pouco, fazer umas análises meio genéricas e algumas (poucas) conjecturas, ele nos surpreendeu:

- Eu já falei demais. Agora me contem o que estão falando de mim para esse ministério

Desconversei:

- Que é isso, dr. Olavo? A gente veio aqui para ouvir, não para falar. E também não sabemos nada. Por isso mesmo é que viemos procurá-lo.

O dr. Olavo tanto insistiu que, meio constrangido, tentei uma saída::

- Bem, o que se comenta é que o senhor pode ser convidado para o Banco Central.

A resposta veio imediata:

- Isso não interessa. Banco por banco, prefiro o meu.

Sem dizer, era claro que o interesse do dr. Olavo era o ministério da Fazenda. Por isso, ele insistiu:

- Vamos lá, vocês estão escondendo o jogo. O que tem para mim?

Emparedado, abri minha opinião:

- Dr. Olavo, o que eu acho é que os seus colegas banqueiros não querem o senhor no ministério da Fazenda.

Ele deu um suspiro e soltou a frase que nunca esqueci:

- Você tem razão. É isso mesmo. Eles desconfiam de mim porque eu acredito na luta de classes. Nem esperam que eu termine o pensamento. Porque eu acredito na luta de classes, sim, mas acho que é o nosso lado que vai ganhar!

Como o Príncipe de Salinas, de “O Leopardo”, o dr. Olavo sabia que as transformações sociais são inevitáveis. Como Tancredi, o sobrinho de Salinas, achava que era preciso levar em conta o “outro lado”  – e mudar, para as coisas ficarem na mesma.

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags: ,

33 comentários para “Dr. Olavo, um conservador moderno”

  1. Lucinei disse:

    A frase citada que o faz classificar Olavo Setúbal como conservador moderno, Kupfer, para o Brasil é até moderna demais; o conservador nem se encaixa tanto a meu ver porque ser conservador no Brasil é outra coisa; um pouco diferente de ser contrário ou não a mudanças. Ser conservador no Brasil é supor que a defesa dos interesses por parte dos outros é o mal em pessoa e a anarquia por definição.

    O complemento “o nosso lado vai ganhar” deixa, ainda, um pouco obscuro o modo e os métodos empregados para se obter a “vitória”. Sim, muitos, até hoje (de lado a lado), acreditam, sinceramente, que luta de classes é sinonimo de guerra civil.

    Uma pergunta: Por que os outros banqueiros eram contra a nomeação do “Olavão” para o BC ou para a Fazenda?

  2. josé paulo kupfer disse:

    Lucinei,

    O problema era a Fazenda, não o BC. Eu entendi que eram contra pela própria explicação dele, no fim do diálogo. Não ouviam o final do argumento que, eu assim entendi, era o de que seria preciso pensar nas massas sem criminalizá-las e atendê-las para evitar que tomassem o poder na marra, ou algo assim.

    Abrs.

  3. ricardo lima do valle disse:

    este engenheiro enobrece a classe dos profissionais que almejam o desenvolvimento estruturado do nosso país.
    ass: RICARDO LIMA DO VALLE…/

  4. casa disse:

    Como sempre o Conservadorismo,possui seus meios para moldar os seus defensores ALIBARBUDO,era o nosso OBAMA,antes de consumir sua credibilidade e demonstrar,que estava no meio do Mensalão,a diferença é que lá,já estaria no xilindró;
    O desafio para Obama é o de convencer os americanos que o voto significa a rejeição do actual estado de coisas, a economia, a situação militar no Iraque, em descrédito para o seu país no mundo, enquanto a votação para continuar com meios McCain as mesmas políticas de Bush. A mudança como tínhamos Obama vai muito além da ruptura com os meios e forma de fazer política em Washington, unificar o país e envolvem todos os americanos, sobretudo negros, o projecto comum. Biden tem uma boa entrada em branco católicos a classe trabalhadora é um excelente perito em cena intrnacional. Estas são coisas que carece de Obama. Atrevo-me a não ir muito mais longe para com os seus inconvenientes, não menos importante devido ao limitado papel do vice-presidente.

