A DANÇA ANTOLÓGICA DE OBAMA
DOIS PRA LÁ TRÊS PRA CÁ
Impossível tirar o foco do presidente Obama. Cada passo seu, de dança ou não, é mídia hollywoodeana. Não é o problema do charme ou do carisma, é que ele tem ginga, tem swing. Isso é muito raro num homem de estado. O estado petrifica. Paralisa a coluna vertebral (dobrada ou não). Paralisa o sorriso.
É verdade que os Estados Unidos, a ginga é qualidade de negro. Como o culto africano entre os escravos era proibido, os negros, convertidos e evangélicos, caiaram no gospell dentro dos templos e no”blues” nas salas de dança, um século mais tarde, No Brasil, o culto africano, sempre discretamente consentido nas senzalas, misturou-se aos sons brasileiros e o rebolado tomou conta do país, entre mulatos brancos e estrangeiros.
O flash de Obama e Michelle, dançando no baile numero dez das comemorações, é antológico . Parecia cena final de filme, quando o herói confirma o amor e a plenitude do status dramático. .
Obama não é um ator, como Ronald Reagan, é um protagonista. Não desempenha a figura do presidente. É o presidente. Quando Reagan pronunciava um discurso a imprensa dizia: Reagan estava muito bem no palanque. Quando Obama pronuncia os seus discursos, a imprensa avalia seu conteúdo.
Essa é a diferença entre um líder que fala pela nação e um ator que representa os interesses de lobbies.
