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21/07/2009 - 17:27

HAARY POTTER NA IDADE DA RAZÃO

NÓS,  E A POÇÃO DA INDIFERENÇA

Harry Potter cresceu, está quase na maturidade. Agora, pode dividir a magia com as aventuras do amor, cujas ciladas são ainda maiores do que as imaginadas pela senhora Rowling. Mas o encantamento da escola de Hogwarts continua o mesmo. Os estereótipos da condição humana, confinados naquele castelo de terror e sedução, casam de tal forma com seus atores, que a ficção fantasiosa parece verdade. Os olhos abertos e as lentes de seus óculos dão a Harry a transparêrncia de ator e personagem. O rival, loirinho e esguio, seria um bom projeto de vampiro, não estivesse sobre o controle vigilante de Dumbledore. Mas Dumbledore morreu.

Pode-se dizer que a ingenuidade dos primeiros capítulos se esvaiu, mas por acaso isso também não aconteceu com nossas vidas, quando a infância acabou? A poção do amor descontraído é hilária. Produz efeitos mais surpreendentes do que o Viagra. Alegrix é um bom nome para substituir o crack, pois há entre a poção e a droga um abismo de classe que nem Marx percebeu. Aragog, a aranha gigante de Hagrid, nos lembra a escultura de Louise Bourgeois, exposta no MAM.

O filme continua belíssimo e a história fascinante, mas a moral da fábula não convence. Quisera os males pessoais que enfrentamos em nossa trajetória humana, e os males políticos que assistimos nos sucessivos mandatos de nossos representantes políticos, fossem artimanha de um único demônio, o Senhor das Trevas. Nossas penas derivam das falhas de estrutura, do esgotamento mecânico e moral, da banalização do espetáculo do mal, da ejaculação precoce das riquezas imaginárias.

Harry Potter encontrará nos próximos capítulos todos os objetos do infortúnio e os destruirá. Dificilmente destruiria o vírus de resignação que nos paralisa diante do possível e nos acovarda diante do impossível.  

Autor: Jorge da Cunha Lima - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
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