Menor De Rua | Jorge da Cunha Lima
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01/10/2009 - 10:42

PRAÇA DA SÉ NÃO HONRA SÃO PAULO

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Onde o menor é mais feliz?

O Edifício Santa Helena, que abrigava o cinema do mesmo nome e o famoso Grupo Santa Helena, dividia duas praças famosas: a Praça da Sé e a Praça Clovis Bevilaqua. Hoje, as duas praças juntas não formam nenhuma. Perderam a velha identidade e não adquiriram outra.
É verdade que a Campanha das Diretas deve ao comício ali realizado toda a pujança dos seus desdobramentos. É verdade que o marco zero da cidade está ali. Mas…
O Cine Santa Helena desapareceu e Volpi, Rebolo e todos os pintores do grupo estão mortos.
Na praça perambulam grupelhos de menores de rua que auxiliam o tráfego de cocaína, cheiram cola, fumam maconha e são viciados crônicos de droga.
São pequenas quadrilhas de dez pessoas ou menos, que conhecem as duas praças na palma da mão. Uma, a Sé, serve de posto de observação. Na outra, arborizada e com patamares e jardins, pratica-se o comercio proibido da droga e o consumo romântico em baixo das árvores.
Todos esses dados, que constituíam estatísticas frias de ONGs e pesquisadores, hoje nos são transmitidos , de forma humana, pelos agentes da Aliança Para o Centro Histórico, instituída pela Associação Viva o Centro.
O que espanta é que o número de menores envolvidos, número esse detectado pelas estatísticas, pelas ONGs e pelos agentes da Aliança, é muito pequeno. Há mais instituições cuidando de menores do que menores propriamente ditos. Não consigo explicar o fato além do fato que os menores preferem ficar na rua do que voltarem para os lares, nos quais a violência, o desafeto e a miséria são mais incômodos do que a rua, onde há convivência e mais atenção da sociedade.
De fato, o Marco Zero não honra o progresso da cidade, infelizmente um progresso sem civilização.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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