sarney, collor, renan
TRIO MARAVILHA
Não me causou espanto, mas um profundo desânimo ler a notícia do almoço de Sarney, Collor e Renan.
Renan, depois do inferno produzido pelas próprias maracutaias, precisa de ombros amigos e correligionários poderosos para retomar o patamar de mando a que se acostumou no senado brasileiro. Collor, depois de ter sido o mais ungido e o mais desungido presidente deste país, também precisa de muito carpete vermelho para se sentir em casa de novo.
Sarney não precisa de nada disso. Foi presidente por um misto de acaso e destino. Comportou-se com humildade ao substituir Tancredo. No Congresso dos escritores causou-me até emoção, no exercício de uma presidência inesperada e trágica. Tentou um plano econômico com economistas idealistas como Funaro. Grangeou popularidade. Aos poucos perdeu isso no formigueiro da inflação, das moratórias e do compadrismo, mas saiu-se relativamente bem.
Então, eu que não gostava nem um pouco de sua poesia, confesso que gostei muito do seu romance O Dono do Mar. Revelava um chão que era seu, uma memória autêntica de suas lembranças, uma literatura regional daquela São Luiz que sempre se considerou a Atenas brasileira.
Assim, Sarney tinha duas missões pela frente. Grandes missões. Honrar a literatura e sua imortalidade. Fazer pelo pobre Maranhão tudo aquilo que seu prestigio poderia ter feito. Ensino, miséria, cultura, corrupção, infraestrutura, cidadania. Enfim, tudo que um estado precisa para ser digno de sua memória.
Não sei por que miserável razão Sarney preferiu continuar a carreira política, comandar o nepotismo familiar e partidário, perpetuar-se num senado sem domicílio, presidir a sombra de um dos poderes.
Talvez porque seja um pai carinhoso. Só posso ver essa razão. Mas porque insistir em encaminhar a filha por essa infelicidade sem retorno que é a política? Porque jogar tantas pedras no caminho dos filhos homens?
Pena. Das penas que não voam.
Notas relacionadas:
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags: Adicionar nova tag, Sarney o imortal