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16/10/2009 - 18:47

KANDINSKY NO GUGGENHEIM

kANDINKY ENTRE A MÚSICA E A ESPIRITUALIDADE

A pesar de Kandinsky nunca ter ido aos EUA, 30% de sua obra se encontra lá, no Museu Guggenheim. O resto está no Centre Pompidou e no Lenbachhaus. O grande pintor russo que morreu em 1944 em Paris onde viveu a maior parte de sua vida, manteve uma ampla correspondência com Solomon Guggenheim, que. Além de convidá-lo a mudar-se para os EUA, comprou grande parte de sua obra, de quadros, desenhos aquarelas e guaches.
Tudo isso está exposto no Museu projetado por Frank Lloyd Wright, onde milhares de pessoas fazem fila para ver essa retrospectiva completa de Kandisnky.
Subir as rampas do museu é um prazer espiritual, estético e musical.
Advogado, economista e estatístico no fim do Século XIX, Kandinsky decidiu ser artista e mudar-se para uma escola de belas artes em Munich, depois que viu um quadro de Monet e assistiu a uma opera de Wagner.
Sabia desenhar de criança, mas foi em Munich que assumiu a palheta.
Teórico, afirmou o caráter espiritual da pintura. Teórico, estabeleceu a conexão profunda entre a música e a pintura. Nas telas consagrou o abstracionismo e, no decurso de sua difícil trajetória pelas ditaduras de
Stalin e de Hitler, desintegrou as manchas abstratas em notas musicais claras e autônomas. Ler uma partitura de Schoenberg e contemplar um quadro de Kandinsky requer a mesma acuidade intelectual e estética.
Apesar de ser indiscutível que o modernismo começou com a pintura no começo do Século XX, é difícil dizer onde começou o modernismo de um ou de outro artista. Tenho a impressão de que toda a pintura que se inicia com o silêncio do preto até as altas sonoridades do branco, inspirou-se em Kandinsky, e nisso incluo todos os grandes pintores catalães, desde Miró até o nosso contemporâneo Tapies, que felizmente está vivo.
No fim da vida as tintas de Kandinsky se encontraram com a areia, quando as cores fundamentais empalideceram. A sinfonia transformou-se em catedrais. Desde então o espiritual traduziu a alegria e não a condenação. como as catedrais.

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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