Os jovens valorizam e desejam possuir virtudes como honestidade, verdade, coragem e honra, mas tem vergonha de fazer pelo fato de tais atitudes estarem “fora de moda”, já que a sociedade as não valoriza. Essa foi uma das conclusões a qual chegou o educador e filósofo Carlos Roberto Merlin Júnior ao avaliar os números resultados de uma pesquisa realizada pelo Centro Paula Souza e a Divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Informática, que ouviu cerca de cinco mil alunos do ensino médio do Centro, responsável pela administração das Escolas Técnicas (Etecs) e das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) do Estado de São Paulo.
A pesquisa teve como finalidade identificar a presença ou ausência das virtudes como algo valorizado pelos jovens e adolescentes. Aplicada por meio do portal Aprende Brasil, o estudo demonstrou que 71,9% dos entrevistados dizem ser honestos e verdadeiros. Ao serem colocados perante situações que medissem essas qualidades, no entanto, apenas 59,5% dos mesmos se saíram como tais. O roubo de CDs de música em lojas, por exemplo, é crime, mas o download dessas mesmas músicas pela internet não é considerado ilegal por pelo menos 60% dos participantes da pesquisa.
“Não se pode negar a influência do egocentrismo presente na sociedade moderna sobre as ações dos jovens e adolescentes, mas essa não é a única realidade. Existe o desejo expresso de muitos jovens pesquisados em dar às suas ações um sentido moral para além do prazer próprio e imediato. Eles desejam possuir as virtudes, mas, muitas vezes, vivem o dilema entre viver e agir de modo virtuoso e viver e agir de modo vantajoso. Podemos notar que eles não desejam ser vistos como otários’, o que significa sofrer algum tipo de prejuízo quando é possível de se evitar,” analisa o prof. Merlin, formado em Filosofia pela PUC-PR.
Essa fuga das situações desfavoráveis ficou ainda mais clara quando os assuntos tratados foram coragem e honra: 79,7% dos questionados afirmaram estimar ações que expressam esses valores. Mas ao serem colocados como autores de ações hipotéticas, como no lugar do guerreiro troiano Heitor ao lutar contra o invencível Aquiles para honrar Troia, apenas 64% resolveram aceitar o desafio.
Com estes resultados, o projeto Pensar Jovem prossegue para a segunda fase, que consiste em discussões em sala de aula sobre os temas propostos. Além dos debates, os alunos poderão ampliar o assunto no Blog do Filósofo, mediado pelo professor Merlin. Na terceira fase do projeto, os estudantes vão criar e apresentar fábulas modernas, que deverão evidenciar a importância de uma ou mais virtudes éticas. Os textos serão publicados em um livro, a ser lançado no final deste ano.
Em 2008, foram escritas 96 fábulas, publicadas no site do projeto Pensar Jovem. Uma experiência que desafiou a criatividade dos participantes e levou a novas reflexões. “Desde a primeira edição, em 2008, percebemos que o Pensar Jovem estimula e fortalece atitudes virtuosas. Todo o pensar filosófico ajuda nessa mudança. Sinto aqui muita solidariedade e companheirismo”, confirma Rosemari Melazi de Oliveira, coordenadora do Projeto Pensar Jovem da ETEC Philadelpho Gouvea Neto, em São José do Rio Preto – SP.
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