  5. alfredo disse:

    OLávo Setubal,ou Dr. Olávo, era um grande empreendedor empresarial como também um grande homem público que exerceu com galhardia todas as suas funções que assumiu. Foi um grande prefeito de São Paulo, Grande diretor do Banco taú.Pena que são raras essas personalidades existentes hoje em nosso país. Que levamos os exemplos deste grande brasileiro, para a nossa vida profissional e como cidadãos brasileiros.

  6. s manah disse:

    lembro bem da sua administraçao de sp e da maneira muito honesta de tratar as coisas.

    No outro lado, que serva para outros, a prohibiçao de abrir supermercados e shopping no fim da semanah;
    Anos depois provo ser erro muito grande porque a abertura facultativa ficou praticamente generalizada que contribeu para melhora da economia da cidade e do Pais.

  7. Marcelo disse:

    Essa frase: “Mudar, para as coisas ficarem na mesma”
    É a cara do Brasil.
    É como a decisão do STF proibindo a contratação de parentes, além de angariar a combalida confiança do povo nessa instituição ainda mantém as contratações. Tudo depende do acerto:
    “-Eu contrato os seus e você contrata os meus.”
    Tudo muito lindo!

  8. Romanelli disse:

    Um homem de visão, sem duvida

    de visão …e visão

    numa delas chegou a ADIVINHAR aonde passaria a linha Norte SUL do metrô, a estação Conceição, e correu pra instalar seu conjunto corporativo encima

    ….sem duvida premunitório

  9. conceição disse:

    Dr.Olavo Setúbal,sim,foi ,na minha opinião,um grande homem;objetivo,centrado,realista e pelo que ele respondeu ao jornalista da entrevista,avesso à hipocrisia.
    Nascido em berço de ouro ou não,cumpriu com galardia o que a vida lhe proporcionou,pelo menos no ambito profissional e público,como até hoje convém à todo paulista de caráter ,que tem amor por esta nação;produzil para sí,e também para o seu país,pensou para sí,e também para o povo,de São Paulo e do Brasil.

  10. César Menote disse:

    Os bancos batem recordes de lucro semestralmente mas o serviços oferecidos são caros e o atendimento péssimo, falta consideração com os clientes, falta o valor humano.

  11. Joao Luis disse:

    Naquele tempo (1979 )os bancos brasileiros emprestavam muito pouco ao Brasil, a dívida era toda “externa” e uma elevação das taxas de juros no momento poderia levar muitos bancos alavancados, sem capital próprio, e também com muitos empréstimos em moeda estrangeira, à bancarrota. Afinal, exorbitância nos juros é o que se pode esperar quando se tem um banqueiro no comando do Banco central, NÃO ?

  12. Vladimir disse:

    Era ofice-boy na época em que ví Olavão pela primeira vez em seu banco na rua Boa Vista centro bancário de São Paulo, o Itau tinha acbado de instalar os quiosques eletrônico e eu já possuia conta naquele banco na agência pompéia e já tinha estreiado a máquina, mas, naquele dia de trabalho que eu estava na agência da boa vista pagando umas duplicatas da empresa onde trabalhava estava lá Olavo Setubal ” Olavão ” no quiosque e mais ninguem, resolvi entrar atras dele e pensei ” esse é o dono do banco, se é o dono do banco vou atás dele “, e ali fiquei, ao perceber minha presença ele perguntou: O que você quer, eu quase não entendi porque ele falava meio esquisito, mas, respondi. Quero ver o meu saldo, ele sorriu e disse então vai. Deve ter pensado como um moleque que nem eu podia ter uma conta naquela agência, ,,,rs. Sei que ele ficou esperando eu sair de lá. Mas, ai eu não me recordo bem, as primeiras máquinas daquelas não permitia ver o saldo bancário de uma agência para outra, parece que o sistema ainda não era interligado e acho que não consegui ver o saldo, e é por isso que ele ficou me olhando e deve ter pensado, esse moleque tem razão, num futuro próximo em qualquer agência do meu banco no país todos poderão consultar o saldo e retirar dinheiro em qualquer máquina dessas.

  13. Cassio B. Jemael disse:

    Lobos em pele de Cordeiro…
    Disso sim o Brasil está cheio..

    Já começa bem… o cara é da “turminha”..
    Como banqueiro, foi dono do 2º maior banco do Brasil…. Alias o banco que possui uma das maiores taxas do Brasil para seus correntistas, o banco que cobra saques de seus próprios terminais caso vc esteja em outra cidade, e claro, que mantém forte lobby para manter o Brasil como está e sempre esteve..

