JUROS, USURA E AGIOTAS
NÃO HÁ NADA MAIS ESTÁVEL DO QUE OS JUROS
Não há nada mais antigo do que os juros e seu filho bastardo, a usura e seu manipulador lendário, o agiota. A Bíblia, que em verdade é uma grande ordenação legislativa, na forma e no conteúdo, já condena a usura, ao mesmo tempo em que abençoa, como filhos diletos de Deus, todos os bem sucedidos na vida, no amor, na guerra e nas finanças.
Tão antigo quanto é o comercio, que sempre se realizou com o financiamento das trocas, essência mesma do negócio.
Não apenas os comerciantes, mas os empreendedores que precisavam investir na produção, os burgueses que precisavam investir no comercio e em sua instalação nas cidades, já no fim do Século XIV, os reis, que precisavam financiar as guerras, os cruzados que precisavam financiar o arrebatamento da fé, os agricultores que precisavam adaptar-se à mecanização da lavoura e assim por diante, até hoje, em que um simples cidadão precisa entrar na garagem com dignidade e adotar a linha branca com habitualidade, em 90 prestações que absorvem a metade da vida e mais da metade do salário.
Agora, nestes tempos civilizados, a inflação, a guerra, a energia, o consumismo e a especulação, constituem a base do sistema bancário internacional, generalizadamente chamado sistema financeiro.
Quebrar esse elo é considerado uma heresia moderna, pois acarretaria o próprio esfacelamento dos “estados-nações”, conceito moderno de pátria. Quando o asteróide da especulação se chocou com o Lehman-Brothers, desencadeando a primeira grande crise do Século XXI, num tempo diminuto surgiram trilhões para salvar a instituição sagrada dos juros.
Note-se que nunca houve tal esforço para diminuir a miséria, a desigualdade, o aquecimento da terra, a preservação da natureza, a educação das pessoas. E isso quer dizer, com realismo, que quando a crise acabar, vai surgir um novo ciclo financeiro, igualzinho ao anterior, com regulamentações aparentes e inócuas, porque desde os tempos bíblicos a única covardia sem remédio, é a do homem diante do dinheiro.
Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags: Adicionar nova tag, juros