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25/08/2008 - 21:22

8,4% ao mês é bem mais do que 162% ao ano…

Quando o Banco Central divulga, mensalmente, a “nota para a imprensa” sobre a política monetária e o crédito, não é propriamente com a imprensa que o BC está preocupado. Se estivesse, mastigaria um pouco mais os levantamentos estatísticos e suas explicações.

Quando a imprensa divulga, mensalmente, a “nota para a imprensa” do BC, nem sempre parece preocupada com o público ao qual destina os textos em que, teoricamente, deveria traduzir os dados e análises do BC. Com raras exceções (e o IG é uma delas), o que é servido ao distinto público, formado por mortais comuns, é uma burocrática listagem de valores e percentagens. Trata-se de mero repasse do texto oficial, muitas vezes pouco inteligível e, normalmente, sem as necessárias aproximações com a vida real.

A “nota para a imprensa” sobre a política monetária, referente ao mês de julho, não fugiu à regra – idem no que apareceu nos sites de notícias. Informaram que os juros alcançaram o nível mais alto desde janeiro de 2007. Registraram, em média, 39,4% ao ano. Nas operações com pessoas físicas, a taxa média cobrada pelos bancos somou 51,4% e, para as empresas, subiu para 27,5%. Um destaque foi a taxa média de juros do cheque especial, que chegou a 162,7%. Também em julho, o spread bancário (sim, a palavra “spread” vem sempre acompanhada da explicação de se tratar da diferença entre a taxa de captação e a de empréstimo dos bancos), para pessoas físicas, subiu para 36,6%.

Beleza, Agora, se você quiser saber, minimamente, o que essas percentagens significam, pode ir procurar em outra freguesia. Nem mesmo a informação do que todas as taxas anuais expressam por mês você saberá pelos textos publicados. Também para quê? No Brasil todo mundo calcula juros e financiamentos pelas taxas anuais, não é mesmo?

A singela investigação do que as taxas representam por mês, no entanto, seria capaz de um milagre: entregar ao público, sem muito esforço, um pouco de informação contextualizada. Explico: o que você acha que é mais escandalosamente disfuncional, no caso do cheque especial, uma taxa de juro de 162% ou uma outra de quase 8,4% ao mês?

As duas, óbvio, expressam a mesma coisa, mas, com a segunda, de cara, percebemos que os incautos que caem no precipício do cheque especial pagarão por mês mais do que toda a inflação estimada para o ano. Fica nítido de que se trata de um completo absurdo.

Diante de descalabros desse porte, os juros médios, perto de 40% ao ano, parecem um refresco. Mas, quando se transformam em 2,8% ao mês, ficam proibidos para menores. Compare com a inflação mensal prevista, algo em torno de 0,5% ao mês, que imediatamente você vai entender e concordar.

Parece pouco o que se está pedindo (transformar taxas anuais em mensais) – e é. Mas já ajudaria muito no entendimento dos problemas da política monetária. Idem no caso das demais “notas para a imprensa” (setor externo, política fiscal e mercado aberto). Infelizmente, a divulgação das “notas para a imprensa” do BC é somente um momento em que governo e mídia batem ponto. 

Autor: José Paulo Kupfer - Categoria(s): Blog Tags: , ,

23 comentários para “8,4% ao mês é bem mais do que 162% ao ano…”

  1. Romanelli disse:

    Rypl

    verdade o que falou …mas bem que poderíamos ter começado a comer pelas bordas

    A CPMF não deveria substituir TODOS os outros, mas muitos, muitos mesmo dos outros

    infelizmente pequenos homens públicos colocaram interesses pequenos na frente dos verdadeiros

    fazer o que?!

  2. Manoel Teixeira disse:

    O BC do PT é durão mesmo, né? Com uma canetada fez os exportadores de petróleo tremerem e reduzirem os preços, os alimentos também apontam deflação.
    Será que o BC do PT é o responsável por isso, ou por elevar a dívida pública, na medida em que elevou os juros enquanto os EUA baixavam os seus, preferindo o crescimento ao elitismo dos juros altos? É, porque quando a medida visa beneficiar aos pobres, é populismo, o contrário deveria ser elitismo.
    Senão, vejamos. Saiu hoje o resultado operacional do BC. Teve prejuízo superior a R$ 40Bi no primeiro semestre, sendo R$ 5Bi referente ao swap reverso. O swap reversos é como um bilhete de loteria premiado. Quem compra sabe que vai ganhar, quem vende, nós, os contribuintes, sabem que irão perder. O BC do PT, todo poderoso, deu mais um presente para a elite. R$ 5Bi, meia bolsa-família para os endinheirados, é o bolsa-rentista.
    Ao fazer isto, eles elevam os gastos públicos, gerando inflação. A única preocupação deles é manter os ganhos do bolsa-rentista.

  3. Andreia Avila disse:

    Caro Kupfer,

    Gostaria muito de publicar suas Crônicas na revista Portal Urbano, http://www.planetamunicipal,com.br.
    Espero um breve retorno possitivo.

    Grata,

    Andreia Avila
    editora

    avilaandreia@ig.com.br

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