    Foi prefeito, e ainda tem ingênuos que acreditam que um homem com tanto poder e interesses próprios, governou para denfender os interesses dos outros… Governou tanto em prol dos outros, que até metrô passa debaixo de um dos prédios dele..

    Ahhhh.. E claro !!! A televisão e os jornais tem que falar bem!! Afinal ele sustentou essa cambada durante um bom tempo com suas propagandas de 1 minuto em horário nobre e páginas inteiras de jornais e revistas… o mínimo que os meios de comunicação têm que fazer, é ao menos dizer obrigado..

    Na minha opinião… Graças a Deus !!!
    Menos 1..

  14. Biquei disse:

    Placar está um a zero para a Fundação Ford, que financia o Conselho Indígena de Roraima.
    Mas fosse uma certa Fundação Tupiniquim, aí poderia.
    Sábio relator, fazendo de conta que a disputa só pelo arroz e não desejou abordar a questão nuclear á riqueza dos mais variados minerais que estão naquelas terras, que despertam a ganância e monopólio de outras fundações.

  15. Era um Homem sério, iedealizador de grande dimensão de

    Empreedimentos, ele já cumpriu a sua missão aqui na terra.

    E por ser bom nas suas atitudes, com certeza vai encontrar

    um Cantinho lá no Céu.

    Siga em Paz, e que Jesus o acompanhe.

    Abraço da Família Di Dalty – São Paulo

  16. Romanelli disse:

    Brasil, um país pra poucos, pra minorias

    Tá bom, vou abusar, vou trazer pro debate a questão das RESERVAS indígenas

    Antes de tudo é bom que nivelemos algumas informações

    12,5% do território brasileiro já é de REVERVA INDÍGENA, uma área praticamente MAIOR que TODO país da Europa ou da América Latina (exceto Russia e Argentina e quase equivalente a México, Colombia e Perú)

    35-40% do Brasil já é limitado por Parques e Reservas Estaduais e Federais, em comum, áreas sem estrutura, FECHADAS ao turismo e, quando muito, abertas somente a pesquisas

    Se andarmos pelo país veremos que BOA parte de nossas ilhas é inacessível, privilégio de ricos. Outra grande parte das praias são dadas a condomínios, uma outra área é de latifúndios e de grandes empresas

    sobra o que?

    ..claro que sobram os desertos, e as áreas urbanas tomadas de favelas e glebas irregulares

    Alguns lembrarão do subsolo, mas este é dado a poucos

    …e aí eu fui dar uma olhadinha no despacho do Aires

    O STF esta julgando sob as letras da LEI, de direitos feridos e adquiridos

    Lá, é inócuo qualquer discussão de mérito sobre a formação ou não duma reserva

    http://www.conjur.com.br/pdf/Voto_Britto_Pet3388.pdf

    Originalmente o pleito envolve Índios, produtores (até de origem estrangeira), o estado de Roraima e 3 municípios. A área reconhecida foi de 1,67 p/1,74 milhões/hec ou 17,4 mil km2, pleito de 18 mil índios de 5 etnias, área maior que países como Bélgica, Porto Rico, Palestina ou Jamaica por ex.

    O limite NORTE da reserva fica SOBRE o Monte Roraima, divisa do Brasil, Venezuela e Guiana

    No texto Aires cita a constituição, a proteção ao índio:

    -reconhecimento das sociedades
    -POSSE da terra em local ocupado permanentemente
    -usufruto EXCLUSIVO da riqueza dos solos, rios e lagos
    -PARTICIPAÇÃO nos resultados de SUB-SOLO e hidro energia
    -é terra inalienável, de direito IMPRESCRITÍVEL, s/despejo

    A área se submete a UNIÃO. NÃO comporta a LIVRE CIRCULAÇÃO de pessoas de qualquer grupamento étnico (pag.38)

    Lembra que Roraima NÃO se sustenta e 90% dos políticos são forasteiros

    Aí fiz algumas reflexões:

    PRA que a existência de Roraima ou outros estados e Municípios que não se sustentam?

