A CANDIDATURA DE MARINA SILVA
A CANDIDATA MARINA SILVA
Não se iludam os políticos, nem os institutos de pesquisa, nem os analistas eleitorais. Não se iluda ninguém. “-Marina, você é bonita com o que Deus lhe deu”, dizia Dorival Caymmi. Não precisa de adereços, de repertórios globalizantes e nem menos, o que nunca existiu, um status burguês.
Porque um simples convite, do Partido Verde, deixa todo o mundo tão agitado? Até agora os agitados entendem que Marina é apenas um fator desestabilizador do quadro eleitoral proposto. No momento vivemos uma eleição plebiscitária, na qual basta um processo de estabilização de Dilma e uma fixação definitiva do Serra (puro sangue ou transfusão). Já uma candidatura de Marina desestabilizaria Dilma, estimularia Ciro Gomes a candidatar-se, daria a Serra a impressão de que o jogo estaria definido e levaria quem fosse, do primeiro para o segundo turno.
Isso, que está nos cálculos mais primários, já não seria pouco.
Contudo, há uma frustração psíquica e regressiva, que atinge todo o eleitorado. Há uma inconformidade latente com os abusos praticados contra a natureza. Há uma revolta real contra os abusos praticados contra a natureza humana. Há um ódio subliminar aos corruptos. Há uma percepção visível da distância entre ricos e pobres. Há uma decepção generalizada com o sistema político e mesmo com a democracia. Há uma nostalgia difusa da República, regime em que o poder dos pobres e dos ricos se equivale. Há ainda, o desprezo por duas linhas horizontais e abrangentes na política: cultura e meio ambiente.
Infeliz e geralmente, essas constatações, na América Latina, são sempre preenchidas politicamente, pelo populismo semi democrático ou pelo autoritarismo populista. Outras vezes são preenchidas pelo bolivarismo demagógico. Outras ainda, pelos caçadores de Marajás. Os anjos, nunca tiveram muito papel na vida política do terceiro mundo.
Gandhi não era um anjo. Mandela não era um anjo. Evo Morales não é um anjo. Obama não foi um anjo e Lula nunca foi um anjo. Mas todos eles foram ou são figuras emblemáticas do imaginário popular. Foram pinçados em momentos peculiares da vida política para o exercício do poder, em nome do povo.
O próprio Fernando Henrique, que era intelectual e nem mesmo acreditava em Deus, nunca foi um modelo habitual de presidente para o Brasil, muito menos modelo de candidato viável.
O que faz de Marina uma candidata muito forte e que deveria atemorizar os outros candidatos, é exatamente o que Marina não é, o que Marina não tem, o que Marina não praticou, o que Marina não conquistou, o que Marina perdeu aos olhos de todos.
Marina é igualzinha a você: um vazio cheio de esperança.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags: MARINA, SILVA