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25/08/2009 - 14:22

DA PRALA DO POR DO SOL PARA O AMANHECER DA PAULISTA

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RUA MACUNIS

 

Há trinta anos moro numa casa onde meus filhos se tornaram adultos e a vida mais curta. Alto de Pinheiros é um bairro agradável, com árvores antigas e frágeis e passarinhos barulhentos. Não se podem aproveitar as alamedas, pela razão óbvia da segurança e os muros estão subindo, como nas penitenciárias. Tenho a lembrança de festas, casamentos, batizados, da Campanha do Montoro, e da Campanha das Diretas, que instalou na rua Macunís, o seu quartel geral. Dali, saiu para sempre minha mãe, embora tenham ficado suas lições, proferidas na mesa de jantar, principalmente. As paredes se encheram de quadros e dessas homenagens escritas que nos fazem pensar que somos importantes. Maria criou meus filhos e meus netos, promoveu a cerimônia do adeus de minha mãe e nos ensinou a todos comer bem, mas principalmente nos ensinou a digerir a vida com sabedoria, quaisquer que fossem os ossos. Desde a ditadura promovi o dia seguinte do natal, com um arroz de pato, para os impedidos pela polícia de ter um natal legal, para meus amigos judeus que manifestavam uma certa timidez de comemorar o natal e para os amigos, cuja marginalidade crônica os afastara dos sinos de Belém. Hoje, esses personagens não existem mais, mas o arroz de pato permanece incólume, com todos esses amigos institucionalizados e acrescidos. No sábado mudo para um apartamento. Sem essas lembranças que se acostumaram com o endereço. Mas no alto da Paulista vou ter uma janela aberta para a imensa paisagem desta cidade que eu amo.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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