    Pra Roraima, um Estado com 46% da área dada a REVERVAS indígenas (União) e o restante sob fortes normas de ocupação ambiental, convenhamos, é difícil mesmo se manter e se tornar VIÁVEL …melhor na forma de parque Nacional, não?

    Diante deste quadro, difícil não se perguntar, mas afinal, quando o BRASIL será efetivamente dado a ser explorado e usufruido pela MAIORIA ?

    Será que sempre seremos norteados por interesses das minorias?

    Será que sempre estaremos atentos e olhando as mazelas do passado e dando as costas pros problemas do futuro ?

    Porque não tratar as etnias indígenas em PARQUES Nacionais, com todo respeito, dignidade e assitência ? Afinal, pelo número de reclamções e miséria, as reservas praticamente não se mostraram auto-sustentáveis, ou não?

    Claro que quando da tentativa da SUSTENTABILIDADE do indivíduo, da família, mesmo duma comunidade específica, penso que o mais JUSTO seria TODOS nos submetermos a condições de igualdade, dentro de regras universais, numa ampla visão de reforma fundiária, agrária, que inclusive contemplasse a exploração e usufruto dos recursos do sub-solo, POR TODOS, pela MAIORIA sofrida, não por uma minoria escolhida ou herdada

    Enfim, pelo exposto, continuo achando que lembramos das minorias, mas ainda continuamos nos esquecendo da ampla MAIORIA silenciosa

    e você o que acha?

    ps – que não se confunda meu texto como representando qualquer tipo de apoio ao pleito dos arrozeiros

  17. biquei disse:

    Não qualquer semelhança é mera conhecidência, vamos destacar do próprio texto;
    Diante deste quadro, difícil não se perguntar, mas afinal, quando o BRASIL será efetivamente dado a ser explorado e usufruído pela MAIORIA?
    Até parece aquele intelectualóide, que coloca sua pena sempre á serviço da direita, e dos conglomerados, gananciosos por meter a mão nas riquezas dos mais variados tipos de minerais, que se encontram no subsolo das terras.

  18. Dennis disse:

    Interessante,,, um agiota manipulador de mercados e apaniguado da ditadura militar agora é aclamado pelos puxa-sacos como um grande e louvável sujeito. Por que então não perdoar o Magalhães Pinto também? Ou o ACM, quem sabe… isso para citar só dois também já felizmente falecidos..!

  19. Romanelli disse:

    BICO, obrigado por aceitar o debate

    minoria é minoria …sou pela MAIORIA

    Nem a empresários nem a tribos, nem a chefes, nem a caciques

    …se pra um pra TODOS, ou pra ninguém

    Defendo a existência do Estado NECESSÁRIO, eficiente, gestor, presente em mercados deformados e na administração de Recursos Naturais Finitos

    O sangue de TODOS os nossos filhos poderá ser chamado a defender do solo pátrio, solo de quem?

    Na forma de RESERVAS as terras ficam PROIBIDAS pra todos os outros brasileiros (até pra visita). São áreas do tamanho de países. Por isso preferia aquilo como PARQUE

    Bélgica e Palestina são menores, um tem 10 e outro 7 milhões de habitantes …e com certeza não sentam sobre tanta riqueza ainda não toda “catalogada”, mas já disputada

    reitero

    Será que sempre estaremos atentos às mazelas do passado e dando as costas pros problemas do futuro – superpolução, água e comida, concentração de riqueza e renda por ex ?

    Penso que o BOM USO da riqueza da terra (partilha), em produção ou reserva da biosfera, cabe a todo cidadão do planeta, isto não é um privilégio ou obrigação exclusiva duma etnia ou facção.

  20. Van disse:

    É de se notar como os bajuladores lambe-sacos continuam a puxar o saco até de mortos! Tipos nojentos esses.
    Casos interesantes são os de Roberto Marinho e Paulo Machado de Carvalho, cujos sacos escrotais putrefatos permanecem encrustrados de parasitas asqueirosos, bajulando-os “post mortem”.

  21. Dick disse:

    Não estranhei o artigo-exaltação do jornalista Kupfer. É só ver seu currículo e perceber rapidamente para onde sua balança pende.

  22. Olavo disse:

    Um Olavo a menos na confraria… ruim, mas poderia ser muuuito pior: poderia ter sido eu!

  23. Beto Arruda disse:

    José Paulo, va tomar no Kupfer!!!
    Lembra dessa?

