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27/08/2009 - 12:25

CARTÃO VERMELHO

SUPLICY, GETULIO E EUCLIDES DA CUNHA

 

Bom de marketing, o Senador Suplicy tem um senso de oportunidade sempre presente a suas atitudes. Desta vez, dezenas de pessoas, sabendo de minha amizade com o Eduardo, me cobraram insistentemente se o Senador ia ou não ia se manifestar no caso Sarney. Eu próprio estava desapontado com o Senador Caxias, tão em silêncio diante de um fato tão estridente.

Passou o momento, paciência, o senador perdeu o bonde, pensei eu.

Mas o próprio Sarney lhe ofereceu uma oportunidade única. Depois de tudo o que ocorreu. Sarney vai a tribuna para falar de Getulio Vargas e de Euclides da Cunha. O Vargas eleito, governou sem composições, deu um impulso extraordinário ao Brasil moderno, da industria e da Petrobrás, vergastado cada dia pelo moralismo hipócrita da UDN e acabou se suicidando para afirmar a independência e a dignidade do poder. Euclides não fez jamais qualquer concessão à palavra escrita. Tinha rigor na vida e nas letras. A vida política nunca o seduziu para que pudesse ser único na literatura. Pois exatamente sobre esses dois personagens é que Sarney decidiu abrir a boca, no mais inoportuno dos momentos.

Suplicy assistiu ao jogo com paciência. No primeiro impedimento levantou o cartão vermelho. Depois repetiu o gesto quando a câmera apontou a sua lente. Algum gaiato perguntou se ele levantaria um cartão vermelho para o Lula. Meu amigo Eduardo só não perdeu o prumo porque lhe ofereceram um suco de maracujá, refrigerante recomendado aos senadores desde o bate boca do Renan com o Jereissati.

Creio que o povo brasileiro, se pudesse, levantaria um cartão vermelho para o Senado, para que esse esquema bicameral acabasse, reduzindo a representação legislativa apenas à Câmara dos Deputados.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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