O RIO DE JANEIRO VENCEU
O RIO AMA VOCES
Quando tive de escapar do golpe militar em São Paulo, no meio dos anos sessenta, época em que fui diretor da Ultima Hora, de Samuel Wainer, mudei-me para o Rio de Janeiro. Aliás, mudamo-nos, pois tinha casado e minha mulher esperava a primeira filha. Posso garantir que o Rio foi o melhor pedaço da minha vida. Não apenas a paisagem, o ritmo do trabalho, o banho de mar quase à noite, os passeios a pé (não tínhamos medo de nada). Teatros, shows, protestos. O Castelo Branco não invocava muito com os artistas, enquanto os carcarás preparavam o AI5. Fiquei amigo da turma do cinema, o Jabor, com quem montei a Filme Indústria, que produziu o memorável documentário “Opinião Pública”, o Cacá Diegues, o Cândido Mendes, o Fabio Barreto, o Serginho Bernardes e o Calmon, jovem revelação que surgiu no pedaço com o “Colírio Moura Brasil”. Ninguém me convence de que o Rio seja uma cidade violenta e inviável. O Rio é o melhor desenho que Deus fez do Brasil.
Entenderam isso: o Lula, o Sergio Cabral, o Paes, toda a população do Leme à Jacarepaguá, e, principalmente o Comitê Olímpico, nacional e internacional.
Não sei se era a vez do Brasil, mas esse conjunto de gente,fez com que fosse. Acreditaram que o Rio podia. Convenceram que o Rio podia. Com a apresentação, com as promessas, com o entusiasmo e um pouquinho com o filme do Meirelles, que deslumbraram até o Cristo do Corcovado, que está sorrindo até hoje.
Ninguém sabe quem vai presidir os Jogos Olímpicos, mas todos nós sabemos quem conquistou essa honraria, para a América Latina, no plano político: Lula e Sergio Cabral. Sem eles a disputa seria morna. Claro que Pelé, Paulo Coelho, Guga e 180 milhões de brasileiros engordaram o caldo da confiança despertada em todos os eleitores.
Nós todos sabemos ainda quem vai viabilizar os jogos. Primeiro a opinião pública. Segundo a expectativa internacional. Terceiro todos os políticos, técnicos e empresas que estão obrigados realizar uma Olimpíada perfeita. Por fim e primeiramente , os atletas, aos quais se devem dar todas as condições de preparação que nunca tiveram. Sempre soubemos fazer festa. Temos que aprender a fazer atletas.