  24. Ana Paula disse:

    Dr. Olavo … meu pai fez parte da escolta presidencial do Banco Itaú por mais de 20 anos, então cresci ouvindo falar desse grande homem. Ouvia relatos do meu pai me contando como aquele homem era inteligente, questionador, preocupado com “pessoas”.
    Os anos passaram e tive o prazer de fazer parte do quadro de colaboradores do Banco Itaú. Aí passei a ouvir os “velhos de casa” falarem como a instituição era mais “humanizada” quando ele era o presidente (pois cheguei na Banco na era Roberto Setúbal), e em como era prazeroso trabalhar sob seu comando.
    Tive também o prazer de conhecê-lo e apertar sua mão, de receber telegrama carinhoso quando do nascimento de meu primeiro filho enviado por Dr. Olavo e sua esposa Dna Daise.
    Meu pai já não trabalha na escolta há alguns anos, mas ainda hoje fala do Olavão como que de um pai ….. e por isso sinto como se houvesse perdido alguém da família …..
    Se ele foi corretíssimo ou exemplar eu não sei, mas que deixou um legado extraordinário e fez história, isso não podemos negar.

  25. josé paulo kupfer disse:

    Dick,

    Obrigado pela participação. Posso pedir um favor? Pode me dizer para onde minha balança pende? Fiquei bem curioso. Também queria ter mais detalhes sobre seu método dedutivo. Pode ser?

    Abrs.

  26. Fernando Blanco disse:

    Prezados J.Paulo e comentaristas,
    Mudando de assunto, o governo americano soltou bombástica notícia sobre o crescimento econômico do país, no segundo trimestre.
    Se for verdade e for tendência, boa parte do mundo sai da lama rápido – o Brasil não entrou ainda, diga-se de passagem -, mas há controvérsias se estes dados não terão sido um último suspiro estatístico.
    Aos que ainda acreditam que não somos uma “ilha” e que devemos acompanhar os acontencimentos na economia global, leiam o link abaixo, que os remete à Business Week on-line.

    http://blogdocredito.wordpress.com/2008/08/28/crescimento-da-economia-americana-repercussao-na-business-week/

    Abraços,
    Fernando
    PS: gostei do comentário da Ana Paula (16:18), pela sensatez. Praguejar contra os mortos (independentemente da matiz ideológica) é pouco elegante, para dizer o mínimo. A Ana Paula me faz refletir que tendemos a ser mais generosos com aqueles que nos ajudam de perto, e o finado Dr.Olavo assim o era com aqueles da sua equipe. No entanto, poucos líderes conseguem disseminar uma cultura de tolerância e respeito por suas organizações. Eu nunca estive perto do Dr. Olavo, mas já fiz negócios com empresas do grupo dele e conheci um dos seus filhos – gente boa, simples, roqueiro dos bons, por sinal, assim como eu. Por outro lado, uma vez um diretor do Banco Itaú, da velha guarda, quis me contratar. Mas o sujeito – já aposentado – era de uma arrogância, de uma grosseria, que eu não quis a segunda conversa.

  27. Fernando Blanco disse:

    Outro comentário José Paulo,
    Você certamente conhece o Alexandre S., ex-diretor da Área Internacional do BC e agora economista-chefe do Santander.
    O link abaixo é uma das pérolas do blog dele. É um barato: um festival de acidez….
    Abraço,
    http://maovisivel.blogspot.com/2008/07/um-dilogo.html

  28. Romanelli disse:

    Tb concordo, não é legal praquejar contra mortos não

    …mas pros que fizeram, acho que há lá de atenuantes

    ainda mais em terras de vivos, bem vivos, por sinal,m que mesmo praquejados, sequer saem chamuscados

    por exemplo PRIVATEIROS e empresários que passaram a vida se servindo dos bens públicos

    ou daqueles que na “partilha e nomeação” só souberam se servir, fazendo-se conta do tipo “2 pra mim, 1 pros meus, 0,5 pro povo”

    VIVOS que só sabem se ter em proporção DESCOMUNAL, o suficiente pra manter sua BILIONÉSIMA geração

    que sequer AGRADECEM (ou pagam impostos proporcionais) com filantropia PROPORCIONAL ao enriquecimento e ganhos que tiveram …aliás, retribuição pro país e povo que permitiram que tivesse

    vivos, vivinhos da silva, que sequer hoje podem adornar os braços com os braceletes da lei, as algemas

    vivinhos que ao longo do tempo se criaram caprichos como:

