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09/09/2009 - 12:13

O DIREITO DE MORRER

 

MÉDICOS E MÉDICOS

 

 

Quando éramos crianças os consultórios médicos viviam cheios e atrasavam um bocado para nos atender. Cada paciente ficava , no mínimo, meia hora sendo meticulosamente examinado pelo médico de confiança da família. Na maioria eram clínicos gerais, mas havia os especialistas que nos tratavam da mesma maneira. A gente achava que alguns médicos tinham os sexto sentido para fazerem seus diagnósticos. Erravam pouco, apenas os remédios e as tecnologias eram mais atrasados.

Hoje freqüentamos médicos anônimos, indicados pelos convênios. Eles nos atendem em cinco minutos. Não fazem nenhuma avaliação clínica pessoal. Solicitam uma série de exames e, só depois, vão nos dar qualquer diagnóstico sobre os nossos infortúnios clínicos. No fim, quem acaba sendo nosso médico é o Dr. Fleury, com clínicas e laboratórios espalhados por toda a cidade. É evidente que esse sistema fica caríssimo, pois realizamos “exames”, que necessitamos e que não necessitamos, dependendo da hierarquia de nossos planos de saúde.

Se os exames não são favoráveis ou indicam doença grave nos internam imediatamente e, então, caímos no anonimato institucional dos hospitais, até a alta ou a agonia tecnológica das UTI.

Ninguém tem o direito de morrer na hora certa e muito menos em casa, como a maioria da humanidade morria até a segunda metade do Século XX.

E assim mesmo, esse calvário de luxo a que estou me referindo, destina-se apenas aos privilegiados que possuem bons planos de saúde.

 

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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