    -Direitos especiais e diferenciados
    -fóro especial
    -prisão especial
    -acessos a INSTÂNCIAS e recursos superiores pra Vips
    -prescrição de pena por tempo
    -prescrição de pena por idade
    -direito a mentira
    -direito de não se gerar prova contra si
    -direito a enrolar e adiar, postergar e embromar
    -penas apenadas e SEMPRE reduzidas
    -processos que se arrastam mais que 3 anos
    -não PRENDER mesmo após prova provada, gravada e filmada
    -prisão só em flagrante, mesmo depois do réu confessar
    -DESCONSIDERAR provas mesmo que os méritos sejam VERDADEIROS
    -acessar juiz ou justiça só com o advogado do lado, advogado sindicalizado e de honorário TABELADO

    …e nosso países esta cheio desses vivinhos, muitos já mortos

    Qto ao OLAVO, foi um cara realizador SIM, nasceu bem mas fez por merecer, agora, LONGE de ser santo ou paradigma de HOMEM PUBLICO

    Prum cara que viveu como sendo UM DOS DONOS da terrinha, convenhamos, ele tem muito a ver com nossos ossos no armário

    …e não era um dono qq, era dono de BANCO, atividade que se acostumou a retornos de 25% aa nos [últimos 20 anos. PAPAGAIO ?! não exsite almoço de graça, alguém pagou pela fuzarca, quem? quem? Raimundo Nonato?

    Qta a mentira e falsos líderes, conceitos ou idéias ajudou a plantar? Vai saber …levou pro túmulo

    Sei duma característica interessante DELE …ele carregava no “gen” a vontade sempre de DOMINAR, de ser o único …sei de famosos “inimigos” que só o foram pq se “atreveram” a abrir concorrência pra algumas das suas empresas

    E o que dizer das terras incentivas e reflorestadas?

    pobre liberalismo, pobre mundo de aparências

  29. ALESSANDREO disse:

    “Porque eu acredito na luta de classes, sim, mas acho que é o nosso lado que vai ganhar!”

    Kupfer, fiquei chocado com essa frase. Muito triste ver todos os meios de imprensa louvando um homem que ocupou tantos cargos publicos e tinha a coragem de manifestar esse tipo de opinião.

    Pelo tom do seu texto, não entendi direito se vc achou essa frase sabia ou cinica.

    E vc kupfer, qual é o seu lado? O dos banqueiros ou o dos brasileiros?

  30. Biquei disse:

    España registra la mayor alza del paro de toda la eurozona en julio
    ELPAÍS.com
    El calado de la crisis lleva el desempleo español al 11% frente al 7,5% del resto de sus socios. -España y Reino Unido hunden la confianza económica

  31. josé paulo kupfer disse:

    Alessandreo,

    Obrigado pela participação. A frase não me chocou nem um pouco, ao contrário, achei marcante. Na minha interpretação, ela mostra um homem que sabe como funcionam as estruturas sociais e históricas e sabe a que classe pertence.

    Na verdade, quando disse a frase, o Dr. Olavo apontou para o janelão do gabinete, como diz que tinha consciência de que deveria governar de olho na maioria que não fazia parte da elite a que ele pertencia, sob o risco de, isso sim, ser sacado na marra.

    Se você leu bem o meu texto, não faço uma exaltação. Mas, louvo sim, o empresário – e banqueiro – que dá valor à Política.

    Quanto à sua pergunta, eu, você e todos os banqueiros aqui nascidos ou que aqui decidiram viver, para mim são brasileiros.
    Agora, não há a menor dúvida de que não sou banqueiro.

    Abrs.

  32. Manoel Teixeira disse:

    Ser banqueiro no Brasil, cobrando juros acima de 150% a.a., é fácil. Queria ver o Itaú, Bradesco e Unibanco irem para o varejo no Chile ou na Colômbia. Iriam quebra. Lá os juros que eles cobram é uma fração dos cobrados aquí.

  33. Dick disse:

    Pende para o lado de quem esta mandando, meu caro. Sempre.

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